DALINHA CATUNDA - EU ACHO É POUCO!

UMA RODA DE GLOSAS

Mote desta colunista:

Não venha com leriado,
Hoje estou destabacada!

O marido de Maria
Era caboclo exigente…
Deixava a mesma doente,
De tanto que lhe afligia.
Quando ela se aborrecia,
Gritava desaforada:
Tu aqui não mandas nada!
Acho bom ficar calado!
Não venha com leriado,
Hoje estou destabacada!

Dalinha Catunda

De ser Amélia eu cansei
Disse Adélia para o Joca
Hoje tu num me provoca
Hoje nem rezar rezei
Chá calmante não tomei
Desci da rede avexada
Andei dando uma topada
Não aceito seu fungado
Não venha com leriado,
Hoje estou destabacada!

Rivamoura Teixeira

Todo dia tô assim
Já perdi até a alma
Com ela perdi a calma
Tô quase vendo meu fim
coitadinha, ai de mim
Me tornei esclerosada
Me chamam até de coitada
Esse é meu triste fado:
Não venha com leriado,
Hoje estou destabacada!

Bastinha Job

Deixa de conversa mole
Hoje tô com a mulesta
Dois chifres na tua testa
Pois , comigo ninguém bole
E tomava mais um gole
Dando grossa cusparada
Pense na desaforada
O seu véi desmascarado
Não venha com leriado,
Hoje estou destabacada!

Dulce Esteves

Tereza tinha uma bar
Perto da rua da feira
Não topava brincadeira
Era de pouco falar
Um bobo quis lhe cantar
Tereza deu uma pernada
Bem em cima da danada
Vá pra casa seu tarado
Não venha com leriado,
Hoje estou destabacada!

Jairo Vasconcelos

Dormiu com raiva de sobra
Enfezada com o marido
Mulherengo, pervertido
Torto feito uma abobra
Ela quem criou a cobra
Cedo amanheceu picada
Braba, doida, aporrinhada…
E chegou dando o recado
Não venha com leriado,
Hoje estou destabacada!

F. de Assis Sousa

Não sou de muita falar
Comigo pouca palavra
Rende mais na minha lavra
Quando quero descascar
Boto logo pra lascar
Quando tô de pá virada
E ferida descascada
Não vou com muito babado
Não venha com leriado,
Hoje estou destabacada!

Vânia Freitas

Zefinha cravo e canela
Possuía uma cantina
Com doces e cajuína
Pinga branca e amarela
O povo gostava dela
Mas era um pouco zangada
Se ouvisse uma cantada
Gritava pro aletrado
Não venha com leriado,
Hoje estou destabacada!

Araquém Vasconcelos

Que bonito é ver alguém,
sobretudo, uma mulher,
dizer tudo o que ela quer
sem temer, pois, a ninguém.
A minha, medo, não tem,
diz que não me deve nada
e, um dia, meio amuada,
me fez ouvir seu recado:
Não venha com leriado,
Hoje estou destabacada!

David Ferreira

Minha mulher é amiga
Não gosta de baixaria
É bem calma, voz macia
Não faz mal uma formiga
Mas vira galo de briga
Parte logo pra mãozada
Se eu varar a madrugada
E chegar embriagado
Não venha com leriado,
Hoje estou destabacada!

Giovanni Arruda

COLUNA DO BERNARDO

DEU NO TWITTER

O EDITOR SE AMOSTRANDO ÀS CUSTAS DO TOGADO

* * *

Que lindinho!!!

Que fofinho!!!

Que encantadorzinho!!!

Barrosinho, com seu notável saber jurídico e sua reputação ilibada, dando dicas semanais de livros, pensamentos e músicas.

Inclusive citando o livro de Gabeira, cuja primeira edição está ali na minha estante.

Confesso a vocês que fiquei comovido e emocionado com tão supremo e terno exemplo.

Um delicado e charmoso togado dando expediente na internet – o dia todo e todos os dias -, é a coisa mais linda que eu já vi nesta nossa republiqueta bananífera.

