ALEXANDRE GARCIA

O BRASIL DO CARRO BLINDADO É INCONCEBÍVEL PARA EUROPEUS E AMERICANOS

seguranca publica carro blindado

Carro blindado, em alguns locais, é presença comum nas ruas

Há cerca de uma semana, contei aqui sobre o casal do Ceará que encontrei em um shopping de Lisboa, e me disse que morava aqui em Portugal. Eu perguntei o motivo da mudança, e eles me explicaram uma série de questões, que haviam sido vítimas de sequestro, que lá usavam carro blindado e que só agora os filhos estão perdendo o medo e aprendendo a andar na rua, porque no Ceará iam de casa para a escola em carro blindado.

Nesta quarta-feira, recebi o depoimento de um seguidor que está nos Estados Unidos, para onde sua família se mudou – também deixando o Ceará – para fugir da insegurança pública. Ele contou que, na escola do filhinho, estavam estudando automóveis e transporte, e o menino disse aos colegas que, no Brasil, ele e a família usavam carro blindado. As crianças ficaram embasbacadas, a professora também, ninguém acreditou. Os pais foram chamados à escola, porque é grave que uma criança esteja mentindo. Mas os pais confirmaram, disseram que no Brasil se usa carro blindado, sim. Esse é o nosso país: as coisas que acontecem no Brasil são recebidas em outros países como se fossem inacreditáveis, como se fossem mentira.

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Moraes é processado não por teor de decisão judicial, mas por invadir jurisdição

Vi o depoimento do advogado da Rumble e da Trump Media, que é o advogado dos processos contra Alexandre de Moraes nos Estados Unidos. Ele explica que Moraes acabou citado, intimado por e-mail após 15 meses de tentativas pelas vias normais previstas na Convenção de Haia, mas o governo brasileiro fingiu que não via nada, para blindar Moraes. A AGU chegou a falar em contratar um escritório de advocacia por R$ 19 milhões e fazer uma defesa em inglês, mas não fez nada. O Ministério da Justiça tampouco; nem o Itamaraty, nem ninguém. Bloquearam ao contrário, impedindo a tentativa de citar. Por isso tiveram de recorrer ao e-mail. Está confirmado, então, que Moraes foi citado e terá prazo para se defender. Se não se defender, será condenado à revelia.

O crime de que Moraes é acusado é ter invadido diretamente a jurisdição dos Estados Unidos. Ele não passou pelos canais previstos na Convenção de Haia, que envolvem Ministério da Justiça, Itamaraty, Secretaria de Estado e Departamento de Justiça. Em vez disso, ele agiu como se fosse um juiz mandão da Flórida: mandou bloquear contas de dois nascidos no Brasil, um deles cidadão americano e outro com residência fixa nos EUA – ambos, portanto, sujeitos às leis americanas, assim como um americano está sujeito às leis brasileiras se estiver no Brasil. Moraes intimou diretamente as empresas americanas, ordenou bloqueios, como se fosse um juiz na Flórida. É importante explicar isso para entendermos por que Alexandre de Moraes está respondendo a um processo criminal lá nos Estados Unidos.

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Colete flutuante salvou vida de jovem desaparecida e encontrada no mar

Queria falar da Bruna Damaris Sant’anna da Silva, essa moça 26 de anos que saiu de carona em um jet ski no domingo, com um homem de 28 anos, no Litoral Norte de São Paulo; aconteceu alguma coisa, o jet ski foi encontrado no mar na segunda-feira, e ela foi resgatada na terça-feira – o homem ainda está desaparecido. Ela foi encontrada após 42 horas, a 10 quilômetros da ilha mais próxima.

Isso mostra a importância de estar com colete salva-vidas ao fazer esses esportes aquáticos, ou andar de jet ski. O colete flutuante salvou a vida dela. Ela estava com hipotermia quando foi para o hospital, mas os médicos ficaram admirados por não ter havido nenhuma grande alteração – ela não deve ter usado muito a musculatura, pois depois de um esforço muito extremo há a liberação de mioglobina, que prejudica os rins, e causa danos graves. Ela sentia muita sede, claro, mas tomou o cuidado de não beber água salgada. 42 horas no mar é muita coisa, registro aqui esse caso de resistência.

