O presidente Lula (PT) estava com pânico de ser humilhado pelo americano Donald Trump, com quem se encontrou ontem (7).
Para evitar qualquer aperto, a delegação brasileira pediu à Casa Branca para barrar a imprensa, que havia sido convidada para participar dos primeiros trinta minutos da reunião.
Também foi cancelada a coletiva conjunta de Lula e Trump, após o encontro, e o petista preferiu um ato solo, na Embaixada do Brasil em Washington, para poder definir sozinho o resultado.
O governo brasileiro alegou que a coletiva conjunta foi cancelada porque o encontro se alongou. Mas não explicou por que Lula chegou atrasado.
“Visita estranha de Lula”, descreveu o jornalista espanhol David Alandete. “Carregada de tensão por causa de Bolsonaro, tarifas, Cuba…”
John Roberts (Fox News) disse que virou piada a proibição da imprensa, mas fez sentido, já que a relação Lula-Trump é “bastante conturbada”.
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A palavra pânico, usada nesta nota aí de cima, é um resumo perfeito.
O descondenado não obrou nas calças porque usou fraldas geriátricas como medida de prevenção.
Ele pediu que a imprensa fosse barrada pra que os jornalistas não sentissem o fedor.
Filho de um motorista e de uma faxineira, Erlon Chaves foi uma criança prodígio e quebrou o estereótipo do negro sambista. Estudou piano, canto, harmonia e regência, compôs trilhas de filmes, novelas e jingles (incluindo o lendário “Já é hora de dormir”, dos Cobertores Parahyba), gravou e fez turnê com Elis Regina.
Bon-vivant, namorou Vera Fischer, então Miss Santa Catarina 1969, que conheceu quando era o jurado debochado do Programa Flávio Cavalcanti. Mas foi com a inesquecível parceria com Wilson Simonal que conquistou de vez o reino do suingue. Seus arranjos requintados e dançantes ajudaram a consolidar o soul jazz brasileiro.
Erlon Chaves foi um dos mais notórios alvos de preconceito racial na história da música pop brasileira, ao lado de outros dois “crioulos atrevidos que não sabiam os seus lugares”, como a eles se referiam os censores. Simonal (acusado de ser informante da ditadura) e Toni Tornado (envolvido em imbróglio no mesmo festival por cerrar o punho como os Panteras Negras).
Abalado emocionalmente após o episódio do FIC, Erlon Chaves nunca mais voltou a se apresentar ao vivo. Faleceu de um aneurisma cerebral em novembro de 1974, aos 40 anos, após passar mal em uma loja de discos no bairro do Flamengo. Comprava uma vitrola portátil para Simonal, então preso.
Com o passar dos anos, foi alimentada uma história de que a morte teria sido ocasionada por uma discussão defendendo o seu soul brother. Seu enterro foi acompanhado por 3 mil pessoas, entre eles Flávio Cavalcanti, Bibi Ferreira, Martinho da Vila e Simonal (sob escolta da polícia).
O músico e produtor Cacau Franco, primo de Erlon Chaves e administrador de seu espólio, revelou à Trip que planeja um tributo ao maestro no segundo semestre, marcando os 40 anos de sua morte. Em fase de captação de patrocínio, a homenagem virá em forma de shows no Rio e em São Paulo e um DVD.
Erlon tinha como amigo-irmão o cantor Wilson Simonal.
Em 1957, com 23 anos, assumiu a regência de Orquestra da TV Tupi, e começou a criar arranjos para diversos artistas, tornando-se requisitado na indústria …
Tanto o maestro Erlon Chaves, quanto o cantor Wilson Simonal foram profundamente afetados e considerados vítimas dos “Anos de Chumbo” da ditadura militar brasileira (1968-1974), embora de maneiras distintas e trágicas.
– Erlon Chaves foi vítima direta de perseguição, racismo e censura após apresentações consideradas “imorais” pelo regime.
– Wilson Simonal teve sua carreira destruída e foi isolado após ser acusado injustamente de delator (X9) da ditadura, um rótulo que o perseguiu após um incidente pessoal com seu contador.
– Em 1970, no V Festival Internacional da Canção (FIC), Erlon apresentou “Eu Também Quero Mocotó”. A performance, que incluía o maestro negro sendo beijado por várias loiras, foi considerada “assédio moral” e “imoral” pelos militares.
