Sento-me à beira da estrada para conversar com as pedras e trocar ideias com tantas folhas caídas à sua margem. Pequenos grilos cantam canções que só eles sabem cantar. Poucos, como eu, as entendem. Borboletas cirandeiam alegres e felizes, colorindo o céu azul, embotado por manchas brancas que alguns chamam de nuvem. Fico a enxergar grandeza nas pequenices que vejo. Um vento sussurra que a chuva está por chegar e me apresso em busca de proteção. Desisto. Faz tempo que não vejo a chuva cair e estou com saudades. Deixarei que os seus pingos me contem segredos guardados no infinito e só revelados a quem, como eu, não teme futuros e vive presentes. O peito nu é minha camisa e os cabelos, brancos, compridos e assanhados, meu chapéu. Chuva finda, peito aberto, corpo molhado, despeço-me das amigas pedras, abraço as folhas e sigo o caminho rumo às alegrias vindouras. Acompanha-me sorridente um raio de sol pós-chuva, se encaminhando para compor o primeiro arco-íris do dia. Ele, o astro-mor, já brilhante no alto, me deseja um bom dia e eu sigo. Feliz e agradecido, acompanhado pelo canto bonito de uma sabiá que se achegou ao meu sonho. Sou feliz. A dúvida é saber se mereço tanto…
Câmara aprovou o projeto que garante isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil
O Brasil tem um Congresso que aprova a contínua expansão da máquina do Estado, vota a favor de aumentos de impostos e apoia leis que transformam pautas “progressistas” em itens de cumprimento obrigatório. Uma das conclusões possíveis é que o Congresso trabalha contra o povo.
Nas últimas semanas, o Congresso aprovou três projetos desastrosos. O primeiro foi um pacote de “isenção” de imposto de renda que, na verdade, é apenas uma correção parcial da tabela (a correção deveria ser automática)e que serve de cavalo de Troia para impor a tributação de dividendos e um certo “imposto de renda mínimo” para quem é isento. O segundo projeto “regulamenta” os serviços de streaming, criando mecanismos de censura e um imposto (Condecine) para financiar produtoras amigas do governo. O projeto também obriga a exibição de conteúdo estatal. O terceiro projeto foi a ampliação da licença paternidade. Esse último merece algumas considerações.
Quem decidiu que o aumento da licença paternidade estava entre as prioridades nacionais? A legislação trabalhista do Brasil já está entre as mais complexas do mundo. Para cumpri-la, o empregador gasta quase o equivalente ao salário que ele paga ao funcionário – ou seja, um empregado com salário de R$ 2.000 pode custar ao seu empregador até R$ 4.000 por mês. Contratar funcionários é atividade de risco; um processo trabalhista pode levar uma empresa à ruína. O Brasil é recordista nesse tipo de ação.
A lista de benefícios e direitos do trabalhador formal é grande. À primeira vista, isso parece bom. O trabalhador tem direito, por exemplo, a 30 dias de férias anuais, a um “salário de férias”, ao 13º salário e a licenças maternidade e paternidade – essa última, agora, ampliada de 5 para 20 dias. Mas será que esses “direitos” realmente beneficiam o trabalhador e o país?
No curto prazo, há um evidente impacto positivo. É melhor tirar 30 dias de férias do que tirar apenas 10 dias, ou nenhum. Quando nasce um filho, é melhor para o pai ficar vinte dias com ele do que apenas cinco. Mas é preciso olhar além dos efeitos imediatos para entender as consequências da legislação. A capacidade de entender as consequências de longo prazo é uma das habilidades mais importantes dos políticos.
Os benefícios são pagos pelas empresas que contratam os trabalhadores, ou pelo Estado, usando o dinheiro dos impostos. Quanto mais benefícios forem determinados pela lei, mais alto é o custo de um trabalhador brasileiro quando comparado com trabalhadores de outros países onde esses benefícios não são obrigatórios. E quanto mais alto o custo do trabalhador, menos empregos serão gerados. Um trabalhador desempregado não tem direito a nenhum benefício.
A legislação trabalhista é um dos fatores que tornam o Brasil um péssimo país para se investir e fazer negócios, comparado a países como os Estados Unidos, onde não existem leis como as brasileiras. Uma empresa americana não é obrigada a dar 30 dias de férias. Muitos americanos, ao começar em um emprego, tiram apenas cinco ou dez dias de férias por ano; depois, para cada ano adicional na empresa, o trabalhador ganha um dia extra de férias. Em termos de benefícios trabalhistas, os EUA são um inferno comparado com o paraíso do Brasil. Ironicamente, qualquer trabalhador brasileiro, se tiver oportunidade, troca nosso paraíso pelo inferno americano. A razão é óbvia: o padrão de vida nos EUA está entre os maiores do mundo; a economia é dinâmica, há abundância de empregos e até os trabalhadores nas profissões mais humildes vivem uma vida que, no Brasil, é reservada para a classe média.
