70 ANOS DO FILME SANSÃO & DALILA

O diretor do filme SANSÃO & DALILA lançado no ano de 1949, um super espetáculo épico bíblico teve o carimbo do cineasta perfeccionista Cecil B. DeMille, uma superprodução que encantou multidões. Como esquecer a paixão arrebatadora entre o herói danita e a linda filistéia que descobre onde reside a força de Sansão e o trai por puro despeito? Até os anos 1970, em cidades interioranas brasileiras, reprisava-se esse épico religioso na Semana Santa. Depois passou a ser exibido na tevê na mesma data. Não é um bom filme, beira a caricatura e as caretas do ator Victor Mature desestimulam. Mesmo assim, em 1950, o filme abocanhou dois Óscares de melhor cenografia em cores e melhor vestuário em cores.

Como nos conta o cinéfilo Paulo Telles, ao lado de O Maior Espetáculo da Terra (1952) e Os Dez Mandamentos (1956), SANSÃO & DALILA despontou como um dos trabalhos mais populares da fase sonora da extensa carreira de Cecil B. DeMille, após seu lançamento oficial em 1949 (no Brasil, o filme chegou em 1951), a projeção cinematográfica baseado no Velho Testamento teve relançamentos e reprises pelo mundo nas grandes salas de cinema, e também pela televisão, como um dos cardápios principais da Semana Santa ou Natal. Justamente pelas reprises ao longo dos últimos setenta anos, que críticos divergem entre si quanta as qualidades de sua produção.

A sinopse do filme consta que, Sansão, um forte homem de uma tribo escravizado pelos filisteus, se apaixona por Semadar, uma devota ao reino dominante que se envolve com Ahtur, o que leva a uma guerra entre os dois povos. Na briga, Semadar acaba morta e sua irmã Dalila, que sempre amou Sansão secretamente, jura vingança. Ela planeja seduzi-lo para que ele revele seu segredo para entregá-lo ao seu líder, Saran de Gaza. Como curiosidades, o ator Burt Lancaster esteve cotado para interpretar Sansão e a atriz Betty Hutton para interpretar Dalila.

É preciso ter em mente que, muitas das histórias narradas na Bíblia Sagrada são fantásticas e dariam ótimos filmes, quer sejam elas verdadeiras ou lendas. A história de Sansão é uma delas!!! Na interpretação do diretor Cecil B. DeMille, a história de Sansão foi o que podemos chamar de amor e traição, onde o grande destaque é Dalila. Se o ponto fraco desse filme é a interpretação robótica de Victor Mature, a atuação de HEDY LAMARR como Dalila é o grande destaque do filme. Ardilosa, cruel, manipulativa, sedutora e vil e, ao mesmo tempo apaixonante, é uma atuação para ficar durante muito tempo na memória do espectador. Vale muito a pena presenciar essa grande produção da história bíblica!!! Recomendo-o.

Sansão, de acordo com a sua descrição na bíblia hebraica, foi um homem que liderou os israelitas contra os filisteus. A Bíblia relata que Sansão foi juiz do povo de Israel por vinte anos de 1177 a.C. a 1157 a.C. Distinguia-se por ser portador de uma força sobre-humana que, segundo a Bíblia, era-lhe fornecida pelo Espírito do Senhor enquanto se mantivesse obediente ao senhor dos Exércitos. Subjugava facilmente seus inimigos e produzia feitos inalcançáveis por homens comuns, como rasgar um leão ao meio, enfrentar um exército inteiro e matar uma multidão de filisteus. De acordo com o texto bíblico, Sansão apaixonou-se por Dalila, a qual o traiu entregando-o aos filisteus, depois de saber sobre o segredo de seus cabelos. Sansão morreu sacrificando-se para se vingar de seus inimigos, após ter clamado a Deus pela restituição de sua força para um último e definitivo ato.