– Ele foi preso, algemado e levado para um interrogatório, ficando proibido de exercer sua profissão por 30 dias.
– Relatos indicam que ele foi sequestrado e mantido em cativeiro por agentes da repressão, sofrendo insultos racistas.
– Abalado pela perseguição, Erlon Chaves faleceu de infarto em 1974, aos 40 anos, enquanto comprava uma vitrola para Simonal, que estava preso.
Falando em Wilson Simonal, ele foi o cantor mais popular do Brasil, no início dos anos 70. Mas sua trajetória foi interrompida.
– Acusação de X9: A repercussão desse fato fez com que Simonal fosse rotulado como informante da ditadura (“dedo-duro” ou X9), o que gerou um boicote generalizado da classe artística e da mídia. Condenação: Apesar de ter se declarado a favor do regime para tentar se defender, Simonal foi processado e condenado.
– Reabilitação Póstuma: Após sua morte em 2000, e um documentário de seus filhos, a imagem de Simonal foi revisada, e ele foi inocentado da acusação de ser delator pelo Conselho Federal da OAB em 2003.
Resumindo, Erlon Chaves e Wilson Simonal, ambos grandes artistas, foram “devorados pelo monstro” daquele período, com Erlon sofrendo diretamente a brutalidade física e censura, e Simonal sofrendo a destruição pública de sua reputação.
Erlon Chaves foi um dos mais notórios alvos de preconceito racial na história da música pop brasileira, ao lado de outros dois “crioulos”: Wilson Simonal e Tony Tornado.
É lamentável a destruição de talentos no nosso País, em pleno vigor, sendo ridícula a tentativa de resgate posterior, da memória dessas pessoas injustiçadas.
Lula discursa durante lançamento do Novo Desenrola Brasil, em 4 de maio
Em um exemplo da célebre definição de insanidade – fazer a mesma coisa várias vezes, esperando resultados diferentes –, o governo Lula lançou, no início desta semana, uma segunda edição do seu programa de renegociação de dívidas, o Novo Desenrola Brasil. A iniciativa tem versões específicas para famílias, para produtores rurais, para estudantes com parcelas atrasadas do Fies, para aposentados e para empresários. Permitirá o uso de parte do FGTS (R$ 1 mil ou 20% do saldo, o que for maior), e bloqueará o CPF do devedor nos sites de apostas, as “bets”. A constatação óbvia é a de que se trata de um plano eleitoreiro, lançado para tentar aliviar a situação de Lula nas pesquisas de intenção de voto. A pergunta óbvia é: por que o primeiro Desenrola não funcionou?
Em 2023, 15 milhões de pessoas renegociaram R$ 53 bilhões em dívidas. No entanto, segundo dados do Banco Central, cada real renegociado naquela ocasião gerou R$ 1,15 em novas dívidas. O que aconteceu? No melhor estilo “a culpa é minha e eu a coloco em quem eu quiser”, no lançamento do novo Desenrola o governo responsabilizou as bets (que, é verdade, introduziram um novo elemento no endividamento dos brasileiros, vendendo o sonho da fortuna com pouco ou nenhum esforço) e até o ex-presidente Jair Bolsonaro. Mas nenhuma frase é tão emblemática quando a do ministro da Fazenda, Dario Durigan: “A expectativa de uma redução de juros se frustrou por várias razões e a gente foi percebendo um incremento da taxa de juros, o que onerou as famílias na contramão do que o primeiro Desenrola havia preparado”.
A Selic até caiu logo após o lançamento do Desenrola original: era de 13,75% ao ano e chegou a 10,50% em meados de 2024, mas logo disparou até 15% em junho de 2025, patamar em que se manteve até pouco tempo atrás. Mas que “várias razões” explicam a frustração da expectativa na redução dos juros? O ministro não disse, até porque acabaria se complicando muito caso quisesse ser honesto, e seria facilmente desmentido caso quisesse seguir o tradicional roteiro dos governos petistas de jamais admitir seus erros. Muito mais simples, portanto, deixar tudo no ar, e permitir que o Banco Central, cujos diretores definem a Selic, seja demonizado nas narrativas da esquerda.
