CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

O GONDOLEIRO DO AMOR – Castro Alves

Teus olhos são negros, negros,
Como as noites sem luar…
São ardentes, são profundos,
Como o negrume do mar;

Sobre o barco dos amores,
Da vida boiando à flor,
Douram teus olhos a fronte
Do Gondoleiro do amor.

Tua voz é cavatina
Dos palácios de Sorrento,
Quando a praia beija a vaga,
Quando a vaga beija o vento.

E como em noites de Itália
Ama um canto o pescador,
Bebe a harmonia em teus cantos
O Gondoleiro do amor.

Antônio Frederico de Castro Alves, Bahia (1847-1871)

DEU NO JORNAL

MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

UM LUGAR COMUM

A corrupção no Brasil está tão banalizada que não chega mais a ser um caso surpreendente. Hoje, parece que a maior surpresa é encontrar alguém que seja corrupto. Sabemos que eles existem, mas estão escanteados. Ser minoria é complicado, mesmo, no entanto, fazer parte de uma minoria que não suporta corrupção é diferente, e muito, de outros contextos de minoria. Não tenho o menor interesse em desrespeitar direitos individuais, mas dizer, tão somente, que o não corrupto está sendo sufocado.

Esta semana a Polícia Federal prendeu o ex-prefeito de Bonfim, estado de Roraima, por desvios de R$ 40 milhões em licitações. Pra gente fazer uma comparação, a Mega Sena acumulou em R$ 27 milhões e poderá chegar a R$ 30 milhões no próximo sorteio. Trata-se de um prêmio disputadíssimo, mas a corrupção supera isso. Hoje, desviar R$ 27 milhões é humilhante, coisa para quem é amador. O maior significado de tudo isso, foi a foto que o ex-prefeito tirou quando estava sendo fichado e me lembrou uma antiga propaganda do banco Itaú. A coisa era assim: um cliente do Itaú procurava um cirurgião plástico para ele colocar rugas de expressão, de preocupação, no seu, porque, como cliente do Itaú ele não tinha nenhuma.

Esse é o grande achado! O riso decorre da certeza de que nada será punitivo e mesmo que ele durma alguns dias na cadeia, vai sair, vai concorrer a outro cargo e vai ser eleito com a grande cumplicidade do eleitor que não está nem aí para questões coletivas. Bom, o Daniel Vorcaro saiu da cadeia e pronto. Pelo que foi divulgado, ele irá comemorar a soltura com um bom vinho que custa, R$ 6 mil a garrafa e conversar com o advogado para provar que estava tudo bem e que não houve fraude. É o momento de proteger os nomes fortes de quem o apoiou. Uma mão lava a outra e as duas lavam o corpo, diz o velho ditado. Quem não lembra da denúncia contra Alkmin nas obras do Rodoanel? Quem não lembra que ele foi “julgado” por um conselheiro do tribunal de justiça de São Paulo que havia sido indicado por ele.

A pandemia trouxe alguns elementos de corrupção, sem precedentes. Dinheiro público, destinado a aquisição de equipamentos de saúde, foi parar em caixa de sapato e em cuecas. O consórcio nordeste adquiriu respiradores de uma empresa de ração, mas os gestores desse consórcio acabaram sendo eleitos para diversos cargos legislativos. A questão da vacina contra o coronavírus era parte de um debate intenso e a CoronaVac foi a primeira, a surgir no mercado. Muito questionada, mas com um apoio estupendo do governo de São Paulo, na pessoa de João Dória, entretanto, o que é interessante nisso tudo é que um camarada chamado Dimas Covas, era o chefe do Instituto Butantã, ou seja, o instituto que tinha incumbências de validar tais vacinas.

A transição de um funcionário público para o setor privado, envolve uma tal de “quarentena” que é o período no qual o funcionário público não pode ter vínculo empregatício com a iniciativa privada. Lendo a matéria sobre isso, dá para notar o entusiasmo de Dimas Covas em assumir um cargo tão valorizado e, anunciar, investimentos importantes para sua nova casa. O detalhe é que tais investimentos não apresentam a menor característica de ter começado com a entrada dele, ou seja, tudo que está ali como proposta de investimento é coisas bastante antiga.