Baseado em conhecido episódio bíblico do Velho Testamento o cineasta trata com sua habitual espetaculosidade e uma ligeireza de aventura de histórias em quadrinhos, o relato com 128 minutos de projeção, abrigando a saga do famoso juiz dos hebreus Sansão (Victor Mature), conhecido por sua força descomunal, cujo segredo estava no comprimento de seus cabelos. Popis bem!!! Se o filme tem 70 anos de produzido, há 4 ou 5 décadas, na cidade de Garanhuns-PE, no Cine Theatro Jardim, este escriba que ora escreve ou tecla essas palavras abençoadas, por na época ser “DIMENOR” fui impedido de entrar devido à idade. O filme era “ERÓTICO” demais. Há quem diga que SANSÃO & DALILA foi o primeiro filme em que o mocinho tinha mais peitos que a mocinha …

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FANTASIA DE PRINCESA

A ladeira estava lá. Subiam e desciam, todos. A noite escura e os tantos pés espalhados na rua me impediam de ver serpentinas e confetes fartamente distribuidos pelo chão, cobrindo cada milímetro do paralelepípedo conivente e alcoviteiro. Ao lado dela, Princesa, este eu Plebeu, pouco me importaando com tanta gente ao redor. Era tempo de disseminar intimamente em meu coração fragmentos de amor que se juntariam para formar um painel imenso de felicidade, tudo com uma trilha musical de sopros tocando um frevo bonito de Nelson Ferreira. Ou um frevo canção de Capiba. E o carnaval não terminaria na quarta-feira. Ia prosseguir daí em diante até que o povo começasse a dizer que estava chegando o carnaval novo. No outro ano. Mas como? Ele nunca terminou. Apenas, a fantasia de Princesa deixara de ser apenas uma fantasia aos olhos de tão insignificante Plebeu.

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UM TRIBUNAL QUE É UMA BOSTA

Milhares de pessoas se reuniram neste domingo (17) no entorno do Supremo Tribunal Federal.

De maneira espontânea e pacífica demonstraram a insatisfação popular com as decisões da corte.

Um aviso ficou no ar: Papel higiênico foi atirado contra o prédio onde trabalham os senhores supremos.

No mesmo dia, revela O Globo, um ministro do próprio STF, defensor da Lava Jato, contra, portanto, Gilmar, Toffoli, Lewandowski e Marco Aurélio, disse o seguinte sobre a decisão de quinta-feira (14):

“Se depois disso a gente ainda derrubar a prisão em segunda instância, vão depredar o prédio do Supremo. E eu sou capaz de sair para jogar pedra também”.

Na esteira do ministro, o jornalista Alexandre Garcia fez o seguinte alerta no Twitter:

* * *

Desperdiçaram um material precioso, o papel higiênico.

Deveriam ter jogado era bosta mesmo.

De pinico cheio!!!

Estes porras destes canalhas togados já encheram a paciência do povo brasileiro.

É pra arrombar a tabaca de Xolinha!!!

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KARDEC EM DUAS VERTENTES

1. Creio que poucos seguidores da Doutrina Espírita leram o explicitado no Evangelho segundo o espiritismo, capítulo VI, item 5, psicografado em 1860, em Paris. Transcrevo-o, na tradução do notável brasileiro J. Herculano Pires: “Venho, como outrora, entre os filhos desgarrados de Israel, trazer a verdade e dissipar as trevas. Escutai-me. O Espiritismo, como outrora a minha palavra, deve lembrar aos incrédulos que acima deles reina a verdade imutável: o Deus bom, o Deus grande, que faz germinar as plantas e que levanta as ondas. Eu revelei a doutrina divina; e, como um segador, liguei em feixes o bem esparso pela humanidade, e disse: “Vinde a mim, todos vós que sofreis!” E conclui: “Espíritas: amai-vos, eis o primeiro ensinamento; instruí-vos, eis o segundo. Todas as verdades se encontram no Cristianismo; os erros que nele se enraizaram são de origem humana; e eis que, de além-túmulo, que acreditáveis vazio, vozes vos clamam: Irmãos! Nada perece, Jesus Cristo é o vencedor do mal; sede os vencedores da impiedade!”

Quando me iniciei no estudo da Doutrina Espírita, por orientação do irmão querido Bruno Tavares, principiei uma série de leituras pronta pelos escritos do Codificador Allan Kardec. E na medida que o tempo passava, mais necessidade eu sentia de me aprofundar na Doutrina, lamentando meus parcos neurônios e percebendo que muitos ainda subestimam a necessidade de instruir-se, optando por uma superficialidade desvinculada das recomendações do notável lionês. Sempre continuarei pesquisando novas bibliografias que facilitem o meu aprendizado e as orientações apreendidas de outros irmãos talentosos.

