COMENTÁRIOS SELECIONADOS

CANAL DE INFORMAÇÕES DO AGRONEGÓCIO

Comentário sobre a postagem O “FIM” DO AGRONEGÓCIO

João Francisco:

J. R. Guzzo colocou aquilo que todos os que vivem do Agro (eu incluso) já sabemos há muito:

O Brasil é imbatível na questão de produção agrícola barata e farta. Tem a maior reserva florestal do mundo. 50% da reserva de floresta tropical está aqui.

Não precisa entrar nestas florestas para dobrar a nosso produção agrícola e produzir 30% dos alimentos do mundo.

Isso atrai muita pressão dos “ambientalista” europeus e té americanos, que perdem mercado com a competitividade brasileira

Recomento aos leitores fubânicos que vejam os vídeos disponibilizados ao público do canal Rural Bussiness, melhor canal de informação do agro brasileiro.

Para acessar a página e ver os vídeos, basta clicar na imagem abaixo:

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

JOÃO ARAÚJO – MUNIQUE – ALEMANHA

Prezado Berto,

Tudo certinho por aí?

O poeta Rogério Menezes traz uma reflexão serena e positiva sobre a situação da PANDEMIA.

Elaborou magistralmente versos para falar sobre este assunto tão delicado da atualidade e que, ao fim das estrofes, carrega uma mensagem de ESPERANÇA para todos nós.

E para os leitores que quiserem acessar o link de inscrição no meu canal é só clicar aqui

Obrigado, muita saúde, um forte abraço a todos e até a próxima declamação.

J.R.GUZZO

BOICOTE AOS PRODUTOS DO BRASIL É A MAIS PURA CONVERSA FIADA

Metade da próxima safra de grãos do Brasil, que ainda nem foi plantada, já está vendida: e como fica o boicote?

O noticiário tem trazido, em geral com alarme, mais um lote de notícias (ou de desejos) sobre a situação de dificuldade, perene e aparentemente insolúvel, que atravessam ao mesmo tempo a agricultura, a pecuária e a produção geral de alimentos no Brasil. O assunto é o de sempre: a “destruição das florestas” deste país, especialmente as da “Amazônia”.

A novidade seria uma espécie de boicote mundial, ou coisa parecida, à produção rural brasileira por parte de “300 grandes empresas” e outras potências do capitalismo moderno, recentemente transformadas em mocinhas da natureza, do ar puro e da “sustentabilidade”.

Em suma: se os produtores brasileiros (que foram escalados para o papel de bandidos desse filme) não pararem de desmatar a Amazônia e incendiar as florestas, o Primeiro Mundo não vai comprar mais nada que venha daqui, nem investir um único tostão no Brasil.

Absurdos construídos com capricho, falsa ciência e muito dinheiro acabam um dia, como eventualmente acaba todo o charlatanismo de vendedor de elixir em feira livre – quando se verifica, pela força dos fatos, que a mercadoria posta à venda é falsa. Até lá, porém, fazem um barulho e tanto, como é o caso da “devastação” da Amazônia pelo “agronegócio”. Paciência. Não há como convencer quem quer ser enganado – o que se pode fazer é chamar de conto do vigário tudo aquilo que é conto do vigário, esperar que o tempo passe e continuar trabalhando. Fazer o quê?

Há pelo menos uma dúzia de realidades que demonstram a inexistência de relação entre desmatamento e o avanço a agropecuária brasileira — que saiu do nada para tornar-se em 40 anos uma das duas ou três maiores do mundo. Nenhuma delas serve.

Por exemplo: mais de 70% da produção brasileira de grãos saem de apenas quatro estados, três dos quais nem sequer fazem fronteira com a Amazônia. São o Paraná, o Rio Grande do Sul e Goiás. O quarto, Mato Grosso, tem apenas a metade norte do seu território dentro do bioma amazônico. Mas o movimento de defesa do planeta sustentável não trabalha com essa aritmética, nem com essa geografia; só aceita a sua própria ciência.

O que o Paraná, por exemplo, tem a ver com a Amazônia? Um produtor de soja de Ponta Grossa ou Campo Mourão pode perfeitamente passar a vida inteira sem jamais ter ido lá, por um dia que seja. Há mais paranaenses que conhecem Paris do que São Gabriel da Cachoeira; têm tanto a ver com a floresta amazônica quanto com o Polo Norte. Mas vá explicar isso para um europeu-raiz.