E vou aproveitar pra pegar carona na postagem de Sua Insolência pra também recomendar um livro.

Trata-se de “O Romance da Besta Fubana“, que já está na 4ª edição.

Um livro que recebeu o prêmio Prêmio Literário Nacional, do Instituto Nacional do Livro/MEC, categoria Melhor Obra Publicada, em 1985, e também o Prêmio Guararapes da União Brasileira de Escritores, em 1986.

Pra adquirir o livro, basta entrar na página de Editora Bagaço clicando aqui.

E é baratinho, baratinho. Um precinho besta mesmo.

Meus estimados leitores podem comprar logo um monte de volumes pra presentear os amigos.

Não só volumes da Besta Fubana, mas também dos meus outros títulos.

A compra é feita com tranquilidade e segurança, e você recebe a encomenda pelos correios.

E como hoje é sábado, início de um magnífico final de semana, vou aproveitar a oportunidade pra me amostrar mais um pouquinho.

Aqui vão algumas opiniões sobre a modesta obra deste editor inxirido, publicadas na grande mídia deste país (no tempo em que a grande mídia era séria e crível…).

* * *

Ao avançar na leitura do texto, vi-me possuído por crescente admiração e não me continha em exclamações de grande apreço, pois o Romance da Besta Fubana de fato se ia revelando das melhores coisas que havia lido nos últimos anos“. Ênio Silveira – Editor

Inspirado na literatura de cordel, Berto colhe nesse gênero popularíssimo o arcabouço da narrativa e também os seus personagens. Com um estilo que lembra Ariano Suassuna e Márcio de Souza, O Romance da Besta Fubana mostra um escritor imaginativo e bem-humorado“. Mariam Paglia Costa – Revista Veja

A cada momento, ressalta uma novidade, uma experiência singular, um simples dizer original, que, na verdade, aumenta a admiração do leitor não apenas pela maneira de narrar do escritor, mas pela singularidade que sua descrição encerra. O livro é uma das melhores coisas realizadas ultimamente“. Edisio Gomes de Matos – Correio Braziliense-DF

O contrapeso fica por conta dos ingredientes fantásticos e o resultado acaba sendo uma leitura divertida e curiosa“. Salete Maria Cara – Jornal da Tarde-SP

O mundo das letras brasileiras, e pernambucanas em particular, se enriquece de mais um narrador original e criativo“. Luiz Beltrão – Diário de Pernambuco-PE

Nas perspectivas abertas por Jorge Amado, João Ubaldo Ribeiro e Luiz Berto, a vida brasileira é uma aventura picaresca vivida por uma multidão de pícaros generosos e nacionalistas. Importa, acima de tudo, que tenha crescido em dificuldade e complexidade o índice qualitativo do romance brasileiro“. Wilson Martins – Jornal do Brasil-RJ

Este é um romance que se destaca entre tantos que foram publicados nestes últimos anos. E por várias razões. Entre as quais é preciso destacar o mundo mágico de Palmares, sem dúvida muito mais rico e fantástico do que Macondo, que deu fama universal a seu autor“. Jorge Medauar – Jornal de Letras-RJ

Esse pernambucano de Palmares, chamado Luiz Berto, está neste rol dos escritores que podem fazer a mochila e sair batendo perna pelo mundo, sem fazer vergonha. O Romance da Besta Fubana me chamou a atenção pela originalidade de sua linguagem: o caboclo escreve e sabe que sabe escrever“. Ubiratan Teixeira – O Estado do Maranhão-MA

É nesse sentido que este maravilhoso Romance da Besta Fubana, de Luiz Berto, deve ser lido. Como um dos mais criativos e verídicos romances brasileiros dos últimos anos“. Eduardo Francisco Alves – Revista Manchete-RJ

PERCIVAL PUGGINA

O FRACASSO PELA EDUCAÇÃO

Observe um formigueiro. Estabelecida a trilha, as formigas vão e vêm num ritmo constante, só interrompido, aqui e ali, por aquelas rápidas paradinhas que de vez em quando dão, como que para comunicar-se com alguma conhecida. Elas faziam assim há vinte anos e, se dentro de vinte anos você observar esse ou outro formigueiro, verá a mesma rotina. Não há progresso na vida das formigas.

