SEVERINO SOUTO - SE SOU SERTÃO

DEU NO X

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

DEU NO JORNAL

PIADA SE TORNOU CRIME, MAS O CRIME É TRATADO COMO PIADA

Nikolas Ferreira

Léo Lins se manifesta pela primeira vez após ser condenado a 8 anos de prisão por piadas contadas em show

O comediante Léo Lins foi condenado a 8 anos e 3 meses de prisão em regime fechado. Seu crime? Contar piadas. A Justiça Federal argumentou que a decisão foi tomada devido a “falas preconceituosas” do humorista em um de seus shows. Além da prisão, Leo terá que pagar uma multa de R$ 1,6 milhão e indenização de R$ 303,6 mil por danos morais coletivos. No Brasil, as piadas se tornaram crime, mas o crime é tratado como piada.

De forma óbvia, uma decisão incongruente como essa gerou revolta na ampla maioria das pessoas, até porque, no Brasil, muitos dos verdadeiros criminosos não recebem uma pena tão alta. Isso sem falar dos membros de facções soltos por decisões judiciais e permanecem foragidos, como André do Rap.

Tudo isso com um suporte de uma “Justiça” que promove aberrações jurídicas em série.

Na decisão que condenou Léo Lins, a juíza Bárbara de Lima Iseppi, da 3ª Vara Criminal de São Paulo, usou a Lei 14.532/2023, mais conhecida como “Lei Antipiadas”, uma das primeiras sancionadas por Lula neste mandato, para agravar a pena contra o humorista. 

Tais mudanças fazem com que a pena máxima para piadas com “grupos minoritários” seja maior do que as aplicadas a crimes como furto, receptação de bens roubados e sequestro, por exemplo. Ainda mais absurdo é que, diferente do que acontece em crimes como homicídio e estupro, o “crime” de Leo Lins não prescreve. 

Ironicamente, resgatei e postei um vídeo em que Lula não só defende como incentiva piadas consideradas xenofóbicas: “Nós queremos um mundo multipolar, que tenha 500 pessoas discutindo na mesa, aí sim a gente vai ter o mundo feliz. O cara contando piada de nordestino e eu rindo… Eu contando piada de outras pessoas e as pessoas rindo… Está proibido contar piada, o mundo está chato pra cacete, o mundo está pesado. Todas as piadas agora viraram politicamente erradas. Então, não tem mais graça. Se você quer dar risada, tem esse programa de humorismo chato pra cacete na televisão. Parece que depois que o Chico Anysio morreu, desapareceram os humoristas do Brasil”, disse o petista em 2022.

Somente o fato da balança da Justiça pesar mais para a comédia do que para os crimes citados acima já seria uma justificativa para todos, independente da ideologia, se posicionarem em defesa da liberdade de expressão, mas sabemos que não é assim que funciona.

Apesar de inúmeros comediantes terem condenado a decisão da juíza, outros que se tornaram escravos do politicamente correto, como os humoristas da Globo, permaneceram calados. São leões para fazer piada com cristãos e políticos de direita, mas gatinhos hipócritas até para defender seus colegas de profissão.

Você não só pode como tem o direito de não gostar e até mesmo repudiar não só as piadas de Léo Lins, como as de qualquer outro comediante. Eu mesmo considero alguns extremamente talentosos, mas outros são engraçados somente na opinião deles próprios. Porém, é fato que jamais podemos normalizar nenhum ato que promova qualquer tipo de tirania no Brasil. 

Infelizmente, uma decisão lamentável como essa é só mais um símbolo de como a esquerda quer fortalecer cada vez mais um projeto de censura em nosso país, já consolidado há décadas nos regimes autoritários de seus aliados.