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Usar saco de lixo para esconder dinheiro da polícia é quase uma confissão

Nesta quarta-feira houve nova operação contra suspeitos de participar daquela roubalheira cruel dos velhinhos da Previdência. Foram 31 buscas e apreensões, oito medidas cautelares contra 12 pessoas no Distrito Federal, São Paulo, Paraíba e Pernambuco, ligadas a seis associações de aposentados e pensionistas. No Recife, um funcionário do INSS colocou R$ 287 mil, que tinha em casa, em sacos de lixo, para esconder da polícia. Isso já diz tudo, não precisa de explicação.

JESSIER QUIRINO - DE CUMPADE PRA CUMPADE

DEU NO JORNAL

BADALANDO NA WHITE HOUSE

Após o encontro com Donald Trump, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) retornou à Casa Branca para encontros com outras autoridades.

Incluindo o secretário de Estado, Marco Rubio, e o vice, Christopher Landau.

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Ô sujeito amostrado!!

Tirando retrato ao lado de Trumpão e falando ingrês dentro da Casa Branca!

OK, good boi e tankiu.

BERNARDO - AS ÚLTIMAS NOTÍCIAS

MAURINO JÚNIOR - SEM CRÔNICAS

A SOFISTICAÇÃO DA BURRICE ORGANIZADA

A burrice, em sua forma primitiva, raramente assusta. Ela é barulhenta, previsível, quase folclórica. Costuma apresentar-se sem disfarces: no grito desproporcional, na opinião mal digerida, na certeza produzida sem reflexão e naquele orgulho quase atlético de quem desconhece tudo e, ainda assim, fala como se houvesse sido nomeado oráculo da civilização. Essa modalidade rudimentar da estupidez é facilmente reconhecível. O problema começa quando a burrice se educa: Quando aprende vocabulário; quando descobre protocolos; quando veste terno; quando cita autores que não compreende; quando adquire cargos; quando frequenta auditórios; quando domina jargões; quando fala pausadamente; quando aprende a transformar superficialidade em método e presunção em aparência de inteligência. Aí ela deixa de ser apenas burrice. Torna-se sofisticação da burrice organizada.

Há uma diferença monumental entre ignorância honesta e estupidez institucionalizada porque a ignorância pode aprender, a dúvida pode amadurecer e o desconhecimento pode ser corrigido. Mas a burrice organizada é mais ambiciosa. Ela não quer compreender. Quer administrar. Não deseja refletir. Deseja normatizar. Não busca a verdade. Busca autoridade. Seu habitat natural não é apenas a mente individual, mas o coro. Ela prospera em ambientes onde repetir vale mais que examinar, onde consenso vale mais que raciocínio e onde a estética da convicção substitui o trabalho árduo da inteligência. A burrice solitária tropeça. A burrice organizada marcha. E marcha com uma segurança admirável: Ela redige manifestos, produz cartilhas, cria comissões, forma tribunais morais, estabelece consensos apressados, distribui certificados simbólicos de lucidez, condena heresias intelectuais e confunde volume com razão e unanimidade com verdade. É uma maquinaria surpreendentemente eficiente.

Há indivíduos incapazes de formular pensamento próprio, mas extraordinariamente talentosos em repetir o pensamento dominante com solenidade quase sacerdotal. Tornam-se especialistas em eco. Não analisam; reverberam. Pensar é exaustivo. Imitar é administrativamente mais simples. E há uma beleza tragicômica nisso. O sujeito que jamais leu profundamente determinado tema fala com feroz autoridade sobre ele. O que conhece apenas resumos distribui pareceres. O que compreendeu meia frase de um autor transforma-se em missionário intelectual de terceira mão. O que decorou terminologias técnicas acredita haver domesticado a complexidade. É a ilusão erudita do papagaio. Uma criatura verbalmente equipada e conceitualmente faminta. A burrice organizada raramente se apresenta como grotesca. Seu maior triunfo está justamente na aparência de respeitabilidade pois ela pode surgir em discursos pomposos, em burocracias autossatisfeitas, em círculos de autoelogio intelectual, em instituições que confundem tradição com infalibilidade, em grupos que chamam repetição de consciência crítica, em coletivos que chamam alinhamento de maturidade e em ambientes onde discordar passa a ser tratado como infração estética.

Ali, o pensamento começa a adoecer. Não por ausência de informação — vivemos cercados dela —, mas por excesso de certezas mal metabolizadas. O homem contemporâneo, cercado por bibliotecas, ciência, arquivos, história, filosofia, arte e acesso quase ilimitado ao conhecimento, ainda assim conseguiu realizar um prodígio melancólico: organizar a superficialidade com eficiência admirável. Criou painéis para debater o óbvio. Seminários para repetir slogans. Comitês para legitimar trivialidades. Debates onde ninguém debate. Fóruns onde todos concordam com variações decorativas da mesma ideia. É a coreografia refinada da mediocridade. Nada mais perigoso do que a estupidez que aprendeu etiqueta.