Observe a atividade humana. Observe qualquer atividade humana. E volte a fazê-lo passado um par de décadas. Você não a reconhecerá porque tudo terá mudado: o ambiente será diferente, os meios usados serão totalmente outros e o próprio produto da atividade terá aspecto distinto. O homem tem essa capacidade de transformar as coisas.

Entre, depois, numa sala de aula. Qualquer sala de aula. Você reconhecerá tudo o que havia ali ao tempo em que você mesmo frequentava os bancos escolares. Talvez o quadro-negro tenha esverdeado e a sineta apite; todo o resto, porém, está conservado como se algum preservacionista houvesse guardado a escola num vidro de formol. Estou exagerando? Talvez, mas não será difícil identificar, ali, a mesmice do formigueiro, exceto pelas condutas, que involuíram.

Há meio século, seria inaceitável que um professor dedicasse o tempo de suas aulas para formar adeptos às suas convicções políticas pessoais e alinhar alunos com seus próprios afetos e desafetos ideológicos. Para obter esse “espelhamento”, vêm as “narrativas”, as manipulações da história, as leituras do tempo presente, as “problematizações” e a sedução das utopias. Ou seja – nas palavras de José Dirceu, expressando seu temor ao movimento Escola Sem Partido – a conquista de corações e mentes.

Isto tudo seria grave por si mesmo, não fossem as consequências. O resultado se faz nítido no ambiente escolar, na perda de posições relativas de nosso país no ranking internacional, nos muitos milhares de vagas não preenchidas no mercado para recursos humanos qualificados, no desperdício de talentos em proporções alarmantes, na pobreza intelectual que amplia a pobreza material, nas seduções da vida nas drogas e de seu tráfico, na desordem e na desarmonia social. Pasmem leitores: até para a política, objeto de tanta manipulação, faltam – e como faltam! – recursos humanos qualificados.

Presenciamos, então, o rotundo fracasso de um sistema que, por diferentes motivos, frustra alunos, professores, pais, investidores e a nação como um todo. O que se fornece a quem mais necessita é de uma injustiça que brada aos céus nos planos material, intelectual, emocional, ético, estético e espiritual. É o que acontece quando a política e a ideologia são as grandes novidades…

PROMOÇÕES E EVENTOS

DESENVOLVIMENTO DE SITES E SISTEMAS

Sua empresa não está na internet?

Onde ela está então?

No futuro só existirão dois tipos de empresas, as que estão na INTERNET, e as que faliram” – Bill Gates.

Como você deseja estar no futuro que já chegou?

Veja meu portfólio clicando na imagem abaixo:

COLUNA DO BERNARDO

J.R. GUZZO

QUEM ESTÁ FALANDO SOZINHO?

Manifestação em apoio ao presidente Jair Bolsonaro, em Brasília, no dia 7 de Setembro 2021

Uma das coisas mais prodigiosas ditas pela mídia em sua desesperada cobertura das manifestações públicas em favor de Jair Bolsonaro e contra seus inimigos, a começar pelo STF, é que o presidente está “isolado”, ou mesmo “totalmente isolado”. Na hora em que disseram isso, na televisão, as imagens mostravam a Avenida Paulista e as ruas vizinhas ocupadas por um mar sem fim de gente – talvez 250.000 pessoas, talvez mais, não tem a menor importância; é óbvio que estava ali a maior multidão que foi para as ruas desde a campanha pelas “Diretas Já”, ou pelo “Fora Dilma” de 2016. Então: como assim, “isolado”? Justo na hora em que Bolsonaro dava a mais evidente demonstração de sua força popular vão dizer que ele está sem força? Não podiam dizer isso numa outra hora qualquer? É surreal.