Missão impossível, pois o sujeito nunca viu um mapa do Brasil; não sabe onde é o Paraná, nem o Amazonas e, para dizer a verdade, nem o Brasil. Também não está interessado em aprender; só está interessado em acreditar. Se você encarar, digamos, um bom holandês, disser que o Brasil fica na Oceania e fizer uma cara bem séria, há 50% de chance do sujeito achar que é isso mesmo. Aí não há o que fazer.

Enquanto isso, no mundo das coisas reais, o Brasil já colheu neste ano mais grãos do que em todo o ano passado; 50% da próxima safra, que ainda nem foi plantada, já está vendida. Fatos são um bicho teimoso.

CHARGE DO SPONHOLZ

CARLOS EDUARDO SANTOS - CRÔNICAS CHEIAS DE GRAÇA

A VIDA É ESPUMA

Bairro de Nova Descoberta, Recife. Foto de Izabel Maria da Silva Lopes

Uma vista panorâmica é um ponto de valorização do ambiente onde residimos. Melhor ainda se for clicada de um lugar alto, como esta, captada pela sensibilidade de Izabel Maria.

Poucas vezes temos a consciência do tanto que Deus nos dá gratuitamente, desde o levantar ao deitar dos nossos corpos. É preciso apenas aprender a perceber, por exemplo, a paisagem que está diante dos nossos olhos todos os dias.

Tenho essa consciência. Vivo bem. Melhor do que mereço. A partir de agora percebo que o leitor também poderá se envolver por esse sentimento.

Captando em foto uma simples paisagem ou escrevendo uma crônica, teremos atitudes que marcam instantes de harmonia. Fixam momentos de nossas vidas. Passam para a nossa História.

Tudo que acontece em nossas existências tem seu ciclo. Vivemos décadas bem diferentes, que passam a definir nossas vidas. São fases distintas do aprendizado a chegada à maturidade.

É quando percebemos, através das fotografias retiradas de velhos álbuns, que em cada um desses ciclos em que vamos amadurecendo, estivemos fazendo a nossa parte; transformando nossas vidas em algo bem definido.

Nessa fase temos que entender os golpes do Destino, os quais se apresentam quando menos se espera, como nesta quadra de vida em que o mundo está envolto numa névoa de incertezas cruéis, com a pandemia.

Mas, paciência! Nessa fase poderemos compreender que nosso Destino está traçado e por mais que nos esforcemos para fazer o melhor, sempre haverá um vírus no caminho.

Chegado o tempo de viver a maturidade, um fato novo surge sem que os mais jovens percebam: em nenhum momento, a vida é uma estrada larga e de piso suave.

Não percebemos que ao tomar consciência das responsabilidades como pessoas, passamos a percorrer a trilha, que cada um de nós recebe do Altíssimo para ir abrindo caminhos com os próprios atos e as forças que dispomos.

São os caminhos da vida, onde nem sempre as paisagens bonitas proliferam.

Uma trilha não é um trilho, digo eu. Trilho é um caminho de ferro, seguro, tranquilo por onde o trem de nossa vida vai passando.

Trilha é aquele caminho que cada um de nós vai abrindo pela floresta da existência. Que se vai alargando à medida em que outras pessoas vão passando, depois de nós, até se tornar uma estrada.

Mas, da trilha até a estrada asfaltada, leva tempo. São muitos anos de plantios e colheitas, que formam o tempo de nossa existência terrestre.

E quando se aproximam o fim dos ciclos de vida, é preciso entender que devemos nos comportar como se uma lanterna de popa fossemos. Sempre iluminando os outros, sempre ensinando.

Lanterna de popa é aquela luz que vem da embarcação que está na frente, cujo timoneiro conhece bem o caminho.

Como nos disse o médico-escritor, Pedro Nava:

Somos uma lancha navegando num igarapé escuro com suas luzes de popa ligadas para orientar os que estão vindo, pois já sabemos os caminhos a percorre e temos a obrigação de iluminá-los.

Há anos editei para o poeta Ernane Bezerra um livro onde ele fez u’a metáfora do mar com a vida humana E comentou como um filósofo:

“Nossa vida, sr. Carlos Eduardo, tão cheia de idas e vindas, subidas e descidas, é semelhante à onda, que depois de viajar tanto vem se quebrar na areia da praia, após cumprir seu destino”.

