DEU NO JORNAL
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É A SEGURANÇA, ESTÚPIDO!
Adriano Gianturco

Policiais levam presos da Operação Contenção, no Rio, em outubro de 2025: candidato que prometer linha-dura contra o crime terá mais chances
O que será que as pessoas desejam no continente mais violento do mundo?!
No Peru, acabamos de ter o segundo turno das eleições presidenciais, disputado entre a direitista Keiko Fujimori (filha do homônimo ex-ditador) e o esquerdista Roberto Sánchez. Fujimori é a favorita, a apuração ainda está em curso, mas de qualquer forma o fator que mais a impulsiona é exatamente a promessa de combater com punho duro o crime. Na Colômbia, a mesma coisa está prestes a acontecer.
No ano passado, no Chile, José Antonio Kast ganhou as eleições, entre outras coisas, por sua plataforma para a segurança pública – que apesar de ser relativamente boa no Chile em comparação com os vizinhos, estava piorando. Na Bolívia e no Paraguai, Rodrigo Paz e Santiago Peña, respectivamente, também foram eleitos em parte por isso.
Destaque para o Equador, um país que piorou muito nos últimos anos, virou centro do narcotráfico mundial – graças à máfia albanesa, que escoa cocaína para os portos europeus – e com criminalidade e violência crescentes. Houve tentativa de golpe de Estado, e a população vive como refém, assustada. Não por acaso Daniel Noboa ganhou recentemente as eleições com a promessa de acabar com tudo isso, com o apoio de Donald Trump.
O emblema de toda essa situação é, claro, a linha-dura de Nayib Bukele em El Salvador, com 96% de aprovação popular.
Até na Argentina, onde Javier Milei foi eleito principalmente para reverter o caos econômico, a segurança também preocupa. Milei usa a “mão dura”, e já reduziu os homicídios em 11,5%, chegando à menor taxa dos últimos 25 anos.
A contraprova disso é o Uruguai, a “Suíça da América do Sul”: um país tão seguro que essa agenda não cola muito por lá.
É o movimento pendular latino de séculos. Há autoritarismo, vêm os marxistas prometendo direitos sociais, direitos humanos e igualdade, e em vez disso entregam mais pobreza, mais autoritarismo e mais criminalidade; então, volta a direita militarista com a linha dura. Um vaivém. A segurança é o calcanhar de Aquiles do marxismo, e no Brasil não é diferente.
Até 2018 pouco se falava de segurança no debate público brasileiro; os debates presidenciáveis nem mencionavam o assunto. O problema parecia não existir, como se estivéssemos na Suíça. Foi Jair Bolsonaro quem deu visibilidade ao tema, e isso o ajudou a vencer.
A criminalidade chegou ao topo da discussão a partir de 2025, com o governo Lula. Hoje, as pesquisas de opinião mostram que a segurança é uma das maiores preocupações da população: 41% dos entrevistados pelo Ipsos a mencionaram como prioridade, mas 90% disseram estar preocupados com a violência. Não por acaso 53% concordam em classificar PCC e Comando Vermelho como terroristas. Além disso, 70% das pessoas culpam o governo federal pelos números da criminalidade e veem a questão como responsabilidade da União.
Ou seja, se e quando um candidato se decidir a colocar esse tópico no topo da lista, e prometer (e depois concretizar) linha-dura, como no resto do mundo, ganhará com facilidade. Se alguém propuser prisão perpétua (sem revisão e sem condicional) para homicídio doloso, e maioridade penal de 14 anos, ganhará de lavada. Não é “rocket science”, é obviedade. Repito isso há anos. A famosa Pirâmide de Maslow coloca em ordem as prioridades das pessoas, e a segurança vem em segundo lugar, logo depois das necessidades fisiológicas (comer, dormir etc.).
Em 1992, um dos slogans da campanha de Bill Clinton era “it’s the economy, stupid!”. O lema surgiu porque, enquanto o governo George W. Bush tentava focar nos sucessos da política externa, a campanha de Clinton redirecionou o debate para a realidade prática dos eleitores: a perda de empregos e o custo de vida. A frase tornou-se um marco na análise política global, reforçando que, independentemente de questões ideológicas, a percepção do bem-estar econômico é quase sempre o fator que mais pesa na decisão do eleitorado. Parafraseando o mote de Clinton, “é a segurança, estúpido!” A economia vem depois. As pessoas querem isso, ainda mais na América Latina.
PENINHA - DICA MUSICAL
ORIGINAL E VERSÃO – 2
DEU NO X
O PT JAMAIS TERÁ O VOTO DESTE CABRA!
RODRIGO CONSTANTINO
LIÇÕES PERUANAS