Assim sendo, outro dia me deparei com um livro excepcionalmente didático, de autoria de Christiano Torchi, assessor jurídico do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, também voluntário da FEMS – Federação Espírita de Mato Grosso do Sul, além de docente no Centro Espírita Discípulos de Jesus, monitorando ESDE – Estudo Sistemático da Doutrina Espírita. O livro, Espiritismo passo a passo com Kardec, Brasília, FEB, 2016 (4ª.edição), 479 p., obteve grande aceitação, mesmo sendo um livro de estudos, consultas e pesquisas, conquistando a simpatia dos iniciantes, que o estão vendo como alicerce primeiro para o Pentateuco.

Na quarta capa do livro acima, um testemunho sobre o trabalho do Torchi: “Fiel aos princípios do Pentateuco – O Livro dos Espíritos, o Livro dos Médiuns, O Evangelho segundo o Espiritismo, O Céu e o inferno, e A gênese -, ele se refere também às obras complementares, mediúnicas ou não, enriquecendo o pensamento religioso, principalmente quando recorre a André Luiz e Emmanuel, entre outros Espíritos de escol, e a pensadores encarnados, brasileiros e estrangeiros, no afã de informar com responsabilidade e clareza.”

O livro tem duas características: não tem intenções de proporcionar novidades, tampouco impor pontos de vista a quem quer que seja. Segundo o autor, o texto é um esforço de reflexão, daí nada devendo ser cegamente aceito, tornando-se indispensável a utilização de acurado senso crítico, tudo questionando, nada deixando de ser apurado, sempre em busca da Verdade, dada a falibilidade de todos, inclusive do próprio autor.

2. Para se ter uma noção mais depurada sob contexto da época, da revolução causada por Allan Kardec, no palco das revoluções políticas, sociais, culturais e científicas que se processavam no século XIX, proporcionando a mais importante revolução religiosa dos tempos modernos, é bastante significativa a leitura de Allan Kardec e sua época sob o ângulo humanista, de Jean Prieur (1914-2016), Bragança Paulista – SP, Lachâtre, 2015, 368 p. Uma biografia de Kardec contextualizada, onde o Codificador da Doutrina Espírita assim se manifestava diante dos fenômenos emergentes da época: “O espiritismo teve seu ponto de partida no fenômeno vulgar das mesas girantes. Mas como esses fatos falam mais aos olhos que à inteligência, eles despertam mais curiosidade do que sentimento. Uma vez satisfeita a curiosidade, fica-se menos interessado porque não são compreendidos, diferentemente de quando a teoria veio explicar a causa.”

A importância de Kardec se reflete posteriormente na sua inclusão no Grande Dicionário, onde Pierre Larousse reproduzia o pensar acima, com uma complementação: “Quando o Sr. Rivail ouviu falar de mesas gritantes, das supostas manifestações de espíritos batedores e de médiuns, ele pensou ter descoberto uma nova ciência e contribuiu para propagar na França essa funesta epidemia de supranaturalismo que fez tantos estragos durante uma década nas mentes das pessoas na América e na Europa.” Posicionamento alterado no próprio Larousse anos depois.

O livro do Jean Prieur está repleto de sedutoras constatações. Uma delas: a longa estadia de Kardec num país protestante teve uma gigantesca vantagem, a de proporcionar um bom conhecimento da Bíblia, pois naquela época, na França, até o início do século XX, era preciso uma autorização especial do confessor para ler o Antigo Testamento, posto que à época e segundo normas vaticanas não era leitura para qualquer um.

Dentre as iniciativas promissoras contidas no livro, Prieur narra o lançamento da Revista Espírita, Jornal de Estudos Psicológicos, em 1858, 1° de janeiro, sonho acalentado por Kardec, o de ter um meio de comunicação mensal com os adeptos da Doutrina. E fundou ele ainda a SPES – Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, instituição devidamente autorizada pelo prefeito de polícia em 13 de abril, obedecendo parecer favorável do Senhor Ministro do Interior e da Segurança Geral. Que ouviu o seguinte testemunho de Napoleão III: “Tive a oportunidade de ler seus escritos com a imperatriz. É um homem sério, um cidadão estimado: podeis dar-lhe a permissão que solicita.”

Allan Kardec desencarnou na manhã de 31 de março de 1869, entre 11 horas e meio-dia. As descrições contidas nas páginas últimas do livro são emocionantes, historicamente reais. E Jean Prieur, ao seu todo, ressalta um Allan Kardec batalhador, plenamente comprometido com o Evangelho do Senhor Jesus, sempre pelejando por mais instruções para todos aqueles que desejam possuir a fraternidade universal como meta ultima de um processo civilizatório direcionado para a Luz Infinita.

