A justiça deveria ser cega, Não julgar conforme a aparência. Deveria agir como a ciência Que apenas aos fatos se apega. Há injustiça quando ela renega O prescrito na Constituição: Todo poder vem da população E em seu nome deve ser exercido. Quando a justiça defende o bandido, Quem há de defender o cidadão?
No tribunal, nem sempre prevalece A dureza da imparcialidade. Às vezes, o que ocorre, na verdade, É que outra verdade aparece; Outro entendimento se oferece Pra mudar o culpado em inocente: Fruto de uma manobra indecente Ou de algum acordo proibido. Quando a justiça defende o bandido, Quem há de defender o cidadão?
Eu vejo injustiças desde menino, Na rua, a toda hora, acontecer No rádio, no jornal e na TV, Mostradas como se fosse o destino Traçado por algum “juiz divino”, Que manda no povo com opressão. Indefesa, essa pobre nação Se rende e dá tudo por perdido. Quando a justiça defende o bandido, Quem há de defender o cidadão?
Dia desses andei relendo esse livrinho e me encantei, de novo. 30 conversas interessantes com gente do Nordeste, tipo Dom Hélder, Manoel Bandeira, Luiz Gonzaga, João Cabral de Melo Neto, Ariano Suassuna, Jackson do Pandeiro, Sivuca, dentre outros.
Como se não bastasse tem prefácio e apresentações de Dr. José Paulo Cavalcanti Filho, Maciel Melo, Luiz Berto e Paulo Rocha.
Gostei e recomendo.
É só pedir pelo imeio xicobizerra@gmail.com – que eu entrego em todo o Brasil.
Existem civilizações que sucumbem à espada. Outras, ao fogo. Algumas são esmagadas pela fome, pela peste ou pela invasão estrangeira. O Brasil, contudo, parece ter escolhido um método mais sofisticado de autoflagelação: ser administrado por uma aristocracia do ócio e supervisionado por uma confraria de beócios convencidos de sua própria genialidade. Não é uma tragédia explosiva. É pior. É uma decomposição lenta.
Uma putrefação institucional conduzida por homens e mulheres que falam sem parar e realizam quase nada; que produzem montanhas de palavras para justificar grãos de resultados; que transformaram a burocracia numa religião e a ineficiência num modelo de negócios. Há séculos, filósofos advertiam que a ignorância é perigosa. Estavam parcialmente errados. A ignorância comum é inofensiva. O agricultor que desconhece astronomia continua produzindo alimentos. O pedreiro que nunca estudou filosofia continua erguendo paredes. O motorista que ignora latim continua levando pessoas ao destino.
Perigosa é a ignorância revestida de autoridade. Perigoso é o beócio que descobre uma cadeira de poder. Perigoso é o medíocre que recebe um carimbo. Perigoso é o incapaz que passa a acreditar que sua incapacidade se transformou em virtude apenas porque foi oficialmente reconhecida. A partir desse momento, instala-se uma patologia institucional. O sujeito deixa de buscar a verdade e passa a buscar apenas a preservação da própria importância. Sua missão não é resolver. É permanecer. Sua meta não é servir. É sobreviver. Seu compromisso não é com a realidade. É com a perpetuação da estrutura que o alimenta.
Nasce então a forma mais refinada de parasitismo: aquela que se apresenta como serviço público. Enquanto o cidadão acorda cedo para produzir riqueza, uma parcela da elite burocrática dedica seus dias a produzir obstáculos. Enquanto milhões trabalham para gerar valor, outros trabalham para gerar formulários. Enquanto a sociedade tenta avançar, eles aperfeiçoam a arte de impedir o movimento. Não por maldade. A maldade exige energia. E energia é algo incompatível com o ócio institucional. O que existe é algo muito mais deprimente: a indolência elevada à categoria de método administrativo.
O problema brasileiro não é apenas a corrupção do dinheiro. É a corrupção do tempo. Roubam-se anos. Décadas. Gerações inteiras. Uma obra que deveria durar dois anos consome dez. Uma decisão simples atravessa labirintos processuais capazes de fazer um arqueólogo envelhecer antes de encontrar a saída. Questões óbvias são submetidas a discussões intermináveis entre especialistas que frequentemente demonstram compreender menos a realidade do que o cidadão que aguarda na fila. E a fila, evidentemente, é sempre do outro. Jamais deles.