A conservadora Keiko Fujimori e deputado de esquerda Roberto Sánchez se enfrentam em segundo turno para o cargo de presidente do Peru
Escrevo esse texto com o resultado eleitoral ainda inconclusivo no Peru. Mais de 90% das urnas foram computadas e Keiko Fujimori lidera por uma margem bastante estreita. Provavelmente menos de cem mil votos vão definir o pleito. Independentemente do resultado oficial, já podemos extrair algumas lições importantes para o caso brasileiro.
Em primeiro lugar, a prioridade é sempre derrotar o comunismo. Quando o Foro de SP consegue colocar suas garras no poder, o estrago que se segue, tanto em termos econômicos como de perda de liberdades, costuma ser fatal. Impedir a destruição total do país deve ser o foco.
Para esse objetivo é preciso lembrar que nenhum candidato de oposição ao comunismo precisa ser perfeito. Política é a arte do possível, não um concurso moral. Keiko Fujimori está longe de ser uma candidata que empolga.
Os principais escândalos associados a ela giram em torno de acusações de financiamento irregular de campanhas e lavagem de recursos, especialmente no contexto do escândalo Lava Jato. Ela nega todas as acusações e se declara vítima de perseguição política.
O caso mais emblemático é o Cócteles, uma investigação sobre o suposto recebimento de fundos ilícitos para as campanhas presidenciais de 2011 e 2016. Ela teria recebido US$ 1,2 milhão da Odebrecht por meio de doadores falsos em “coctéles”, eventos de arrecadação. Keiko chegou a ser presa e ficou cerca de 18 meses detida.
Ou seja, ninguém de direita pode efetivamente vibrar com essa vitória. Mas tem o direito de comemorar a eventual derrota do seu adversário, Roberto Sánchez. O psicólogo foi ministro do governo de Pedro Castillo e defende várias bandeiras socialistas. Deseja inclusive uma nova Constituição para o país. Sua base de apoio é o interior rural mais pobre, zonas andinas e eleitores indígenas. É um crítico do modelo capitalista, adotando discurso extremamente populista.
Sánchez também foi acusado de crimes financeiros relacionados a declarações falsas de contribuições de campanha (2018-2020). O Ministério Público pediu mais de 5 anos de prisão eo caso ainda está em andamento na Justiça.
Essas eram as alternativas apresentadas ao eleitor. Diante disso, o “isentismo” parece uma péssima opção. O liberal Alvaro Vargas Llosa, filho do grande escritor Mario Vargas Llosa, comentou: “Acabei de votar nas cruciais eleições peruanas. Cedo, confiante na maturidade do povo peruano após tantas desilusões, com a serena satisfação de ter cumprido um dever moral elementar diante da encruzilhada que o país enfrenta”.
Keiko Fujimori agradeceu publicamente o apoio de Alvaro: “Todos unidos por uma grande defesa democrática”. O voto nulo, nesse caso, representaria uma chance extra para o socialismo. E eis a lição mais importante que o Peru deixa.
Cada voto importa. Numa disputa tão acirrada, a decisão é no photochart. O corolário disso é que toda demonização de outros candidatos anticomunistas é fazer o jogo dos comunistas. No segundo turno, é voto a voto, e é preciso fomentar a união daqueles que rejeitam o destino socialista. Para tanto, é preciso engolir sapos e compreender que o candidato não será perfeito. Não se pode perder de vista o real objetivo: impedir a destruição total do país, resultado inexorável da manutenção da esquerda radical no poder.
DEU NO X
SÓ EXISTEM DOIS
PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA
A UMA SAUDADE – Gregório de Matos
Em o horror desta muda soledade,
Onde voando os ares a porfia,
Apenas solta a luz a aurora fria,
Quando a prende da noite a escuridade.
Ah cruel apreensão de uma saudade!
De uma falsa esperança fantasia,
Que faz que de um momento passe a um dia,
E que de um dia passe à eternidade!
São da dor os espaços sem medida,
E a medida das horas tão pequena,
Que não sei como a dor é tão crescida.
Mas é troca cruel, que o fado ordena,
Porque a pena me cresça para a vida,
Quando a vida me falta para a pena.

Gregório de Matos, Salvador-BA, (1636-1696)
DEU NO X
TÁ FALTANDO O BRASIL…
DEU NO JORNAL
EM GOIÁS
LAUDEIR ÂNGELO - A CACETADA DO DIA
