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COMENTÁRIO DO LEITOR

JESSIER QUIRINO - DE CUMPADE PRA CUMPADE

DEU NO JORNAL

ALEXANDRE GARCIA

TREN DE ARAGUA JÁ ESTÁ SE ESPALHANDO PELO BRASIL

tren de aragua

Prisão de Tocorón, na Venezuela, é o local de surgimento da facção Tren de Aragua

O local onde forças dos EUA mataram Niño Guerrero, chefe da fação criminosa venezuelana Tren de Aragua, fica a 88 quilômetros de Pacaraima (RR). Quando eu mencionei esse fato, citando a BBC, que disse que o Tren de Aragua estava presente em seis estados do Brasil, eu citei Roraima como sendo o primeiro deles. Na terça-feira, a Polícia Civil de Roraima realizou uma operação, com 25 mandados de prisão e 30 de busca e apreensão em Roraima e outros cinco estados: Amazonas, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Paraná. Por quê? Porque o Tren de Aragua abastece o Comando Vermelho com armas – inclusive armas ponto 50, que podem ser uma metralhadora antiaérea, uma metralhadora potente que pode furar blindagens. São armas de guerra, que o Tren de Aragua consegue de algum lugar – o armamento do exército venezuelano vem da Rússia ou da China. O Comando Vermelho está bem estabelecido no Amazonas: domina a entrada do principal rio, o Solimões, que depois se torna Rio Amazonas.

Só achei estranhos os baixos valores apreendidos: US$ 50 mil e, como se disse por aí, “carros de luxo no valor de R$ 1 milhão”. Isso é o preço de um único carro de luxo; não sei o que andam considerando hoje como veículo de luxo, mas de fato também apreenderam carros.

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As facções dominam território brasileiro, e Lula ainda fala em soberania

O Tren de Aragua é tratado pelos EUA como terrorista, e a operação que matou Niño Guerrero foi feita com a cooperação do governo venezuelano. Aqui, Lula reclamou que os americanos tenham classificado as facções brasileiras como terroristas, e se recusa a fazer o mesmo. Não sei se ele quer proteger o Comando Vermelho e o PCC. Lula diz que está protegendo a soberania nacional, mas isso é impossível, porque são exatamente o PCC e o CV que atacam a soberania do Estado brasileiro, dominando áreas no Rio de Janeiro ou na Amazônia. Agora, vemos que até uma facção estrangeira já se estabeleceu aqui. Não faz sentido esse argumento da soberania.

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Lula insulta delegados e faz pouco de roubo de celulares

Em vez de atacar os bandidos, Lula prefere falar mal da polícia. Dias atrás, afirmou que, se alguém descobrir que comprou um celular roubado, é melhor devolver nos Correios e não na delegacia, porque não dá para confiar no delegado. Já o governador Tarcísio de Freitas, em São Paulo, pediu desculpas à população que teve seus celulares roubados, dizendo que vai trabalhar para acabar com isso. Vocês que me ouvem sabem do quanto o celular é importante. Outro dia, deixei o carro do lado de fora do Senado, onde ocorria o lançamento do livro do general Villas Bôas, e esqueci o celular dentro do veículo. Quando cheguei ao Senado, pensei: “é melhor que me levem o carro que o celular”. O telefone vale muito mais, porque a nossa vida, todos os registros importantes estão ali dentro. Vejam o valor de um celular, mas nosso presidente da República faz pouco disso.

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Jornalista que discutiu com Carla Zambelli no caso da arma faz vaquinha e paga multa

O jornalista Luan Araújo tinha uma ordem de prisão expedida contra ele, porque não havia pago a multa que devia por difamação contra Carla Zambelli, em um texto que ele publicou no Diário do Centro do Mundo. Araújo foi aquele que discutiu com Carla Zambelli na véspera da eleição; ela disse que ele a ofendeu e ameaçou, Carla foi atrás dele com a pistola na mão, e foi até condenada por isso. Araújo acabou se sentindo dono do mundo e difamou Carla Zambelli na sua coluna; o advogado dela entrou com processo contra o jornalista; ele foi condenado a uma multa, que não pagou. O juiz, então, determinou a prisão dele, mas ele fez uma vaquinha e conseguiu pagar.

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DEU NO JORNAL

BAGUNÇA IN ENGLISH

Não tem nada de “química” a relação do governo Lula com os EUA.

Na cúpula do G7, Donald Trump afirmou que se encontrou com o petista, mas ressaltou que a relação com o Brasil é uma “bagunça”.

