DEU NO JORNAL

NORMAL

A Procuradoria Geral da República segue passando vergonha:

Ignorou a gravidade, a urgência e até o prazo de 72h, fixado pelo ministro André Mendonça, para se manifestar sobre a prisão de Daniel Vorcaro.

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A expressão “passar vergonha” é uma coisa que tá na moda neste país.

Faz parte da rotina diária da republiqueta banânica.

ALEXANDRE GARCIA

LULINHA AINDA NÃO ESTÁ A SALVO APÓS DINO BLINDAR LOBISTA

flávio dino sigilo

Flávio Dino suspendeu quebra de sigilo de Roberta Luchsinger, apontada como elo entre Lulinha e o “careca do INSS”

Muita gente não entendeu a decisão do ministro Flávio Dino em um mandado de segurança impetrado pela defesa de Roberta Luchsinger. Ela é o braço direito do “careca do INSS”, foi ela quem o apresentou para Lulinha, tem uma mansão no Lago Sul onde recebia os dois. Dino suspendeu a quebra de sigilo dela, que tinha sido aprovada pela CPMI do INSS. Muita gente está achando que Dino está bloqueando a quebra de sigilo do Lulinha – a defesa dele já fez o pedido; quando gravei esta coluna, ainda não havia resposta. Mas a quebra de sigilo do Lulinha foi dupla: houve a da CPMI do INSS, mas também houve a quebra por ordem do ministro André Mendonça, a pedido da Polícia Federal. Os governistas que querem esconder as movimentações financeiras do Lulinha apelaram para o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, para que ele interferisse na decisão da CPMI, mas ele não os atendeu.

Até agora, a decisão do ministro Dino se refere apenas à quebra do sigilo de Roberta Luchsinger, mas de certa forma isso beneficia Lulinha. Se ele não deixou rastro, porque está calejado, tudo foi feito pela Roberta Luchsinger, que é uma lobista e tem know-how: foi casada com Protógenes Queiroz, ex-delegado da Polícia Federal, e é neta de um grande ex-acionista do Credit Suisse, um grande banco internacional. Protógenes, quando fugiu do Brasil, foi para a Suíça, então ela sabe das coisas.

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Argumento de Dino para suspender quebra de sigilo expõe abuso do STF

A decisão do ministro Dino, no entanto, tem um “faça o que eu digo, mas não faça o que o Supremo fez”. O ministro argumentou que não pode haver quebra de sigilo em bloco, no coletivo, no atacado; é preciso individualizar. E você, que me ouve ou me lê, já sabe o que vou dizer: o Supremo não individualizou as denúncias e as condenações do 8 de janeiro. Julgava tudo por grupo: pegava 50, condenava 50. Do que Fulano é acusado? Ele fez realmente isso? Ele estava armado? Não; ninguém estava armado, a não ser com batom ou bíblias. Dino aplicou o princípio correto: se uma decisão vai prejudicar alguém, deve-se individualizar, explicar os motivos. Quais são os indícios que levam à quebra de sigilo de Roberta Luchsinger? Os indícios são bem óbvios, mas talvez tenha faltado à CPMI fazer essa individualização.

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Ministro liberou documentário que o STJ havia censurado

Um dia antes, o mesmo Flávio Dino surpreendeu ao liberar aquilo que o Superior Tribunal de Justiça tinha censurado, um documentário sobre os Arautos do Evangelho. Uma produção da Warner que vai sair agora, neste semestre, no streaming HBO Max, se chama Escravos da Fé: Os Arautos do Evangelho. Conta a história desse grupo católico, fundado em São Paulo, que já está presente em 70 países do mundo e foi reconhecido pelo papa em 2001, e tem sido alvo de denúncias. Eu me interessei por eles quando fui visitar a basílica de Santa Maria Maior, uma das mais sensacionais entre as centenas de igrejas de Roma, e ouvi um sotaque paulistano lá dentro; era uma etapa de uma consagração de um grupo grande brasileiro dos Arautos do Evangelho, celebrada por um cardeal.

O STJ havia censurado a série porque alguns processos contra os Arautos correm em sigilo. Mas a Warner explicou que não havia nada disso, que não tinha tido acesso a inquérito nenhum. Dino liberou, desde que não mostrem nada que seja de processos sigilosos, e disse que a decisão anterior fazia censura prévia. De novo? Será que era “só mais essa vez”, como fizeram com a Brasil Paralelo, que tinha um documentário sobre a tentativa de assassinato de Bolsonaro? “Não pode porque está perto da eleição”, disseram no TSE. Mas os ministros nem tinham assistido ainda.

