DEU NO X

DEU NO X

PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

SONETO – Carlos Pena Filho

Por seres bela e azul é que te oferto
a serena lembrança desta tarde:
tudo em torno de mim vestiu um ar de
quem não te tem mas te deseja perto.

O verão que fugiu para o deserto
onde, indolente e sem motivos, arde,
deixou-nos este leve e vago e incerto
silêncio que se espalha pela tarde.

Por seres bela e azul e improcedente
é que sabes que a flor, o céu e os dias
são estados de espírito, somente,

como o leste e o oeste, o norte e o sul.
como a razão por que não renuncias
ao privilégio de ser bela e azul.

Carlos Souto Pena Filho, Recife-PE, (1929-1960)

DEU NO JORNAL

NOVA MANOBRA PARA ILUDIR O ELEITORADO

Leandro Ruschel

Nos últimos dias, o país comemorou a notícia de que trabalhadores que ganham até R$ 5 mil ficarão isentos do Imposto de Renda, com redução parcial para rendimentos de até R$ 7.300. À primeira vista, parece uma vitória para a classe média e para os mais pobres. Mas a pergunta é inevitável: será que estamos realmente diante de uma redução de impostos?

A narrativa oficial sustenta que os mais ricos pagam proporcionalmente menos impostos do que os pobres. Com base nisso, o governo elevou a carga tributária sobre a parcela de maior renda, numa tentativa de compensar a renúncia fiscal com os mais pobres. A lógica segue o princípio de “tirar dos ricos para dar aos pobres”.

No entanto, essa comparação é falaciosa. O percentual pode parecer menor, mas, em valores absolutos, a maior parte da arrecadação vem da atividade produtiva: empresas e indivíduos com mais recursos. Ou seja, quem gera riqueza já é responsável pela maior fatia do bolo tributário.

Mais grave do que a retórica é o efeito prático. O ajuste da tabela do Imposto de Renda não foi acompanhado de um compromisso de atualização periódica. Isso significa que, em pouco tempo, a inflação empurrará novamente milhões de trabalhadores para a faixa de tributação.

A inflação, afinal, é um imposto oculto. Ela corrói o poder de compra dos mais pobres — justamente aqueles que supostamente seriam beneficiados — enquanto os mais ricos conseguem proteger-se alocando recursos em investimentos, os de renda baixa não têm essa alternativa.

Esse filme não é inédito. A Argentina já adotou medidas semelhantes, taxando os chamados “super ricos”. Com a escalada inflacionária, cidadãos que antes pertenciam à classe média passaram a ser enquadrados como alvo da tributação, até que até mesmo trabalhadores de renda modesta sofreram o peso do imposto.

O que começou como um discurso de justiça social se transformou em um ciclo de empobrecimento coletivo. E hoje o mesmo risco paira sobre o Brasil.

Ora, tributar cada vez mais aqueles que criam riqueza — empreendedores, empresários e investidores — reduz o incentivo para abrir negócios, gerar empregos e aumentar a produtividade. É esse motor que realmente eleva a prosperidade de uma nação.

Ao sufocar os agentes produtivos e, ao mesmo tempo, expandir gastos públicos sem controle, o governo empurra o país para uma espiral de pobreza disfarçada de redistribuição.

Por trás do alívio temporário, esconde-se uma manobra eleitoreira. O discurso do corte de impostos serve para angariar apoio popular no curto prazo, mas não altera a realidade estrutural: gastos públicos crescentes, inflação persistente e carga tributária que, cedo ou tarde, volta a recair sobre todos.

Assim como ocorreu na Venezuela, medidas populistas podem dar a ilusão de prosperidade inicial, até que não haja mais riqueza a redistribuir.

O resultado é uma sociedade empobrecida, enquanto a elite política e burocrática mantém seus privilégios — não por mérito, mas pelo controle do poder.

DEU NO X

DEU NO JORNAL

PRESENTE NA “FLOTILHA” DA ECOCHATA

A Câmara registrou como “presente” em Brasília a deputada Luizianne Lins (PT-CE) enquanto ela era detida a 10 mil quilômetros de Brasília quando, em busca de holofotes, tentava chegar à Faixa de Gaza junto a outros ativistas de extrema-esquerda na “flotilha” da ecochata Greta Thunberg, para manifestar apoio aos terroristas do Hamas.