A beleza do sistema está precisamente em sua capacidade de converter fracasso em formalidade. Quando algo não funciona, cria-se um grupo de trabalho. Quando o grupo falha, cria-se uma comissão. Quando a comissão fracassa, cria-se um observatório. Quando o observatório não observa nada, produz-se um relatório. E quando o relatório comprova aquilo que todos já sabiam desde o início, convoca-se um seminário para discutir as conclusões do relatório que analisou os resultados da comissão criada para estudar o fracasso do grupo de trabalho. A esse espetáculo dá-se o nome de governança. Os antigos alquimistas tentavam transformar chumbo em ouro. Os modernos alquimistas institucionais transformam urgência em protocolo. Transformam simplicidade em procedimento. Transformam bom senso em jurisprudência. Transformam problemas concretos em debates abstratos tão longos que acabam sobrevivendo às pessoas afetadas por eles.
Enquanto isso, o cidadão observa. Observa porque não lhe resta alternativa. Observa o Estado exigir eficiência que ele próprio não pratica. Observa autoridades pregarem responsabilidade que raramente assumem. Observa discursos inflamados sobre igualdade pronunciados por indivíduos protegidos por muralhas de privilégios. Observa sermões sobre sacrifício vindos daqueles que jamais precisaram sacrificar coisa alguma. E talvez seja essa a maior ironia nacional. Os verdadeiros sustentáculos da República raramente aparecem nos retratos oficiais. São os que acordam às cinco da manhã. Os que enfrentam ônibus lotados. Os que abrem pequenos negócios. Os que produzem, ensinam, constroem, dirigem, cultivam, consertam e trabalham. A nação continua existindo não por causa dos seus administradores, mas apesar deles. É um milagre estatístico. Uma anomalia histórica.
Uma demonstração de que a capacidade de resistência do povo brasileiro desafia qualquer modelo matemático conhecido. Porque, se dependesse exclusivamente da lucidez dos ociosos e da competência dos beócios, o país já teria sido transformado há muito tempo em um gigantesco museu dedicado ao estudo do fracasso. Mas há algo ainda mais perturbador. Os ociosos sabem que são inúteis? Os beócios percebem sua ignorância? Provavelmente não. A estupidez raramente reconhece a própria imagem no espelho. Essa é sua característica mais notável. O tolo acredita possuir respostas para tudo. O sábio, ao contrário, desconfia até de suas certezas. Por isso a história costuma ser cruel. Não com os sábios. Com os arrogantes. Porque o tempo possui uma qualidade que tribunais, parlamentos, gabinetes e repartições não possuem: ele não se impressiona com cargos.
O tempo não respeita títulos. O tempo não teme discursos. O tempo apenas observa. E registra. Registra cada oportunidade desperdiçada. Cada reforma adiada. Cada problema empurrado para a próxima geração. Cada mentira transformada em política pública. Cada vaidade travestida de virtude. E quando finalmente a poeira dos séculos baixar sobre os arquivos da nação, talvez reste apenas uma conclusão devastadora: O Brasil nunca foi pobre de recursos. Nunca foi pobre de inteligência. Nunca foi pobre de talento.
Foi, muitas vezes, governado por uma abundância obscena de ócio onde deveria haver trabalho, por uma abundância obscena de beócios onde deveria haver sabedoria e por uma abundância obscena de vaidade onde deveria haver serviço. E nenhum império, nenhuma república e nenhuma instituição sobreviveram indefinidamente quando a mediocridade passou a acreditar que era genialidade e a preguiça passou a se apresentar como virtude.
Por meio de chicanas e ofensas, Moraes e seus aliados tumultuam a sessão que deveria se ater ao caso escabroso do ministro. Cármen Lúcia se disse envergonhada.
O Supremo Tribunal Federal (STF) se desmoralizou perante a Nação de um jeito que nem o mais obstinado de seus detratores poderia desejar. Ao fim de uma longa sessão, marcada por bate-bocas, ofensas e graves acusações entre alguns ministros, a Corte encerrou o dia no ponto exato em que começou, vale dizer, sem decidir sobre a abertura de investigação do ministro Alexandre de Moraes pela suposta consultoria que ele teria prestado ao banqueiro vigarista Daniel Vorcaro. Foi uma vitória, muito bem arquitetada, da turma chicaneira pró-Moraes e contra a sociedade, personificada pelos ministros Gilmar Mendes, Cristiano Zanin e Flávio Dino, além do indigitado.
Só a ministra Cármen Lúcia teve a dignidade de pedir desculpas ao País pelo “mal-estar cívico” que o STF provocou em “todos os cidadãos e todas as cidadãs” do Brasil. Ela se disse “envergonhada” pelo espetáculo degradante protagonizado por alguns de seus pares. Como ela, todo o Brasil decente está envergonhado.
