DEU NO JORNAL

HÁ MUITO A FAZER ATÉ OUTUBRO CHEGAR

Editorial Gazeta do Povo

Com o início de um ano eleitoral, é natural que as atenções se voltem para o pleito de outubro, em que serão escolhidos deputados federais, senadores e o presidente da República, na esfera federal; e deputados estaduais e governadores, na esfera estadual. A oposição de direita já se articula para ter um candidato capaz de derrotar Lula, que deve buscar a reeleição, e também se organiza para conseguir uma maioria qualificada no Senado, que leve a casa legislativa a acordar de seu sono profundo e exercer seu papel constitucional de contrapeso ao Supremo Tribunal Federal. No entanto, não basta olhar apenas para outubro; é preciso agir agora – até porque, se nos omitirmos nos próximos meses, veremos uma repetição de 2022.

Os tribunais superiores desequilibraram a eleição de 2022 das mais diversas maneiras. Críticos de Lula, do STF e do TSE foram censurados; alguns temas, como o abortismo do petista ou sua amizade com o ditador nicaraguense Daniel Ortega, foram transformados em tabus; documentários foram impedidos de ir ao ar por ministros que nem sequer haviam assistido ao conteúdo; emissores foram obrigadas a veicular direitos de resposta claramente mentirosos; depois da eleição, ainda houve a absurda cassação do mandato do oposicionista Deltan Dallagnol. E tudo indica que 2026 será pior.

No recente julgamento do “núcleo 4” dos “processos do golpe”, o STF mostrou que está disposto a criminalizar a “desinformação”, um conceito fluido que pode ser resumido na expressão “tudo que desagrada o governo ou o Supremo”. Na ocasião, o relator Alexandre de Moraes prometeu repressão dura contra quem andar fora da linha determinada pelo Supremo: “todos que insistem em desinformação devem saber, ficar atentos já com esse precedente do STF. Fica o alerta para que cessem essas atividades nas eleições do ano que vem”, afirmou. Quem haverá de duvidar que críticas lícitas em qualquer democracia do mundo poderão render (com a ajuda de resoluções liberticidas do TSE) censura e até mesmo cassação de candidaturas no Brasil?

Se queremos a restauração plena das liberdades democráticas – especialmente a liberdade de expressão –, a volta do devido processo legal e do equilíbrio entre os poderes da República, não há como esperar até eleger um presidente da República que nomeie bons novos ministros, ou um Senado que cumpra seu dever constitucional. É preciso aproveitar com sabedoria este momento inédito, em que a blindagem montada pela imprensa colaboracionista e por partes da sociedade civil organizada para proteger os abusos supremos começa a apresentar furos.

Com anos de atraso, aqueles que se omitiram ou endossaram o paradoxo do “estado de exceção para a defesa da democracia” começam a falar sobre as ilegalidades cometidas pelo Supremo na perseguição a direitistas, conservadores e aliados de Jair Bolsonaro – embora ainda se recusem a confessar o próprio papel na construção do estado atual de coisas. Escândalos como o do Banco Master, com a atuação sui generis de Dias Toffoli, a revelação do contrato multimilionário do banco com o escritório de advocacia da mulher de Moraes, e a possibilidade de que o próprio Moraes tenha procurado o Banco Central para falar do caso, entraram no radar da imprensa de uma forma que seria impensável tempos atrás. Nem todos compreendem como tudo isso está interligado: se hoje os ministros do Supremo podem fazer o que bem entendem, é porque receberam essa carta branca no passado, daqueles para quem a omelete da prisão de Bolsonaro exigia a quebra dos ovos das liberdades, do devido processo legal, do respeito à Constituição, do equilíbrio entre poderes.

