DEU NO JORNAL

ROUBANDO NO ALÉM

Marcel van Hattem (Novo-RS) se impressionou com a lista de pessoas que, mesmo falecidas, tiveram descontos nas aposentadorias pagos à Conafer:

“Até ressuscitaram aposentados, inacreditável!”.

* * *

A ladroagem em Banânia é mesmo surreal.

Roubar dinheiro de defuntos só mesmo nesta nossa republiqueta.

É filme de terror.

CÍCERO TAVARES - CRÔNICA E COMENTÁRIOS

RIO BRAVO (1959) – ONDE COMEÇA O INFERNO

Texto escrito em colaboração com o especialista em filme de faroeste D.Matt

Esse clássico filme western que fez a diferença na reformulação dos faroestes que marcaram a década de 1950, expondo o ciclo vicioso das relações sociais e políticas, a vitória constante dos que podem subornar pessoas ou pagar justiceiros para se verem livres de problemas ou a morosidade e ineficiência da lei para ajudar a quem de fato precisa. É evidente que a obra adota uma atmosfera e um caminho ideológico distintos do clássico Matar ou Morrer, mas no fim, acaba não sendo assim tão diferente dele em termos de crítica social e comportamento humano.

A história tem Dude ‘Borachón’ (Dean Martin, provando que podia fazer um bom papel dramático) às voltas com o vício em bebida e as memórias amarguradas de uma decepção amorosa; tem o Xerife John T. Chance (John Wayne, como sempre incrível, mas aqui apagado algumas vezes pelo brilho de Martin), um homem desesperançado e pouco afeito a afetos – o típico durão dos westerns; e, também, a dupla Colorado Ryan (Ricky Nelson, o roqueiro de 17 anos com quase nenhuma experiência no cinema) e Stumpy (Walter Brennan, ator vencedor de 3 Oscars em excelente atuação cômica), todos eles digladiando-se em sua mesquinhez, dúvidas, medos e, ao mesmo tempo, tentando fazer o bem para a própria cidade sem ter o apoio dela – e o mais interessante: sem querer demonstrar que as coisas não iam nada bem.

O problema das boas aparências a serem mantidas fica ainda mais evidente quando o papel da atriz Angie Dickinson é destacado no roteiro e o medo do Xerife John Wayne em relação ao seu ambiente e a insegurança inconfessa em si mesmo vêm à tona. É fato que esse é um ponto comum de alguns dos filmes de cowboys clássicos ou do período de transição para a decadência do western nos anos 60, mas a questão aqui é trabalhada com um tom de culpa e desesperança tão fortes que a faz especial em comparação às outras abordagens.

A inesquecível trilha sonora de Dimitri Tiomkin (cujo Degüello dá a macabra marcação que em Matar ou Morrer é feita pelo relógio), o notável personagem de Dean Martin e a direção meritória de Howard Hawks dão a Onde Começa o Inferno todos os ingredientes de um filme inesquecível. O que atrapalha nessa afirmação é o modo como o roteiro orquestra o romance – o ponto fraco do filme, unicamente pelo modo como é finalizado. Porém, a estrutura da obra não é fundamentalmente abalada e o espectador termina a sessão com aquela alegria que normalmente tem ao assistir a um grande épico.

Dificilmente o expectador ao assistir um filme western ou de qualquer outro gênero, sentirá, desde a primeira cena, uma perfeição em todos os sentidos na feitura de um filme, como neste caso em que o filme com o título original de Rio Bravo nos conduz através de todas as cenas até o final esperado.

Esse filme é mais conhecido pelo título original Rio Bravo, porque o subtítulo brasileiro não faz jus ao seu enredo e não nos prepara para a obra-prima cinematográfica que vamos assistir.

A começar, depois dos letreiros, temos aproximadamente uns cinco a dez minutos de magníficas cenas de ação silenciosa, sem estardalhaço, nos preparando para a história que estar por vir. Todas essas cenas iniciais são mudas, sem qualquer diálogo ou sonoplastia externa. Quando começa realmente a ação, então começam também os diálogos precisos, econômicos, bem colocados, sem excessos, com muita economia de palavras e um máximo de ação com resultados de grande impacto.

