JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

A DEVASTAÇÃO – ACABANDO O QUE ERA DOCE

A insanidade dos que destroem o próprio lar

Afinal, o que querem as ONGs?

Por que, de um momento para outro, resolveram lutar pela existência e estabilidade (além de muito dinheiro que conseguem dos governantes) no solo brasileiro, preferencialmente da região amazônica?

Por que essas ONGs não “tentam salvar” o Saara ou o Atacama?

Essas ONGs são todas compostas por “estrangeiros”?

Estudei Ciências Naturais no Curso Primário. Ao chegar no Curso Ginasial, ainda que fosse o mesmo assunto, Ciências Naturais recebia o nome de Botânica. Conheci, ali, ainda que superficialmente, itens da fauna e da flora. Pela primeira vez ouvi falar na Papua Guiné, onde, dizem, teria começado tudo. Ou, começado a terminar quase tudo.

Nos dias atuais, esquecemos as referências passadas e, além do tal “carbono” dominar todos os assuntos, falamos mais de biomas, etc., etc.

Por que isso?

Alguém que ler este reles texto, terá liberdade para dizer que, “Zé, o mundo mudou, e, com ele, os valores que se assomaram às descobertas”. Mas, não terá o meu “de acordo”.

Continuarei insistindo que o mundo não mudou. As pessoas, sim. E isso, para mim, jamais será a mesma coisa. Num passado nem tão distante, mundo à fora, sem excluir o Brasil, a quantidade de idiotas e imbecis era menos da décima porcentagem. Nelson Rodrigues tinha razão quando vaticinou: “o mundo será dominado pelos idiotas”.

Qual o mal que uma abelha faz para a humanidade?

Nos dias atuais, vira e mexe, conseguimos ver nas poucas árvores do perímetro urbano parasitas que nasceram a partir das sementes mal digeridas pelos pássaros que, literalmente expulsos pela devastação das florestas, procuram e acham abrigos para crescer e se multiplicar. As fezes, com a umidade, nascem, formando um visual nada agradável.

Também vemos, vez por outra, casas-ninhos de João-de-Barro construídos em engenharia magnífica em postes de iluminação elétrica ou em outros locais onde eles (os pássaros) se adequem.

E, por que isso?

Por enquanto, apenas pequenas aves tentam conseguir viver fora da floresta devastada. Mas, o que acontecerá, quando tivermos que dividir nossos espaços domésticos com jacarés, cobras, javalis e outros integrantes da fauna, considerados ferozes?

Em resumo: por enquanto estamos apenas sob ameaças. Mas, quase que diariamente, ao tomar o café matinal, tenho recebido a visita de abelhas – provavelmente por conta do cheiro que o açúcar orgânico (é o que uso, mais caro, mas o valor adicional me poupará de gastar mais com medicamentos) – ainda sem ferrão.

Isso significa para mim, que, em breve, além da “jandaíra”, espécie mais conhecida desde o meu sertão, poderemos ter a visita da “arapuá”, uma espécie difícil de ser domesticada para produção de mel. É violenta e a picada incomoda tanto quanto a picada do marimbondo.

E o mel que consumimos para fins medicinais, quem produzirá?

Mel de abelha tem importante percentual positivo na economia

EM TEMPO: Desejo aos amigos leitores e seguidores neste JBF, o mais venturoso Rèveillon, que 2024 traga saúde, Paz, prosperidade e entendimento, principalmente entre os familiares.

DEU NO JORNAL

MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

LÁ VEM 2024

Mais um pouco de paciência e 2023 vai embora. De vez. Morre integralmente deixando apenas algumas lembranças gratificantes e outras bastantes amargas. Não espere milagre porque nada mudará automaticamente, ou seja, o dia primeiro de janeiro não fará o mundo viver melhor. Guerras continuarão vigentes e outras tantas arquitetadas; corruptos continuarão no poder; inocentes continuarão massacrados pela intolerância política ou religiosa; a fome continuará assolando moradores do Nordeste brasileiro que continuarão liderando o ranking de analfabetismo no Brasil. A quantidade de beneficiários do Programa Bolsa Família continuará superando a quantidade de empregos formais no Norte e Nordeste desse país.

Teremos um ano de eleições municipais e a política do panis et circenses será a principal tônica. Basta agradar o eleitor pobre com uma obra sem muito sentido, ou aplicabilidade, e os votos choverão na urna do benfeitor. A miséria continuará gerando votos e os imbecis continuarão miseráveis tanto de patrimônio quanto de espírito.

