PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

EM BUSCA DO AMOR – Florbela Espanca

O meu Destino disse-me a chorar:
Pela estrada da Vida vai andando,
E, aos que vires passar, interrogando
Acerca do Amor, que hás-de encontrar.

Fui pela estrada a rir e a cantar,
As contas do meu sonho desfilando …
E noite e dia, à chuva e ao luar,
Fui sempre caminhando e perguntando …

Mesmo a um velho eu perguntei: “Velhinho,
Viste o Amor acaso em teu caminho?”
E o velho estremeceu … olhou … e riu …

Agora pela estrada, já cansados,
Voltam todos pra trás desanimados …
E eu paro a murmurar: “Ninguém o viu! …”

Florbela Espanca, Vila Viçosa, Portugal (1894-1930)

DEU NO JORNAL

É MUITO MI, MI, MI

A grana que Lula despejou nas contas de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, virou alvo da oposição, que quer escrutinar a movimentação financeira do filho do presidente, que tem uma amiga enrolada na falcatrua do INSS.

Na Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado já tramita pedido à Polícia Federal para investigar “cifra aproximada de R$ 25 milhões” do herdeiro de Lula.

No bolo, mais de R$ 720 mil são de transferências entre o petista e Lulinha.

Na declaração de bens de Lula, tem R$ 7,4 milhões. Mas a maior parte, R$ 5,5 milhões, está imobilizada em uma espécie de previdência privada.

Foi a CPMI do INSS que aprovou a quebra do sigilo bancário de Lulinha e revelou que o presidente repassou o caminhão de dinheiro ao filho.

Somando o dinheiro em espécie (declarado), com créditos que aparecem nos bens assumidos à Justiça Eleitoral, faltam ainda R$ 266 mil.

A movimentação financeira de Lulinha é na casa dos milhões.

Mais de R$ 4 milhões por ano em 2022 e 2023 e mais de R$ 7,2 milhões em 2024.

* * *

A expressão “caminhão de dinheiro”, que consta nessa nota aí de cima, resume tudo.

Um carreta enorme, gigantesca, com grande capacidade de carregamento de milhões.

A malandragem tá no sangue.

De pai pra filho, conforme as leis genéticas.

E não esqueçam: o papai é presidente do nosso país!!!

DEU NO X

CÍCERO TAVARES - CRÔNICA E COMENTÁRIOS

O LEOPARDO

Texto escrito em parceria com o especialista em filme de faroeste D.Matt

Burt Lancaster/Alain Delon e Claudia Cardinale em cena clássica de baile

O Leopardo (1963), a obra-prima de Luchino Visconti é uma mistura de sensações, que faz conviver elementos tensionados sem resolvê-los completamente, sempre respeitando a complexidade do que não se unifica.

O filme reconstrói, com uma fotografia magistral, o período da atmosfera vivida nos palácios da aristocracia durante o conturbado reinado de Francisco II das Duas Sicílias e o “Risorgimento,” longo processo de unificação dos estados autônomos que originaram o Reino da Itália, em 1870.

O cenário político italiano é reconstituído com o intuito de interferir em dilemas dos personagens ficcionais, o confuso processo de unificação italiana, do príncipe Don Fabrizio Salina (Burt Lancaster) testemunha da decadência da nobreza e da ascensão da burguesia. Num cenário caótico de fortes contradições políticas ele luta para manter seus valores.

Em meio à opulência e ruína, jogo de forças entre a nostalgia do passado e a mola propulsora que dirige o presente ao futuro. Bailes aristocráticos, quadros valorosos, tapeçarias cuidadosas, bustos estatuários, cômodos intermináveis, a grandeza, o encanto visual; em paralelo, o pó, a melancolia, o vagar paralítico, a indefinição, o tédio, a morbidez, a iminência do fim.

A experiência de apreciar o filme é única, visto que a grandiosidade de Visconti é potencializada, o primor de sua direção é destacado e o talento da composição musical de Nino Rota se realça pelo poder sonoro. Quando o desfecho é anunciado pela legenda do “fim” (“fine”, em italiano), a gente aplaude, entusiasmado. Que beleza, que ternura, que tessitura encantadora do estilo Visconti! Filmes como esse renovam o contrato de amor do cinéfilo com sua arte. Mais ainda: justificam a razão de ser da nossa espécie.