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Distrito Federal vai vender patrimônio para cobrir rombo do BRB

Para salvar o Banco Regional de Brasília, a Assembleia Distrital (o Legislativo do Distrito Federal), por 14 votos a 10 – todos os deputados estavam presentes –, aprovou uma lei que autoriza a venda de patrimônio do Distrito Federal para cobrir um rombo de R$ 6,6 bilhões. É um rombo até pequeno perto dos R$ 22 bilhões que o ministro André Mendonça bloqueou de Daniel Vorcaro, incluindo os R$ 2,2 bilhões que o banqueiro mandou para o pai. A lei autoriza a hipotecar, vender e tomar emprestado para salvar o banco. Agora, como é que vamos confiar em políticos, quando o governador vinha dizendo, dez dias atrás, que o banco estava muito saudável? O mesmo governador que convenceu os deputados, por esse mesmo placar de 14 a 10, a comprarem o Banco Master lá atrás.

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PGR não viu nada de mais em ordens para “moer” secretária e “quebrar os dentes” de jornalista

André Mendonça prendeu aqueles que ameaçavam “moer” uma secretária de Vorcaro, por ordem do banqueiro, e quebrar os dentes do jornalista Lauro Jardim. Foram presos para salvaguardar as pessoas ameaçadas. Mas a Procuradoria-Geral da República disse que não era o caso de prender, que não abonaria o pedido de prisão. Em que mundo vive esse pessoal da PGR?

PROMOÇÕES E EVENTOS

LIVRO DO COLUNISTA FUBÂNICO XICO BIZERRA

Dia desses andei relendo esse livrinho e me encantei, de novo. 30 conversas interessantes com gente do Nordeste, tipo Dom Hélder, Manoel Bandeira, Luiz Gonzaga, João Cabral de Melo Neto, Ariano Suassuna, Jackson do Pandeiro, Sivuca, dentre outros.

Como se não bastasse tem prefácio e apresentações de Dr. José Paulo Cavalcanti Filho, Maciel Melo, Luiz Berto e Paulo Rocha.

Gostei e recomendo.

É só pedir pelo imeio xicobizerra@gmail.com – que eu entrego em todo o Brasil.

E custa só R$ 46,00, frete incluso.

DEU NO X

DEU NO JORNAL

SIGNIFICADO

Tratado por “Sicário” no grupo que Vorcaro mantinha no zap, Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, que ontem tentou se matar na cela, talvez nem saiba o significado da expressão.

Sicário é matador de aluguel.

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“Matador de aluguel”…

Essa nota é o retrato cagado e cuspido da atual situação deste nosso país surreal.

Que os céus se apiedem de nós!!!

DEU NO X

MAURINO JÚNIOR - SEM CRÔNICAS

A ANATOMIA DA COVARDIA: COMO HOMENS COMUNS SUSTENTAM MÁQUINAS DE HORROR

Há uma fantasia confortável — quase infantil — de que os grandes horrores da história foram obra de monstros raros, figuras aberrantes que surgem de tempos em tempos como acidentes morais da humanidade. Essa narrativa é sedutora porque absolve. Ela permite ao homem comum dizer, com alívio: “isso não tem nada a ver comigo.” Mas a verdade, quando encarada sem anestesia, é mais brutal. Os maiores crimes da história não foram sustentados por monstros. Foram sustentados por pessoas comuns.

Pessoas que trabalhavam, que tinham família, que riam, que planejavam o futuro — e que, diante da deformação moral ao seu redor, escolheram não interromper o fluxo. Não resistir. Não questionar. Não pensar além do necessário para preservar a própria estabilidade. A tirania não se ergue apenas com força. Ela se ergue com adesão passiva em massa. E essa adesão não exige entusiasmo. Não exige ódio. Não exige sequer concordância plena. Exige apenas algo muito mais fácil — e, por isso, muito mais perigoso: a suspensão da responsabilidade individual.

