DEU NO JORNAL

ENDIVIDAMENTO DOS BRASILEIROS ENFORCA O GOVERNO LULA

Guilherme Macalossi

Em Desenrola 2.0, governo Lula aposta em renegociação de dívidas com bloqueio de CPF em casas de apostas.

Em Desenrola 2.0, governo Lula aposta em renegociação de dívidas com bloqueio de CPF em casas de apostas

O Desenrola 2.0 é um monumento à bola de neve do endividamento como política induzida pelo governo. Os brasileiros foram instados a consumir despudoradamente porque Lula desejava manter a economia aquecida durante todo seu mandato e vender a pauta eleitoreira do “Brasil pujante”. Emprego, renda e consumo articulados como slogans de campanha. Uma receita política que deu certo em 2006, mas que parece não se repetir vinte anos depois. O cidadão comum, mesmo empregado, está no limite, com sua renda mensal dissolvida em contas que vão se sobrepondo, aniquilando qualquer percepção residual de bonança.

É importante ressaltar que a primeira edição do programa Desenrola não foi pensada com o fito de resolver o problema financeiro que, na época, já engolfava 73% da população em 2023. O propósito era mascarar uma camada profunda de dívidas com uma repactuação de contas que serviria para que as pessoas fossem lançadas ao mercado para comprar e se endividar novamente. Há uma coletânea de frases de Lula incentivando que os brasileiros consumissem mais.

Já no discurso de posse, o presidente sinalizou qual seria a toada de sua política. ”A roda da economia vai voltar a girar e o consumo popular terá papel central neste processo”, disse. Em julho do mesmo ano, em uma entrevista a jornalistas, falou especificamente do Desenrola, que iria, em suas palavras “libertar milhões de brasileiros que vão poder voltar ao consumo livremente, alegre, sorrindo, podendo comprar aquela coisinha que ele sonha comprar”.

Veio o Desenrola, e, na sequência, o crédito consignado descontado na folha de pagamento. Ao invés de diminuir, o número de pessoas que contrataram passivos impagáveis aumentou ainda mais. Como um pato submetido à gavagem, a economia brasileira engoliu crédito goela abaixo até que explodisse na forma de um endividamento ainda mais avassalador. O foie gras indigesto servido pelo PT não cabe no bolso da população.

Ao mesmo tempo em que incentivou o endividamento, o governo mesmo se endividou. A trajetória explosiva das contas públicas inviabilizou qualquer corte drástico na taxa de juros, que deverá ficar ainda por um bom tempo bem acima dos dois dígitos. A precificação desse percentual foi parar na conta do trabalhador que, na ponta, foi induzido a tomar dinheiro emprestado do sistema bancário para, como disse Lula, “voltar ao consumo livremente, alegre, sorrindo”.

A crescente impopularidade do presidente e o aumento da competitividade de seus adversários mostra que ninguém parece estar “alegre, sorrindo”. Ao contrário. Com o boleto vem a frustração, e uma hora a conta chega, seja na caixa de correspondência, seja na urna eletrônica.

LAUDEIR ÂNGELO - A CACETADA DO DIA

DEU NO X

PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

A UMA RAPARIGA – Florbela Espanca

À Nice

Abre os olhos e encara a vida! A sina
Tem que cumprir-se! Alarga os horizontes!
Por sobre lamaçais alteia pontes
Com tuas mãos preciosas de menina.

Nessa estrada da vida que fascina
Caminha sempre em frente, além dos montes!
Morde os frutos a rir! Bebe nas fontes!
Beija aqueles que a sorte te destina!

Trata por tu a mais longínqua estrela,
Escava com as mãos a própria cova
E depois, a sorrir, deita-te nela!

Que as mãos da terra façam, com amor,
Da graça do teu corpo, esguia e nova,
Surgir à luz a haste duma flor!…

Florbela Espanca, Vila Viçosa, Portugal (1894-1930)

DEU NO X

SEVERINO SOUTO - SE SOU SERTÃO

DEU NO JORNAL

COMENTÁRIO DO LEITOR

SURGIU A URNA PILILI !!!!

Comentário sobre a postagem A URNA “PILILI”

Maurino Júnior:

Na era da Idiocracia, não basta simplificar: é preciso infantilizar. A realidade já não deve ser compreendida — deve ser mascoteada, colorida, domesticada até caber no recreio da superficialidade.

Surge então “Pilili”, não como símbolo cívico, mas como sintoma clínico e cínico: a política reduzida à pelúcia e o voto transformado em brinquedo pedagógico para adultos que desaprenderam a ser adultos.

Aplaude-se não a ideia, mas o alívio de não precisar pensar. A complexidade democrática, que exige consciência, responsabilidade e maturidade, é trocada por uma caricatura simpática — porque refletir cansa, mas sorrir para bonecos é confortável.

Eis o triunfo da estética sobre a substância, do afago sobre o argumento.

A Idiocracia não se impõe com violência; ela seduz com fofura. E, quando percebemos, já estamos debatendo mascotes enquanto o essencial escorre silenciosamente pelos dedos.

No fim, não é “Pilili” que nos representa — é o aplauso acrítico que a consagra.