É nossa tarefa ligar os pontos para aqueles que ainda não entenderam, e insistir. Insistir para que a imprensa investigue, denuncie, tenha a decência de mostrar os abusos, as ilegalidades, as violações, e finalmente admita sua parcela de culpa por não ter se oposto ao arbítrio quando ele ainda estava no início. Insistir para que cada vez mais deputados pressionem um pusilânime Hugo Motta a finalmente abrir a CPI do Abuso de Autoridade. Insistir para que os senadores rejeitem um liberticida (seja Jorge Messias, seja qualquer outro com perfil semelhante) para ocupar a vaga deixada no Supremo por Luís Roberto Barroso. Insistir para que as entidades da sociedade civil organizada voltem a honrar seu histórico de defesa da democracia, histórico esse que as omissões recentes estão apagando.

Tudo isso é para já; 2026 precisa começar sob o signo da mobilização popular, política, midiática e institucional em torno da verdadeira defesa da democracia – não aquela hipocritamente invocada enquanto a Constituição era atropelada e as liberdades eram suprimidas uma a uma. Falamos da democracia real, onde juízes não são autocratas onipotentes, onde críticas a pessoas e instituições não são censuradas, onde pessoas são processadas e punidas apenas pelo que realmente fizeram, onde tribunais não são “editores de um país inteiro”, nem “poder moderador”, nem têm “papel político”, nem funcionam para “derrotar” correntes políticas. Esta é nossa missão para o ano que se inicia.

PENINHA - DICA MUSICAL

DEU NO JORNAL

DEU NO X

DEU NO JORNAL

RESOLUÇÕES PARA 2026

Guilherme Fiuza

A imprensa cava sempre mais fundo: fraudes somem, fake news viram método e 2026 promete mais cinismo embalado de jornalismo

A cada ano que passa, quem ainda não perdeu o juízo jura que a imprensa chegou ao fundo do poço. Mas aí vem o Ano Novo e mostra que o poço era mais fundo.

Em 2025, o escândalo da BBC explodiu com teor suficiente para dar um basta no transformismo jornalístico. Fraudar o discurso de um candidato à Casa Branca (Trump), às vésperas da eleição, com uma montagem grosseira para acusá-lo de golpe de Estado, parecia expediente de submundo mafioso. Agora chegaria o basta, pensaram os normais.

Nada disso, bobos! Basta coisa nenhuma! A fraude da BBC sumiu no éter em 48 horas. Abafa-se o eco e vamos à próxima fake news de grife.

Num ambiente assim, o que esperar de 2026? Segue uma sugestão de lista de resoluções para jornalistas e comunicadores em geral — sem exagerar no nível de ambição, porque o poço é fundo e a carne é fraca:

1 – Se for manipular a fala de alguém para enganar o seu público, use inteligência artificial. Pelo menos você não ficará com cara de fraudador do século passado;

2 – Se for discorrer sobre o embelezamento arquitetônico de Belém do Pará em situação análoga à da COP 30, oriente o espectador a aproveitar esse momento e ir à cozinha ou ao banheiro. Assim, você o previne de assistir à falta d’água na região mais úmida do mundo e a queimadas em estande construído em defesa da floresta;

3 – Se for mandar alguém ao vivo para o diabo que o carregue, cheque antes se o delivery do capeta está fazendo entrega em celebração de acordo de paz;

4 – Sempre que for convidar seu público a entender como o aumento da inflação é bom, certifique-se de que ninguém na audiência tenha ido ao supermercado nos últimos 30 dias — para não correr o risco de algum mal-humorado ficar chateado com você;

5 – Ao fazer a cobertura da situação falimentar de empresas estatais que dão patrocínios milionários a artistas famosos, evite usar a palavra “prejuízo”. Ela pode dar a impressão errônea de que você está trazendo uma notícia ruim;

6 – Se você está há anos fazendo vista grossa para a ditadura de Maduro, evite dizer que a presença militar norte-americana no Caribe é uma ameaça à paz no continente. Alguém pode achar que o seu conceito de paz é ocasional;

7 – Se você está trabalhando como comunicador, mas seu objetivo central é se eleger em 2026 pelo “campo conservador”, evite pronunciar a palavra “direita” a cada frase que você constrói. O pessoal pode ficar curioso e checar com quem você andou no verão passado;

8 – Se você passou os últimos três anos como porta-voz informal do poder, cuidado na hora de desembarcar. Certifique-se previamente de que a totalidade da sua audiência já se esqueceu de todos os absurdos que você defendeu;

9 – Comprometa-se perante si mesmo com a seguinte meta: até o dia 31 de dezembro de 2026, você tem que ter passado pelo menos um dia inteiro sem fustigar treta para caçar like;

10 – Em 2026, você pode continuar humanizando traficantes assassinos e passando pano para terroristas sanguinários em nome de um discurso “progressista”, mas não se esqueça: mande tirar todos os espelhos da sua casa. Chega de encontros desagradáveis.

