DEU NO JORNAL

DINHEIRO SEM LASTRO, JUROS E INFLAÇÃO

Editorial Gazeta do Povo

Casa da moeda impressão dinheiro

Impressão de cédulas de real na Casa da Moeda do Brasil

A moeda (ou dinheiro) é um instrumento inventado pela humanidade para permitir as trocas indiretas de mercadorias e serviços. Entende-se por troca indireta o comércio entre duas ou mais pessoas físicas ou jurídicas em que uma das partes entrega um serviço ou um bem material à outra parte, e recebe em troca um valor monetário em forma de uma cédula de papel ou depósito bancário a seu favor. A razão de ser assim é que a parte que entrega a mercadoria ou serviço não quer receber em troca outra mercadoria ou serviço que a outra parte tem para lhe dar. Dessa forma, o recebimento em papel-moeda ou crédito em conta bancária permite à parte que entregou (vendeu) seu produto usar o valor monetário recebido para adquirir mercadorias ou serviços de terceiras partes não envolvidas na operação original.

Visto esse aspecto sobre o funcionamento do mercado de trocas de bens materiais e serviços, não é difícil concluir que o volume de moeda circulante em uma sociedade deve estar de acordo com o volume de transações comerciais e financeiras (compras, vendas, empréstimos, aluguéis etc.) feitas pelos habitantes dessa sociedade. Por sua vez, uma sociedade composta de pessoas, empresas e governos somente consegue transacionar entre seus membros um volume total de transações determinado pelo tamanho de seu produto (bens e serviços), tecnicamente chamado de Produto Interno Bruto (PIB). Em dizer popular, nenhuma sociedade transaciona bens e serviços que ela não produz ou importa. Mesmo as operações de doações e transferências ao governo estão limitadas ao tamanho do PIB do país, posto que este também limita o volume de operações em forma de donativos, empréstimos, aluguéis ou qualquer cessão onerosa.

O PIB, portanto, é o determinante principal do volume de transações econômicas realizadas no país, mas o valor total dessas transações expresso na moeda nacional requer outro elemento: os preços pelos quais as unidades de mercadorias (produtos físicos) e serviços são negociados. É a partir da combinação de todos esses elementos que o país define quanto de moeda manual e moeda escritural deve circular no sistema econômico. Nesse sistema, o papel do governo (representado por prefeituras, governos estaduais e governo federal) adquire relevante expressão em função de seu enorme tamanho no quadro geral.

Para entender e contabilizar o funcionamento de um país, o mundo adota um modelo baseado em quatro entidades econômicas: pessoas, empresas, governo e resto do mundo. Considerando que, do volume total produzido pelo país expresso pelo PIB, a fração entregue ao governo em forma de tributação chega a 34% do PIB no caso do Brasil, a forma como o governo gasta a montanha de dinheiro da tributação define o comportamento dos preços (inflação), a composição dos gastos (consumo e investimento) e a taxa de juros (em função de o governo gastar mais ou menos que o valor que arrecada).

Fica claro, assim, que o comportamento econômico do governo termina por influenciar a inflação, os juros e os bens e serviços que serão produzidos anualmente. Uma entidade que arrecada de forma impositiva 34% do PIB, e tem o poder de escolher como gastar tudo isso, é uma entidade com o poder de determinar o que o sistema irá produzir e para onde a produção nacional caminhará (se na direção do crescimento ou da retração). Ademais, se essa entidade chamada governo gastar mais do que arrecada, ela altera radicalmente todo o funcionamento do sistema produtivo, a composição das transações, as taxas de juros e onde será alocada a poupança, que é a parte da renda nacional não gasta por seus detentores (pessoas e empresas).

Outro aspecto a destacar é que o volume de empréstimos feitos a pessoas, empresas e governos que queiram investir e realizar gastos além de suas possibilidades de caixa será limitado pelo total da poupança nacional. Porém, tudo se altera quando o governo gasta mais do que arrecada e cria déficits sem obedecer a critérios técnicos de limite de endividamento e capacidade de pagamento. Sempre que o governo age assim, gastando mais do que arrecada, duas doenças surgem no organismo econômico: juros altos e inflação alta. Como o governo é a única entidade econômica que tem o poder de fabricar dinheiro sem lastro na produção nacional, tem sido constante que os governos emitam dinheiro para pagar seus déficits acima de limites toleráveis e suportáveis pela estrutura econômica do país. O resultado dessa prática é sempre o mesmo: elevação das taxas de juros e aumento das taxas de inflação.

