DEU NO JORNAL

O CURIOSO ENCONTRO DE UMA JORNALISTA DE ESQUERDA COM A REALIDADE

Roberto Motta

No começo, quando entrara na viatura, ela disse que estava indo à delegacia apenas para recuperar o aparelho. No final, acabou ajudando a enfiar dois criminosos atrás das grades

Essa história se passou com meu amigo Heitor, que é policial militar no Rio de Janeiro. É ele quem vai contá-la.

“Ontem atendi a uma ocorrência no centro da cidade. Uma jornalista solicitou nossa ajuda. Ela e sua amiga haviam sido vítimas de dois criminosos nas proximidades do camelódromo da rua Uruguaiana. Os bandidos roubaram o celular que a jornalista usa em seu trabalho. Um deles estava armado”.

O celular era antigo, um modelo básico da Samsung, sem muito valor. Mas a jornalista estava desesperada porque no celular estavam sua lista de contatos e arquivos importantes. Ela não tinha backup.

Duas horas já haviam se passado desde o momento do assalto.

Sempre recomendamos que as vítimas compareçam à delegacia mais próxima, para fazer o registro de ocorrência. Eu ainda tento ajudar a recuperar o aparelho, caso seja possível rastreá-lo.

Enquanto conversávamos com as duas moças, fomos informados, pelo rádio, que vítimas estavam procurando viaturas da polícia para informar outras ocorrências de assalto na mesma região. Uma das equipes policiais havia conseguido prender indivíduos cuja aparência correspondia aos criminosos descritos pela jornalista.

Nos oferecemos para levar a jornalista e sua amiga até a delegacia. A jornalista – esquerdista, como são quase todos os jornalistas que conheço –entrou na viatura dos policiais “fascistas, imperialistas e filhotes da ditadura” (esse é um dos tratamentos que recebemos com frequência). Na delegacia, ela reconheceu um dos criminosos. A pistola utilizada no crime era um simulacro – uma imitação de arma. Um dos criminosos havia escondido o dinheiro dos assaltos dentro da tornozeleira eletrônica que ele usava.

No caminho até a delegacia a jornalista conversou conosco. “Ainda bem que vocês têm uma cabeça diferente desses militares do Exército, né?”, ela disse, completando: “Vocês são úteis”. Respondi que, na verdade, estávamos extrapolando nossa função, porque não nos cabe transportar vítimas até a delegacia. Poderíamos até sofrer uma punição por isso.

Conversamos sobre policiamento. “O patrulhamento feito por policiais à paisana poderia ajudar muito a reduzir os crimes”, eu disse. “Ele criaria incerteza para os bandidos. Os criminosos não saberiam se há policiais presentes.”

“Então por que não fazem isso?”, perguntou a jornalista.

“Se policiais militares fizerem patrulhamento em roupas civis, a imprensa vai chamá-los de milicianos”, respondi.

Ela quis saber por que os criminosos não ficam presos muito tempo. Expliquei que a Justiça determina que eles sejam soltos. “É isso que acontece quando se flexibilizam as leis para atender a interesses políticos. A flexibilização acaba beneficiando todo o tipo de criminosos, até monstros.”

No começo da conversa, a jornalista havia se referido ao ladrão que a assaltara como um “usuário de drogas que roubou para comprar drogas”. Então a convidamos a refletir. “Se ele é apenas usuário, por que atacou duas mulheres? Trata-se de uma ação pensada, planejada.” Meu colega perguntou: “se eles estavam armados, e queriam drogas, por que não roubaram as drogas, ao invés de assaltar vocês?”

Elas pensaram e nos deram razão. A jornalista disse: “Pois é. Hoje ele roubou meu celular, amanhã pode matar alguém para roubar um aparelho”.

Eu disse: “Imagine nossa sensação ao ver pessoas como a senhora sendo vítimas de criminosos, e depois ter que ouvir uma autoridade dizendo que eles são coitados e só roubaram o celular para tomar uma cervejinha. Sua vida vale uma cervejinha?”

No final ela ficou tão irritada com a ação dos marginais que decidiu testemunhar contra eles.

No começo, quando entrara na viatura, ela disse que estava indo à delegacia apenas para recuperar o aparelho. No final, acabou ajudando a enfiar dois criminosos atrás das grades.

Pelo menos por algum tempo, até que o país retome a sanidade.