No mais: Feliz Ano Novo!

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

DEU NO X

A PALAVRA DO EDITOR

FECHANDO O ANO

31 de dezembro de 2025.

Acabou o mês e acabou o ano.

Chupicleide, secretária de redação, já está pronta para, como ela mesmo falou, “romper o ano e as pregas” na beira da praia, na zona sul aqui do Recife, celebrando a chegada do novo ano e enchendo a cara.

Ô sujetinha inxirida que só a peste!

Isso graças à generosidade dos nossos leitores, que ajudam a pagar as cachaças que ela toma e também a manter essa gazeta escrota avuando pelos ares.

Um caloroso abraço para todos que acessam o JBF, mantendo em alta as nossas estatísticas nas 24 horas do dia.

Ano que vem, melhor dizendo, amanhã, como acontece todos os dias, este jornaleco safado será atualizado com novas postagens, contando com a audiência e a participação de todos vocês, essa turma boa que dá vida a este recanto.

Gratíssimo a todos do fundo do coração, estimados leitores!!!

Tenham certeza que 2026 vai ser um ano arretado pra todos nós e nossos entes queridos!

Vou fechar a postagem e o ano com Louis Armstrong interpretando a belíssima canção “What a Wonderful World” (Que mundo maravilhoso).

Este maravilhoso mundo da comunidade fubânica!!!

* * *

Que Mundo Maravilhoso

Eu vejo as árvores verdes, rosas vermelhas também
Eu as vejo florescer para mim e para você
E penso comigo: Que mundo maravilhoso

Eu vejo os céus tão azuis e as nuvens tão brancas
O brilho abençoado do dia, e a escuridão sagrada da noite
E eu penso comigo: Que mundo maravilhoso

As cores do arco-íris, tão bonitas no céu
Estão também nos rostos das pessoas que passam
Vejo amigos apertando as mãos, dizendo: Como vai você?
Eles realmente dizem: Eu te amo!

Eu ouço bebês chorando, eu os vejo crescer
Eles vão aprender muito mais que eu jamais vou saber
E eu penso comigo: Que mundo maravilhoso
Sim, eu penso comigo: Que mundo maravilhoso

SEVERINO SOUTO - SE SOU SERTÃO

DEU NO JORNAL

UM ANO ESCANDALOSO

Foram tantas graves denúncias em torno dos poderosos este ano, que 2025 terá de ser lembrado como o retorno dos escândalos em série no País.

O ano mal havia começado e um ministro petista pediu para sair acusado de usar verba pública para ajudar uma fazenda da família. Foi só um gostinho.

O prato principal foi servido na forma da fraude ao INSS, que tungou ao menos R$ 10 bilhões dos aposentados, o maior roubo da História do Brasil, maior até que o famoso Petrolão, desvendado pela Lava Jato, também enterrada este ano.

Isso sem nem entrar nos empréstimos consignados, universo de R$ 90 bilhões.

Foram tantos os enrolados nessa avalanche, que até Lulinha, filho do presidente, voltou às manchetes acusado de receber mesada de R$ 300 mil do operador do esquema.

Pouquíssimo tempo depois, o liquidado Banco Master revelou ligações da mais alta cúpula do Judiciário com interesses nada republicanos.

* * *

A expressão “retorno dos escândalos em série”, no primeiro parágrafo dessa nota aí de cima, resume tudo.

E a expressão “o maior roubo da História do Brasil” é simplesmente assustadora.

Uma marca absurda nestes tempos de desgoverno banânico.

Que os céus se apiedem deste rapinado país e nos dê um novo ano sem tantos desmantelos.