Deixou-nos o poeta esta linda imagem:

Mar te pareces tanto com a vida… Só que és eterno e a vida é espuma

DEU NO JORNAL

MARCOS MAIRTON - CONTOS, CRÔNICAS E CORDEIS

O RECOLHEDOR DE FOLHAS E O VENTO

Certa manhã, um jovem, que acabara de fazer seus exercícios em um parque, resolveu descansar um pouco, sentado em um banco que havia ali.

Enquanto descansava, observou um homem que trabalhava recolhendo folhas secas. Com um ancinho, reunia as folhas em pequenos montes. Depois, abaixava-se, pegava-as com as mãos e as punha em um saco plástico que trazia preso à cintura.

Acontece que, naquela manhã, o vento atrapalhava o trabalho do homem.

Não era uma ventania capaz de levar as folhas secas para longe, mas soprava forte o suficiente para destruir os montinhos que ele fazia.

E era um vento intermitente. Assim, em alguns momentos, o recolhedor até conseguia amontoar algumas folhas, mas, logo o vento voltava a soprar, e elas se espalhavam outra vez.

Depois de alguns minutos observando a luta do recolhedor de folhas contra o vento, o jovem percebeu que, apesar de ter o seu trabalho dificultado, o homem parecia não se abalar. A cada vez que as folhas fugiam, ele pacientemente as reunia com o ancinho, e começava tudo de novo. Sua fisionomia não expressava o menor sinal de aborrecimento.

Em um dado momento, o jovem aproximou-se do recolhedor de folhas e falou:

– O vento está fazendo o seu trabalho ser bem difícil, não? Você não se irrita com isso?

O homem sorriu antes de responder:

– Veja só… eu não posso dizer que fico feliz. Mas não tenho como parar o vento. Então, restam-me duas opções: fazer esse trabalho ou não fazer. Se escolher não fazer, vou ter que procurar outro trabalho. Pode ser que eu tenha dificuldade para conseguir um emprego, e isso vai comprometer o meu sustento e da minha família. Mesmo que eu consiga logo um emprego novo, é provável que alguma outra coisa me dificulte o serviço, como vento faz hoje em dia. Assim, acho mais inteligente continuar com esse trabalho que já venho fazendo.

– Mas eu não disse pra você deixar o emprego. Apenas perguntei se não se irrita com o vento.

– Pois era aí mesmo que eu queria chegar. Como eu não estou pensando em deixar o emprego, pelo menos enquanto não aparece outro melhor, restam-me duas opções: fazer o meu trabalho, me irritando com o vento, ou fazer a mesma coisa, sem me irritar. Se eu me irritar, o meu trabalho vai se tornar uma coisa desagradável, cansativa. De nada me adiantará repreender o vento, então, talvez eu chegue em casa mal humorado, descarregando raiva e frustração na minha mulher e nos meus filhos. No dia seguinte, é possível que já saia de casa chateado, por ter que ir para um trabalho que só me causa dissabor. Cada dia para mim será como um pesadelo. E, o vento? Vai parar de soprar por causa da minha irritação, raiva ou frustração? Não. O vento vai continuar sendo vento. Soprando e parando de soprar por razões que não têm nada a ver comigo. Então, qual a minha opção mais inteligente? Me irritar com o vento ou aceitar que ele sopre, sem me alterar?

– Sem dúvida, é mais inteligente aceitar que o vento sopre. Mas é que a irritação às vezes acontece sem a gente querer. Geralmente, quando acontece alguma coisa contra a nossa vontade, a gente fica com raiva e nem percebe…

– Pois esse é o vento que nós precisamos aprender a controlar! O que vento sopra dentro da gente. Que nos faz perder a calma quando somos contrariados. Se você não controla, ele vira ventania, vira tempestade, destrói tudo… Mas, se você o conhece e controla, pode estar o maior temporal aqui fora, dentro de nós continuará a calmaria…

– Puxa, para um recolhedor de folhas secas, o senhor é bem sábio!

– E você esperava o quê? Que eu fosse algum cabeça de vento?