Todos os dias a gente toma conhecimento de um escândalo. Esse cordão umbilical conecta todos os níveis da administração pública. Atinge as assembleias legislativas, as câmaras municipais, a câmara federal e os diversos gabinetes decisórios do país. Nas assembleias tem-se a tal “rachadinha”, nas licitações, o constante sobrepreço das obras públicas e na outra ponta, um povo pobre, acostumado a votar corruptos, muito mais por se sentir devedor de favores anteriormente prestados.

O Brasil tem jeito? Pode até ser que tenha. Será preciso educar as crianças, mas as crianças estão sendo educadas por um professor militante que se preocupa, muito mais, na dominação do que nos fundamentos da educação.

Estamos no final do ano e teremos eleição ano que vem. A dívida pública está, segundo dados do governo em 78,6% do PIB, ou seja, de cada R$ 100,00 produzidos, o país deve R$ 78,60. Para o FMI esse percentual é 91%. Alguma preocupação? Nenhuma: o importante é ganhar a eleição.

DEU NO X

WELLINGTON VICENTE - GLOSAS AO VENTO

RESSACA DE DOR

Toda paixão, no final,
Deixa ressaca de dor.

Mote deste colunista

A paixão quando termina
Pela uma razão qualquer
O homem ou a mulher
O menino ou a menina
Fica provado que a sina
Do amante sofredor
Que viveu aquele amor
Agora está muito mal
Toda paixão no final
Deixa ressaca de dor.

Poeta Nascimento

Quando o encanto se desfaz
Sem pedir explicação
Maltrata o coração
Que não encontra mais paz
A solidão só nos faz
Saber que não tem valor
Sofrer pelo seu amor
De forma tão desigual
Toda paixão no final
Deixa ressaca de dor.

Leo Brasil

É feito um vendaval
Destrói tudo o que foi feito
Deixa uma dor dentro do peito
Sem precisar de aval
Essa dor é infernal
Se virou para o amor
Voa alto que nem Condor
Mas a queda é abismal
Toda paixão, no final,
Deixa ressaca de dor.

Cabal Abrantes

Paixão é mesmo doença,
Parece cachaça forte
E pode levar à morte
Se for por demais intensa.
O apaixonado não pensa
E não consegue se impor…
Não há paixão indolor,
Sofrer se torna nornal,
Toda paixão, no final,
Deixa ressaca de dor.

Melchior SEZEFREDO Machado

Quem nunca teve saudade
Daquela paixão primeira
Da menina da ribeira
Saindo da puberdade
Com ares de santidade
Alentando o pecador
Mas saiu do interior
Pra viver na capital…
Toda paixão, no final,
Deixa ressaca de dor.

Wellington Vicente

DEU NO JORNAL

RUMO AOS BILHÕES

O governo Lula torra também em viagens (diárias e passagens) o dinheiro que arranca dos brasileiros com os impostos que aumentou ou criou.

Já são quase R$ 1,7 bilhão só entre janeiro e 21 de novembro.

* * *

Falta pouco pra chegar ao plural “bilhões”…

A palavra “arranca”, contida nessa nota aí de cima e se referindo ao dinheiro que sai do bolso do contribuinte, resume tudo.

Arrancam sem piedade e torram tudo avuando pelos ares.

Normal, normal, normal no Brasil da atualidade.

JOSÉ DOMINGOS BRITO - MEMORIAL

OS BRASILEIROS: Ricardo Brennand

Ricardo Coimbra de Almeida Brennand nasceu em 27/5/1927, em Cabo de Santo Agostinho, PE. Engenheiro, empresário, mecenas e, sobretudo, colecionador de obras de arte. Sua coleção resultou na criação do museu, digo Instituto Ricardo Brennand, no Recife, cujo acervo inclui a maior coleção particular de pinturas de Franz Post no mundo.