Registrada do seu celular, a falsa “presença” nas sessões extraordinárias de terça (30) e quarta (1º) pode render processo por quebra de decoro.

* * *

A ausente que estava presente.

Nada de anormal.

É só olhar qual o partido dela.

E fica tudo explicado.

MARCOS MAIRTON - CONTOS, CRÔNICAS E CORDEIS

HEDIONDO, MAS COM MODERAÇÃO

Na quinta-feira (2/out), a Câmara dos Deputados aprovou, em regime de urgência, um projeto de lei que torna crime hediondo a falsificação de bebidas. A proposta surge após casos recentes de internações e mortes causadas por ingestão de produtos adulterados com metanol.

A aprovação nos lembra que, no Brasil, certas tragédias são sempre o motor mais eficiente da máquina legislativa.

Historicamente, o legislador brasileiro costuma legislar a reboque dos fatos. Cada desastre gera sua lei, cada escândalo produz uma nova tipificação ou agrava a pena já existente. É o casuísmo de sempre: reage-se ao episódio, em vez de pensar em política pública consistente. E assim se constrói uma colcha de retalhos penal, onde cada novo pedaço é costurado às pressas, para que a sociedade sinta que algo foi feito.

O curioso, nesse caso, é a necessidade de, além de aumentar a pena do crime, carimbá-lo com a chancela de “hediondo”. Ou seja, se não fosse crime, passaria a ser; como já é crime, é preciso qualificá-lo como hediondo. Hediondo, aqui, é uma espécie de adjetivo de reforço, um grifo legislativo. É como se “crime” já não fosse suficiente para exprimir a repulsa social. Surge, então, esse degrau semântico: crime, crime grave, crime hediondo.

Algo semelhante àquela expressão tão familiar dos processos legislativos: “urgente urgentíssimo”. Dá até para imaginar uma fila de projetos urgentes, quando alguém chegou com algo que precisava passar na frente de tudo o que havia ali.

— Carimbe como “urgente urgentíssimo”! — alguém deve ter dado a sugestão, sem imaginar que ela seria urgentemente acatada.

Na prática, o efeito simbólico pode ser maior que o efeito concreto. Não é a mudança de categoria que impedirá a circulação clandestina do metanol, que seria melhor combatida com fiscalização efetiva, estrutura de vigilância sanitária e controle de fronteiras.

De todo modo, há um valor político no gesto: o de dizer à população que o Estado não tolera que a vida seja posta em risco dentro de uma garrafa de preço duvidoso.

No fim, espera-se pelo menos que não vire tudo mera retórica de mídia. Que não seja só decreto pomposo para manchete de jornal.

Enquanto isso, brindemos — com moderação e responsabilidade, claro — à esperança de que o metanol logo saia dos noticiários, e, principalmente, deixe de entrar nas garrafas de bebidas dos brasileiros.

DEU NO JORNAL

CONFISCO DISFARÇADO

Marcel van Hattem

Como cada deputado votou na aprovação da isenção do IR

Câmara aprovou o projeto que garante isenção do Imposto de Renda para quem até R$ 5 mil

O brasileiro que trabalha e paga imposto sabe: a cada ano que passa o Estado abocanha um pedaço maior do seu salário e diminui seu poder de compra. Esse confisco silencioso e constante tem nome: a falta de correção anual da tabela do Imposto de Renda. Há mais de 15 anos, aliás, a tabela não era reajustada. Nesta semana, finalmente, foi feita uma correção. Além de insuficiente para corrigir toda a perda acumulada nessa última década e meia, o projeto aprovado na Câmara trouxe, porém, pelo menos outras duas más notícias: continuaremos sem correção anual na tabela e haverá aumento de impostos em outros setores para compensar o novo piso.

A correção da tabela do Imposto de Renda não é favor de governo A ou B. Pelo contrário, deveria ser uma obrigação do Estado por ser ele, justamente, um dos maiores causadores do fenômeno inflacionário. A intenção de Lula em capitalizar eleitoralmente em 2026 uma correção tardia e insuficiente só demonstra o viés populista e demagogo de seu governo.