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

ARTHUR TAVARES – SÃO PAULO-SP

Prezado Mestre,

Escrever ou não, eis a questão

Como você sempre diz, aparece DE TUDO nesta gazeta.

Sempre achei que você tinha razão, mas e sempre existe um mas, nosso pessoal anda exagerando.

Como nossos companheiros são muito gentis, apareceu uma fubana simpática, Belarmina Maria, apoiada por alguns, (dois para ser mais exato), dos nossos ilustres colunistas, na coluna do Marcelo Bertoluci (Protecionismo), dando pitacos e sugerindo que eu teria a capacidade de escrever uma coluna nesta prestigiosa gazeta.

Uau………. surpresa ..!!!.

Como aprendi aqui a descrever em palavras minhas emoções – fiquei ancho que só a bixiga lixa – com esta sugestão e ao mesmo tempo preocupado com as consequentes implicações.

Como a leitura é um dos meus passatempos favoritos, fico curtindo nossa gazeta praticamente em todas as colunas e quase todos os comentários. 

Quando o tema mexe com minhas emoções e/ou experiências vividas, e se existe tempo, faço algum comentário, as vezes tranquilo e outras vezes bastante “revortado”.

Já tinha pensado anteriormente como deve ser legal escrever e agora em função de algumas chantagens emocionais desses colegas, generosos e altruístas sou obrigado a repensar as questões que tornam esta missão, pra mim, impossível.

Na minha opinião escrever exige que a pessoa tenha alguns pré requisitos, que realmente não tenho, ou pelo menos não tenho em quantidade suficiente para tentar esta empreitada.

Nem sei se é assim, mas vejo que é necessário.

Primeiro, a inspiração e criatividade para definir o tema, seu título (que deve ser interessante e provocar curiosidade) e o roteiro a ser desenvolvido, com inicio, meio e fim coerentes.

Segundo, a paciência e organização para as pesquisas que devem ser profundas, corretas e compromissadas com a verdade dos fatos e/ou com os sentimentos envolvidos e/ou com a credibilidade de tornar o “causo” ou a história minimamente crível ou no mínimo divertida/emocionante, mesmo que seja dado asas a uma imaginação sem limites.

OBS: Não pode ser como o Goiano que inventa números, falseia situações, faz conclusões inconsistentes e pior, apaixona-se pelas pessoas erradas… 

Percebemos sua inteligência e bom humor, mas fica claro que é um mentiroso contumaz… rsrsrsrrs

Terceiro é a articulação e o tratamento minimamente razoável com nossa língua portuguesa, e assim fico desabilitado pois, minhas notas na escola, em português, foram sempre de ruins a imprestáveis.

Quarto é o tempo necessário para a criação, a pesquisa, a escrita e a revisão, onde paciência e atenção são fundamentais. Em função de uma familia estar com quase zero de mobilidade a exigência com os cuidados são praticamente 24 horas/dia, 7 dias/ semana

Quinto é o compromisso, seja ele amador ou profissional, deve ser respeitado além de qualquer ingerência externa, excetuando-se a incapacidade total ou a morte.

Sexto é a capacidade de ensinar, divertir ou emocionar

Portanto mestre e colegas obviamente sinto que não me enquadro em algumas delas, seis para ser mais exato e portanto fico muito feliz pela sugestão e apoio mas absolutamente tranquilo de que serei compreendido por não aceitar esta missão e mais tranquilo ainda por saber que não haverá mortes em minha “capivara”, função desta decisão.

Continuarei me divertindo, me emocionando e desabafando no acompanhamento QUASE diário deste pessoal fantástico, excetuando-se o Goiano que é PTista fanático.

FALA, BÁRBARA !

GOIANO BRAGA HORTA - ARCO, TARCO E VERVA

A REVOLUÇÃO POCHETISTA

– Meus caros senhores – discursou o cientista, renomado nome dentre os mais destacados psiquiatras do país – vamos estabelecer uma experiência única e só precisamos da aprovação de Vossas Excelências para implementá-la.

Alguns parlamentares aplaudiram, outros, da oposição sistemática, vaiaram, vaiariam qualquer um que estivesse ao lado do governo.

Pois, feito o discurso, o projeto foi posto em votação e aprovado pela maioria governista, de modo que as administrações de todos os manicômios do país retirariam todos os membros das respectivas administrações e passariam a ser completamente dirigidos pelos próprios loucos, sob a direção-geral do psiquiatra proponente, Doutor Ananias Pochete, que acompanharia as atividades de cada um dos dirigentes das diversas unidades mediante videoconferência.