O cineasta Luchino Visconti (um nobre italiano “Conde de Lonate Pozzolo”,) um artista de grande sensibilidade, criador de obras de arte, no cinema e no teatro italiano, entregou-se de corpo e alma na criação deste filme que é a versão cinematográfica do livro clássico italiano Il Gattopardo. O filme, apesar de toda produção e direção de arte ser genuinamente italiana, por questões comerciais imposta pelos produtores, tem versão falada em italiano e versão em inglês, assim como, devido a imposição dos financiadores americanos, Visconti foi obrigado a aceitar como astro principal o ator norte americano Burt Lancaster, que não era a sua escolha prevista.

Sorte do Visconti, pois neste filme o ator americano Burt Lancaster premia o telespectador com um desempenho memorável, talvez o maior da sua gloriosa carreira, quando personaliza o Príncipe, vivendo em um esplendor já agonizante da nobreza Italiana, que continua escondendo a crua realidade da decadência, com um Fausto desgastado e ilusório.

A produção de arte é de extremo bom gosto, a montagem é de excelente qualidade, pois durante todo o filme intercala cenas do fausto atual, com cenas dos aposentos vazios, empoeirados e mobiliário desgastado mostrando que na atualidade é o que restou da esplendorosa e luxuosa “corte” dos nobres retratados.

O elenco escolhido a dedo pelo requintado diretor, é composto por ótimos atores, todos muito convincentes nos seus personagens, atores consagrados como Alain Delon e a magnífica Claudia Cardinale.

A presença de Claudia Cardinale é um prêmio, não só para o filme, como também para os expectadores, sua simpatia, beleza e grande presença em cena. Dá ao filme e em particular em todas as cenas em que participa uma demonstração de que estamos diante de uma estrela maior. As suas cenas com o príncipe são magníficas. Ela demonstra sua versatilidade com grande lance e olhares sedutores, o modo como ela seduz o príncipe, para obter o seu apoio e ser aceita na nobre família como uma igual, é simplesmente impagável.

A saga relatada e exposta no filme é bem explícita, quando demonstra, sem discursos, poucos fatos e ações e apenas comportamentos, de todos os personagens e principalmente do príncipe de que a nobreza está decrépita e que é preciso uma revolução, mudar tudo, para que possa continuar existindo teimosamente como sempre existiu. “Algo deve mudar para que continue como está”, diz o personagem Tancredi Falconeri, interpretado por Alain Delon.


RODRIGO CONSTANTINO

CASAL NA DEFENSIVA

O advogado André Marsiglia resumiu bem a situação: “Estamos diante de uma encruzilhada incontornável: ou a Globo mente sobre Moraes, ou Moraes mente sobre as reportagens da Globo. Se a Globo mente, por que não está respondendo, como tantos responderam, no inquérito das fake news? Se Moraes mente, precisa cair e ser investigado”.

Eu mesmo tinha escrito esses dias: em outros tempos, por muito menos, Moraes já teria prendido Moraes ou incluído Malu Gaspar no inquérito do fim do mundo. Moraes não é mais o mesmo! Está acuado, desmoralizado, sendo cobrado por quem antes o chamava de “muralha” e fingia acreditar que seu abuso de poder era para “salvar a democracia”.

Até mesmo sua esposa se manifestou pela primeira vez sobre o contrato “suspeito” com o Banco Master. Viviane de Moraes disse que foram quase cem reuniões e 36 pareceres para o banco de Daniel Vorcaro. Puxa vida! Como o contrato era de R$ 129 milhões, isso dá R$ 3,6 milhões por parecer! Era justamente o valor mensal que o escritório da família de Moraes recebia. Não há, no mundo jurídico, contrato similar, com cifras tão elevadas.

Lygia Maria, em sua coluna na Folha de SP, começa constatando uma verdade inapelável: “Só numa república bananeira como o Brasil um juiz da corte constitucional que tem relações com o líder de uma organização criminosa ainda não foi – e tudo indica que não será – investigado”. Moraes, afinal, foi pego com batom na cueca, como diz o título de sua coluna. Lygia conclui:

Num país sério, Paulo Gonet, o procurador-geral da República, já teria pedido abertura de investigação contra Moraes para apreender seu celular. Mas esperar por Gonet é como esperar por Godot, da peça de Becket. O Brasil é um teatro do absurdo. Assim, se o caso for mantido no STF, o juiz com batom na cueca pode vir a participar do julgamento do seu amigo mafioso. Traição suprema aos brasileiros.