Ao gastar mais do que arrecada e gerar déficits públicos, o governo dispõe de três saídas para cobrir seus furos de caixa: aumentar impostos, tomar dinheiro emprestado ou emitir moeda. Em um país no qual a carga tributária já é exagerada e desestimula a criação de negócios e os investimentos, as duas opções restantes – fazer mais dívida pública e emitir moeda – constituem as opções viáveis, mesmo sendo receita para o baixo crescimento e mesmo recessão. Todos os países que usaram tais soluções constantemente, ao longo de anos, foram afetados por juros altos e inflação crescente, cujo efeito foi reduzir o crescimento e até mesmo gerar recessão.

A história tem demonstrado que, quando a dívida pública atinge níveis elevados, os governos são tentados a apelar para a emissão monetária para cobrir seus déficits, principalmente porque, além de ser impopular, o aumento de impostos tem limite. A emissão de moeda a taxas superiores às taxas de aumento do PIB sempre foi receita de recessão, crise e aumento da pobreza. O Brasil, há tempos, está viciado em déficits fiscais, aumento de tributos, aumento da dívida pública e expansão monetária sem lastro no aumento da produção. Se isso continuar, as consequências virão, e o tratamento exigirá sacrifício.

PENINHA - DICA MUSICAL

JOSÉ DOMINGOS BRITO - MEMORIAL

OS BRASILEIROS: Miguel Arraes

Miguel Arraes de Alencar nasceu em 15/12/1916, em Araripe, CE. Advogado, economista e político, foi deputado estadual e federal, secretário de estado, prefeito de Recife, teve três mandatos como governador de Pernambuco e presidiu o Partido Socialista Brasileiro no período 1999-2005.

Filho de Maria Benigna Arraes de Alencar e José Almino Alencar, concluiu o curso secundário no Colégio Diocesano, em 1932. No ano seguinte ingressou no curso de Direito da Faculdade Nacional no Rio de Janeiro e concluiu na Faculdade de Direito do Recife, em 1937. Passou a trabalhar no IAA-Instituto do Açúcar e do Álcool, onde fez carreira até 1943 no cargo de delegado regional. Aí manteve contato com o presidente do IAA Barbosa Lima Sobrinho, que em 1947, quando tornou-se governador de Pernambuco, levou-o à vida pública no cargo de Secretário da Fazenda. Em 1950 foi candidato a deputado estadual, ficando na suplência e pouco depois assumiu o cargo. Em 1954, disputou de novo o cargo e foi eleito ocupando a liderança na oposição ao governo Cordeiro de Farias.

Em 1959, no governo Cid Sampaio, retornou à Secretaria da Fazenda e no ano seguinte foi eleito prefeito do Recife, apoiado pela Frente Popular. Em sua gestão foi criado o MCP-Movimento de Cultura Popular, com investimento em massa na cultura e na educação. Mobilizou artistas e entidades, realizando uma cruzada pela melhoria dos serviços públicos básicos. Em um ano abriu vagas nas escolas para 10 mil crianças, onde o déficit chegava a 100 mil. Em 1961 ficou viúvo de Célia de Souza Leão, com quem teve 8 filhos. Em seguida casou-se com Maria Madalena Fiúza, tendo mais 2 filhos. Em 1962 foi eleito governador de Pernambuco. Em sua gestão foi assinado o “Acordo do Campo”, visando a implantação de relações mais justas entre os canavieiros e usineiros. No ano seguinte foi lançado pré-candidato à presidente da República por várias lideranças do País, propondo um programa nacionalista e correção das desigualdades sociais.

Em abril de 1964, foi deposto do Governo pela ditadura militar instaurada pelo Golpe de Estado. Ficou preso por um ano na Ilha de Fernando de Noronha; seguiu para o Rio de Janeiro; pediu asilo na Embaixada da Argélia, onde ficou 14 anos ao lado da família, em Argel. Ficou conhecido em todo o mundo como político progressista que ajudou os movimentos de independência das colônias portuguesas na África e apoio na estruturação destas jovens nações.