Os números são chocantes. Em seu livro How Latin America Fell Behind, Stephen Haber estima que em 1800 o PIB per capita brasileiro era igual ao americano. Em 1913 o PIB americano já era sete vezes maior que o brasileiro. Até 1982 o PIB per capita da Coreia do Sul era inferior ao do Brasil; hoje ele é 3 vezes e meia maior. O PIB mede a produtividade, a riqueza e a qualidade de vida do trabalhador médio. O brasileiro, com todos os direitos, tem uma vida pior do que a do americano. Segundo Alan Reynolds em seu livro Income and Wealth, 70% dos americanos oficialmente classificados como pobres possuem pelo menos um automóvel. A faxineira que trabalha para um dos meus amigos de Washington dirige um carro novo, um SUV japonês. Onde estão os carros das faxineiras brasileiras?
A contínua interferência do Estado na relação entre empregador e empregado cria burocracia e insegurança jurídica, aumenta o custo da contratação de funcionários, desestimula a criação de empregos, dificulta investimentos e, no longo prazo, reduz a renda e o padrão de vida do trabalhador, principalmente o menos qualificado.
Não deveria ser difícil para os parlamentares do Congresso compreenderem isso.
Aprovação: quase 90% dos moradores de favelas cariocas aprovam a megaoperação
Nas últimas semanas, a internet parou para comentar a megaoperação no Rio de Janeiro, onde lamentavelmente quatro policiais morreram no confronto contra narco-terroristas. Mas o lamento dos militantes da extrema-esquerda não é sobre os policiais mortos, e sim sobre os criminosos que, a cada dia mais, criam um Estado paralelo, dominando territórios com “fronteiras” marcadas por barricadas.
A hipocrisia desse tipo de gente é revelada no próprio discurso: eles entendem e justificam as ações de Stálin e de seu time, que mataram milhões de pessoas de fome graças às suas políticas desastrosas.
Quando encontraram resistência dos camponeses que estavam sofrendo e morrendo, executaram centenas de milhares e deportaram outros milhares para campos de concentração, sob a mera acusação de serem “inimigos da revolução” ou kulaks — camponeses ricos que supostamente tentavam sabotar a coletivização da agricultura.
Além disso, não podemos esquecer do infame Grande Terror, quando o comunismo soviético executou sumariamente quase 1 milhão de inimigos políticos, pessoas que se empenhavam ativamente em mudar o curso terrorista do regime.
Os comunistas só precisaram de cerca de 10 anos para matar todos esses milhões de civis: camponeses, professores, políticos, engenheiros. Nesse caso, dizem eles, essas ações são compreensíveis analisando o “contexto” de que a URSS sofria sério risco de ser derrubada; portanto, tais medidas seriam para proteger o regime contra os capitalistas.
O Estado brasileiro tem uma série de falhas sistêmicas, isso é inegável: educação, segurança e saúde são os três pilares nos quais o Estado tem falhado, e o crime também é consequência disso.
Os moradores não aguentam essa realidade diária e estão desesperados. E as pesquisas refletem isso, para desespero dos demagogos elitistas: quase 90% dos moradores das favelas apoiaram a operação e apoiam futuras operações nesse estilo.
Porém, na análise desses demagogos que estão no conforto de seus apartamentos, o trabalho da polícia é simples, pois “com uma pedra é possível desarmar um criminoso com um fuzil de guerra”, como uma dessas sábias “especialistas” comentou recentemente.
Uma pena que esses especialistas não subam os morros junto com os policiais e entrem em confronto com criminosos para mostrar como se faz. Acho que os policiais ficariam felizes em aprender com quem realmente entende de segurança pública.
Aliás, não sei quanto a você, mas depois de ouvir esses especialistas em segurança, eu me sentiria mais seguro em ver policiais patrulhando com pedras nas mãos em vez de armas na Cidade Maravilhosa. E você?
Coisas que me trazem paz E que eu não posso esquecer: Não sou melhor que ninguém Pior também não vou ser E tudo que eu aprendi Se resume nisso aqui: Sei que um dia vou morrer.
Mas, não paro de aprender Que nesta minha jornada, Nada sei e nada tenho Mesmo assim sigo a estrada Buscando a felicidade Ciente em simplicidade Por saber que sou um nada.