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UM MENINO E A BOLA

Menino e o sonho de ser jogador profissional

Naquele lugar estranho, com tanto sol e pouca sombra, às vezes o calor impunha o ócio, como se fosse algo hipnótico. A pouca água que se tinha notícia, naqueles dias, era o suor de quem se expunha ao sol.

Mas, com um objetivo, Badiu não dava muita atenção às intempéries – e até conseguia esquecer o calor, por vezes bebendo o suor que lhe corria pelas faces negras, e ao mesmo tempo, molhando o sal que o corpo expelia. Como se árvore fosse, e estivesse vivendo o processo de fotossíntese.

Entre o calor que queimava, o suor salgado que corria pálpebras abaixo, e a falta de uma pequena sombra que fosse, Badiu optava por correr atrás da bola.
Era a sua bola. A bola feita por ele – com pedaços de papel velho, e barbantes recolhidos no lixo.

Não era a bola que ele queria e sonhava. Mas, era uma bola sim!

– “Um dia desses serei um jogador bom, famoso, e com dinheiro suficiente para sustentar minha mãe, e comprar muitas bolas para as crianças”!

A bola na Badiu mantinha suas esperanças

Badiu aprimorava seu estilo de jogar, a cada dia. Jogava só. Não tinha adversários além do calor, e da falta de sombras.

Certo dia resolveu construir os traves, para onde mandaria a bola e faria vários gols. Golaços. Paus velhos, tiras velhas e pedaços de plásticos – o que garantiria aquele som inconfundível e uníssono das torcidas, quando acontece um gol do time preferido.

Eis que, num fim de manhã, ao chegar ao local do “treino”, Badiu encontrou seus traves destruídos, jogando ao léu todo seu esforço e ansiedade para um dia se tornar um jogador profissional.

Traves erguidas pela imaginação e carência infantil

No lugar do suor que caía pelo rosto, lágrimas tomaram o lugar. No lugar da alegria, o desespero por sentir que estava perdendo a chance de um dia ser alguém.

Ali onde Badiu aprendia na solidão, tendo como adversários o calor e a falta de sombra, seria erguido um conjunto residencial.

É sempre assim!

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A BESTA DO CUNHADO

Comentário sobre a postagem UM BESTA ARMADO DE BESTA

Ex-microempresário:

“Eu também tenho uma Besta. Daquelas fabricadas pela Kia, que leva 9 pessoas.

Há uns dois anos atrás, a irmã da minha esposa tinha uns negócios para resolver em São Paulo.

Propus à minha esposa irmos todos juntos, aproveitaríamos para visitar os parentes.

Ela concordou.

E a irmã dela anunciou no facebook:

“Vou viajar para São Paulo com a Besta do meu cunhado!”

* * *

A Besta do cunhado

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MEMORIAL DOS BRASILEIROS (XXVII): Santos Dumont

Alberto Santos Dumont nasceu em 20/7/1873, em Palmira, MG, que atualmente leva seu nome. Foi aeronauta, alpinista, balonista e “Pai da Aviação”. Ainda hoje permanece a polêmica se foi ele ou os Irmãos Wrigth os inventores do avião. Com apenas um ano de idade, sua brincadeira era furar balõezinhos de borracha para ver o que tinham dentro. Oriundo de uma rica família de cafeicultores, seu pai – Henrique Dumont – era engenheiro formado em Paris e a mãe – Francisca de Paula Santos – teve oito filhos. Alberto era o sexto.

Em 1879 a família mudou-se para Ribeirão Preto (SP) e adquiriu uma fazenda de 1.200 alqueires, criou a empresa “Dumont Coffe Company” e passou a plantar, beneficiar e exportar café. Em pouco tempo tornou-se o maior estabelecimento agrícola do País. Na fazenda tinha ampla liberdade para criar engenhocas de todo tipo na oficina do pai. “Vivi ali uma vida livre, indispensável para formar o temperamento e o gosto pela aventura”. Aos sete anos guiava carroças; aos doze brincava nas locomotivas e ensaiava invenções. Ao tomar contato com as obras de Julio Verne, ficou entusiasmado. “Com o Capitão Nemo explorei as profundidade do oceano; com Fileas Fogg fiz em 80 dias a volta ao mundo…”. Era fascinado pela tecnologia: construía pequenos aeroplanos movidos por uma hélice acionada por molas de borracha torcida; nas festas juninas fazia pequenos balões e soltava sobre as fogueiras para ver sua subida aos céus.

