Lambuzou com piche, salpicou pedrisco e botou sem dó.
Essa é a postura que o Brasil deve ter, e não ficar pedindo benção para quem já destruiu suas florestas e querem dar lição para o agro brasileiro sobre conservação da mata nativa.
Construída numa área elevada pouco mais de um metro do nível local, a residência da família Silva Costa teve seus momentos áureos na época do domínio da cana-de-açúcar.
Era ali que muitos donos de engenhos do lugar se reuniam durante a noite para acertar contas, conhecer os lucros que estavam tendo, e, até para negociar a venda de alguns poucos negros escravos.
Há quem afirme que, em meados do século XIX, por conta do descobrimento da sonegação de impostos, o Governo resolveu fiscalizar com mais veemência, provocando, entre outras coisas, o desinteresse dos canavieiros pelo plantio e colheita da matéria prima (cana-de-açúcar). Muitos proprietários de terras resolveram mudar para centros urbanos desenvolvidos, onde certamente poderiam investir noutros negócios.
E assim era feito.
No povoado Pedras Verdes (onde diziam que havia minas de turmalinas – o que teria gerado o nome de Pedras Verdes), a casa dos Silva Costa chamava a atenção de quem por ali passasse, com a rodovia passando ao lado, numa distância de 120 metros. De longe se avistava o casarão. Um verdadeiro fascínio, quando habitado.
Os proprietários foram embora, e, os poucos escravos desapareceram, tentando viver a liberdade noutro lugar.
Sem habitante, sem cuidado e manutenção, a deterioração chegou a galope. Pássaros, cobras, urubus, corvos, raposas e outros tantos animais fizeram dali a sua moradia. Alguns cavalos que serviam aos proprietários, sem alimentação e sem cuidados, acabaram morrendo de fome e as carcaças tornaram o ambiente lúgubre e de um fedor insuportável.
Rápidos e levados pelo vento, os boatos ganharam a vizinhança, dando conta de que a casa era mal-assombrada, e em noites de lua cheia se escutavam gemidos de escravos, uivos de raposas, sobrevoos de corujas – tudo provocado por uma forte ventania que chegava naquela casa construída um pouco mais alta do nível do chão.
Soube-se, também, que havia um sótão no interior da casa, e que lá vivia uma velha com duas cabeças, que fora ali aprisionada para não ser vista por ninguém. Teria morrido de fome e sede – e agora vivia aparecendo para cobrar atenção dos proprietários.
Verdade ou não, em noite de lua cheia nenhum passante se atrevia a andar devagar naquela estrada, de onde diziam avistar luzes incandescentes e ouvir muitas vozes – que afirmavam ser dos antigos proprietários negociando preços da matéria prima e a venda de escravos.
Bateu quinta-feira passada os R$ 900 bilhões a fortuna que o brasileiro já pagou em impostos neste ano, segundo o impostômetro da Associação Comercial de São Paulo.
E sem que o governo federal tenha entregado absolutamente nada para melhorar a qualidade de vida do brasileiro.
* * *
Chega se engasguei-se-me quando li a faraônica quantia:
R$ 900 bilhões!!!
E é só o imposto arrecadado nos três primeiros meses deste ano.
É pra arrombar a tabaca de Xolinha!!!
Esse “abslutamente nada” no segundo parágrafo é o retrato cagado e cuspido do desgunverno petralha.
Fiquei deveras emocionado com sua homenagem prestada a mim em sua coluna,ontem aqui no JBF. Estou muito feliz por você me dedicar uma de suas belas crônicas hebdomadárias, ressaltando minha trajetória musical após recolher-me ao ócio remunerado.
Em verdade, desde jovem sempre gostei de cantar, aliás, nossa casa era um celeiro de grandes cantores, minha saudosa mãe tinha uma doce voz de soprano. Meus irmãos Salomão (in memoriam), Batista (in memoriam) e Emanuel já cantavam antes de mim, e o faziam muito bem. Para mim, a melhor voz dentre os irmãos era a do Salomão. O Luiz, o caçula, é um grande percussionista.
Conforme relatei anteriormente para você, aos dezoito anos de idade fui guitarrista base e cantor do Conjunto Musical “Os Diamante”, da AABB de Crateús, minha querida cidade natal. Meu saudoso pai era funcionário do Banco do Brasil.