Filho de Dulce Padilha Coimbra e Antônio Luiz de Almeida Brennand, tradicional família pernambucana. Formado em engenharia civil e mecânica, pela UFPE em 1949, dedicou-se aos negócios da família: fabricação de vidro. aço, cerâmica, cimento, porcelana e açúcar. Em viagens pela Europa e Ásia, adquiriu diversas obras de arte. Em 1998 uma tragédia -a morte do filho- mudou o foco de prioridades do empresário, canalizando toda sua atenção para o lado artístico e sentimental, mais ligado ao colecionismo.

Em 1999 vendeu as fábricas de cimento ao grupo português Cimpor por 590 milhões de dólares e passou a projetar o Instituto Ricardo Brennand (IRB), espaço de referência cultural sem fins lucrativos no Recife, fundado em 2002. O nome homenageia seu tio homônimo, grande incentivador das artes na família. Trata-se de uma instituição cultural reconhecida mundialmente, ocupando as terras do antigo Engenho São João, no bairro da Várzea, Zona Oeste do Recife, com uma área de 180 mil m², circundado por jardins, lagos e obras de arte. O Museu em fins de década de 1990, quando o vice-presidente da República, Marco Maciel, chamou Brennand para uma conversa:

“Ricardo, tenho uma missão para você servir a Pernambuco. Este ano completam-se 350 anos da morte de Albert Eckhout. O governo holandês aceitou uma sugestão nossa para trazer as obras que ele pintou no Brasil. Mas exige que tenhamos uma instalação que abrigue as obras que serão expostas ao público. Preciso que você nos ajude a realizar esse evento”. Brennand ajudou na empreitada criando o IRB, em 2002, com a exposição “Albert Eckhout volta ao Brasil”.

O IRB abrange um complexo de edificações, abertas à visitação pública, abrangendo o Museu Castelo São João (museu de armas brancas), Pinacoteca, Biblioteca com 60 mil volumes, datados do século XVI em diante, Auditório, Jardim das Esculturas e a Galeria de Exposições Temporárias e Eventos. Foi eleito o melhor museu da América do Sul pelo site de viagens TripAdvisor. Vale a pena uma visita ao museu através do site Instituto Ricardo Brennand.

Conta com um acervo de obras de história e arte, incluindo mais de 5 mil armas brancas, bem como espadas, armaduras, miniaturas, canhões, chaves, relógios e armas modernas automáticas. Trata-se da maior coleção bélica do mundo. Tal apreço por armas teve início quando, ainda criança, ganhou do pai um canivete estilizado. O acervo inclui também objetos históricos e artísticos de diversas procedências, abrangendo o período da baixa idade média ao século XX, com destaque para a coleção de documentos e iconografia referente ao período colonial e ao Brasil Holandês.

Em 2017 recebeu a “Medalha do Mérito Capibaribe”, a mais alta honraria concedida pela Prefeitura do Recife. Foi casado com Graça Monteiro Brennand, com quem teve 8 filhos. Construiu para a esposa a Igreja de Nossa Senhora das Graças, em estilo gótico, e faleceu em 25/4/2020, aos 92 anos. Foi um empresário prolífico e diversificado. Porém, sua obra maior foi a construção do IRB, conforme registrado numa conversa com jornalistas:

“Como empresário, nossa família ajudou o Brasil, eu mesmo construí fabricas e participei de grandes projetos. Mas eu nunca me senti tão reconhecido pela sociedade como depois que construí o IRB. Virei uma estrela!”

FERNANDO ANTÔNIO GONÇALVES - SEM OXENTES NEM MAIS OU MENOS

PEDIDOS FEITOS AO PAPAI NOEL

Se eu acreditasse em Papai Noel, neste ano de 2025 enviaria para ele um monte de pedidos, encarecendo ainda ao bom velhinho que cuidasse bem do seu saco, posto que todo saco de velho necessita de atenções redobradas, sabão, talco e lavanda.

