MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

A corrupção no Brasil está tão banalizada que não chega mais a ser um caso surpreendente. Hoje, parece que a maior surpresa é encontrar alguém que seja corrupto. Sabemos que eles existem, mas estão escanteados. Ser minoria é complicado, mesmo, no entanto, fazer parte de uma minoria que não suporta corrupção é diferente, e muito, de outros contextos de minoria. Não tenho o menor interesse em desrespeitar direitos individuais, mas dizer, tão somente, que o não corrupto está sendo sufocado.

Esta semana a Polícia Federal prendeu o ex-prefeito de Bonfim, estado de Roraima, por desvios de R$ 40 milhões em licitações. Pra gente fazer uma comparação, a Mega Sena acumulou em R$ 27 milhões e poderá chegar a R$ 30 milhões no próximo sorteio. Trata-se de um prêmio disputadíssimo, mas a corrupção supera isso. Hoje, desviar R$ 27 milhões é humilhante, coisa para quem é amador. O maior significado de tudo isso, foi a foto que o ex-prefeito tirou quando estava sendo fichado e me lembrou uma antiga propaganda do banco Itaú. A coisa era assim: um cliente do Itaú procurava um cirurgião plástico para ele colocar rugas de expressão, de preocupação, no seu, porque, como cliente do Itaú ele não tinha nenhuma.

Esse é o grande achado! O riso decorre da certeza de que nada será punitivo e mesmo que ele durma alguns dias na cadeia, vai sair, vai concorrer a outro cargo e vai ser eleito com a grande cumplicidade do eleitor que não está nem aí para questões coletivas. Bom, o Daniel Vorcaro saiu da cadeia e pronto. Pelo que foi divulgado, ele irá comemorar a soltura com um bom vinho que custa, R$ 6 mil a garrafa e conversar com o advogado para provar que estava tudo bem e que não houve fraude. É o momento de proteger os nomes fortes de quem o apoiou. Uma mão lava a outra e as duas lavam o corpo, diz o velho ditado. Quem não lembra da denúncia contra Alkmin nas obras do Rodoanel? Quem não lembra que ele foi “julgado” por um conselheiro do tribunal de justiça de São Paulo que havia sido indicado por ele.

A pandemia trouxe alguns elementos de corrupção, sem precedentes. Dinheiro público, destinado a aquisição de equipamentos de saúde, foi parar em caixa de sapato e em cuecas. O consórcio nordeste adquiriu respiradores de uma empresa de ração, mas os gestores desse consórcio acabaram sendo eleitos para diversos cargos legislativos. A questão da vacina contra o coronavírus era parte de um debate intenso e a CoronaVac foi a primeira, a surgir no mercado. Muito questionada, mas com um apoio estupendo do governo de São Paulo, na pessoa de João Dória, entretanto, o que é interessante nisso tudo é que um camarada chamado Dimas Covas, era o chefe do Instituto Butantã, ou seja, o instituto que tinha incumbências de validar tais vacinas.

A transição de um funcionário público para o setor privado, envolve uma tal de “quarentena” que é o período no qual o funcionário público não pode ter vínculo empregatício com a iniciativa privada. Lendo a matéria sobre isso, dá para notar o entusiasmo de Dimas Covas em assumir um cargo tão valorizado e, anunciar, investimentos importantes para sua nova casa. O detalhe é que tais investimentos não apresentam a menor característica de ter começado com a entrada dele, ou seja, tudo que está ali como proposta de investimento é coisas bastante antiga.

Todos os dias a gente toma conhecimento de um escândalo. Esse cordão umbilical conecta todos os níveis da administração pública. Atinge as assembleias legislativas, as câmaras municipais, a câmara federal e os diversos gabinetes decisórios do país. Nas assembleias tem-se a tal “rachadinha”, nas licitações, o constante sobrepreço das obras públicas e na outra ponta, um povo pobre, acostumado a votar corruptos, muito mais por se sentir devedor de favores anteriormente prestados.

O Brasil tem jeito? Pode até ser que tenha. Será preciso educar as crianças, mas as crianças estão sendo educadas por um professor militante que se preocupa, muito mais, na dominação do que nos fundamentos da educação.

Estamos no final do ano e teremos eleição ano que vem. A dívida pública está, segundo dados do governo em 78,6% do PIB, ou seja, de cada R$ 100,00 produzidos, o país deve R$ 78,60. Para o FMI esse percentual é 91%. Alguma preocupação? Nenhuma: o importante é ganhar a eleição.

2 pensou em “UM LUGAR COMUM

  1. Bom dia meu Nobre Assuero, como sempre, um texto claro e irretocável,. No meu humilde mofo de ver, a zorra em que esse pais se encontra, tem a digital de nossa justiça, o regime é podre e nivelado por baixo, fez parte do time? Tudo é liberado, exemplos não faltam. Abraços!

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