XICO COM X, BIZERRA COM I

No km 04 da estrada, num quase mato, a fogueirinha está acesa, tremulam algumas poucas e pequenas bandeiras de papel e o forró ainda se ouve. Todos contemplam um céu estrelado e uma lua bonita adoçados pela sanfona do velho Toinho de seu Neco. É noite de São João. Vou ter que explicar a meus netos o que é isto.

Um pouco à frente, em outro km da mesma estrada, Pablo solta seus ‘versos’ e Wesley grune seus sons, embalado por um unânime ‘vai, Safadão’. A turba se excita, orgasmos múltiplos se sucedem, sem fogueiras, sem bandeirolas, sem canjica, sem milho, sem vergonha … Prefeitos se esbaldam nos abraços, secretários sorriem, empresários do setor festejam, todos com os bolsos cheios e as consciências vazias. A suposta multiculturalidade é a justificativa pífia utilizada pelos agentes públicos para as absurdas contratações.

Lá do alto, num cantinho do Céu, seu Luiz, seu Domingos e seu Sivuca, tristes, ficam sem entender quase nada. Nenhum Baião. Nem balões sobem. Lágrimas descem. Decido ficar no km 04. Lá ainda tem o que restou do São João.

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2 pensou em “SÃO JOÃO SEM SÃO JOÃO

  1. E nem convida os amigos e devotos para seu São João, mestre Xico. Não está certo. Viva os Santos Populares, como se diz na terrinha. Seu devoto.

  2. Meu Doutor,
    Tomara que em terras lusas ainda se dê o respeito que merecem nossos populares santos. Por aqui, só no km 4 de minha imaginação.

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