PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

HORAS RUBRAS – Florbela Espanca

Horas profundas, lentas e caladas
Feitas de beijos rubros e ardentes,
De noites de volúpia, noites quentes
Onde há risos de virgens desmaiadas…

Oiço olaias em flor às gargalhadas…
Tombam astros em fogo, astros dementes,
E do luar os beijos languescentes
São pedaços de prata p’las estradas…

Os meus lábios são brancos como lagos…
Os meus braços são leves como afagos,
Vestiu-os o luar de sedas puras…

Sou chama e neve e branca e mist’riosa…
E sou, talvez, na noite voluptuosa,
Ó meu Poeta, o beijo que procuras!

Florbela Espanca, Vila Viçosa, Portugal (1894-1930)

DEU NO JORNAL

AVUANDO E ESBANJANDO PELO MUNDO

Como ninguém é de ferro e Lula ainda não foi a Paris (França) este ano, o petista embarca esta noite por um tour no país europeu.

O tour de Lula é grande, bate perna por lá até a próxima segunda-feira (9).

* * *

Vai bater perna e bater papo.

E soltar peidos pelos ares.

Além de também bater copos, fazendo o tlim-tlim na hora de tomar uma bicada.

Tudo nos conformes do regulamento lulo-presidencial banânico da atualidade.

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

SÉRGIO – SÃO PAULO-SP

Ainda hoje o assunto é proibido na China

3 de Junho de 1989 Massacre da Praça da Paz Celestial na China- Envio de tropas do governo da China para expulsar os manifestantes da Praça da Paz Celestial após sete semanas de ocupação.

Na noite de 3 de junho, os militares começaram a entrar, atirando em quem se colocasse na frente. Por volta das 4 horas da manhã do dia 4, quando as notícias dos ataques nos arredores da praça já eram bem conhecidas, os manifestantes acampados foram cercados.

Receberam ordem para se retirar.

Enquanto a maioria obedecia, outros grupos tentaram resistir. Foi quando os tanques abriram fogo. O exército só deixaria a praça depois de dois meses, e a lei marcial só seria retirada em janeiro de 1990.

A repercussão internacional foi tão negativa que Europa e Estados Unidos estabeleceram um embargo para a venda de armas para a China. Esse embargo nunca foi retirado. Nos meses que se seguiram, o governo prendeu milhares de cidadãos e passou a fiscalizar suas famílias. Mesmo quem foi libertado passou a ser seguido dia e noite e passou a ter dificuldade em conseguir emprego.

Até 2016, ainda havia manifestantes presos pelo incidente. Outros migraram para o exterior.

Ainda hoje, o governo local barra qualquer acesso a sites com informações sobre o incidente – por isso, ele é muito mais conhecido no exterior do que dentro do próprio país. Mas em Hong Kong e em dezenas de outros países, em especial na Ásia, cada aniversário do massacre costuma ser celebrado com procissões silenciosas com velas acesas. Em resultado do incidente, a liberação da economia prosseguiu, mas a abertura política foi bruscamente interrompida.

DEU NO X

ALEXANDRE GARCIA

QUANDO O SOBRENOME PESA MAIS DO QUE QUALQUER CRIME

Muita gente estranhou que, ontem, o líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias, tenha ido à Polícia Federal para falar mal do Eduardo Bolsonaro. Ele é considerado, de fato, aquele que colabora com a Justiça. Foi até lá para reforçar a acusação contra Eduardo Bolsonaro, alegando que ele foi aos Estados Unidos para instigar o governo americano, a Casa Branca, contra Alexandre de Moraes, com o objetivo de enfraquecer a posição do ministro ao julgar Jair Bolsonaro. Mas não precisa, não é? Já julgou. Só vão fazer o ritual do julgamento. Todo mundo já sabe qual é o resultado.

Aliás, na próxima segunda-feira começa o interrogatório de Jair Bolsonaro, dos generais de quatro estrelas Braga Netto, Augusto Heleno e Paulo Sérgio, além do almirante de esquadra Almir Garnier, que foi comandante da Marinha, e também do deputado Alexandre Ramagem — não sei por que há um deputado lá. Também serão ouvidos o secretário de Segurança e ex-ministro da Justiça Anderson Torres, e o coronel Cid. Braga Netto será ouvido no Rio de Janeiro, por videoconferência, onde está preso desde 14 de dezembro, sem condenação, sob o argumento de que representaria risco de interferência. Um general quatro estrelas. Mas tem coisa pior.

Bolsonaro foi convocado para depor no inquérito que está acusando Eduardo Bolsonaro de ter ido a Washington pedir que o governo americano aplicasse a Lei Magnitsky aqui no Brasil. Vão perguntar a Jair Bolsonaro se ele mandou o Eduardo para lá, se é ele quem está sustentando o Eduardo, se o Eduardo está recebendo ordens dele — para, no fim, incriminar o Eduardo?