Porque a brutalidade intelectual explícita ao menos se denuncia. Mas a burrice sofisticada argumenta mal com elegância, erra com segurança, simplifica com arrogância, dogmatiza com educação impecável e sorri enquanto reduz a complexidade humana a fórmulas mastigáveis. Ela adora frases definitivas. Detesta nuance. Desconfia da dúvida. Tem alergia a ambiguidades.
Prefere sistemas fechados porque a inteligência genuína, com sua natureza inquieta e indisciplinada, sempre ameaça a estabilidade confortável dos simplistas organizados.

O espírito verdadeiramente inteligente frequentemente hesita. Examina. Revê. Corrige. Suspende juízo. Tolera incertezas.

A burrice organizada considera isso fraqueza. Ela prefere certezas musculosas. Mesmo que sejam ocas. Talvez por isso tantos grupos pareçam mais apaixonados por parecerem lúcidos do que por tornar-se lúcidos. A aparência de profundidade virou uma indústria. Há jargão sem pensamento. Militância sem reflexão. Autoridade sem estudo. Fervor sem lucidez. Convicção sem lastro. Discurso sem alma. E, paradoxalmente, tudo isso pode soar extremamente sofisticado. Mas verniz nunca foi sinônimo de substância. Senão, vejamos: Uma biblioteca não salva um tolo de continuar tolo; um cargo não converte mediocridade em sabedoria; uma plateia não absolve a estupidez; uma instituição não santifica erro repetido; uma unanimidade não corrige raciocínio defeituoso e um coro jamais substituiu consciência.

A sofisticação da burrice organizada reside exatamente nisso: sua capacidade quase genial de parecer respeitável enquanto empobrece o pensamento. Por isso, talvez uma das formas mais raras de inteligência hoje seja algo escandalosamente simples: duvidar, pensar, examinar e não ajoelhar-se diante de toda estupidez. E lembrem-se que essa estupidez, tem nove dedos.

COMENTÁRIO DO LEITOR

LEMBRANÇAS DE IAIÁ

Comentário sobre a postagem NÃO SABEM LER, MAS SABEM VOTAR

Welinton Alencar:

Tenho 72 anos no costado, e já vi e vivi coisas, que como diria minha bisavó Iaiá Alexandrina Belarmina Alencar, só Deus com jeito, pra acreditar.

Vi secas terríveis, gente com um saco vazio nas mãos querendo invadir locais onde se sabia, o Governo guardava “dicomê”; vi homens mendigando, trocando filhos, doando filhos (meu avô paterno teve dez e criou mais seis, doados pelos compadres;); vi fazendeiros trabalhando em frentes de serviço, limpando estradas ou velhos açudes em troca de um quase nada; vi muita gente arribando para nunca mais voltar, (eu fiquei 47 anos mundo a fora), e também vi a aposentadoria rural (aposentado pelo funrural, como dizia o povo), uma das medidas mais eficazes do governo militar.

Deu dignidade ao idoso rural, que de pedinte passou a ser árrimo da família. (Meu avô paterno foi um deles, o vei Adonias Alencar).

Mas também vi, esse mesmo instrumento de redenção, virar moeda de troca, fábrica de um novo tipo de sertanejo: “Sou apusentado graças ao gunverno”, recebo minha bolsa família, o gunverno paga minha luz, e ainda me dá um botijão de gás! Promode que eu vou curtir sole nas cacundas? Não matou ninguém de vergonha, mas viciou o cidadão…

Na maioria dos Estados nordestinos, segundo a imprensa, já existem mais pessoas dependentes dessas “benesses” , que com um trabalho formal.

A conta não fecha, e vai cair, ou melhor, já está caindo, no colo de quem trabalha, ou gera trabalho, imposto e renda. E só aumenta.

O que fazer não sei. Só sei que é assim com bem dizia Chicó.

E mais, temo que nada ou muito pouco vai mudar, tomando por base o Status Quo vigente.

E essa multidão de “novos escravos” vai elegendo de dois em dois anos os de sempre, ou os filhos dos “de sempre”…

Cada dia mais, me lembro de Iaiá Alexandrina.