A Selic alta nada mais é que a consequência da irresponsabilidade fiscal do governo, que tem batido recordes de arrecadação, e mesmo assim não consegue equilibrar suas contas, pois não controla seus gastos. Para impedir que a política fiscal expansionista cause (ainda mais) inflação, que pune especialmente os mais pobres, o BC adota uma política monetária contracionista – ou seja, juros altos. Se isso não está suficientemente explícito na comunicação do Copom após cada reunião, isso se deve apenas ao linguajar bastante polido dos comunicados e das atas. Por mais que haja incertezas externas, de tarifaços a guerras, a origem dos nossos juros altos está no Palácio do Planalto e em sua estratégia de incentivar o consumo para manter a economia aquecida.
No discurso que fez ao assinar a MP do Desenrola, Lula não deixou dúvidas: o objetivo é continuar induzindo o consumo – substituindo o endividamento antigo pelo endividamento novo. “A dívida tem de ser feita de acordo com o tamanho do passo que as nossas pernas podem dar. Se isso acontecer, todo mundo vai poder comprar mais, o comércio vai vender, as empresas vão produzir, o povo vai ficar mais feliz e sem nenhuma dívida para pagar”, afirmou. E, para isso, nada melhor que um programa que induz ao risco moral.
O Desenrola, no fim das contas, padece dos mesmos problemas que os clássicos Refis e os programas de renegociação de dívidas de estados e municípios: quando se sabe que, mais cedo ou mais tarde, o governo lançará um novo programa para ajudar os endividados, que estímulo há para alguém aderir agora, ou seguir pagando no futuro o que for pactuado agora? E mais: quando se sabe que um devedor pode ter até 90% de sua dívida perdoada, que incentivo um brasileiro tem para quitar fielmente as parcelas de um financiamento ou um carnê, em vez de dar o calote também ele e aguardar um próximo Desenrola?
A tão necessária educação financeira para que o brasileiro aprenda a economizar e perceba que dívidas podem até ser necessárias para a aquisição de um bem mais caro, mas jamais para bancar as despesas do dia a dia, é substituída por soluções fáceis que continuam a estimular os mesmos comportamentos que dão origem aos recordes atuais de endividamento e inadimplência. Os bancos (que receberão valores que poderiam dar como perdidos) e o governo (se conseguir arrancar algum dividendo eleitoral) são os únicos reais ganhadores com o Desenrola; já a população poderá até aproveitar o alívio temporário, mas, sem os juros mais baixos – que dependem de uma guinada no comportamento do governo – e sem a informação sobre como cuidar melhor de seu dinheiro, corre o risco de estar muito cedo de volta ao buraco.
O presidente nacional do PP, senador Ciro Nogueira
O senador Ciro Nogueira (PI), presidente do PP, foi alvo de buscas nesta quinta-feira, em nova fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que investiga um esquema bilionário de fraudes envolvendo o banco Master, de Daniel Vorcaro. O primo do ex-banqueiro, Felipe Vorcaro, foi preso na operação.
A ação da PF que tem Ciro Nogueira como alvo foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). Na decisão, o magistrado aponta que o parlamentar é indicado pelos investigadores como “destinatário central” de vantagens indevidas pagas pelo dono do Master.
A representação policial descreve um contexto de vantagens indevidas entre o senador e Vorcaro, como a compra de participação em empresa por um valor abaixo do mercado, a identificação de pagamentos mensais recorrentes de R$ 300 mil à “estrutura vinculada ao senado”, o uso de um imóvel de Vorcaro como se fosse do próprio senador e custeio de viagens internacionais, hospedagens, restaurantes e voos privados.
A principal contrapartida, ao que tudo indica, foi um projeto de lei apresentado pelo senador para elevar em quatro vezes o valor coberto pelo Fundo Garantidor de Crédito, que foi feito sob medida para beneficiar o esquema do Master. A “emenda Master” daria fôlego às vendas de CDBs do banco com retornos extraordinários, pois haveria uma enorme rede de proteção para investidores que alocassem até um milhão nesses títulos. O rombo, caso o projeto tivesse sido aprovado, seria quatro vezes maior e poderia quebrar o sistema financeiro brasileiro.