DEU NO X

MARCELO BERTOLUCI - DANDO PITACOS

GUERRA

Alaa al-Najjar é uma pediatra que trabalha no hospital al-Tahrir, em Gaza. Na semana passada, ela estava trabalhando enquanto seu marido, também médico, e seus dez filhos, com idades entre um e doze anos, estavam em casa. Então ela recebeu a notícia de que sua casa havia sido atingida por uma bomba incendiária durante um ataque israelense. Logo depois, chegaram ao hospital os corpos carbonizados de nove de seus filhos. Apenas seu marido e um de seus filhos sobreviveram, gravemente feridos. (Clique aqui para ler a matéria)

* * *

Eu não me espanto com a existência de políticos que fomemtam guerras. Como diz um velho bordão, todo poder corrompe e o poder absoluto corrompe de forma absoluta. Políticos são famintos por poder e dinheiro, e guerras são uma forma excelente de conseguir os dois.

Mas ainda me espanto em constatar como tantas pessoas podem ser convencidas, e com facilidade, de que uma guerra pode ser “justa” e que um dos lados é bonzinho e coberto de razão. Me espanto em constatar como jornalistas, geralmente tão ciosos de sua responsabilidade e de sua sagrada missão de informar, aceitam o papel de meninos de recado dos políticos da vez. Me espanto em constatar como pessoas inteligentes, chamadas de “intelectuais”, transformam-se em torcida organizada destes mesmos políticos.

* * *

Sobre isso, eu acabei de ler um artigo da jornalista e escritora Caitlin Johnstone, com uma idéia interessante sobre o assunto. (tradução não-literal minha):

“Se você é de esquerda e se considera humanitário e progressista, existe uma narrativa falando como os judeus foram perseguidos e discriminados ao longo da história e porque você deve sentir pena deles e apoiá-los em tudo que fizerem.

Se você é de direita e se considera conservador, existe uma narrativa falando como todos os muçulmanos são terroristas perigosos e porque você deve apoiar os esforços de Israel em defender a civilização ocidental desta terrível ameaça.

Se você é um religioso fundamentalista, existe uma narrativa falando como Israel tem o direito de expulsar os palestinos da maneira que quiser porque essa é a vontade de Deus.

Se você é um fascista/nazista/racista ou simplesmente não gosta de árabes, existe uma narrativa feita sob medida para você.

E se por acaso você simpatiza com os palestinos e não acha justo o que está acontecendo, existem narrativas, políticas e planos de ação para que opiniões como a sua sejam caladas, estigmatizadas, ridicularizadas, odiadas e marginalizadas.”

* * *

Naturalmente, pode-se construir frases semelhantes às da Caitlin defendendo o lado oposto. E é aí que mora o problema: transformar o que deveria ser uma questão ética em uma mera disputa de narrativas, uma competição de argumentos.

Minha opinião pode ser completamente irrelevante para o mundo, mas ainda é a minha opinião e eu não me envergonho de expô-la: Toda guerra é uma vergonha, não existe “guerra justa” e a única coisa que se deve desejar a respeito de qualquer guerra é que ela acabe o mais rápido possível.

DEU NO JORNAL

O CONLUIADOR

Virou alvo de denúncia à Procuradoria-Geral da República (PGR) a confissão do presidente Lula (PT) de que recomendou “muita cautela” à Polícia Federal e à Controladoria Geral da União (CGU) na investigação das entidades picaretas beneficiados pelo roubo aos aposentados do INSS.

Segundo o autor da denúncia, deputado Evair de Melo (PP-ES), não é papel do chefe de Estado moldar o ritmo da Justiça:

“[Lula] não pratica a virtude da prudência, mas o vício do conluio”, diz.

* * *

Excelente a expressão “vício do conluio”.

O parlamentar resumiu de forma brilhlante o caráter do descondenado.

E fechou tudo com esta frase:

“Não é cautela, é interferência. Não é estadismo, é subversão silenciosa do Estado de Direito”.

HÉLIO CRISANTO - UMA LUA, UM CAFÉ E UM BATENTE

O NOSSO FORRÓ

Já não se vê nos salões
Nosso forró genuíno
Clamo ao povo nordestino
Honrar nossas tradições.
Não aceite imitações
Ouça Petrúcio e Dió
Flávio lá de Bodocó
Gonzagão e Marinez;
Estão querendo de vez
Sepultar nosso forró.