DEU NO JORNAL

A REDUÇÃO DE JORNADA, O FIM DA ESCALA 6X1 E AS PERGUNTAS CERTAS QUE NÃO SÃO FEITAS

Editorial Gazeta do Povo

editorial redução jornada escala 6x1

É natural querer mais tempo para descanso e família, mas brasileiro também quer produzir, prosperar e ter melhores condições de vida

O governo Lula e o Congresso Nacional, não contentes em correr o máximo possível com a PEC que reduz a jornada semanal de trabalho e acaba com a escala 6×1, querem fazer o setor produtivo correr também. O plano é aprovar o projeto rapidamente – a comissão especial na Câmara dos Deputados aprovou o texto nesta quarta-feira, e na mesma noite o plenário aprovou a PEC em dois turnos, remetendo-a ao Senado – e impor às empresas um prazo exíguo, de apenas dois meses, para que a jornada semanal já seja reduzida em duas horas, de 44 para 42, com mais um ano para completar a redução para 40 horas. O formato foi acertado após acordo entre Lula e o presidente da Câmara, Hugo Motta.

Pouco importa que o prazo seja ainda menor que o originalmente previsto até mesmo nas propostas de parlamentares de esquerda, e que uma alteração tão drástica seja extremamente difícil de executar em tão pouco tempo sem causar uma disrupção severa nas cadeias de produção, distribuição e comercialização. O objetivo é apenas um: fazer com que o eleitor sinta na pele o benefício de trabalhar menos ganhando o mesmo salário, ainda antes que vá às urnas em outubro, para que assim possa recompensar os muitos pais da criança – a começar pelo principal deles, o presidente da República que busca a reeleição.

Mas a pressa também serve a outra finalidade: impedir que o brasileiro trabalhador, aquele que será diretamente afetado pelas mudanças, comece a se fazer as perguntas certas. O apoio popular à PEC que reduz a jornada e acaba com a escala 6×1 é enorme, e não poderia ser diferente: quando alguém é questionado se gostaria de trabalhar um pouco menos, sem deixar de receber menos por isso, quem haveria de dizer que não? É natural querer mais tempo para a família, o descanso, o lazer, os hobbies. Mas e se os institutos de pesquisa perguntassem se as pessoas querem mais oportunidades de crescer, de prosperar economicamente, de dar uma vida melhor para si mesmos e para suas famílias – inclusive para aproveitar melhor os momentos de folga –, a resposta não seria ainda mais positiva?

E, com essa resposta em mãos, viria em seguida outra pergunta: a imposição (eis o termo fundamental, pois não estamos falando do resultado de negociações livres entre patrões e empregados, intermediada por sindicatos) da escala 5×2 e a redução forçada do número semanal de horas trabalhadas levará à prosperidade que o brasileiro trabalhador deseja para si e para sua família? Os defensores da PEC estão vendendo uma ilusão: a de que o brasileiro será capaz de produzir mais riqueza trabalhando menos, nas mesmíssimas condições que ajudam a emperrar a produtividade do trabalhador – que no Brasil é muito inferior à de países que também reduziram suas jornadas de trabalho. E desejam que essa ilusão seja mantida ao menos pelo tempo necessário para que triunfem eleitoralmente usando a redução da jornada como trampolim.

Menos trabalho, multiplicado pela mesma produtividade, resulta em menos produção e renda. Por outro lado, o custo do trabalho será elevado, e só os adeptos da escola janjista de economia acreditam que essa elevação não será repassada, ao menos parcialmente, aos preços finais. Por fim, o risco de demissões de funcionários mais “caros”, substituídos por outros cujo custo por hora seja menor, não é nada desprezível. O setor produtivo tem se cansado de alertar os parlamentares e a sociedade, com estudos mostrando o efeito da PEC sobre a inflação e o emprego, mas tem sido ignorado.

Como ninguém pergunta o que o brasileiro realmente prefere (prosperar e ter uma vida melhor), e muito menos como concretizar esse desejo (criando condições para elevar a produtividade), a população acaba enganada por uma proposta simpática à primeira vista, mas que reduzirá oportunidades no médio e longo prazo – se não o fizer já no curto prazo. Trabalhar melhor para produzir mais e, então, pensar em trabalhar menos foi o caminho dos países ricos; o Brasil, em vez disso, escolhe um atalho que não nos levará a lugar nenhum.

PENINHA - DICA MUSICAL

BERNARDO - AS ÚLTIMAS NOTÍCIAS

DEU NO X