RODRIGO CONSTANTINO

O LADO ERRADO DA HISTÓRIA

Lula Irã

Governo brasileiro saiu em defesa do Irã após bombardeio norte-americano

O governo dos Estados Unidos afirmou nesta segunda-feira (23) que os países da América Latina “precisam decidir de que lado estão”, depois que se dividiram sobre a ofensiva americana no domingo (22) contra instalações nucleares do Irã.

Segundo informações do jornal Buenos Aires Herald, uma alta funcionária do Departamento de Estado americano, cujo nome não foi divulgado porque se tratava de uma coletiva de imprensa apenas informativa para veículos de língua espanhola, reiterou o argumento da gestão Trump de que os regimes da Venezuela, Nicarágua e Cuba, aliados do Irã, são “inimigos da humanidade” e chamou a atenção de outros governos latino-americanos.

“Hoje é um ótimo momento para os países da região decidirem de que lado estão: se vão apoiar um regime que é um Estado promotor do terrorismo ou qual outra posição vão adotar”, afirmou a funcionária. “Esta é uma decisão que cada país deve considerar.”

Sabemos a resposta, infelizmente: Venezuela, Cuba, Nicarágua e agora também o Brasil estão do lado errado da história. E não é de hoje. Escondidos covardemente em conceitos ocidentais como “autodeterminação dos povos”, esses regimes tirânicos defendem seus pares contra o próprio povo. É como se os aiatolás xiitas iranianos realmente defendessem a soberania do povo iraniano, e não de sua própria teocracia terrorista.

Essa gente toda que relativiza o que faz o regime iraniano ou seus satélites terroristas como o Hamas, jornalistas que falam em “mortezinha” aqui e ali buscando uma falsa equivalência em número de mortos, estariam certamente ao lado de Hitler na década de 1940. Estariam acusando Churchill por sua “beligerância”, condenando cada morte alemã e pedindo “paz”, ecoando o fracassado Acordo de Monique de Chamberlain.

Hoje podemos ver com clareza como se criam nazistas em pleno século 21. É com o relativismo moral, a falta de clareza, o antiamericanismo e, acima de tudo, o antissemitismo disfarçado de antissionismo. E os relativistas nem sempre parecem bárbaros nazistas. Muitas vezes são “sofisticados” em seus “argumentos” em prol do “debate construtivo”.

É o caso de Joel Pinheiro na Folha hoje, que escreve: “Penso que a prioridade número 1 para aprimorar nossa política é um número maior de pessoas se convencer que seu próprio grupo não é um bastião de valores mais elevados. Amigos e inimigos, sob cores e fantasias diferentes, são muito mais parecidos do que gostam de acreditar”. Israel e Irã são parecidos, por acaso? Estados Unidos, com todos os seus defeitos, defendem valores parecidos com os dos aiatolás xiitas?

Esse tipo de mensagem “fofa”, para acalentar corações culpados de quem no fundo odeia Israel e Estados Unidos e lamenta poucas “mortezinhas” do lado de cá, serve apenas para alimentar a barbárie. “Apontar uma suposta “hipocrisia” do lado adversário em nada ajuda a mostrar que aquilo que você defende está certo. Não faltam desumanidades e contradições para todos”, escreve Joel do alto de sua hipocrisia. São todos imperfeitos, logo, quem são os americanos para apontar dedos para xiitas que degolam gays, apedrejam mulheres e bancam o terrorismo?

A esquerda, da radical a essa “tucana” relativista, sempre escolheu o lado errado da história, como o do Irã. E podem acreditar: existe um lado certo!

DEU NO X

LAUDEIR ÂNGELO - A CACETADA DO DIA

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

DEU NO X

CÍCERO TAVARES - CRÔNICA E COMENTÁRIOS

AMOR, SUBLIME AMOR (2021)

Em destaque a atriz Ariana DeBose, ganhadora do Oscar de melhor atriz coadjuvante 2022

Comenta-se a exaustão a nova versão moderna de AMOR SUBLIME AMOR (2021), novo filme do magno diretor americano Steven Spielberg, refilmagem do clássico musical de (1961), WEST SIDE STORY, dirigido por Robert Wise e Jerome Robbins, filme musical mais premiado da história do cinema, tendo ganhado 10 Oscars, 3 Globos de Ouro e 2 Grammys em 1962, e outros.