PENINHA - DICA MUSICAL

DEU NO JORNAL

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

DEU NO JORNAL

O FIM DO DEBATE É O FIM DE TUDO

Luís Ernesto Lacombe

debate esquerda

Nos “debates” de hoje só podem participar os que pensam da mesma forma

Começou na época da Covid, com o tal “consórcio de imprensa”. Os jornalistas desistiram de seu ofício e assinaram ali sua própria “certidão de óbito”. Todos aceitaram empurrar ao precipício os princípios fundamentais de sua profissão – o apego aos fatos, o compromisso com a busca da verdade, com a apuração profunda das informações, com a isenção e o equilíbrio. Depois, eles próprios se atiraram às profundezas… A imprensa se matou, desistiu de ser imprensa, abrindo mão de ouvir todos os lados das histórias reais, abolindo, submissa a tiranos, o debate.

Na semana passada, um “panfleto” foi destaque na primeira página de O Estado de S.Paulo e ocupou duas páginas inteiras do jornal. Três médicos consagrados, com larga experiência, foram tratados como charlatães. O Estadão afirmou que eles estariam inventando uma “síndrome pós-picadinha”, apenas para vender cursos e tratamentos. O panfleto do jornal, ele, sim, anticiência, fez questão de ignorar cerca de 14 mil artigos científicos sobre o que tem sido material de estudo do imunologista Roberto Zeballos, do infectologista Francisco Cardoso e do neurologista Paulo Porto de Melo.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, comemorou a publicação da matéria e anunciou que o governo vai processar os médicos citados pelo Estadão, usando a AGU. Juntam-se, mais uma vez, o governo do PT e a imprensa que se matou, para atacar as bases da ciência e também do jornalismo: o mundo real; as teses e as antíteses; os pontos e os contrapontos; os argumentos e os contra-argumentos… Não pode haver mais liberdade médica, nem liberdade de imprensa, nem liberdade de expressão… Um regime tirânico se acha no direito de decidir o que é “verdade”, de transformar qualquer divergência em crime, de ameaçar e chamar de “negacionista” quem questiona a narrativa oficial.

Despedaçada, moribunda, vagando como um zumbi, a imprensa aceita de bom grado ser submissa. E passa a perseguir o dissenso e amordaçar quem considera indesejável, quem escolhe como inimigos. Também tem sido assim em relação ao sistema eletrônico de votação no Brasil, assunto terminantemente proibido. Também tem sido assim quando a pauta é meio ambiente. Deve-se aceitar que, por culpa do ser humano, o vilão dos vilões, o clima na Terra está mudando. Deve-se anunciar, potencializando sempre o discurso alarmante e as frases de efeito, que, se nada for feito, o planeta vai acabar depois de amanhã.

Na última quinta-feira, véspera do último dia da inútil e desastrosa COP 30 em Belém, era manchete do G1: “Tempo se esgotando: as prioridades e os piores cenários climáticos para o planeta”. O texto dizia o seguinte: “Reunimos 33 dos principais pesquisadores de referência mundial, ambientalistas e personalidades com voz ativa no debate climático para responder a uma pergunta central: qual é o futuro do planeta? As respostas, reunidas ao longo de meses de apuração, revelam um consenso e um alerta: o tempo está se esgotando”.

É muita cara de pau reunir 33 pessoas que pensam da mesma forma – entre elas, uma chef de cozinha, um DJ, uma empresária petista e um “cacique de boutique” – e afirmar que houve “debate”, “apuração” e que se chegou a um “consenso”… Por que o portal da Globo não ouviu cientistas como os brasileiros Ricardo Felício e Luiz Carlos Molion, ou a climatologista americana Judith Curry, ou o ativista canadense Patrick Moore, um dos fundadores do Greenpeace? Porque mentir dá um trabalho enorme, e os mentirosos não querem dar a ninguém a chance de desmascará-los.

DEU NO X

LAUDEIR ÂNGELO - A CACETADA DO DIA

SEVERINO SOUTO - SE SOU SERTÃO

DEU NO X

PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

PARA QUÊ?! – Florbela Espanca

Tudo é vaidade neste mundo vão …
Tudo é tristeza, tudo é pó, é nada!
E mal desponta em nós a madrugada,
Vem logo a noite encher o coração!

Até o amor nos mente, essa canção
Que o nosso peito ri à gargalhada,
Flor que é nascida e logo desfolhada,
Pétalas que se pisam pelo chão! …

Beijos de amor! Pra quê?! … Tristes vaidades!
Sonhos que logo são realidades,
Que nos deixam a alma como morta!

Só neles acredita quem é louca!
Beijos de amor que vão de boca em boca,
Como pobres que vão de porta em porta! …

Florbela Espanca, Vila Viçosa, Portugal (1894-1930)