O elenco é magistral, não se consegue outra palavra para definir a excelente escolha do elenco, não só dos artistas principais, como também dos coadjuvantes, todos mestres na arte de interpretação que deixa o telespectador sem fôlego.

Dizer que John Wayne e Dean Martin estão ótimos, não é necessário, mas temos Rick Nelson em grande atuação, e a participação extraordinária do grande ator Walter Bernnan, já ganhador de três prêmios Oscar e que neste filme rouba todas as cenas em que aparece nos oferecendo uma atuação de grande histrionismo que sem dúvida mereceria mais um Oscar. O cantor Ricky Nelson, nesse filme, está fora de série com uma atuação sóbria, precisa e com excelente aparência de um mocinho boa praça que se oferece para ajudar o xerife na luta local. O papel entregue ao Ricky Nelson, na época, tinha sido oferecido a Elvis Presley, mas o mesmo recusou aceitar por conselho do seu agente mentor, pois o papel não era o principal.

Sorte do diretor, pois o Elvis, que é excelente cantor, como ator é uma nulidade total. Alguém já assistiu a um filme no qual J.Wayne apaixonado e dando beijos longos e sensuais com a sua parceira de cena? Pois nesse filme acontece em várias cenas. A sua parceira apaixonada não é nada menos que a sensual, belíssima, e muito apreciada como artista e de grande presença, Angie Dickinson que apesar de baixinha de 1.65m contracena em cenas tórridas com o grandalhão J. Wayne de 1,90m ou mais. A presença de A. Dickinson é muito aguardada durante o filme, pois a sua figura é um colírio para os espectadores, sua beleza não tem preço, ela atua com todo charme que ela sabe explorar como artista e mulher desejada.

Dean Martin faz o personagem costumeiro de Dean Martin, mas nesse filme ele se supera com uma atuação realmente fora de série. Faz um ajudante de xerife viciado em bebida borrachon, que o diretor conseguiu tirar uma atuação de grande efeito. Suas cenas como “bêbado ou pós bebedeiras” são perfeitas, nos mínimos gestos, olhares turvos, caminhar inseguro, boca seca, mãos trêmulas, sem exageros ou super atuação. Dá o recado com grande atuação. A música do filme foi composta pelo grande e premiado maestro Dimitri Tiomkin que dispensa comentários.

Sobre música, tem uma passagem musical dentro da delegacia, em que Dean Martin e Ricky Nelson dão um show de talentos e comprovam que são grandes artistas, eles cantam a musica “MY PONEY AND ME” em dueto de forma magnífica, acompanhados por uma gaitinha soprada pelo Walter Brennan. Essa cena já vale por todo o filme. É antológica.

Grande direção de um dos maiores diretores de western, HOWARD HAWKS. É como se fora um talentoso maestro dirigindo uma sinfonia numa orquestra de grandes músicos talentosos com os quais se pode capacitar e compor excelente música, desde que a condução seja precisa e bem ensaiada. Esse filme não poderia ser melhor, nem mesmo se fosse dirigido por outros mestres famosos no gênero western, como John Ford, George Stevens ou mesmo Sergio Leone.

Rio Bravo é um grande clássico difícil de ser superado.

Rio Bravo (1959) Official Trailer em HD:

Rio Bravo (1959) – John Wayne, Dean Martin, Ricky Nelson e Walter Brennan em cena clássica:

DEU NO JORNAL

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

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O PREÇO DA REELEIÇÃO

Editorial Gazeta do Povo

reeleição programas sociais lula congresso

Hugo Motta, Lula e Davi Alcolumbre em encontro no Palácio do Planalto, em fevereiro de 2025

Dilma Rousseff já havia dito, em 2013: “nós podemos fazer o diabo quando é a hora da eleição”. No ano seguinte, enquanto promovia fake news contra a adversária Marina Silva, a então presidente mantinha o preço da gasolina artificialmente mais baixo para não elevar ainda mais a inflação, enquanto um Banco Central ainda sem independência segurava a Selic para não prejudicar o PIB – com a reeleição assegurada, os juros subiriam três pontos porcentuais em menos de um ano. Agora, Lula está pronto para “fazer o diabo” em busca da própria reeleição, com a ajuda do Congresso Nacional.