Em 1891 viajou pela Europa com os pais e três anos depois retornou sozinho. Aperfeiçoou o inglês em Londres e na França escalou o Monte Branco, de 5.000 metros. Passou a se interessar pela mecânica, particularmente o motor de combustão interna, que estava surgindo. Viu que na França inventaram os balões a hidrogênio e que era ali onde a navegação aérea haveria de prosperar. Em 1897 mudou-se para Paris e dedica-se inteiramente à aeronáutica. Projetou, construiu e voou nos primeiros balões dirigíveis movidos à gasolina. Com isto ganhou o Prêmio Deutsche em 1901. Seu dirigível nº 6 contornou a Torre Eiffel e ele ficou famoso no mundo. Recebeu cumprimentos de altas personalidades e reportagens em diversas revistas. O presidente Campos Salles deu-lhe um prêmio em dinheiro e uma medalha com uma efígie e uma alusão a Camões: “Por céus nunca dantes navegados”; o príncipe de Mônaco fez um convite e ofereceu um hangar para suas experiências; foi convidado para viajar aos EUA, onde foi recebido pelo presidente Theodore Roosevelt. Em 1904 relatou suas experiências no livro “Dans l’air”, lançado no Brasil com o título “Os meus balões”, em 1938.

Em 23/10/1906 foi, de novo, o primeiro a decolar a bordo de um avião com motor à gasolina. Voou 60 metros a uma altura de dois a três metros com o “14 Bis” no Campo de Bagatelle, em Paris. 20 dias depois voou 220 metros a uma altura de seis metros com o “Oiseau de Proie III”, batendo o próprio recorde. Foram os primeiros voos homologados pelo Aeroclube da França. Foi a primeira demonstração pública de um veículo levantando voo sem uma rampa de lançamento. “O homem conquistou o ar!”, gritavam as pessoas em terra firme. Pela façanha, ele recebeu o prêmio de três mil francos da FAI-Federation Aeronautique Internationale. Nesta ocasião, os irmãos Wright mantinham em segredo sua invenção, apesar dos convites para que fossem demonstrá-la. Um dos motivos da recusa foi que seu avião usava uma catapulta que impulsionava o aparelho para o voo, o que estava fora dos parâmetros dos europeus.

Assim inicia a polêmica sobre quem inventou o avião. O fato é que a exigência da FIA era que o aparelho fosse mais pesado que o ar; que pudesse ser controlado por um piloto e que decolasse e pousasse sem a ajuda de nenhum outro equipamento. Os irmãos Wright alegaram que conseguiram esse feito em 1903. Eles pilotaram o “Flyer” por quase 37 metros e disseram que estavam alcançando distâncias maiores. O problema é que eles não deixavam ninguém ver esses voos, por medo de que copiassem a ideia. Tal demonstração só foi realizada em público em 1908, voando mais de 100 Km. na França. Foi nesse instante que eles mostraram a foto do primeiro voo em 1903. Porém, surge outro problema: os modelos dos irmãos Wright não atendiam a um dos critérios da FIA, que era decolar e pousar por conta própria. Eles utilizaram equipamentos como trilhos e catapultas, enquanto “14 Bis” não fez uso destes equipamentos, utilizando apenas um sistema de duas rodas. Para finalizar a polêmica, a FIA deu o crédito do invento aos irmãos Wright com o voo ocorrido em 1903 no Flyer. Mas a polêmica se mantém até hoje devido ao fato de o “14 Bis” ter uma decolagem autopropulsionada, reconhecida pelo público e jornalistas, e homologada pela FAI.

