PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

Passam no teu olhar nobres cortejos,
Frotas, pendões ao vento sobranceiros,
Lindos versos de antigos romanceiros,
Céus do Oriente, em brasa, como beijos,

Mares onde não cabem teus desejos;
Passam no teu olhar mundos inteiros,
Todo um povo de heróis e marinheiros,
Lanças nuas em rútilos lampejos;

Passam lendas e sonhos e milagres!
Passa a Índia, a visão do Infante em Sagres,
Em centelhas de crença e de certeza!

E ao sentir-se tão grande, ao ver-te assim,
Amor, julgo trazer dentro de mim
Um pedaço da terra portuguesa!

Florbela Espanca, Vila Viçosa, Portugal (1894-1930)

Um comentário em “O TEU OLHAR – Florbela Espanca

  1. Este soneto é da época do amor ao Alferes, que viajava parte do mundo, navegando de porto em porto (quanto ciúme), enquanto Florbela era a única que tinha na alma Portugal.

    “Lanças nuas em rútilos lampejos”. Um jeito sutil de descrever uma farra sexual.

    Esta é a diferença da Florbela para o pornográfico Bocage.

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