No Tribunal Internacional Bertrand Russell, em 1974, denunciou a ditadura militar no Brasil, responsabilizando-a pela prisão, tortura e morte de muitos dos opositores e ampliação das condições de desigualdade social da população. Com a anistia, em 1979, retornou ao Brasil e foi recebido no Recife por cerca de 50 mil pessoas carregando-o no ombro e retomou sua vida política no PMDB-Partido do Movimento Democrático Brasileiro. Diversas faixas traziam a inscrição “Arraes taí”.

Foi eleito deputado federal, em 1982, com a maior votação do estado e em 1986 foi eleito governador de Pernambuco pela 2ª vez. No ano seguinte foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem do infante Dom Henrique de Portugal. Como governador, teve como foco corrigir as desigualdades sociais e iniciou o mais ambicioso programa de eletrificação rural no Estado. Implantou o sistema de microcrédito dirigido aos camponeses e periféricos, e dizia: “Nas regiões miseráveis do interior e da periferia do Recife, modernidade é um bico de luz aceso e uma torneira pingando água”. Ao mesmo tempo, criou a 2ª secretaria de Ciência e Tecnologia do País e a 2ª Fundação de Amparo à Pesquisa. Mobilizou esforços em favor da implantação de uma refinaria de petróleo no Estado e, em 1996, promoveu negociações com o governo da Venezuela, visando uma parceria binacional para viabilizar a planta de refino petrolífero no Estado.

Em 1990 foi eleito, novamente, deputado federal pelo PSB-Partido Socialista Brasileiro com a maior votação proporcional do País. Em 1994, foi eleito governador pela 3ª vez e ampliou o programa de eletrificação rural com a meta de implantar a rede de eletricidade em 150 mil domicílios rurais. Em 1998 perdeu a reeleição para o 4º mandato de governador e em seguida elegeu-se mais uma vez para a Câmara dos Deputados. Trata-se de um político popular, no trato com as pessoas. De certo modo era até sisudo e de poucas palavras. Seu estilo chegou a propiciar-lhe a alcunha de “Oráculo do Nordeste”, devido a concisão de seus pronunciamentos.

Para comprovar sua aversão ao populismo, traduziu para o português o livro A mistificação das massas pela propaganda política, de Serge Tchakhotine, publicado pela Editora Civilização Brasileira em 1967. O livro foi censurado na França em 1939, queimado pelos nazistas em 1940 e reeditado em 1950. Hoje é um livro raro, que bem poderia ter sua edição em português reeditada. Além desta tradução, deixou mais de 10 livros publicados, com desataque para: A nova face da ditadura brasileira. Lisboa: Seara Nova, 1974; Le Brésil: Le peuple et le pouvoir. Paris: François Maspéro, 1970; O jogo do poder no Brasil. 2. ed. rev. São Paulo: Alfa-Ômega, 1982.

Faleceu em 13/8/2005 e deixou um considerável legado que pode ser avaliado no acervo do Instituto Miguel Arraes, criado em 2008 em Recife, que não se destina a ser uma espécie de museu do seu patrono. Foi concebido como “uma instituição sem fins lucrativos, atuante nas linhas e princípios defendidos por ele”. Em 2006 foi lançado o livro Arraes, de Teresa Rozowykwiat, a primeira biografia autorizada publicada pela CEPE-Companhia Editora de Pernambuco. Em fevereiro de 2016, Arraes foi homenageado no carnaval do Rio de Janeiro, pela Escola de Samba Unidos de Vila Isabel.

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CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

MARCELO PERAL RENGEL – BEBEDOURO–SP

Berto,

Espero que vc se anime também em comemorar o aniversário da celebridade.

Outro assunto:

Pra mim a Chupicleide é a Julie Huard.

Abraços.

R. Vocês são muito cheios de presepadas!

Como pretexto pra tomar umas cachaças, inventam de comemorar o aniversário de um poste, celebrado ontem , 14 de novembro, conforme a foto que você mandou.

Vôte!!!

* * *

Quanto à cantora Julie Huard, Chupicleide disse que se acha muito mais bonita do que ela!!!

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MAIS UM VEXAME

Nikolas Ferreira

Nem o Curupira foi capaz de salvar a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, a COP 30, realizada em Belém-PA. O evento que a esquerda tanto quis politizar até ganhou destaque internacional, mas não por êxitos, e sim pelas situações vergonhosas.