Os pedidos enviados foram se acumulando ao longo do ano que está se findando, provocados por fatos e feitos acontecidos nos quatro cantos do mundo, por benfeitores e malfeitores de todos os quilates, merecedores de bênçãos os primeiros e cadeia longa e castração integral os segundos, estes, sem dó nem piedade, merecedores de exemplares punições.

Eis os pedidos mais significativos:

a. Que o presidente Lula não se candidate à reeleição em 2026, possibilitando um sair de cena merecedor de um bom descanso e sempre lembrada liderança política.

b. Que o Congresso Nacional, eleitoralmente renovado e bem mais consciente, se prepare efetivamente para analisar projetos convincentes, que muito favoreçam o todo pátrio.

c. Que a violência urbana provocada pelas atuais milícias assassinas seja exterminada através de um QI policial de altíssimo nível, bem remunerado, sempre apoiado pelas comunidades beneficiadas.

d. Que uma espiritualidade concreta fortaleça os membros de todas as denominações religiosas, erradicando os fundamentalismos obsoletos através de ensinamentos amplamente convincentes das mensagens de um Nazareno que foi o maior revolucionário de toda a Humanidade.

e. Que o novo Plano Nacional de Educação erradique as “embromações didáticas”, favorecendo uma bem estruturada Educação Crítico-Libertadora em todos os níveis de ensino.

f. Que as agremiações partidárias, os sindicatos patronais e trabalhistas, as forças militares e as lideranças comunitárias, religiosas e televisivas se capacitem amplamente, potencializando um elenco de ações empreendedoras altamente favoráveis ao bem-estar populacional dos quatros cantos do Brasil, erradicando as manadas e os ruminantes alienados.

g. Que seja aprovada a redução da idade mínima criminal para 14 anos.

h. Que a disciplina Como Pensar Bem seja instituída em todas as séries do ensino Fundamental e Médio, disseminando um Humanismo Pós-Moderno fraterno, solidário e sementeiros em todos os ambientes sociais.

i. Que todas as denominações religiosas prestem anualmente contas à Receita Federal, sendo devidamente tributadas como qualquer organização dotada de CNPJ.

j. Que se multipliquem, nas capitais e cidades maiores, as Bibliotecas Públicas, com tecnologia de ponta, gente especializada na direção e atualizado acervo, inclusive com ambientes adequados para leituras de e-books.

k. Que os abortos continuem sendo regularizados pela atual legislação em vigor.

l. Que os casamentos LGBTQIA+ possam ser oficializados em cartórios civis, sem nenhuma celebração em instituições religiosas.

m. Que um novo Código Penal Brasileiro entre em vigor, punindo com severidade os atos criminosos ainda não citados na legislação atual.

n. Que as leituras individuais sejam incentivadas através de amplas campanhas públicas promocionais, fortalecendo o senso-crítico, a espiritualidade, o sentimento cívico, a profissionalidade, a convivialidade familiar e comunitária, assim como a solidariedade nacional.

o. Que as práticas racistas, homofóbicas, antissemitas, atos criminosos contra mulheres, idosos e crianças, assim como outras posturas alucinantes, sejam exemplarmente punidas, sem dó, saidinhas antecipadas e reduções penais.

p. Que o escritor José Saramago seja mais lido e divulgado, ao proclamar com muita sapiência: “A razão por que se abre um livro para ler é a mesma por que se olha para as estrelas: querer compreender.” Ele está ratificando o que minha avó semianalfabeta Zefinha já definia: ”Todo aquele que muito lê, sabe sempre bem pensar, jamais existencialmente se arrebentará.”

q. E que sempre seja espraiada uma advertência do sábio Sócrates: “Uma vida sem reflexão não vale a pena ser vivida.”

Um período natalino arretado de muito ótimo para todos os leitores!!!

PENINHA - DICA MUSICAL