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O SEQUESTRO DA DEMOCRACIA

Luciano Trigo

A democracia se esvazia quando o voto deixa de ter força prática: elites judiciais e midiáticas passaram a tutelar governos eleitos, sequestrando a soberania popular

Obviamente, a democracia representativa não se resume ao ato de votar: seja de esquerda, centro ou direita, qualquer governo eleito precisa dos meios institucionais para transformar votos em políticas concretas.

Nos últimos anos, porém, multiplicaram-se exemplos globais de líderes que venceram eleições com forte apoio popular, mas foram tolhidos em sua capacidade de governar por forças externas: tribunais intervencionistas, parlamentos fisiológicos, burocracias resistentes e grande mídia hostil.

A distância crescente entre ganhar uma eleição e governar sugere a consolidação de um fenômeno preocupante: democracias tuteladas — regimes nos quais o voto popular continua existindo, mas sua força transformadora é mitigada ou neutralizada por camadas de poder que não se submetem ao escrutínio das urnas.

O resultado é um impasse: um presidente que é eleito com base na promessa de ruptura com o sistema, mas se vê refém das mesmas estruturas que prometeu reformar.

Esse fenômeno, ilustrado por casos como Donald Trump nos Estados Unidos, Jair Bolsonaro no Brasil, Benjamin Netanyahu em Israel e Javier Milei na Argentina, revela um padrão no qual líderes de direita enfrentam, invariavelmente, obstruções que os impedem de exercer plenamente o poder concedido pelo povo. Após a vitória, todos enfrentaram um cerco institucional e midiático que limitou drasticamente sua capacidade de ação.

Hoje, no Brasil e no mundo, vencer nas urnas confere legitimidade formal, mas já não garante controle sobre o Estado.

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A AGONIA DOS CORREIOS

Editorial Gazeta do Povo

Loteamento político, inchaço, taxa das blusinhas: Correios foram vítima de combinação letal montada pelo próprio governo

Nunca antes na história deste país os Correios, instituição outrora respeitadíssima por sua eficiência, estiveram em situação tão dramática quanto neste terceiro mandato de Lula. A estatal, que vem acumulando prejuízo recorde – o rombo do primeiro semestre deste ano, R$ 4,4 bilhões, já é maior que o resultado negativo de todo o ano passado –, procura desesperadamente um empréstimo na casa dos R$ 20 bilhões para não quebrar, mas mesmo os bancos estatais estão relutando em entrar no negócio, aceitando no máximo oferecer um décimo desse valor, segundo informações de bastidores. A decadência dos Correios sob o petismo é uma mistura de erros tradicionais dos governos do PT com a incapacidade da estatal de se adaptar a uma série de mudanças estruturais.

Fiel ao velho hábito de culpar governos anteriores por todas as mazelas atuais, o petismo afirmou que os lucros obtidos durante a gestão de Jair Bolsonaro se deviam ao represamento de investimentos, e que o prejuízo atual ocorria exatamente porque a estatal havia voltado a fazê-los. E, como Lula chama qualquer despesa de “investimento”, os executivos dos Correios usaram a mesma ótima para promover outro dos maus hábitos da esquerda no poder: inchar a estatal, realizando concursos para contratar novos funcionários. Além do inchaço, ainda havia o aparelhamento político: em fevereiro de 2023, Lula escolheu Fabiano Silva dos Santos, advogado do grupo Prerrogativas, para comandar os Correios – os advogados pró-Lula e anti-Lava Jato já emplacaram dezenas de membros em estatais, ministérios e tribunais superiores. Santos pediu demissão no início de julho e foi substituído por Emmanoel Rondon, funcionário de carreira do Banco do Brasil.

Para piorar, os Correios pagam até hoje a conta dos rombos causados pela administração irresponsável do Postalis, o fundo de pensão dos funcionários da estatal, durante os dois mandatos de Dilma Rousseff, entre 2011 e 2016. E decisões tomadas durante o governo Lula 3 também sangraram a empresa. Em 2023, a Receita Federal havia permitido que transportadoras privadas lidassem com remessas internacionais, retirando o que, até então, era um monopólio de fato dos Correios nessa área. Por fim, os próprios petistas assumem que a “taxa das blusinhas”, a tributação sobre encomendas internacionais de baixo valor imposta por Lula e Fernando Haddad em agosto de 2024 para turbinar a arrecadação federal, foi o golpe de misericórdia nas contas dos Correios. Um estudo interno da empresa afirma que a medida causou uma perda de receita estimada em R$ 2,16 bilhões no ano passado, já que os brasileiros pisaram no freio dos pedidos graças à taxação. A falha grotesca dos Correios, nestes casos, foi não ter se preparado para uma queda nas receitas que era previsível.

Em uma ironia bastante trágica, o mesmo petismo que acusa governos de direita de sucatear estatais para depois vendê-las conseguiu destruir os Correios de tal forma que a empresa se tornou “imprivatizável”, ainda que Lula quisesse se desfazer dela, o que não é o caso. Apesar de algumas vantagens competitivas que os Correios ainda mantém, como a sua capilaridade sem paralelo com nenhuma outra empresa de logística no Brasil, que comprador sensato aceitaria pagar qualquer valor de vulto por uma companhia que precisa de dezenas de bilhões de reais apenas para seguir respirando?

Sem a privatização no horizonte, resta apenas a via do corte drástico de despesas, com um enxugamento forte no quadro de funcionários e a venda de ativos que estejam ociosos, como imóveis. Mas, ainda que o petismo, tradicionalmente avesso a ajustes desse tipo, se rendesse à realidade, continuaria a haver dúvidas sobre o futuro do próprio modelo que rege os Correios. À medida que a empresa foi perdendo eficiência, nos últimos anos, concorrentes privados (incluindo grandes varejistas e marketplaces que criaram frota própria) ganharam espaço no mercado de entrega de encomendas, oferecendo os mesmos serviços com prazos e custos menores. A discrepância é tanta que apenas a um custo elevadíssimo os Correios seriam capazes de poder voltar a competir em pé de igualdade – um custo muito maior que os R$ 20 bilhões de uma conta que fatalmente acabará bancada pelo pagador de impostos brasileiro.

PENINHA - DICA MUSICAL

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COMENTÁRIO DO LEITOR

OS PREÇOS

Comentário sobre a postagem O SETOR AGRÍCOLA ESTÁ ENTRANDO EM DESESPERO

João Francisco:

Aqui em SP o preço da batata e da cebola já tem meses que anda na faixa dos 2 reais o kg.

– Isso é bom para o consumidor; diriam alguns desavisados.

Agora pensem, se chega a 2 reais na gôndola dos mercados, a quanto que sai dos produtores (lembrando que depois que é vendido na roça tem limpeza, embalagem, transporte e impostos)?

Depois que o produtor quebra, não há mais produção e o preço dispara.

Aguardem para ver a evolução destes dois alimentos importantes (são só 2 exemplos).

LAUDEIR ÂNGELO - A CACETADA DO DIA

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HABEAS PORTAS

Para o relator da CPMI que investiga o roubo no INSS, Alfredo Gaspar (União-AL), a blindagem a oito depoentes que conseguiram habeas corpus no STF “protege criminosos e atrasa a verdade”.

* * *

Grande novidade…

Picareta conseguir hapeas corpus neste país é a coisa mais comum do mundo.

Normal, normal, normal.

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