O “kit reeleição” tem inúmeras medidas – algumas delas já em prática, outras em tramitação no Legislativo, e outras ainda sendo estudadas – que buscam reverter a avaliação negativa de Lula, cuja desaprovação supera a aprovação em várias pesquisas, e tem como alvo tanto a população mais pobre quanto a classe média. Em resumo, trata-se de vender o governo (e, especialmente, Lula e o PT) como o “provedor geral da nação”, aquele que dá de tudo, enquanto empurra para baixo do tapete – pelo menos até outubro do ano que vem – as questões incômodas, como quem paga pelo que o governo entrega “de graça”, e as consequências de tanta prodigalidade.

O Bolsa Família, por exemplo, foi turbinado a ponto de seu custo total ter quintuplicado entre 2019 e 2024 e de o benefício ter se transformado em uma alternativa ao trabalho, desestimulando a busca por emprego formal, segundo pesquisa do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre). Além dos R$ 170 bilhões anuais do Bolsa Família, o governo está gastando R$ 12,5 bilhões com o Pé-de-Meia, que incentiva a permanência na escola; o “Gás do Povo”, que subsidia botijões de gás, deve custar mais R$ 5 bilhões em 2026; e uma medida provisória recentemente aprovada pelo Congresso vai ampliar a parcela de consumidores que terá sua conta de energia zerada.

Para a classe média, a grande carta na manga do governo é o projeto que isenta de Imposto de Renda quem recebe até R$ 5 mil mensais – mas não prevê uma correção geral que elimine o problema crônico da defasagem da tabela do IR desde o início do Plano Real. Além disso, a estratégia de incentivar o consumo para manter a economia artificialmente aquecida levou a um afrouxamento nas regras do empréstimo consignado para trabalhadores do setor privado, contratados pela CLT, e à ampliação do Minha Casa, Minha Vida para contemplar famílias com renda de até R$ 12 mil mensais.

Para bancar tudo isso, governo e Congresso têm agido em duas frentes: elevação de impostos e truques orçamentários. O brasileiro já sente há tempos o efeito da fúria arrecadatória de Lula e Fernando Haddad, da “taxa das blusinhas” à elevação no IOF – e o governo quer mais, já que pretende compensar a perda de R$ 30 bilhões com a isenção do IR para a faixa de até R$ 5 mil por meio da tributação dos super-ricos e de um imposto sobre lucros e dividendos. Como nem isso, no entanto, é suficiente para fechar as contas, como se percebe pelos sucessivos déficits mesmo com recordes de arrecadação, é preciso recorrer à contabilidade criativa: várias despesas têm sido retiradas da conta oficial do resultado primário, permitindo que o governo cumpra no papel a meta do arcabouço fiscal – ainda que esteja gastando muito mais.

Enquanto a elevação da carga tributária retira ainda mais recursos da economia real, o descontrole nos gastos e a desmoralização da âncora fiscal levam ao aumento da dívida pública e da inflação, que é especialmente cruel com os mais pobres, que veem seu poder de compra corroído sem ter os meios de proteger seu dinheiro. Isso significa que as políticas do governo acabarão prejudicando principalmente o mesmo grupo que o governo diz querer ajudar. Mas, como ao menos parte desta conta deve ser cobrada não no curto, mas no médio prazo, Lula e o PT têm todo o incentivo para arrebentar as contas públicas em busca de mais quatro anos no Planalto.

PENINHA - DICA MUSICAL

DEU NO JORNAL

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

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