Foi comum durante o Dia 7 de Setembro, e vem sendo cada vez mais comum no noticiário político: as imagens mostram a realidade – aliás, a única realidade que existe -, e os jornalistas dizem o contrário daquilo que o público está vendo. Todo mundo viu, é claro, que a mídia brasileira tida como “importante” se afundou num colapso nervoso incontrolável desde que os fatos começaram a mostrar que o povo estava a caminho de forrar a Paulista, a Esplanada dos Ministérios e a Praia de Copacabana, entre muitos outros lugares, com uma manifestação gigante de massas. Os jornalistas que acompanharam o episódio já tinham decidido que seria o contrário; só estavam preparados para dizer que os atos pró-Bolsonaro seriam um fracasso fatal para o presidente, que o povo estava na praia, que haveria mortes e sabe lá Deus quantos horrores mais. Quando aconteceu o oposto do que já tinham decidido que iria acontecer, seus circuitos mentais cederam e a cobertura entrou em pane. Não havia um plano “B”. O plano “B” que lhes ocorreu foi radicalizar o plano “A”.

Na mesma linha de militância, publicou-se uma foto da Avenida Paulista lotada de manifestantes de verde e amarelo, no dia 7 de Setembro, com os seguintes dizeres: “Milhares se manifestam contra Bolsonaro na Avenida Paulista”. Outra foto, agora da minúscula manifestação contra os “atos antidemocráticos” e contra o presidente, com bandeira vermelha e tudo, ia na direção exatamente oposta: “Manifestantes dão apoio a Bolsonaro”. Analistas políticos, falando enquanto a televisão mostrava as imagens aéreas da multidão em São Paulo, diziam que “os índices de popularidade de Bolsonaro nunca foram tão baixos”. O que aquela gente toda estava fazendo na rua, então? É um caso evidente, mais um, em que a mídia substitui a realidade registrada em público, com vídeo e áudio, pelos comunicados do Datafolha. Outro recurso, utilizado do começo ao fim da cobertura, foi dizer que o número de manifestantes era “muito inferior” ao que Bolsonaro esperava – ou seja, a multidão que o sujeito estava vendo à sua frente (ou ao seu lado, para os que foram à rua) era a prova de “um fracasso”.

Imagem publicada no Instagram do jornal O Estado de S. Paulo no dia 12 de setembro, quando aconteceram as manifestações contra o presidente Jair Bolsonaro:

Imagens disponíveis para venda no banco de imagens do Estadão Conteúdo, com fotografias sobre as manifestações dos dias 7 e 12 de setembro:

A coisa foi por aí afora – uma coleção, exibida horas a fio, de afirmações desconexas, falsificação maciça de fatos, momentos de histeria e, do começo ao fim, puro e simples rancor em estado sólido. Tudo bem, é claro, se essas coisas são feitas pelo departamento de propaganda Lula-PT, ou por militantes da “terceira via” e de outras bobagens parecidas – política é assim mesmo, um ringue de terceira classe onde qualquer golpe sujo está sempre valendo. Mas o noticiário da imprensa não é, em nenhuma democracia, uma atividade política – isso é coisa de ditadura com jornal único. De órgãos de comunicação em regimes livres esperam-se conduta, regras e procedimentos de quem se compromete com a fé pública – e não o que está sendo feito na mídia brasileira de hoje, em que a militância política aberta passou a ser vista como um direito, ou mesmo um dever do jornalista.

É como se a imprensa, no Brasil, estivesse tentando tornar-se um grande Pravda, o jornal oficial da antiga Rússia comunista. Já criaram, na covid, um “consórcio” de órgãos de comunicação que se obrigam a publicar as mesmas informações, em regime de veículo único. As manifestações pró-Bolsonaro foram uma visão de como seria um consórcio no noticiário das questões nacionais; ele não existe, ou ainda não existe, em contrato assinado, mas já está existindo na prática. Nesse caso, no mundo mental dos jornalistas brasileiros, não deve haver a “diversidade” que deixa todos tão excitados nos demais assuntos; em política, ao contrário, especialmente quando se trata de Jair Bolsonaro, a diversidade é terminantemente proibida. Só é permitido escrever e falar contra.