Quando o indivíduo abdica do próprio julgamento, ele não se torna neutro. Ele se torna funcional. Funcional para sistemas que dependem de engrenagens humanas que não façam perguntas, que não sintam demais, que não interrompam o processo. E quanto mais sofisticado o sistema, menos ele precisa de convicção ideológica — basta eficiência. O horror moderno não é caótico. Ele é administrativo. Ele preenche formulários, organiza fluxos, calcula números, otimiza processos. Ele se esconde atrás de linguagem técnica, de eufemismos cuidadosamente escolhidos, de estruturas que fragmentam a responsabilidade até que ninguém se sinta realmente responsável por nada. E nesse ambiente, o indivíduo encontra o refúgio perfeito: “Eu apenas fiz o que me pediram. ” “Eu não tinha escolha. ” “Não era minha função questionar. ”

Essas frases não são defesas. São confissões. Confissões de que a consciência foi terceirizada. De que a moral foi delegada. De que a dignidade foi trocada por pertencimento, segurança ou simples conveniência. E é aqui que a análise se torna insuportável. Porque não estamos falando de aberrações psicológicas raras. Estamos falando de mecanismos profundamente humanos. A necessidade de pertencimento.

O medo da exclusão. A aversão ao conflito. O desejo de estabilidade. Esses elementos, quando combinados com pressão social e narrativa dominante, produzem algo devastador: conformidade moral. E a conformidade é silenciosa.

Ela não se anuncia. Não se reconhece como tal. Pelo contrário — ela se disfarça de prudência, de bom senso, de adaptação necessária às circunstâncias. Ela convence o indivíduo de que resistir é inútil, perigoso ou até mesmo irresponsável. E assim, pouco a pouco, o limite se desloca. O que antes era impensável torna-se discutível. O que era discutível torna-se aceitável. O que era aceitável torna-se norma. E quando a norma se estabelece, a consciência já foi suficientemente anestesiada para não reagir. Não é necessário que todos concordem. Basta que poucos executem — e que muitos não impeçam. A história demonstra, repetidamente, que o mal organizado não precisa de maioria ideológica. Ele precisa de uma minoria disciplinada e de uma maioria acomodada. E essa maioria não se percebe como cúmplice. Ela se percebe como espectadora. Mas a passividade, diante da injustiça, não é observação. É participação por omissão. E talvez este seja o ponto mais difícil de aceitar: O problema central não é apenas a existência de sistemas opressivos.

É a facilidade com que seres humanos se adaptam a eles. Adaptam-se à linguagem distorcida. Adaptam-se à injustiça gradual. Adaptam-se à desumanização do outro. Até que aquilo que deveria provocar ruptura passa a provocar indiferença. E quando a indiferença se instala, o terreno está completamente preparado. Porque o último estágio da degradação moral não é o ódio. É a apatia. O ódio ainda reconhece o outro como presença. A apatia o dissolve. E um mundo onde o outro é irrelevante é um mundo onde qualquer coisa se torna possível. Inclusive o pior. Por isso, a questão fundamental não é histórica. Não pertence ao passado. Não está confinada a regimes específicos, nomes ou ideologias. Ela é permanente. Ela é íntima. Ela é inevitável.

E ela se apresenta, silenciosamente, em cada geração, em cada sociedade, em cada indivíduo: Até que ponto você manterá sua consciência quando ela se tornar inconveniente? Porque no fim, quando os sistemas caem, quando os discursos se dissipam, quando as estruturas de poder deixam de existir, resta apenas uma avaliação — não coletiva, não abstrata, mas profundamente pessoal: Você pensou por si mesmo? Você reconheceu o erro? Você se manteve em silêncio? E essa última pergunta não admite resposta confortável. Porque, na maioria das vezes, a tirania não pergunta quem você é. Ela apenas observa: se você resiste — ou se você se adapta.

DEU NO X

BERNARDO - AS ÚLTIMAS NOTÍCIAS

DEU NO JORNAL

O FIM DA JORNADA 6×1 E A VOCAÇÃO DO BRASILEIRO PARA O TRABALHO

Editorial Gazeta do Povo

jornada 6x1

Governo quer reduzir jornada de trabalho com manutenção de salário

Já em campanha aberta para a reeleição, o presidente Lula conta com a aprovação do projeto de lei que acaba com a chamada “jornada 6×1” – de preferência, com a redução do número de horas semanais, de 44 para 40, e sem redução corresponde no salário, como afirmou o ministro do Trabalho, Luiz Marinho. A ideia tem recebido apoio até mesmo de setores de oposição ao governo Lula – não tanto por convicção, mas justamente por se tratar de uma época em que o receio de desagradar potenciais eleitores fala mais alto.