Esse é o país do futuro.

Como existe gente cretina no mundo.

E me parece, que 99,9% deles, estão aqui nesta terra infeliz.

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DEU NO X

ALEXANDRE GARCIA

O NOVO DESENROLA INCENTIVA A CULTURA DO “RESOLVE DEPOIS”

Lula, na cerimônia de assinatura da Medida Provisória referente ao Novo Desenrola Brasil

Bom dia.

Vejo muitos órgãos de informação dando ampla cobertura ao “Desenrola”. Na verdade, o programa tem uma essência negativa, porque estimula o endividamento. Dirão: “Ah, está oferecendo crédito, está ajudando a resolver”. Sim, mas o primeiro Desenrola, lançado às vésperas da eleição anterior — portanto, com caráter eleitoreiro, na eleição municipal de 2024 —, já lidava com 15 milhões de endividados. Agora, esse número mais que dobrou. Por quê? Porque se oferece crédito fácil e, depois, tenta-se resolver o problema.

É isso que vemos no país: facilita-se no início, e a situação piora depois. Quando se solta um condenado, o crime piora; a corrupção também, porque se transmite a ideia de que alguém pode cometer diversos crimes, ser condenado em várias instâncias e, ainda assim, ser solto. A mensagem que fica é: “Vamos fazer de novo”. Enquanto isso, retiram-se bilhões dos aposentados da Previdência, e o Poder Judiciário acaba aceitando situações questionáveis, como se tudo fosse simples.

Os juros são altos por causa dos gastos do governo. Isso é amplamente conhecido: o governo precisa tomar dinheiro emprestado no mercado, emitir títulos e pagar juros. Sendo o principal devedor — com uma dívida que supera os 10 trilhões de reais —, o Estado brasileiro pesa diretamente na definição das taxas. Ainda que o Banco Central faça um grande esforço para controlar o crédito e a inflação, esta deve ultrapassar o teto da meta neste ano.

É o resultado de um governo que gasta demais e, ao mesmo tempo, estimula excessos. Não existe almoço grátis. A riqueza não surge do nada. A geração de renda depende da combinação de natureza, capital, trabalho e tecnologia. Não há outro caminho. A normalidade está na economia de mercado, nas leis de oferta e demanda, nessa “mão invisível” que regula a produção e o consumo de bens e serviços.

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Perseguição contra famílias

Há ainda outra questão, que já mencionei e volto a destacar, por me tocar particularmente: conheço muitas famílias que educam seus filhos em casa, com excelentes resultados. Além disso, as crianças ficam menos expostas a influências externas indesejadas. No entanto, em Jales, um juiz condenou um casal — pais de duas meninas — porque elas não frequentam a escola. Estudam em casa, com a mãe e duas professoras, apresentando alto rendimento.

O ponto levantado foi o fato de as meninas não gostarem de funk, o que o juiz considerou discriminatório. O Ministério Público pediu a absolvição dos pais, mas, ainda assim, eles foram condenados a 50 dias em regime semiaberto. A pena pode ser suspensa caso matriculem as filhas na escola, mas ainda terão de prestar serviços à comunidade. Trata-se de uma decisão que provavelmente será revertida em segunda instância, por carecer de fundamento razoável. Há, ao que parece, um viés ideológico nesse caso.

Vale lembrar que o ensino domiciliar, ou “homeschooling”, já foi aprovado na Câmara dos Deputados em 2022 e agora está em análise no Senado. É hora de pressionar para que o projeto avance.

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Astronauta ausente

Também comentei sobre o chamado “senador astronauta”, que explicou por que não votou. Ele afirmou que estava presente, mas optou por não votar para não favorecer a indicação de Messias, que precisava de maioria simples. Ao se abster, contribuiu para que o resultado esperado não fosse alcançado. Trata-se de uma estratégia pouco compreendida, o que gerou cobranças.

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Lula, Trump e Leão XIV

Para encerrar, há a questão envolvendo PCC, Lula e Trump. Lula viaja nesta quinta-feira para Washington, onde se encontrará com Trump, que deve cobrá-lo sobre esse tema. O presidente brasileiro busca algum tipo de acordo no combate ao narcoterrorismo.

Chega-se a questionar se haveria intenção de proteger facções como o Comando Vermelho ou o Primeiro Comando da Capital, o que não parece plausível de forma tão explícita. Outro ponto curioso é que Marco Rubio não deve participar da reunião, pois será recebido pelo Papa, no Vaticano, no mesmo dia.

O Papa Leão, de origem americana e com experiência missionária no Peru, fala também espanhol. Fica a curiosidade sobre o idioma da conversa. Na véspera do encontro, Trump voltou a criticar o Papa, sugerindo que ele não se oporia ao Irã possuir armas nucleares. No entanto, o Papa nunca afirmou isso. Sua posição é pela paz. Trump interpreta que buscar diálogo com o Irã equivale a permitir o avanço nuclear, o que não corresponde ao que foi dito.

A missão do Papa é promover a paz. Sua mensagem é, essencialmente, de amor e reconciliação.

Essa é a mensagem.