Engraçado que eu sempre soube — não direi desde criancinha, mas qualquer pessoa que se interesse por leis e pelo direito –  jornalistas devem se interessar — que um pai não pode depor contra o filho. Ele pode ser chamado, isso não é ilegal, mas não é obrigado a depor. Pode até se recusar. Um pai não vai incriminar um filho, assim como um filho não vai incriminar uma mãe. Todo mundo sabe que pai e mãe defendem seus filhos em qualquer situação. A exceção é raríssima. Isso está no Código de Processo Penal: o parente de primeiro grau tem essa flexibilidade. “Não quer falar? Não fala.” Mas lá está Bolsonaro, convidado — o que é muito estranho.

* * *

Retratos da Corrupção

Bom, mas falamos do grande escândalo brasileiro: bilhões roubados de velhinhos e velhinhas, aproveitando-se do fato de que eles não têm acesso ao controle de seus contracheques na Previdência, sem saber o que fizeram com o dinheiro deles. A Advocacia-Geral da União pediu o bloqueio de R$ 2,5 bilhões — ou seja, metade da verba roubada — de 12 entidades e 60 pessoas.

Agora, uma juíza federal do Distrito Federal mandou bloquear, em duas empresas de consultoria, quase R$ 24 milhões. É uma gota num oceano de R$ 6,6 bilhões.

E, só para concluir, tenho falado muito aqui sobre o crime tomando conta do Brasil, agora exercendo atividade econômica — seria o quinto maior grupo empresarial do país. O Estadão publicou uma entrevista com o procurador antimáfia da Itália, que falou sobre a operação “Samba Mafiosi” — “Samba” porque é Brasil. A operação mostrou PCC e máfia juntos, lavando dinheiro em apostas online, com apoio de políticos e transferências de dinheiro feitas apenas virtualmente.

Ele citou um banco subterrâneo chinês — underground banking, foi a expressão usada. A pessoa deposita aqui, entrega o dinheiro aqui, e, lá na Europa, recebe o valor em euros — sem problema.

Acho que os legisladores brasileiros precisam se alertar para essa realidade. Estão se aproveitando das leis lenientes que eles mesmos criaram.

DEU NO X

DEU NO JORNAL

PALPITES PRO JOGO

O deputado Luciano Zucco (PL-RS) manifestou indignação, ontem, ao informar que a primeira-dama Janja fez 359 viagens e ficou 153 dias no exterior por conta de quem paga impostos.

Apesar de “não ocupar cargo e não dever explicações”, como o Planalto repete à exaustão.

* * *

Os números contidos nessa nota aí de cima me deram uma ideia…

Vou jogar no bicho hoje.

A centena 359 é jacaré.

Já a centena 153 é gato.

Vou completar a aposta jogando também na centena 990, que é da vaca.

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

DEU NO JORNAL

CÍCERO TAVARES - CRÔNICA E COMENTÁRIOS

RÁPIDA E MORTAL (1995), UM SPAGHETTI WESTERN TRASH

Cartaz quando lançado em DVD

“RÁPIDA E MORTAL,” título recebido no Brasil para o oeste THE QUICK AND THE DEAD, do diretor americano Sam Raimi, famoso por dirigir a série de filmes do Homem-Aranha e do Grito, conta a história de uma mulher misteriosa, Ellen, que cavalga até a cidade fictícia de Redemption em busca de vingança. Ela vem para matar o poderoso xerife da cidade, o homem que tornou o lugarejo desolado por suas ações cruéis qual o deserto que agora ela atravessa para chegar lá. Mas os demônios que a levaram para este mortal conflito são os mesmos que a colocaram numa situação limite; e o estranho é que pode ser a única a cair morta ao final do acerto de contas. Estrelado por Sharon Stone no papel da atriz principal, ela é a mulher sedutora de homens em Instinto Selvagem e Gene Hackman, cinco vezes indicado ao Oscar, vencedor por duas vezes, numa atuação magistral como o xerife vingativo.

“Rápida e Mortal” é um daqueles faroestes descartáveis, que diverte, mas você só assiste uma vez. Está a milhões de anos de ser uma obra-prima. Mas o pior é que o filme diverte mesmo. Prepare-se para tiroteios rápidos, vilões cruéis e caricatos, e mortes mais que dramáticas. O filme em si é exagerado, mas esta é a fórmula certa, o exagero para divertir. O diretor Sam Raimi conduziu a brincadeira certinha. Mas miss Stone estava bem à vontade, até porque o filme teve poder de barganha da loura. Ela mandava em Hollywood nesta época. Coadjuvante de luxo do porte de Leonardo DiCaprio e Russel Crowe, mas mesmo assim o filme não decolou e caiu no esquecimento. O que fica de reflexão é porque Hollywood é tão injusta com seus mitos? DiCaprio e Crowe nesta época eram quase desconhecidos e Sharon era a rainha da cocada preta; hoje Crowe e DiCaprio figuram como os maiores astros de Hollywood enquanto a estrela de Sharon se apagou e a cocada preta alguém comeu.