Caramba! Vai ser pessimista assim no inferno!… pensarão alguns de vocês. Não se trata de pessimismo, mas de realismo nu e cru. As desgraças, geralmente, são sistêmicas, ou seja, atingem a sociedade como um todo, enquanto as alegrias são individuais, familiares ou fraternas. O jogador de futebol que fica no banco de reserva, não está ali torcendo pelo time. Ele torce para que o titular se machuque e quando isso acontecesse ele entrar em campo com as mãos erguidas para o alto como se suas preces tivessem mesmo sido ouvidas por Deus.

Então, o possível Feliz Ano depende do volume de esperanças que carregas contigo. É esse combustível que te move e em função dele executarás os teus atos. O mundo só vai melhorar se colocarmos a esperança a frente das decepções, mas a esperança é uma variável dinâmica: aquele que senta e fica esperando que as coisas melhorem verá, tão somente, o tempo passar diante dos seus olhos sem agregar um milésimo de segundo a ao estoque de felicidade que carregas. “Quem vive de esperança morre de fome” exatamente pela falta de ação, de movimento.

Tem outro dito popular que diz “quem espera sempre alcança”. Pode até ser verdade, no entanto, esse “nirvana” pode demorar a vida inteira. É como a árvore plantada que só recebe incentivo quando chove e não creia que “A esperança é a última que morre”. Ledo engano, a realidade mata de forma mais drástica e muitas das vezes a esperança é um embrião que se perdeu no ventre dos sonhos.

O dito “enquanto a vida, há esperança” está, nitidamente, errado. É ao contrário: enquanto há esperança, há vida porque, de fato, a esperança é, ao mesmo tempo, um ponto de apoio e uma alavanca e como disse Arquimedes “dê-me um ponto de apoio e uma alavanca e eu moverei o mundo”. Creio nisso. Nós precisamos dessa estrovenga se quisermos sair do marasmo. Se quisermos fazer acontecer, não basta falar. Se sabe fazer, faça. Não espere porque o tempo passa e sua ação pode ter sido importante no segundo anterior.

Há quem diga que a “esperança é o pão dos infelizes” e quando ouço isso, lembro tremo nas bases porque entendo que se alarga o conformismo, o entreguismo a situações de penúria porque se delega a outrem a prerrogativa de fazer algo por você. Talvez seja com base nisso que as regiões Norte e Nordeste são repletas de necessitados que acreditaram que Frei Damião traria chuva para região ou que Antônio Conselheiro estava certo quanto disse, em 1833, que o “sertão vai virar mar”. Há uma romaria intensa na região em torno de “Padim Ciço” no qual o sertanejo deposita esperanças e milagres que não existem. Não espere milagre, faça a sua parte.

“A miséria só começa quando a esperança acaba”. Isso está muito sintonizado com o tal “pão dos infelizes”. Não é assim. A miséria não é uma imposição divina. Ela é criada pelo Homem. E aí, as pessoas usam o temor de Deus, a religião, etc. para justificar a miséria e trabalhar para que ela permaneça. Não é de graça que as regiões, Norte e Nordeste, possuem mais beneficiários do Bolsa Família do que empregos formais.

Então, prezado leitor. Faça suas escolhas, baseadas nas suas convicções. Qualquer decisão sua, você será o primeiro a ser afetado. Transforme, cada dia de 2024, num altar de esperança, mas trabalhe para que haja ação.

WELLINGTON VICENTE - GLOSAS AO VENTO

A BANDA

Toda vez que a banda passa
Leva uma banda de mim.

Mote de Paulo Barba

Não sei o que aconteceu
Com o desfile e a banda
Só sei que meu peito anda
Sentindo a falta do seu.
O meu mundo entristeceu
Sem a voz do teu clarim,
Vou gastando meu latim
Nestes poemas sem graça.
Toda vez que a banda passa
Leva uma banda de mim.

Marcílio Pá Seca Siqueira

A Banda do Camarão,
Bandinha do Pé do Monte,
Hoje me servem de fonte
Onde bebo inspiração.
Tuareg’s, que emoção!
Tocava em todo festim.
Trepidant’s, meu carmim,
Labaredas, muito massa!
Toda vez que a banda passa
Leva uma banda de mim.

Wellington Vicente

DEU NO JORNAL

DALINHA CATUNDA - EU ACHO É POUCO!

ANO QUE VAI, ANO QUE VEM

Um ano está indo embora
Para novo ano chegar
A vida é sempre a mesma
Amigo pode apostar,
Cantilena de Ano Novo,
Pode mexer com o povo
Mas não chega a me embalar.

Não me passe simpatias,
Pois eu não vou aderir,
Não me diga a cor da roupa
Que eu devo ou não vestir
Posso até ir pra janela
Pois pra fogos eu dou trela
Nunca deixo de assistir.

Os abraços verdadeiros,
Eu sempre vou aceitar.
Aos amigos boa sorte
Eu sempre vou desejar.
Lamento, mas sou assim,
E quem não gosta de mim,
Não precisa me aturar.