Escute um xote de pinto
Azulão e mestre Zinho
Santana e Jorge de Altinho,
Não deixe o forro extinto.
Ouça um Côco de Jacinto
Desses que levanta o pó
Escute João Mossoró
Em todo dia do mês;
Estão querendo de vez
Sepultar nosso forró.

Na sua festa junina
Se quiser um clima bom
Convide o mestre Marrom
Com zabumba e concertina.
Pelos salões de Campina
Quero ver um ritmo só
E Deda abrindo o gogó
Cantando com altivez;
Estão querendo de vez
Sepultar nosso forró.

Quero um São João genuíno
Sem sertanejo e axé
Tocando Flavio José
Para o povo nordestino.
Na poeira um dançarino
Dançando qui nem jiló
E o contratante sem dó
Pagando bem os cachês;
Estão querendo de vez
Sepultar nosso forró.

DEU NO X

CARLOS EDUARDO SANTOS - CRÔNICAS CHEIAS DE GRAÇA

“HEROLAND CAFÉ”

Heroland Café, capa do livro

Com certa dificuldade consigo diminuir a fila de livros que estão aguardando leitura e comentários.

Desta vez dediquei vários horários disponíveis para ler Heroland Café, de autoria de Philippe Maia, carioca, neto de um dos meus amigos, Renato Machado Maia, desde quando trabalhamos juntos, na década de 1950, no Recife.

Ator, diretor de dublagem e dublador, Philippe incursiona pelas sombras do romance de mistério e se inspira em familiares, dentre eles, na figura do seu avô materno, para montar sua trama, narrativa que poderá concorrer com os melhores ficcionistas brasileiros.

Mergulha no imaginário com segurança, sendo capaz de tornar seu livro, mais adiante, talvez, em filme, já que sua profissão está bastante ligada à arte cinematográfica.

Philippe Maia, diretor de dublagem e escritor

Uma abordagem importante é que ele soube ilustrar seu trabalho com notas históricas sobre a cidade do Rio de Janeiro, dando oportunidade aos leitores de conhecer, também, outros fatos internacionais de importância, tais como a Feira Mundial de 1904, realizada em Saint Louis, na América do Norte.

Outra importante referência, o autor faz ao projeto do Fairey Rotodyne, transporte híbrido de avião e helicóptero que funcionou durante vários anos, mas devido ao ensurdecedor ruído, o projeto foi arquivado.

O enfoque do livro é bem interessante porque trata de estranhos fenômenos que acontecem na antiga capital do Brasil, quando ocorre uma espécie de epidemia contra a saúde de bebês. Aí se concentra a trama.

Todavia as páginas trazem informações fotográficas preciosas, tais como a imagem do antigo Palácio Monroe, situado na região central do Rio, que abrigava o Poder Legislativo Federal, construção infelizmente demolida em 1976, vários anos depois que a Capital Federal se mudou para Brasília.

Ao derivar sua narrativa para a linha histórica das realidades brasileiras, algumas ocorridas em eras quase esquecidas, oferece ao leitor a oportunidade de conhecer fatos que já foram praticamente arquivados, em definitivo, por nossos arquivos.

Entretanto, seu mérito maior está em conseguir imaginar uma obra literária complexa, sem se afastar de sua difícil profissão de dublador, a qual, sabemos, exige trabalho exaustivo, sobretudo de voz, para interpretar personagens os mais diversos.

Merece nossos melhores aplausos. Bom divertimento para os que apreciam mistérios de boa narrativa e descrição de fatos outros desconhecidos.

Quanto ao título da obra, é comum nos Estados Unidos e em outras partes do mundo, denominar como “cafés”, locais destinados à promoção ou homenagem de gêneros musicais, tais como o Hard Rock Café, modalidades esportivas e heróis. Sejam eles reais ou imaginários.

Heroland Café enaltece o heroísmo, os valores éticos e morais, as boas causas e os alicerces fundamentais da nossa civilização.