De 2010 – ano da última atualização da Tabela do Imposto de Renda – para cá, a inflação avançou como um rolo compressor sobre o bolso do trabalhador. O poder de compra despencou e hoje o cidadão precisa de R$ 12 mil para comprar os mesmos produtos e serviços que custavam R$ 5 mil à época. E este é o truque do governo – de todos os governos, especialmente os petistas há tanto tempo no poder – para arrecadar mais sem aumentar alíquotas enquanto a inflação avança sem dó.

Já a falta de correção anual no projeto de Lula reforça que o interesse é apenas de curto prazo. Se realmente o objetivo fosse resolver a questão daqui por diante, a revisão anual seria parte da proposta. A Câmara, porém, conseguiu fazer pior: Arthur Lira, relator da proposta, havia inadmitido nossa emenda com correção anual pelo IPCA em seu relatório, mas insistimos em submetê-la regimentalmente ao crivo do plenário. O presidente Hugo Motta, no entanto, não permitiu, sequer, que a emenda fosse votada, em um golpe ao devido processo legislativo.

Além disso, o acordo feito entre todos os líderes partidários, salvo o partido NOVO, promoveu a retirada de todos os destaques ao projeto, inclusive aqueles que visavam reduzir a arrecadação prevista e propor alternativas, como o corte de despesas e a venda de ativos. Mais uma vez, a Câmara dos Deputados perdeu a oportunidade de demonstrar ao povo brasileiro que, apesar de Lula gastar desenfreadamente, há quem se importe em reduzir o custo da máquina pública.

A proposta final sobre o IR provada pela Câmara mistura desoneração para uns e aumento de impostos para outros. Vendas de estatais, corte de privilégios, redução de viagens nababescas… nada disso entrou em discussão. Enquanto as vítimas do saque estatal passaram dos mais pobres para os mais ricos, o governo Lula pode comemorar a manutenção da arrecadação pública.

O texto segue agora ao Senado. É preciso que os senadores cumpram a função de casa revisora. Incluir o reajuste anual do Imposto de Renda no texto e encontrar meios de financiar as renúncias de receita com corte de despesas é fundamental. Chega de confisco disfarçado e chega de passar a conta sempre adiante, sem cortar na própria carne. Chega de tratar o pagador de impostos como meros caixas eletrônicos do Estado que, ao devolver o dinheiro arrancado sob a forma de péssimos serviços públicos, ainda espera aplausos absolutamente imerecidos.

CARLOS EDUARDO SANTOS - CRÔNICAS CHEIAS DE GRAÇA

NOTÍCIAS GUARIBADAS

Plantação de cannabis

ERVITA MACONALIS – A polícia caiu de pá em cima de portentoso agricultor de Salgueiro-PE, que mantinha uma sementeira recheada de pés de maconha de excelente qualidade visual, em seu próprio jardim mansônico, cujo sombreamento, de fato, impressionava.

ALGEMAS CINTILANTES – Surpreendido com as cintilantes algemas da polícia, que respeitosamente tocou a campainha de sua porta, alegou que as ervas eram só para servir de enfeite floral do seu belo jardim, e ao mesmo tempo, fornecer sombra abundante na parte da frente de sua mansão.

TERRENO BALDIO – Complementou informando aos agentes da lei, que a “outra parte” – aliás, indisfarçável – foi realmente um deslize; coisa sem maldade, pois, sem querer correr os risco das penas da lei, desejou, com aquelas inocentes plantinhas, apenas preencher um terreno de sua propriedade, que estava há tempo sem serventia.

INOCENTES CANABIS – A fachada pecaminosa realmente era uma “senhora plantação” de inocentes canabis. Mas o vivaldino teve que doar a plantação para o setor de Satanás abastecer o fogo do inferno. O “ilustre”agricultor saiu de sua mansonete algemadinho da silva.

VALORES IMPERECÍVEIS – No ano de 2002, além das notas que publiquei em 2003, que a Prefeitura do Paulista (PE) montaria espetáculo teatral sob o título: “Invasão Holandesa”.

PAU AMARELO – A epopéia histórica ocorreu entre o Forte de Pau Amarelo e a praia de Enseadinha. Trata-se de magistral iniciativa, porque é sobretudo, didática. Trata-se de um novo modelo para se reafirmar os valores imperecíveis dos nossos heróis, que conseguiram expulsar os exércitos batavos após quase 20 anos chumbo grosso nos lombos dos pernambucanos.