JOSÉ DOMINGOS BRITO - MEMORIAL

OS BRASILEIROS: Oliveira Lima

Manuel de Oliveira Lima nasceu em 25/12/1867, em Recife, PE. Escritor, jornalista, crítico literário, professor, diplomata e destacado pesquisador da historia do Brasil. Antecipou temas como o feminismo, declarando: “quando as mulheres dispuserem algum dia da maioria parlamentar e do governo, a organização política será muito mais dotada de justiça social… e a legislação poderá, então, merecer a designação humana”.

Filho Maria Benedita de Oliveira Lima e Luís de Oliveira Lima, teve os primeiros estudos em Lisboa. Lá, aos 14 anos atuou como jornalista no Correio do Brazil, jornal fundado por ele mesmo. Realizou o curso de Humanidades no Colégio Lazarista e diplomou-se pela Faculdade de Letras de Lisboa, em 1887, dedicando-se aos estudos da história do Brasil. Entrou no serviço diplomático brasileiro em 1890, em Lisboa, e pouco depois foi transferido para Berlim e em seguida para Washington (1896) Por essa época publicou seus três primeiros livros: Sete anos de República (1895), Pernambuco: seu desenvolvimento histórico (1896) e Aspectos da literatura colonial brasileira (1896).

Mais tarde foi designado para Londres, onde conviveu com Joaquim Nabuco, Graça Arranha e Eduardo Prado. Integrou a primeira missão diplomática brasileira no Japão em princípios do séc. XX e atuou na Venezuela, em 1904, cuja nomeação desagradou-lhe bastante. A partir de 1907 passou a chefiar a legação do Brasil em Bruxelas, cumulativamente com a da Suécia. Em 1913 esteve perto de voltar à Londres como chefe da legação, mas foi vetado pela interferência do senador Pinheiro Machado. Além disso, era mal-viso pelo governo britânico por defender a neutralidade do Brasil na 1ª Guerra Mundial e por sua afininidade intelectual com a Alemanha.

Em 1897 ingressou na ABL-Academia Brasileira de Letras na condição de membro-fundador. Leitor voraz, possuía o terceiro maior acervo de livros sobre o Brasil. Sua biblioteca, com 58 mil livros, foi doada à Universidade Católica da América, em Washington, EUA, em 1916, com a condição que ele fosse o primeiro bibliotecário e organizador do acervo. Em 1920 mudou-se para os EUA, onde passou a lecionar Direito Internacional, em 1924, na universidade que recebeu sua biblioteca. Neste mesmo ano foi designado professor honorário da Faculdade de Direito do Recife.

Entre os livros publicados destacam-se alguns importantes para a historiografia brasileira, História diplomática do Brasil: o reconhecimento do Império (1901), A Língua portuguesa, A Literatura brasileira (1909), Secretário Del-Rei (teatro) e Dom João VI no Brasil (1909), considerado um clássico por muitos estudiosos, devido a sua importância para o rearranjo da historiografia brasileira. Alguns autores como Gilberto Freyre, Otávio Tarquínio de Sousa e Wilson Martins escreveram sobre esta obra. Nela consta fatos importantes sobre a situação internacional de Portugal em 1808, a chegada da corte no Brasil, a formação do primeiro ministério e as primeiras providências, a respeito da emancipação do Brasil.

Mais tarde, este livro deu origem a outro esmiuçando nosso processo de independência. Um grupo de historiadores publicaram, em 2021, Oliveira Lima e a longa história da independência, pela Alameda Editorial. Trata-se do registro de um evento, com o mesmo título, realizado em 10 e 11 de setembro de 2019 na Biblioteca Brasilina Guita e José Mindlin, tendo como objetivo resgatar e revalorizar a obra de Oliveira Lima numa perspectiva histórica de “longa duração”. Ao final do evento chegou-se a conclusão que ele é “o grande historiador da independência do Brasil”.

Além de suas contribuições para a História, teve forte influência no desenvolvimento da diplomacia brasileira. Tais influências foram analisadas por Maria Theresa Diniz Foster no livro Oliveira Lima e as relações exteriores do Brasil: o legado de um pioneiro e sua relevância atual para a diplomacia brasileira, publicado em 2011 pela FUNAG-Fundação Alexandre de Gusmão.

A publicação póstuma de seu livro Memórias, publicado em 1937, teve grande repercussão, devido as revelações íntimas e apreciações críticas. Após aposentar-se foi viver nos EUA, onde faleceu em 24/3/1928 e foi sepultado no cemitério Mont Olivet, Washington. Em sua lápide consta apenas a frase “Aqui jaz um amigo dos livros”.

PENINHA - DICA MUSICAL

DEU NO JORNAL

DEU NO JORNAL