Um dos primeiros fatos que repercutiram semanas antes da Conferência foi a questão da hospedagem. Os valores das diárias dispararam e preocuparam diversas delegações estrangeiras. No site oficial da própria COP 30, havia o anúncio de uma casa de quatro quartos com diárias no valor de US$ 5 mil por dia – ou seja, quase US$ 1,3 mil (R$ 7 mil) por quarto. Vale lembrar que esse valor é mais que o dobro do limite estabelecido pela própria COP.

Tudo isso fez com que nomes como Alexander Van der Bellen, presidente da Áustria, desistissem de participar da Cúpula do Clima em Belém, que, porventura, foi a que teve menos líderes desde 2019, tamanho o fracasso. Mesmo após o início da COP, 20 países ainda negociavam hospedagem na capital do Pará.

Claro que a nossa camisa 10, Janja Lula da Silva, não deixaria essa ocasião passar sem aparecer de alguma forma. Primeiro, ela surgiu dançando junto a Anielle Franco no iate de luxo Ianna III, a escolha de Lula para sua hospedagem após a recusa da embarcação da Marinha por “falta de estrutura”.

O barco, que já esteve envolvido em denúncias de crimes eleitorais, tem diárias de R$ 2.700,00 e consome 135 litros de diesel por hora — algo muito contraditório para quem diz estar preocupado com o clima.

Se o aluguel estava caro, com os alimentos não foi diferente. Um jornalista reclamou publicamente em suas redes sociais pelo fato de ter pago cerca de R$ 100 em dois salgados e um refrigerante. Nas lanchonetes espalhadas pela blue zone, no Parque da Cidade, uma garrafa de água estava sendo vendida por R$ 25 e uma coxinha de frango por R$ 45.

Os valores exorbitantes repercutiram, e a resposta de Janja em relação às reclamações foi provocar os jornalistas, perguntando se eles já haviam comprado coxinha. Bem a cara da atual primeira-dama, que, aliás, custa bem mais aos cofres públicos que um salgado inflacionado.

O constrangimento não parou por aí. Diversas outras notícias negativas começaram a surgir:

1 – Uma facção criminosa ameaçou cortar a energia de Belém na véspera do evento.

2 – Cinco foragidos foram encontrados trabalhando na COP 30.

3 – A van de uma delegação estrangeira foi incendiada.

4 – Dois jornalistas que vieram cobrir a conferência foram assaltados.

5 – A comida acabou e os visitantes tiveram que almoçar sorvete.

6 – A água dos banheiros acabou; por outro lado, a água da chuva alagou vários pontos, inclusive a sala da imprensa, que posteriormente foi interditada.

7 – Ativistas indígenas ligados ao PSOL entraram em confronto com seguranças numa tentativa de invasão, e as portas de entrada foram quebradas.

8 – A Fox News noticiou que dezenas de milhares de hectares da Floresta Amazônica foram destruídos durante a obra de uma estrada em Belém para a COP 30. Esse mesmo fato já havia sido reportado pela BBC em março deste ano.

O enredo foi exatamente aquele que esperávamos. A narrativa era de preocupação com o meio ambiente, mas a realidade mostrou mais hipocrisias e desastres em série. A Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima já custou quase R$ 800 milhões aos cofres públicos, e o valor total pode passar de R$ 1 bilhão.

Além de irrelevante para os brasileiros — segundo pesquisas, 70% da população desconhece do que se trata, mais da metade não sabia que a conferência seria na capital do Pará, e apenas 1 a cada 10 estudantes até o ensino médio sabe explicar o que é a COP 30.

Para não dizer que tudo se resumiu em fracasso, algumas cenas do congresso também geraram entretenimento e se tornaram memes, como o protesto seminu de Luisa Mell em favor do veganismo e os atores fantasiados de animais rastejando no tapete verde.

O governo Lula poderá colocar mais este “grande feito” em sua conta. Apesar da grande quantia gasta, conseguiram transformar a COP 30 em um vexame internacional. Enquanto isso, Janja e seus amigos planejam a próxima “dancinha” que irão fazer enquanto você sustenta os luxos de todos eles.

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LAUDEIR ÂNGELO - A CACETADA DO DIA