Não negamos que se trata de um discurso que soa, à primeira vista, atraente para muitos brasileiros. Afinal, não há quem não gostaria de ter mais tempo para a própria família, para o descanso e o lazer, para cultivar seus hobbies, praticar um esporte, aprender algo novo. Este anseio é totalmente natural. Mas, ao contrário do que tem sido propagandeado pelo governo, essa diminuição, da forma como está sendo proposta, não será vantajosa, nem atende a uma outra expectativa fundamental das pessoas.

As evidências mais robustas e o consenso majoritário dos melhores economistas apontam para a falsidade da ideia segundo a qual a diminuição das horas trabalhadas poderá levar a um aumento da produtividade – que, no Brasil, recorde-se, é muito baixa – e do aumento de vagas. Há, também, questões de princípio: nunca é saudável limitar a liberdade, incluindo a liberdade econômica e a de empreender, por meio de restrições que não sejam estritamente exigidas pela dignidade da pessoa humana. No entanto, não é nosso objetivo, no momento, apresentar essas objeções; pretendemos, sim, relembrar uma outra realidade, de cunho sociológico e até mesmo antropológico; ela pode ser a peça que falta no quebra-cabeças, ajudando entidades e parlamentares a escapar – e ajudar outros a sair – da armadilha da opinião pública na qual sentem-se presos.

A grande verdade é esta: o brasileiro, na sua grande maioria, é alguém que gosta de trabalhar. A ideia do brasileiro preguiçoso e indolente, um verdadeiro Macunaíma, pode até ser popular, mas é falsa. Tão falsa quando a ideia de que a jornada 6×1 ou as 44 horas semanais sejam em si excessivas ou abusivas, onerando excessivamente o trabalhador. Nosso país é feito de pessoas que entendem a necessidade de aproveitar as oportunidades de crescer, de proporcionar uma vida melhor para si mesmos e para suas famílias, e também de contribuir para o bem comum.

No momento atual do país, a prioridade não é trabalhar menos, mas produzir mais e criar condições para que o país deslanche economicamente. Nenhum trabalhador se contenta em seguir vivendo de um mês para outro, simplesmente garantindo que o salário chegue ao fim do mês (making ends meet, na expressão em inglês); todos sonham em prosperar e proporcionar melhores condições de vida para sua família – inclusive para que possam desfrutar melhor os momentos de folga e lazer. Esses são os verdadeiros anseios, interesses e prioridades dos brasileiros, mas a redução de jornada de trabalho feita por meio da imposição e da canetada – e aqui temos um aspecto crucial, pois a lei já permite que patrões e trabalhadores negociem livremente a jornada, desde que não se abra mão do mínimo necessário, como o repouso semanal – apenas dificultaria que esses interesses fossem atendidos.

Se uma redução de jornada imposta ao setor produtivo por força legal não leva ao aumento da produtividade, nem ao aumento das vagas de trabalho, ela se tornará um peso indevido e irracional, colocado sobre os ombros de qualquer pessoa ou organização que contrate trabalhadores, que gere emprego e renda, ajudando a desenvolver o país.

O trabalho pode, de fato, ser desgastante, ou mesmo frustrante, quando é algo diferente ou distante do que uma pessoa desejaria para si mesma. Mas a jornada de 44 horas semanais, em si mesma, não é desumana. E o amor pelo trabalho, diga o oposto quem disser, é uma característica do brasileiro. O trabalho continua sendo a grande oportunidade de dar o melhor de si mesmo, ganhar o pão de cada dia e forjar uma comunidade. A verdadeira empatia com o trabalhador não está em prometer menos horas, mas em criar condições para que ele ganhe mais e prospere.

É fácil defender uma ideia simpática, ignorando que ela não entregará o que promete. Difícil é defender o que é responsável, ainda que desagrade. O empenho de todos – formuladores de políticas públicas, parlamentares, setor produtivo, opinião pública – deveria estar na melhoria contínua da maneira como o brasileiro trabalha, com mais investimento em formação, educação e treinamento, com a aquisição de novas habilidades e a absorção de novas tecnologias, de forma a elevar a produtividade média e, assim, gerar riqueza e prosperidade. O momento pede mais oportunidade, não menos.