Surge dessa unanimidade de imprensa com genética comunista, na verdade, o incômodo que um número cada vez maior de brasileiros comuns vem sentindo no seu dia a dia. Eles não “entendem de política”, não fazem parte da bolha intelectual e vivem conectados a atividades que se destinam a fazer o país funcionar, em vez de fazer “um mundo melhor”. Esse desconforto pode ser resumido numa pergunta frequente: “Por que nada do que eu leio, ouço ou vejo na imprensa combina com o que eu penso ou sinto?” O cidadão fica sem entender. Não há uma vez, nunca, que ele entre em contato com a mídia e encontre alguma coisa com a qual esteja de acordo. Aí vem a dúvida: será que eu estou maluco? Será que ninguém pensa como eu, ou acha a mesma coisa que eu sobre assunto nenhum? Será que todo mundo está errado e só eu estou certo? Você sabe que não perdeu a sua capacidade de raciocinar com base na lógica comum. Que diabo está acontecendo, então?

Essas dúvidas abrem a oportunidade de pensar em algo muito interessante: e se esse todo mundo não for mesmo todo o mundo? Ou, em outras palavras: e se forem eles, e não você, que estão na minoria? Nesse caso quem está isolada é a imprensa. Junto com o mundinho dos intelectuais e artistas, dos “especialistas” que dão 100% das entrevistas sobre qualquer assunto, de transgêneros a queimadas na Amazônia, e dos cientistas sociais, políticos e de todos os tipos que aparecem nas mesas-redondas depois do horário nobre, a mídia brasileira pode estar sendo apenas um espelho de si própria, e não da realidade. O fato, indiscutível, é que as ruas do Brasil foram tomadas por centenas de milhares de pessoas no dia 7 de Setembro – no exato momento em que os meios de comunicação e o seu entorno estão dizendo que as manifestações são um fracasso, ou, pior ainda, um “erro”. Da mesma forma, os protestos contra Bolsonaro e a favor do STF e do “Estado de direito” foram uma humilhação para quem tomou parte nelas, a começar pelos quatro, cinco ou seis “candidatáveis” (tanto faz) que participaram do fiasco. Não é o cidadão, aí, quem está falando sozinho.

As manifestações de 7 de Setembro serviram, talvez mais que qualquer outra coisa, para devolver aos brasileiros comuns a confiança em sua própria cabeça. Quando alguém diz que a presença livre, espontânea e pacífica de multidões maciças na rua é um ato “antidemocrático”, é esse alguém, e não você, quem está com um problema severo de rompimento com a realidade. Pense nisso.

DEU NO JORNAL

VAI SER UMA PORRA

O presidente Bolsonaro vai a Nova York, terça (21), para fazer o discurso de abertura da Assembleia Geral das Nações Unidas.

Vai destacar a prioridade da questão ambiental, reafirmar compromisso com as liberdades, celebrar a vacinação no Brasil e tratar do marco temporal.

* * *

Francamente, eu estou preocupado com a imagem que o mundo fará do nosso país depois que Bolsonaro fizer seu discurso na ONU.

Sei não..

Acho que ele vai falar um monte de palavrões na seleta assembleia.

O mundo inteiro tomará conhecimento do presidente desbocado que comanda este país.

O vídeo abaixo foi um ensaio dos “porras” e “puta que pariu” que ele vai falar em Nova Iorque semana que vem.

Tamos fudidos!

CARLOS EDUARDO SANTOS - CRÔNICAS CHEIAS DE GRAÇA

RECIFE EXPORTAVA TEATRO

Cine-teatro Parque. Antes, o teatro-jardim, um dos poucos do Brasil

Na década de 1940 o Recife vivia uma época de grande efervescência teatral. A Televisão ainda não havia chegado aos nossos lares e a arte cênica se mantinha como extraordinário atrativo para as famílias de fino trato. Era chic frequentar um teatro.

Das lembranças de minha juventude recordo que funcionavam no Recife o Teatro Apolo, fundado em 1842, Teatro Santa Isabel, em 1850. Em 1915 surgiu um dos únicos teatros-jardim existentes no Brasil, o Parque, na Rua do Hospício. Funcionava também o Teatro Helvética, mais popular de todos, situado na Rua Imperatriz Tereza Cristina, fundado em 1923.