Antes de Dino pedir vista a pretexto de serenar ânimos após um chilique teatral de Mendes e, assim, interromper o julgamento da questão principal por semanas ou meses, os chicaneiros se lançaram em enfadonhas perorações, de claro vezo procrastinatório, sobre questões preliminares minúsculas à luz da gravidade das suspeitas que pesam sobre o sr. Moraes. O propósito, evidentemente, era fugir, ao menos agora, da singela decisão de autorizar ou não a investigação – a mera investigação – do ministro.
Enquanto Alexandre de Moraes e André Mendonça discutiam sobre qual deles teria “mais medo” da Polícia Federal (PF) e se insinuava a existência de uma “PF paralela” monitorando ministros, Mendes e Dino, em jogral, atacaram a autoridade do presidente do STF, o ministro Edson Fachin. Ambos chegaram a dizer que Fachin teria se valido de um expediente da ditadura militar para avocar a relatoria da petição de investigação de Moraes – não só um absurdo jurídico-factual, como um insulto à decência e à história de vida do ministro presidente. Eis o nível da degradação da mais alta instância judicial do País, à beira do irrecuperável.
Tudo o que se viu ontem foi pura chicana. Nenhum dos ministros discutiu de fato o conteúdo das dezenas de mensagens atribuídas a Moraes e Vorcaro. Discutiram relatorias, ritos, objeto e outras filigranas. Sobre a gravidade do que lhes apresenta o caso concreto, nem uma palavra de horror ou de vergonha, à exceção, como notamos, de Cármen Lúcia. Tal foi a bagunça, decerto deliberada, que o ministro Kassio Nunes Marques nem sequer se constrangeu ao cometer a barbaridade de se declarar “impedido” por sua jurisdição à frente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) – como se a Constituição não autorizasse o acúmulo de função de ministro do TSE e do STF. Impassível, Marques levantou-se e foi embora.
Ao contrário do que alega Moraes, não está em curso um ataque de golpistas ressentidos com ele ou com a Corte. Foram ministros como o próprio Moraes que lançaram o Supremo nesse esgoto moral, um ultraje à memória de todos os ministros de genuína reputação ilibada que lá já tiveram assento. São amplos os segmentos da sociedade civil, de convicções democráticas insofismáveis, que não se conformam em ver o Supremo se suicidar como instituição republicana em nome da salvação pessoal de um ou outro de seus integrantes. Quando uma ministra da própria Corte se diz envergonhada pelo que viu acontecer diante de seus olhos, não há brecha para que alguns de seus colegas sigam tratando como zelo processual o que é blindagem pura e simples.
Se, ao fim de toda essa história escabrosa, o Supremo decidir não investigar Moraes, não será mais visto como um Poder da República, e sim como uma extensão do escritório de advocacia da família do ministro – e de sabe-se lá mais quem. Caberá ao Senado, então, fazer o que a Corte não teve a decência de fazer e cassar o sr. Alexandre de Moraes. Nunca é demais lembrar que a força do Judiciário vem da legitimação cotidiana de seus juízes. E se o próprio Supremo vier a matá-la para que um dos seus possa escapar do escrutínio de suas atitudes, que a maioria dos senadores salve a Corte de si mesma.
Isso é do marido de uma amiga da minha mulher que vai ser mesário. NÃO DEIXE DE LER.
*** Aviso aos que moram no Brasil…
Se você vai votar em Flávio Bolsonaro, leia isso antes. É só um aviso aqui…
Ontem passei pelo treinamento para os trabalhos de mesário para a justiça eleitoral.
Lembre-se de fazer o seu voto completo e votar em todos os candidatos
* 01 Presidente * 01 Governador * 02 Senadores * 01 Dep. Federal * 01 Dep. Estadual
Escolha seus candidatos com consciência, pois se você votar só em Presidente, e votar em branco nas outras opcões, o seu voto será considerado como parcial, e será anulado.
Só irão computar votos validos os que estiverem completos.
Questionei isso com o instrutor, que a sociedade não tinha conhecimento de que o voto parcial não é computado como voto valido.
Questionei revoltado com isso, mas o instrutor deixou bem claro que o voto parcial não vai ser computado… Deixando a entender que é para prejudicar os votos de Flávio Bolsonaro.
Então pessoal, vamos divulgar isso para conhecimento geral da nação, para que fiquemos espertos no dia da votação, e que o nosso voto não seja anulado. Mais de 12 milhões de votos foram invalidados nas eleições passadas. Repassem a todos os patriotas para que votem com consciência. Precisamos nos unir para ajudar nosso Presidente a se eleger.