Em vigor a nova lei, Pochete fez a primeira reunião e avisou: – Conseguimos, meus caros! O País é nosso!

Nem precisa dizer que o psiquiatra, Doutor Pochete, era completamente maluco e seu plano constava de conseguir que os hospícios de cada cidade conseguissem dominar os cidadãos locais, de modo que, como um jogo de dominó, cada uma caísse sob seu poder, o que significaria o controle geral.

Seria uma revolução total, inspirada nas obras de Machado de Assis, de George Orwell, de Gramsci e até mesmo de Maquiavel. Ah, a Revolução dos Bichos, O Alienista e O Príncipe foram os que mais lhe deram excelentes ideias.

Em suma, o que aconteceu foi o seguinte: Pochete orientou os malucos a saírem dos hospícios e invadirem a cidade com as idéias mais malucas, burras e estapafúrdias que pudessem ter, de modo a enfeitiçar as pessoas com promessas bizarras de salvar o país de suas desgraças.

Como? Ele mesmo não sabia. Mas que usassem a imaginação. Podiam, por exemplo, propor que cada um possuísse sua própria bomba atômica, para garantir a defesa contra invasões estrangeiras. Também garantiriam que, com uma nova ordem, aos homens seriam administrados hormônios masculinos, para aumento da virilidade, mas com atenção para o uso do sexo somente para a procriação, como estabelecido pelas leis divinas. Outra ideia era a de propor à população que o serviço militar se iniciaria aos três anos de idade, para meninos, e cinco, para meninas, que usariam, respectivamente, fardas azuis e cor-de-rosa.

Com esses princípios em mente, loucos de várias cidades apresentaram sugestões, como tirar as rodas dos carros, para resolver o problema do tráfego; expulsar todos os índios das matas e trazê-los para as cidades para civilizá-los e pô-los em atividades produtivas, para suprir a falta de trabalhadores de pouca qualificação profissional; tornar obrigatório o retorno da cueca samba-canção; cobrar imposto sobre esmolas; acabar com os tribunais e passando a atividade de julgar diretamente ao povo, por intermédio das redes sociais; e tantas propostas profícuas que encheriam páginas e páginas para serem expostas.

As populações das cidades ficaram maravilhadas! Alguns perguntavam se não seria burrice retirar as asas dos aviões, ao que eles respondiam que era a única forma de impedir totalmente a ocorrência de acidentes aéreos – e todos tinham de concordar com a lógica perfeita e terminar por aplaudir a providência.

Tudo aconteceu de tal forma perfeita, segundo bem imaginado por Doutor Pochete em sua loucura de pedra, que todas as ideias foram acatadas e postas em prática, os loucos tornaram-se líderes e expandiram sua administração ocupando os cargos públicos, prefeituras, vereanças, câmaras de deputado, senado, ministérios, enfim, tudo e tudo.

Poderia parecer estranho que o país tivesse prosperado com a loucura e a burrice imperando, mas foi o que aconteceu: as matas foram derrubadas, plantou-se muita soja, criou-se muito boi, a baitolagem desapareceu, a madeira enriqueceu os madeireiros e os cofres públicos, extraiu-se nióbio como nunca visto, a criminalidade foi a zero, os investidores estrangeiros aplicaram em peso suas economias nos negócios do país que, de tão diferente, apinhou-se de turistas aos magotes, os quais, aproveitando-se da liberdade de poderem andar pelas ruas com revólveres e cartucheiras na cintura, vieram deixar aqui abundantemente a moeda estrangeira e enriquecer os hoteleiros, taxistas, donos de bares e restaurantes, brincando de faroeste.

Sempre tem os insatisfeitos, que, da prisão, tramam para derrubar o governo dos pirados tapados e instaurar o comunismo no país, reclama o Ministério do Fuzilamento.

Espero que tenha dado aos leitores uma visão geral dos acontecimentos.

No próximo capítulo, trarei informações importantes sobre como a Revolução Pochetista se desenvolveu e possibilitou no país o surgimento de uma versão elaborada de Dom Quixote e sua luta contra moinhos de vento ensacado.