Inspirado em Romeu e Julieta, obra mais popular de William Shakespeare e, provavelmente, a história clássica do amor proibido mais conhecida do mundo. Tanto é verdade que essa tragédia romântica é uma das campeãs de adaptação para as telas. O que pouca se sabe é que essa peça de Shakespeare, no que lhe diz respeito, é adaptada de um conto italiano, traduzido em versos para o idioma inglês, que posteriormente recebeu um tratamento em prosa. Ambas as versões serviram de base para a peça shakespeariana…

Existe uma lenda urbana segundo a qual Romeu e Julieta realmente existiram, viveram e morreram em Verona, oriundos de famílias inimigas, e que tinham idade bastante precoce para os padrões atuais – algo em torno de apenas 13 anos, o que justificaria suas ações precipitadas e a paixão avassaladora, que não mede conseqüências.

No filme de Robert Wise e Jerome Robbins, à semelhança do que acontece na peça, o longa-metragem apresenta Tony, antigo líder da gangue de brancos anglo-saxônicos chamados de Jets, apaixonado por Maria, irmã do líder da gangue rival, os Sharks, formada por imigrantes porto-riquenhos. O amor do casal protagonista floresce entre o ódio e a briga das duas gangues e seus códigos de honras, tal qual a desavença histórica entre os Capuletto e os Montechio mostrada em Romeu e Julieta.

Já em Amor, Sublime Amor (2021) do diretor Spielberg, narra a rivalidade juvenil que se passa na Nova Iorque dos anos de 1957. As gangues Jets, estadunidenses brancos, e os Sharks, descendentes de porto-riquenhos, são rivais que tentam controlar o bairro de Upper West Side. Maria (Rachel Zegler) acaba de chegar à cidade para seu casamento arranjado com Chino (Josh Andrés Rivera), para o qual ela não está muito animada. Quando numa festa a jovem se apaixona por Tony (Ansel Elgort), ela precisará enfrentar um grande problema, pois ambos fazem parte de gangues rivais: Maria, dos Sharks; Tony, dos Jets. Nessa história, inspirada em Romeu e Julieta, os dois apaixonados precisarão enfrentar a tudo e a todos se quiserem celebrar esse romance proibido.

Tratando-se de Spielberg, era esperado que seu Amor, Sublime Amor, fosse tão grandioso quanto emocionante, mas o que ele entrega ao público é realmente um dos seus melhores filmes dos últimos anos – e a prova de que, ainda que estejamos em uma fase de refilmagens vazias, pirotécnicas e sem propósitos, ainda existem motivos para revisitar grandes clássicos.

Amor, Sublime Amor conta com uma direção impecável de Steven Spielberg, o que não é de se estranhar, e se torna ainda mais atrativa pelos trabalhos visuais. Enquanto os latinos exploram as cores mais quentes e cheias de vida, os norte-americanos aparecem em tons mais sóbrios, frios, como se fosse uma representação dos sentimentos negativos não só em relação aos seus rivais, como também a indivíduos de diferentes etnias.

Com propostas de mudança, o filme preenche a adaptação original e dá potência à emblemática história também sobre ódio. Assistir a Amor, Sublime Amor, dirigido magistralmente por Spielberg, é não ficar com saudade do primeiro devido à sua atemporalidade. A atuação magistral da atriz Ariana DeBose, ganhadora do Oscar de melhor atriz coadjuvante, depois de ter recusado fazer o papel de Anita por quatro vezes, paga um saco de pipoca.

Trailer Oficial Legendado

Crítica: uma estatueta maior

Spielberg conta porque escolheu adaptar ‘Amor, Sublime Amor’ como seu primeiro musical

DEU NO X

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

A PALAVRA DO EDITOR

PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

O TEU OLHAR – Florbela Espanca

Passam no teu olhar nobres cortejos,
Frotas, pendões ao vento sobranceiros,
Lindos versos de antigos romanceiros,
Céus do Oriente, em brasa, como beijos,

Mares onde não cabem teus desejos;
Passam no teu olhar mundos inteiros,
Todo um povo de heróis e marinheiros,
Lanças nuas em rútilos lampejos;

Passam lendas e sonhos e milagres!
Passa a Índia, a visão do Infante em Sagres,
Em centelhas de crença e de certeza!

E ao sentir-se tão grande, ao ver-te assim,
Amor, julgo trazer dentro de mim
Um pedaço da terra portuguesa!

Florbela Espanca, Vila Viçosa, Portugal (1894-1930)