PIMENTA MALAGUETA – Cabe acrescentar que já nos dias finais da invasão, não previram que as bravas “Mulheres de Tejucupapo”, residentes alí pertinho de Goiana, fossem usar como armas para expulsar os invasores, apenas pimenta malagueta nos olhos dos soldados, vencendo-os facilmente. Fugiram estrebuchando e vendo a coisa preta; ou seja com os olhos inutilizados. Mas isso é outra história…

BURACO FUNDO – O tamanho buraco de ozônio bate recorde, chegando a 28 milhões de quilômetros quadrados, quase o equivalente a área geográfica da África e tem superfície superior aos territórios dos Estado Unidos, Canadá e México, juntos. Isso, enquanto se pensava que “o buraco era mais embaixo.” Todavia, está lá em cima. Poder-se-á até dizer: “Que buraco fundo danado!”

LUCIANA IMPOTENTE – A Prefeita de Olinda solicita ajuda do Governo do Estado, via DETRAN, a fim de barrar a circulação dos “kombeiros” (tipo de transporte público precário) modelo, aliás, há muito combatido por não haver regulamentação. É que, com o isolamento do Recife para a circulação das kombis, Olinda ficou no sufoco e não tem como resolver, pois a Prefeitura, “já viu”, como sempre sem verbas e por isso,impotente!

OPOSIÇÃO ATENTA – A chamada “Oposição Técnica”, sempre atenta, divulgou que para cada Real gasto pelo Governo de Luizinho, em 2003, R$ 0,75 foram consumidos até (setembro de 2003) com Despesas de Viagens, nada menos que R$ 168.708, 45, até agosto. Ah se o povão soubesse ler direitinho o Portal da Transparência!!!

SIAF EMPENHADO – Mas isto não é nada! Segundo despesas informadas pelo SIAF – Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal, já estão empenhadas, para as viagens programadas, um total de R$ 56.190.013,09. Mal se imaginava que passados mais de 20 anos a rubrica contábil evoluiria vertiginosamente. Semelhante as acontecências nossos dias.

FURO BRASILIENSE – Uma gazeta da Capital Federal informa – que um certo graduado da Casa Civil telefonou para os ministros retransmitindo recomendação do Presidente Luizinho para boicotarem solenidade a ser realizada pelo Supremo Tribunal Federal. Nada como recordar!

CRIME RELIGIOSO – O Frade Luciano foi abatido em Goiana. Diz o relatório policial que foi empurrado de uma janela do 1º andar do convento cuja altura é de mais de 6 metros. Foi encontrado nu e tendo ao lado um roupão. Há indícios de que esperava alguém. Crime passional?

REQUINTADA CRUELDADE – Já em Barra de Jangada outro religioso foi morto na mesma semana. Dessa vez com requintada crueldade, pois a morte ocorreu a tiros e pauladas. Era homosexual e umbandista. A massa encefálica ficou exposta. Não apareceu uma única alma para ajudá-lo.

DOMINGO ILEGAL – O programa de tv “Domingo Legal” ficou fora do mar por bom tempo. É que o Produtor foi acusado de veicular entrevistas com falsos integrantes de uma facção indesejável fazendo ameaças a celebridades nacionais. De fato, um Domingo Ilegal!

PECADO MORTAL – Cinco sacripantas (um deles soldado da “Briosa”) , um comerciante e duas adolescentes foram flagrados num quarto do Motel Solaris, durante filmagem altamente erótica. A polícia constatou que já havia cenas gravadas em celular, com as meninas chupando os “instrumentos” da “companheirada” e “levando ferro” com mais de um tarado, ao mesmo tempo. Todos em pecado mortal!

PREFEITO IMPERFEITO – A justiça de Uberaba – MG – enquadrou um prefeitinho sabido pra cachorro, tornando-o inabilitado a 10 anos fora das eleições. Motivo: uso indevido de avião oficial para o transporte de seus eleitores. Mais barato teria sido haver pago tal mordomia em voos turísticos de carreira.

OPORTUNO LEMBRETE – As notas aqui publicadas foram prospectadas dos meus arquivos jornalísticos do ano de 2003, tempo em que o colunista era Repórter de Setor, as quais aqui foram devidamente “guaribadas”.

PENINHA - DICA MUSICAL