A Virgem, no coração Conservava a sua fé, Com Pedro e com Salomé, Junto Madalena e João; A Santa Ressurreição Esperava outra Maria: Chegava o terceiro dia, De Jesus ressuscitar Para se realizar O que Cristo lhes dizia.
Quando o tempo se venceu, Entre a mofa dos soldados Que saíram, apavorados, Quem estava ali correu. Quando o anjo apareceu, Direto a eles falou: – A pedra se levantou! O anjo disse também: – Digam em Jerusalém Que Jesus ressuscitou!
Madalena foi levar Aromas à Sepultura; O Mártir da Escritura Não estava no lugar… Começou a indagar A dois mancebos que via, Na tristeza que sentia Um homem se apresentou E a ela perguntou: – Por que tu choras, Maria?
Madalena perturbou-se Diante o olhar sereno; – Meu Senhor, o Nazareno! E dando um grito, prostrou-se. Ela bastante alegrou-se, Por ser quem primeiro o via (Ela também não sabia Que a primeira visita Jesus fez à Mãe aflita, Bendita Virgem Maria).
Ana Belmira da Fonseca Barandas ou Ana Eurídice Eufrosina de Barandas, seu nome literário, nasceu em Porto Alegre, RS, em 8/9/1806. Segundo a historiadora Hilda Flores, “é a primeira mulher poeta-cronista-novelista do Brasil”; para Maria Helena de Bairros “foi uma das introdutoras da forma narrativa na literatura sulina e brasileira” e segundo Sergio Barcelos Ximenes, Eugênia ou a filósofa apaixonada (1845) é a primeira história de ficção de escritora brasileira e Diálogos (1845), o primeiro texto feminista do teatro nacional”.
A pioneira da literatura feminina e feminista no País era filha de Ana Felícia do Nascimento e Joaquim da Fonseca Barandas, um casal de portugueses. O pai, cirurgião culto, amealhou considerável riqueza e possibilitou refinada educação literária e musical à filha. Casou-se em 1822 com o advogado português José Joaquim Pena Penalta e viveram alternadamente no Rio de Janeiro e Porto Alegre até 1843, quando se deu a separação do casal.
Após a morte do pai, em 1850, ela assumiu a chefia da família. Seu primeiro contato com o feminismo se deu com a leitura do livro Direitos das mulheres e injustiça dos homens (1832), escrito por Nísia Floresta (1810-1885), de quem se tornou amiga. Na Revolução Farroupilha (1835-1845, tomou partido a favor do Império contra o separatismo. Em 1845 publicou o livro O ramalhete, ou flores escolhidas no jardim da imaginação, reeditado pela historiadora Hilda Flores, em 1990, e lançado pela Editora Nova Dimensão/EDIPUCRS.
Trata-se de uma coletânea de poesias, crônicas e contos escritos ao longo da década anterior, onde expressa o amor, suas alegrias e desilusões; a experiência da guerra; o patriotismo numa reflexão filosófica e crítica social. Segundo os críticos, “registra-se em sua obra um certo grau de erudição e um desejo de filiar-se a uma tradição pelo fato de ter invocado figuras mitológicas para traduzir a fatalidade das situações e dos atos humanos”.
O caráter feminista de sua obra foi acentuado no texto Diálogos, uma argumentação que se contrapõe ao machismo dominante. Uma batalha intelectual entre os personagens Mariana (a própria autora), Huberto (o pai ultra-conservador) e Alfredo, o primo conciliador que aceita em parte as mudanças e inovações impostas pela Revolução Farroupilha. No conto Eugênia ou a filósofa apaixonada, ela se posiciona contra o casamento arranjado pelos pais, um costume comum na época.
No texto A filosofia por amor, defendeu que as mulheres passassem a participar das preocupações políticas, ou seja, daquilo que diretamente influenciava a vida da mulher, de seus maridos e filhos. De resto, uma preocupação compreensivel em tempos de guerra. Ainda segundo Maria Helena de Bairros Campos, em sua tese de doutorado “A produção de poesia lírica das mulheres sul-riograndenses: uma escrita amarfanhada” defendida em 2004, na PUC/RGS, ela “fez uso da temática da guerra como mote para a criação literária”.
Faleceu em 23/6/1863 e não dispomos de uma biografia da autora, mas contamos com um estudo bio-bibliográfico: Ana Eurídice Eufrosina de Barandas, escrito por Hilda Agnes Flores, publicado em “Travessia – Revista de Literatura Brasileira”, nº 23, 1991. Clique aqui para acessar.