Depois apareceram outros: o Teatro de Emergência Almare, em março de 1950, construído por arrojada iniciativa do então radialista Alcides Teixeira, a fim de fazer seus programas de auditório. Situado na entrada da Av. Dantas Barreto, que ainda não estava totalmente pronta mas ocupava toda a sua largura, na esquina da Praça do Diário.

Fabricado com madeira era uma coisa estranha, provisória. Depois, a título precário, foi legalizado pela Prefeitura, para a exibição de programas radiofônicos de auditório, artes cênicas e servia para convenções de partidos políticos.

Alcides Teixeira, construtor do Teatro de Emergência Almare

Alcides Teixeira, que se tornara radialista famoso, pelas dificuldades de apresentar seu “Programa das Vovozinhas” para um grande público, resolver construir um teatro-auditório, armando um monstrengo que durante bom tempo atingiu suas finalidades.

Deixaria seu nome na História, além de ter sido eleito deputado estadual sob o slogan de Deputado-vovozinhas, dado à destinação de seu programa de Rádio, dedicado à terceira-idade, uma das grandes audiências de todas as manhãs.

O prédio que anos antes abrigou o Cine Atlântico do Pina, seria mais tarde reformado para funcionar como casa de espetáculos, tomando o nome de Teatro Barreto Jr. Nos dias atuais dispomos dos teatros Guararapes, Teatro Rio Mar, Teatro Caixa Cultural, Teatro Boa Vista-Salesiano, Nosso Teatro (do TAP) e o Teatro Joaquim Cardoso da UF-PE.

Não se pode deixar de citar que em Brejo da Madre de Deus, agreste pernambucano, foi construído, durante vários anos, o Teatro Nova Jerusalém. O maior, ao ar-livre, do mundo, fundado por Plínio Pacheco.

Plínio Pacheco, idealizador do maior teatro ao ar-livre do mundo

Ainda comentando sobre a década de 1940, os anos se passaram e atividade cultural do Recife foi tomando impulso, com a projeção do grupo cênico: Teatro de Amadores de Pernambuco, fundado em 1941, por iniciativa de Valdemar de Oliveira que perenizou sua turma de artistas, grande parte formada por pessoas de sua família.

Valdemar de Oliveira: médico, jornalista, ator e teatrólogo

Mas era necessário ensinar arte teatral. Meu pai sabia que isso seria o caminho para a descoberta de novos talentos e a continuidade da arte cênica entre nós.

Um clube suburbano – o Atlético Clube de Amadores – construiu, em 1948, com recursos próprios, um prédio anexo à sua sede, que viria a ser o primeiro teatro-escola do Recife, iniciativa de Arthur Lins dos Santos – meu pai – quando Diretor Cultural do clube. O interessante é que nos intervalos de encenações o prédio funcionava como escola pública municipal.

Ali formou-se uma escola de teatro, com rapazes e moças da localidade, todos estreantes, grupo que encenou várias peças, dentre elas “Nada”, de Ernani Fornari e “As árvores”, de Aristóteles Soares. Está última foi encenada em várias cidades de Pernambuco.

Estava na programação do GTA uma outra peça, cujo texto estava quase pronto, de autoria do meu saudoso velho, porém, não chegou a ser concluído tendo em vista uma das grandes cheias que se abateram sobre o Recife, levando os originais pelo Capibaribe abaixo e em muito danificando também a sede do clube.

Recorte da revista “O Cruzeiro”, dos Diários Associados, em 1952

Em 1952 a revista O Cruzeiro, a mais famosa da época, publicou uma reportagem assinada por José Alberto Gueiros sobre a excursão do Teatro de Amadores de Pernambuco, ao Rio de Janeiro, da qual participei quando tinha apenas 15 anos.

Sobre a apresentação de suas quatro peças encenadas no Teatro Regina, falarei na próxima crônica, salientando que nessa época Pernambuco exportava Teatro.

PENINHA - DICA MUSICAL