A coragem de Sam Raimi se afirma na confiança do protagonismo a uma mulher. Em território historicamente dominado por homens, no qual a mulher ou era submissa esposa ou prostituta, surge cavalgando no horizonte a bela Ellen (Sharon Stone). Vestida de cowboy, arma no coldre, chapéu e aquele olhar ferino tipo “Estranho Sem Nome”, ela chega até a cidade de Redemption em busca da boa e velha vingança, tema abundante num período em que 09 entre 10 pessoas carregavam armas nas ruas e, não raro, davam vazão à raiva metendo bala na cabeça de alguém. No caso de Ellen, a desforra tem razões mais sombrias e remonta ao assassinato do pai, então Xerife, pelo bando de John Herod (Gene Hackman) que, claro, ela encontrará na cidadela com nome de premonição.

John Herod promove na ocasião um torneio de tiro, onde viver é sinal de vitória. Ele traz forçosamente o velho parceiro Cort (Russell Crowe) para a peleja, tirando-o da vida dedicada às pregações religiosas para lembrá-lo de seu passado assassino. Cort, rápido e letal, será espécie de suporte psicológico a Ellen. Além da vingança, outro tema trabalhado em Rápida e Mortal é a relação pai/filho, uma vez que Herod terá como oponente seu próprio filho Fee “The Kid” (Leonardo DiCaprio), jovem ávido para provar ao pai seu valor, nem que para isso precise matá-lo em duelo.

Sam Raimi cozinha esse assado numa panela repleta de referências, sendo a principal delas o italiano Sérgio Leone, ícone do chamado spaghetti western, e o maior diretor de faroeste do Século XX. Entre filiar-se à tradição estadunidense e seguir a maior dramaticidade do bangue-bangue europeu, o diretor envereda visualmente pela segunda, muito mais próxima de seu itinerário estilístico repleto de ângulos insólitos e tipos marcados.

Mas Raimi não se propõe ao pastiche, dotando Rápida e Mortal de identidade própria e carimbo com sua assinatura contumaz. Quiçá o problema (se isso for problema) maior do filme reside no eclipse da protagonista por dois personagens tão ou mais fortes que ela própria: Herod e Cort. Algo a ver com as interpretações contundentes de Gene Hackman e Russell Crowe, frente à burocrática Sharon Stone? Pode ser. Independente dessas questões, Rápida e Mortal é um filme que tem seus brios, empolgantes e cheios de energia. Se não trouxe nada de novo para o gênero, o resgatou dignamente do limbo.

O filme possui várias qualidades, e uma delas é seu elenco impressivo. Dentre os atores presentes no filme, tem-se a presença de Sharon Stone, Gene Hackman, Leonardo DiCaprio e Russell Crowe, então o filme apresenta um conjunto de atores talentosos. Apesar de que na época o impacto de alguns desses nomes não ser o mesmo de hoje, já que o filme foi feito com o DiCaprio antes de fazer Titanic e Crowe antes de ganhar seu Oscar. Isso não tira o peso de suas performances, que são boas. Mas é Hackman que dá um show aqui, com uma atuação que eleva o personagem que ele interpreta. Que tem presença de tela e que sabe entregar ótimos diálogos.

Um dos pontos altos do filme são as cenas dos duelos, que são bem trabalhadas, e todas elas são distintas umas das outras, principalmente por causa do ritmo e da edição, que sempre varia e impede que as cenas pareçam repetitivas. O filme também é ótimo tecnicamente falando, já que possui ótimos cenários, com um design de produção coerente, assim como os figurinos, que combinam com a personalidade de seus personagens. A trilha de Alan Silvestri casa com o filme de forma perfeita, e a música tema do filme é bastante melódica e memorável.

O western spaghetti de Sam Raimi é autêntico e divertido. Apesar de ser um caso de um filme com mais estilo do que substância. Relevam-se todos os problemas com o roteiro e alguns personagens. São uma hora e trinta minutos que passam rápido e que cumprem seu papel de entretenimento, para os que gostam do gênero spaghett western.

Trailer: The Quick and The Dead (1995) [CZ]

RÁPIDA E MORTAL (The Quick and the Dead, 1995) – Crítica