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Fiquei curioso…

Como é que é “bagunça” em inglês?

Algum leitor desta gazeta sabe qual foi a palavra que o Trump pronunciou?

Fico no aguardo.

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MAURINO JÚNIOR - SEM CRÔNICAS

DESINFORMAÇÃO TRAVESTIDA DE ESPETÁCULO

Vivemos tempos curiosos — e perigosamente barulhentos. Nunca se teve tanto acesso à informação e, paradoxalmente, nunca se produziu tanta ignorância com tanto requinte estético. A ignorância, hoje, não anda mais malvestida: ela usa trilha sonora épica, thumbnail flamejante, voz grave de narrador de trailer e uma confiança que só a ausência completa de método científico pode proporcionar: É a era da desinformação travestida de espetáculo.

Um meteoro cruza o céu — fenômeno banal, belíssimo, conhecido desde que o primeiro hominídeo levantou os olhos da savana. Mas não: agora ele não é mais um fragmento rochoso queimando a dezenas de quilômetros por segundo sob o efeito do atrito atmosférico. Ele vira sinal, mensagem, sonda, prenúncio, aviso dos céus. Sempre um aviso, curiosamente nunca uma aula de física. O céu, que por milênios inspirou astrônomos, poetas e navegadores, foi rebaixado a palco de teatro apocalíptico de quinta categoria. Não se trata de ingenuidade. Trata-se de mercado.

O algoritmo não recompensa a verdade; recompensa o espanto. A dúvida metódica perde para a afirmação categórica. O “não sabemos ainda” é atropelado pelo “é isso aqui, CONFIA”. A ciência, lenta, cuidadosa e elegantemente chata, perde espaço para a profecia berrada, porque a profecia não pede fontes — pede curtidas. E assim, telescópios viram presságios. Asteroides ganham intenções. Órbitas passam a ter vontade própria. A física é dispensada em favor de uma narrativa onde o Universo conspira, planeja e envia mensagens cifradas para youtubers munidos de microfone barato e convicções caríssimas.

Nada disso é novo. Apenas ganhou HD, 4K e monetização. Na Idade Média, cometas anunciavam a morte de reis. Hoje, anunciam o fim do mundo — com link na descrição. A superstição não desapareceu; ela apenas aprendeu a editar vídeos e usar SEO. E aqui surge um detalhe particularmente perverso: a apropriação da fé. Textos sagrados, ricos em simbolismo, história e profundidade moral, são reduzidos a slogans apocalípticos de consumo rápido. A Bíblia, que jamais se propôs a ser um tratado de astrofísica, é convocada como se fosse um manual de impactos orbitais. Versículos são arrancados do contexto com a delicadeza de um asteroide em colisão frontal com o bom senso.

Isso não fortalece a fé. Isso a empobrece. Não esclarece o mundo. Apenas o assusta.

A ironia suprema é que o Universo real é infinitamente mais fascinante do que essas fantasias. A física das altas energias, a química dos elementos, a dança gravitacional dos corpos celestes — tudo isso é grandioso, elegante, quase musical. Mas exige estudo. E estudo não viraliza. Então troca-se Kepler por conspiração. Newton por narrador dramático. Carl Sagan por alguém que começa frases com “eles não querem que você saiba”. E o público? O público, cansado, ansioso, sobrecarregado, aceita. Porque o espetáculo é mais confortável que o pensamento. Pensar cansa. Duvidar dá trabalho. Conferir fontes é um esforço que concorre diretamente com a dopamina instantânea.

Não se trata de negar riscos reais. A Terra pode, sim, ser atingida. Já foi. Será de novo, em escalas de tempo que não combinam bem com thumbnails histéricas. A ciência não promete segurança absoluta — ela promete honestidade intelectual. E isso, para o mercado do pânico, é pouco vendável. O problema não é olhar para o céu com temor. O problema é olhar para ele sem razão.

A desinformação travestida de espetáculo não quer compreender o cosmos — quer explorá-lo emocionalmente. Ela não educa; excita. Não esclarece; dramatiza. Não convida ao conhecimento; convoca ao pânico. E, no fim, o resultado é trágico e cômico ao mesmo tempo: um mundo que teme meteoros imaginários, mas ignora problemas reais; que grita “apocalipse” diante de um rastro luminoso, mas boceja diante da erosão da razão. Talvez o verdadeiro impacto não venha do espaço. Talvez ele já esteja aqui — silencioso, persistente, orbitando nossas telas, colidindo diariamente com o pensamento crítico.

E esse, infelizmente, não deixa rastro no céu.