CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

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TORRANDO NOSSO DINHEIRO

O Ministério das Relações Exteriores solta a conta gotas os gastos de Lula durante vergonhosa participação na reunião do G7, grupo das sete maiores economias ocidentais, como convidado e que nada rendeu além de fotos com acenos para o vazio.

A coluna acompanha as faturas do período em que, mais uma vez, Lula não se constrangeu e esbanjou o quanto deu. Só com intérprete para o orgulhoso monoglota petista, o esfolado brasileiro vai se virar para pagar a conta de R$ 41.979,46.

A hospedagem da equipe que prepara a chegada do presidente também custou uma fortuna: R$ 112,9 mil. Não inclui a de Lula, sempre mais cara.

A coluna antecipou o valor do aluguel das luxuosas limosines para carregar Lula para cima e para baixo: mais R$ 480 mil na nossa conta.

Também bancamos R$ 39,1 mil pelo aluguel de duas salas para reunião dos aspones.

Ainda rolou uma diária adicional, mais R$ 3,1 mil.

* * *

Eu chega se engasguei-se-me quando li esse monte de quantias contidas na nota aí de cima.

É dinheiro que só a peste.

E tudo pago pelo contribuinte!

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O SALTO DA DÍVIDA PÚBLICA FEDERAL E O RISCO PARA O FUTURO

Editorial Gazeta do Povo

editorial dívida pública

Dívida Pública Federal superou R$ 9 trilhões em maio

A Dívida Pública Federal (DPF) superou mais uma marca importante: com um aumento de R$ 234,4 bilhões apenas no mês de maio, agora ela está em R$ 9,033 trilhões, de acordo com dados do Tesouro Nacional divulgados na sexta-feira. Quase 60% da elevação registrada no mês passado se deveu à emissão de novos títulos; o restante correspondeu à incorporação dos juros ao estoque da dívida. No acumulado de 2026, a dívida pública ficou R$ 397,6 bilhões maior – alta de 4,6%. Endividando-se cada vez mais para bancar o “pacote de bondades” que ajude na reeleição de Lula, o governo federal cava um buraco ainda mais fundo e que torna mais difícil o afrouxamento monetário que o petismo vive pedindo, enquanto critica o Banco Central por ser o único que trabalha para proteger o valor da moeda brasileira.

A expansão da dívida pública calculada pelo Tesouro – que não inclui estados, municípios, estatais e os títulos em posse do Banco Central – não deve parar por aí, e uma marca ainda mais relevante deve ser atingida ainda em 2026, pois o Plano Anual de Financiamento (PAF) prevê que, no fim do ano, o estoque da dívida esteja entre R$ 9,7 trilhões e R$ 10,3 trilhões. E, embora o relatório do Tesouro não mencione outro indicador importante, a dívida pública como porcentagem do Produto Interno Bruto, um outro relatório, da Instituição Fiscal Independente (IFI), vinculada ao Senado, não permite otimismo a esse respeito.

O Relatório de Acompanhamento Fiscal (RAF) publicado na semana passada trata, entre outros assuntos, da evolução da Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) – que, ao contrário da DPF, também inclui estados, municípios e Previdência. A DBGG fechou abril em 80,1% do PIB, deve terminar o ano em 82,5%, chegar a 102% em 2032, e subir até 115% do PIB daqui a uma década, em 2036 – recorde-se que Lula subiu a rampa do Planalto, em janeiro de 2023, com uma DBGG de 71,7% do PIB, a menor porcentagem desde a recessão lulodilmista de 2015-16. “Trata-se de um nível de endividamento extremamente elevado para uma economia emergente”, diz o relatório, referindo-se às projeções; de fato, dívidas acima de 100% do PIB são típicas de países ricos, que têm mais facilidade em rolar suas dívidas e são mais confiáveis, podendo oferecer juros menores aos investidores – um perfil bastante diferente do brasileiro.

As projeções da IFI para a dívida pública já foram até piores que as publicadas na semana passada, mas continuam extremamente alarmantes. Até existe um cenário otimista no qual a DBGG se estabiliza, subindo até 85,8% em 2028 para passar a cair muito lentamente e terminar 2036 em 79,4% do PIB. Mas a concretização desse cenário exigiria um verdadeiro milagre: “um superávit primário do setor público consolidado de 2,1% do PIB ao ano para estabilizar a dívida (com crescimento real médio da economia de 2,3% e juros reais implícitos de 5,0% a.a.)”. Os juros reais, hoje, estão na casa dos 9%; o país não deve crescer mais de 2% ao ano mesmo com os estímulos governamentais para superaquecer a atividade; e superávits primários são uma impossibilidade com um governo gastador como o petista – e talvez continuem sendo inalcançáveis mesmo se Lula for substituído por um sucessor fiscalmente responsável, tantas são as despesas que estão sendo contratadas para o futuro.