A tecnologia aeronáutica evoluiu e em 25/7/1909 Louis Blériot atravessou o Canal da Mancha num voo. Santos Dumont parabenizou-o numa carta: “Esta transformação da geografia é uma vitória da navegação aérea sobre a navegação marítima. Um dia, talvez, graças a você, o avião atravessará o Atlântico”. Recebeu como resposta: “Eu não fiz mais do que segui-lo e imitá-lo. Seu nome para os aviadores é uma bandeira. Você é o nosso líder.”. A partir daí passou a sofrer de esclerose múltipla, encerrou a carreira de inventor e afastou-se do convívio social. Outro de seus inventos foi o relógio de pulso, um recurso essencial para controlar o tempo de marcha sem desviar as mãos do comando. Outro dado, ainda menos lembrado, é sua importância na criação do Parque Nacional do Iguaçu e suas cataratas. Entre 24 e 27/4/1916 esteve lá a convite de Frederico Engel, Ao visitar o local ficou encantado com a paisagem e a queda d’água. Não se conformou com o fato daquele local ser uma propriedade privada: “Posso dizer-lhe que esta maravilha não pode continuar a pertencer a um particular”, disse ao anfitrião e na volta, “quando passei por Curityba, fui falar com o presidente do Estado [Afonso Camargo] sómente sobre o lguassú: pedir-lhe que se interesse pelo salto, o torne mais fácil e commoda a excursão… ” relatou mais tarde. Providências foram tomadas e, em 19/1/1939, um decreto do Governo Vargas criou o Parque Nacional do Iguaçu.

Em 1918 escreveu uma autobiografia e lançou o livro “O que eu vi, o que nós veremos”, relatando suas experiências e as perspectivas da tecnologia aeronáutica. Deixou registrado no livro suas cartas dirigidas ao Presidente sobre o atraso da indústria aeronáutica militar no Brasil. Porém, mais arrependeu-se dessa sugestão e apelou, em 1926, à Liga das Nações (futura ONU) para que se impedisse o uso de aviões como armas de guerra. Em 1928, de volta ao Brasil no navio Capitão Arcona, foi recebido festivamente. Um hidroavião que participava da solenidade sofreu um acidente ao sobrevoar o navio. Não restou sobreviventes entre os ilustres tripulantes. Abatido, ele suspendeu as festividades e retornou a Paris. Por essa época já apresentava um quadro de depressão profunda, que não foi atenuada nem com a condecoração que recebeu do Aeroclube de Paris como Grande Oficial da Legião de Honra da França, em 1930. No ano seguinte foi internado em casas de saúde no sul da França. Enquanto isso, a Academia Brasileira de Letras preparava-se para incorporá-lo ao seu quadro, como imortal em junho de 1931, mas não chegou a tomar posse da cadeira nº 38. De volta ao Brasil, passou alguns dias em Araxá, outros no Rio de Janeiro e instalou-se no Grand Hotel La Plage, em Guarujá, em maio de 1932. Dois meses depois estourou a Revolução Constitucionalista. Conta a história que os aviões de combate sobrevoaram o litoral paulista. Tal visão agravou seu estado depressivo, levando-o ao suicídio em 23/7/1932.

O espaço aqui não comporta todas as homenagens que recebeu, mas vale ressaltar que sete dias após o falecimento, a cidade de Palmira, onde nasceu, teve seu nome mudado para Santos Dumont. Em 1936 foi decretado o dia 23 de outubro (seu primeiro voo) como o “Dia do Aviador”. No mesmo ano o aeroporto do Rio de Janeiro foi batizado com seu nome. Em 1956 o correio do Brasil e Uruguai lançaram uma série de selos comemorativos e sua casa em Cabangu (MG) foi transformada em “Museu Casa de Santos Dumont”. Em 1959 foi condecorado como Marechal-do-Ar pelo Ministério da Aeronáutica. Em 1976 a União Astronômica Internacional deu seu nome a uma cratera lunar (27,7°N 4,8°E). A partir de 1984 passou a ser o “Patrono da Aeronáutica Brasileira”. Para finalizar esta concisa biografia e, talvez, a polêmica sobre quem inventou o avião, se foram os irmãos Wright ou Santos Dumont, o presidente dos EUA, Bill Clinton, esteve no Brasil em 13/10/1997, e discursou referindo-se a ele como o “Pai da Aviação”.

14 Cometários!

A GRANDE FAMÍLIA

Não consegui descobrir os nomes dos ótimos artistas e tampouco quem produziu esse excelente texto. Faz lembrar humoristas e redatores que já não estão mais entre nós e que deixaram saudades.

Execução de Cangaceiros

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MÚSICOS SOLIDÁRIOS

Na arte da música, o Coral tem como destaque a harmonia de vozes que produzem sons perfeitos. Cantores e instrumentistas produzindo a energia da música que eleva nosso Espírito às esferas fluídicas e proporcionam momentos de Paz e Tranquilidade. A composição é de Henry Mancini, o arranjo do Maestro Peter Hope.

Moon River

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