A colunista da Folha já vinha adotando uma postura mais firme de cobrança aos abusos supremos faz tempo, mas a novidade é que inúmeros de seus pares na velha imprensa também passaram a fazê-lo. Gente que antes tratava Moraes com respeito e até deferência, como se ele fosse mesmo o guardião da democracia contra “golpistas”, agora demanda explicações abertamente sobre o que já veio à tona no caso do Banco Master. Moraes não estava acostumado a ser alvo de cobranças, e não está sabendo como reagir. Se declarar guerra total aos veículos de comunicação, isso pode marcar um fim trágico ainda mais rápido para quem se achava um deus do Olimpo.

Até mesmo o campo da esquerda parece ter abandonado Moraes. Leandro Demori escreveu: “O contrato que ‘não existia’. Quem espalhou a tese (sem nenhuma prova) vai se retratar? Não, não vai. Os fatos já não importam mais. Irão dobrar a aposta e dizer que não tem nenhum problema”.

Não dá mais para negar o contrato que a própria Viviane Moraes admitiu, e a tentativa de explicar o serviço prestado ficou ainda pior. João Luiz Mauad comentou: “Segundo entendi da nota que o escritório da doutora Viviane demorou quase dois meses para divulgar, o escopo do contrato de R$ 129 milhões envolvia principalmente a elaboração e revisão de manuais de compliance e código de ética, que você encontra já prontinhos na internet ou pode mandar produzir a seu gosto por qualquer programa de IA disponível no mercado”.

Mauad acrescentou: “Sugestivo também é o fato de que, além de caríssimos, esses serviços também se mostraram bem ineficazes, afinal, como estamos vendo agora, a quebra do banco se deu principalmente pela total falta de ética, conformidade e governança, tanto que a operação da PF no Master se chama Compliance Zero”.

Ou seja, a emenda foi pior do que o soneto, e ninguém acredita nessa versão fantasiosa. A grana era, ao que tudo indica, para contratar os serviços do próprio Alexandre de Moraes. Serviços esses ilegais, de lobista, de quem, tal qual uma muralha, pudesse bloquear até ordem de prisão do banqueiro fraudulento…

PENINHA - DICA MUSICAL

DEU NO JORNAL

DEU NO JORNAL

SOB LULA, BRASIL BATE RECORDE DE CALOTES

Governo Lula inadimplência recorde

Em recorde de inadimplência sob Lula, o valor médio por devedor chega a R$ 6.345,69

Quase metade da população adulta brasileira está inadimplente. Em janeiro de 2026, eram 81,2 milhões de pessoas nessa condição — nunca foi tão alto, segundo a Serasa Experian.

Enquanto economias avançadas começam a estabilizar os índices de insolvência após os impactos da pandemia, o Brasil acelera na direção contrária. E o pior, segundo especialistas, ainda está por vir, especialmente se o conflito no Irã se prolongar.

O Sistema Financeiro Nacional confirma o diagnóstico: em janeiro de 2026, a inadimplência média do país chegou a 4,2%, o maior índice da série histórica do Banco Central (BC), iniciada em março de 2011. No crédito livre, onde as condições são negociadas diretamente entre bancos e clientes, o índice supera 5%.

Desde o início do terceiro mandato de Lula (PT), são 11,3 milhões de pessoas a mais nessa condição. O perfil revela quem carrega o peso da crise: dois terços dos inadimplentes têm entre 26 e 60 anos, ou seja, a faixa economicamente ativa da população.

Dados do Banco Central revelam a dimensão estrutural do problema. O endividamento das famílias brasileiras fechou 2025 em 49,7% da renda — alta de 1,3 ponto percentual no ano. Em dezembro, o comprometimento de renda com o pagamento de dívidas chegou a 29,2%, o que deixa pouca margem para qualquer imprevisto financeiro.

Mas o problema não se limita às famílias: em novembro, havia 8,9 milhões de CNPJs negativados, segundo a Serasa Experian, também em nível sem precedentes.

O avanço da insolvência é impulsionado pela combinação de Selic a 15%, gastos públicos elevados e uma cultura de endividamento que atingiu seu limite.

Com a taxa projetada em 12,25% ao fim de 2026 e crescimento do PIB estimado em 1,8%, especialistas alertam que os picos de insolvência ainda estão por vir — e o cenário pode se deteriorar ainda mais caso a escalada no Oriente Médio mantenha o petróleo elevado, pressionando inflação e juros no Brasil.

DEU NO X

LAUDEIR ÂNGELO - A CACETADA DO DIA