Na ata de sua última reunião, o Copom mencionou explicitamente a gastança petista, ainda que não com essas palavras, ao elencar os “estímulos à demanda agregada, em particular ao componente de consumo, que tenham como resultado o crescimento da atividade econômica acima do produto potencial” entre os riscos de alta para a inflação. Governos incapazes de manter as contas em ordem são forçados a pagar juros maiores para convencer os investidores, o que por sua vez eleva a pressão sobre a dívida pública. A gastança cria uma espiral da qual fica mais e mais difícil de escapar.

PENINHA - DICA MUSICAL

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QUE DEUS TENHA PIEDADE DO BRASIL: PROIBIRAM AS FOGUEIRAS DE SAO JOÃO

Paulo Briguet

A festa de São João destaca-se por marcar o nascimento do santo, e não a sua morte ou martírio

No último dia 24, comemoramos o Dia de São João Batista, uma das festas mais tradicionais do calendário católico, especialmente no Nordeste brasileiro. Como bem observou o professor Pedro Augusto, da Paraíba, cujo trabalho acompanho há muitos anos, a festa de São João destaca-se por marcar o nascimento do santo, e não a sua morte ou martírio, como geralmente ocorre.

Segundo o Evangelho de São Lucas, a mãe de João, Santa Isabel, prima de Nossa Senhora, engravidou em idade avançada, o que levou a jovem Maria, grávida de Jesus, a viajar até a aldeia de Isabel para ajudá-la durante os meses de gravidez. Sempre que rezamos os mistérios gozosos do terço, contemplamos essa linda história de fé. Quando Maria chegou à casa de Isabel, a prima disse:

“Bendita és tu entre todas as mulheres, e bendito é o fruto do teu ventre. Donde a mim esta dita, que a mãe do meu Senhor venha ter comigo? Porque, logo que a voz da tua saudação chegou aos meus ouvidos, o menino saltou de alegria no meu ventre.” (Lc 1, 42-44)

A tradição das fogueiras de São João também está ligada a esse episódio. Como Maria morava distante, Isabel teria avisado Maria sobre o nascimento de João por meio de sinais de fumaça.

Logicamente, o Estado jamais morreu de amores por essa tradição. O burocrata logo pensa: “Famílias que fazem fogueiras para celebrar um mistério da fé? Isso não pode ficar assim”.

Eis que as “otoridades” encontraram a desculpa perfeita para acabar com essa história de fogueira junina durante a covid. Em 2020, o governo do Paraíba decretou que as fogueiras de festas juninas estavam suspensas enquantodurasse a pandemia. Fizeram o mesmo com as missas e a Eucaristia, lembram?

Chegamos a 2026, e o que aconteceu? Segundo informa o professor Pedro Augusto, o que era provisório virou definitivo: o Estado resolveu proibir as fogueiras em ambientes urbanos e pronto acabou. Famílias que há várias gerações mantinham o costume da fogueira de São João agora foram obrigadas a abandoná-lo, sob risco de sofrer as penas da lei. Doravante, se quiserem comemorar o São João em ambiente familiar, os paraibanos terão que fazer “fogueiras cenográficas” que “não soltam fumaça”. Os homens do governo determinaram que o fogo anunciador de Isabel deve ser substituído por lâmpadas de led e papel celofane vermelho com ventilador. Ah, o Estado também estimula a delação de vizinhos que porventura desrespeitem a lei.

Aos desatentos, a proibição das fogueiras pode parecer um episódio menor e irrelevante. Mas, para quem sabe que o Estado nada mais é do que a “sistematização do processo predatório sobre um determinado território”, o caso revela a verdadeira dimensão do que os políticos e burocratas estão fazendo com o nosso país em todas as instâncias da vida: eles não querem apenas o seu dinheiro e a sua obediência; eles querem aquilo que você tem de mais precioso: a sua alma.

Amanhã, quando o Estado vier proibir a sua fé, lembre-se das fogueiras da Paraíba.