Kakay, advogado petista de Ciro Nogueira, diz em nota que a defesa “repudia qualquer ilação de ilicitude sobre suas condutas, especialmente em sua atuação parlamentar”. Eu já tenho visão diferente: contratou o Kakay provavelmente porque está encalacrado mesmo, e precisa de proteção perante o Poder Judiciário.
A atividade de lobby não é permitida no Brasil, como é nos Estados Unidos, e isso talvez seja um erro. É natural da democracia que empresas apresentem suas demandas para melhorias dos setores, mas isso deve ser feito sempre de forma transparente. No Brasil, o que se vê é puro tráfico de influência, “investimento” em conexões políticas para projetos sob medida para privilegiar o empresário. É corrupção ativa e passiva mesmo, com trocas de “favores” que se traduzem em milhões transferidos para contas de políticos.
O caso de Ciro Nogueira gera reflexões interessantes. Primeiro sobre o duplo padrão: a mesada do senador seria de 300 mil reais. Sofreu busca e apreensão, está com tornozeleira eletrônica, passaporte confiscado. Lulinha recebia mesada da mesma quantia, 300 mil reais também, de lobista do INSS. Está na Espanha curtindo a vida com dinheiro desviado.
Isso para não falar de Alexandre de Moraes. O senador foi alvo por um montante total de R$ 18 milhões, mas o ministro supremo segue no cargo, sem uma apreensão de celular, mesmo com um contrato de R$ 129 milhões do mesmo banqueiro com o escritório da sua família, sendo que Vorcaro já teria admitido que essa montanha de dinheiro era para “se aproximar de Moraes”?
Outro ponto que merece reflexão. Ciro Nogueira foi ministro importante da Casa Civil no governo Jair Bolsonaro, e foi nessa ocasião que Jair disse: “Eu sou centrão”. Ele admitiu à época estar entregando a “alma” de seu governo ao centrão. O problema de a direita fazer tantas concessões ao centrão fisiológico é que isso respinga feio no conservadorismo.
O caso vem bem a calhar para uma reflexão sobre escolhas do PL, com aval do Eduardo Bolsonaro, principalmente a de indicar André do Prado para o Senado por SP. Mello Araújo faria infinitamente mais sentido: sério e conservador. Mas é Valdemar, o mensaleiro do PT, quem manda. O mesmo Valdemar que chegou a afirmar que Ciro Nogueira, ele mesmo, seria um ótimo vice para Flávio Bolsonaro!
Quando ministros do PT são pegos com malas de dinheiro, como os 51 milhões de reais do Geddel Vieira, nós, da oposição, batemos no governo Lula com toda razão. São as alianças da esquerda com o centrão fisiológico corrupto, mas fazem parte do governo do PT. Não se vence ou se governa sem o “centro”, mas é preciso muito cuidado nas escolhas, pois claro que um ministro bolsonarista, ainda que centrão, mancha a reputação do governo quando é pego num escândalo desses.
Política não é convento, não dá para ser purista. Mas redobrar os cuidados e evitar claras armadilhas, cascas de banana evidentes, isso é o mínimo que se exige! E claro: quando alguém do “seu lado” é pego com batom na cueca, cabe à direita exigir punição sem melindres, justamente para mostrar a diferença em relação à esquerda.
Ciro Nogueira já disse que renunciaria ao mandato de senador se seu nome fosse citado no caso do Banco Master. Sendo assim, o povo aguarda a sua renúncia até o fim do dia! É o mínimo que se espera para evitar que esse caso desgaste ainda mais o bolsonarismo. Lembrando que Ciro não é um bolsonarista em si, mas sim alguém que já elogiou muito o próprio Lula enquanto chamava Bolsonaro de “fascista”.
Todos podem mudar de opinião, mas em se tratando de ícones do centrão, sabemos que a probabilidade maior é mudança de interesses apenas. O centrão do PL, comandado por Valdemar, quer diluir o bolsonarismo até se tornar nada mais do que um puxador de votos (e recursos) para seu partido, repleto de fisiológicos corruptos. E é exatamente isso que precisa ser combatido pela direita. A menos que os bolsonaristas queiram admitir logo aquilo que alguns já vêm repetindo por aí: não são de direita, mas sim… bolsonaristas! A direita agradece a distinção…