PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

AO VENTO – Florbela Espanca

O vento passa a rir, torna a passar,
Em gargalhadas ásperas de demente;
E esta minh’alma trágica e doente
Não sabe se há-de rir, se há-de chorar!

Vento de voz tristonha, voz plangente,
Vento que ris de mim sempre a troçar,
Vento que ris do mundo e do amor,
A tua voz tortura toda a gente! …

Vale-te mais chorar, meu pobre amigo!
Desabafa essa dor a sós comigo,
E não rias assim ! … Ó vento, chora!

Que eu bem conheço, amigo, esse fadário
Do nosso peito ser como um Calvário,
e a gente andar a rir pla vida fora!! …

Florbela Espanca, Vila Viçosa, Portugal (1894-1930)

DEU NO X

LAUDEIR ÂNGELO - A CACETADA DO DIA

SEVERINO SOUTO - SE SOU SERTÃO

DEU NO X

MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

BOLSA FAMÍLIA

Li alguns comentários sobre o Nordeste, aqui no JBF, onde havia referências ao bolsa família, a região sul etc. Sem dúvida nenhuma, falo como pesquisador/economista/professor, os dados do governo mostram que na região Nordeste, o número de beneficiários do bolsa família superam a quantidade de empregos formais. Eu estava com uma proposta de orientação de uma dissertação sobre o bolsa família, mas a mestranda desistiu de minha orientação (diga-se: a primeira em minha vida como professor, que alguém desistiu dos meus conhecimentos). Caso essa dissertação tivesse sido encaminhada, teríamos um trabalho coeso, isento de paixões políticas e de doutrinação e com resultados importantes.

Eu acreditei muito nessa proposta e depositava as esperanças numa análise econômica considerando os efeitos sobre o consumo, o impacto na previdência e a contribuição para o crescimento econômico, não apenas da região, mas no país. Na minha cabeça, eu tinha alguns modelos que poderiam ser testados, mas infelizmente ficou esse vazio em minha trajetória.

Eu concordo com um comentário de que o nordestino não recebe bolsa família por preguiça, mas entendo que existe uma leniência muito grande em se sentir agradecido e dar votos os canalhas que usam de recursos dessa natureza para manter a pobreza. Concordo com a lógica de que o beneficiário prefere a econômica informal (a dissertação ia tratar disso também). Eu imaginei que com essa orientação, era possível testar algumas boas hipóteses. O mercado produtivo nordestino tem uma característica diferente do que temos no Sul e Sudeste. Aqui prevalece mais agricultura, comércio e serviços, enquanto no Sudeste e no Sul, há uma tendência maior de indústria e uso exaustivo de tecnologia, que é um produto fantástico. Imagine, por exemplo: quantos caminhões de banana teriam que ser vendidos para se comprar uma iphone 17 (R$ 6.000,00)?

No Sul ou Sudeste, sai de um emprego, ele busca outro na mesma atividade. No Nordeste ou Norte, a coisa fica em torno das atividades comerciais, prestação de serviços ou o próprio setor público. O estado do Maranhão é o maior descalabro em termos do uso nefasto dessa política: lá, para cada um emprego formal, tem dois beneficiários do bolsa família. O estado apresenta os piores indicadores sociais do país.

Em 2017, eu publiquei um artigo sobre os financiamentos do BNDES na região Nordeste entre 2002 e 2017 (quem tiver interesse pode consultar através do link Revista Paranaense). Esse artigo mostra que do total de financiamentos realizados 73% são destinados ao setor de comércio e serviços, aqui considerando-se aquilo que a gente chama de indústria do turismo que tem alta empregabilidade e uma cadeia produtiva interessante porque envolve transporte, lazer, restaurantes etc.

Não dá para comparar com o que acontece no Sul ou Sudeste. O estado de Pernambuco, o velho Leão do Norte, era a maior economia do Nordeste. Na região metropolitana do Recife, haviam três grandes parques industriais: ao norte, Paulista; ao oeste, o bairro do Curado, na entrada da cidade pela BR 232 e ao sul, o bairro de Prazeres (Jaboatão dos Guararapes) e Cabo de Santo Agostinho. As indústrias que constituíam estes parques eram do porte da Phillips, Tintas Coral, Pirelli, Hering, Aço Norte Gerdau.

O que havia em comum com estas indústrias? Todas elas receberam incentivos fiscais da SUDENE por um período de 30 anos, algo como um desconto nos impostos sobre produção da ordem de 75%. Em termos de benefício, era fantástico produzir aqui e escoar a produção para vender pelo preço do mercado no Sudeste. Daí, 30 anos passaram rápido e estas empresas fecharam suas portas. O custo de produção mais a colocação do produto no mercado ficou sem competição econômica.

Não tem como a gente desenvolver o país sem levar em conta as diferenças regionais. Pegue dados do Tesouro Nacional, e veja que estados da região sul arrecadaram, em 2025, mais do que a soma da arrecadação dos estados nordestinos. Só Santa Catarina arrecadou mais do que Sergipe, Alagoas e Rio Grande do Norte, juntos. Mas, isso não é apenas pela empregabilidade da mão de obra ou pela baixa adesão ao bolsa família (em Santa Catarina, por exemplo, a relação entre beneficiários do bolsa família e empregos formais é 0,64, a mais baixa do país).

O ponto principal é o tipo de produto que produzido. A região tem forte atuação no plantio de soja que é uma comodity, que é valorada na bolsa de futuros. A região tem um desenvolvimento tecnológico e, como disse lá em cima, tecnologia é valor de mercado.

Eu acredito que a orientação política e a herança do coronelismo, dos feudos, gera esse comportamento de carência no Nordeste. Aqui em Pernambuco, por exemplo, nas eleições de 1982, o governador eleito – Roberto Magalhães – era de direita. Depois dele, os únicos govenadores de direita foram Gustavo Krause, Joaquim Francisco e Mendonça Filho e estes governaram por 9 meses. Mendonça Filho foi vice de Jarbas Vasconcelos e tentou a reeleição, mas foi derrotado por Eduardo Campos.

Em Pernambuco tivemos: Miguel Arraes (8 anos), Jarbas Vasconcelos (6 anos), Eduardo Campos (8 anos), Paulo Câmara (8 anos) e Raquel Lyra (esta vincula sua campanha ao atual presidente da república e tenta a reeleição). O que me admira é não perceber o mal que esse pessoal faz e votar neles. João Campos, por exemplo, concorre ao governo. Dá para ser feliz?

DEU NO JORNAL

APOIOS

A candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) ao Palácio do Planalto vai ganhar reforço internacional, o presidente da Argentina.

Javier Milei anunciou que vem ao Brasil apoiar o aliado.

Tem data: 25 de julho.

* * *

E Maduro, lá na cadeia americana, vai gravar também um vídeo.

Em apoio à candidatura do seu parceiro brasileiro.

Trump já autorizou a gravação.

JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

A REVOLUÇÃO DOS CURURUS

Bola de Neve o cururu líder da “revolução”

Nascido Eric Arthur Blair no dia 25 de junho de 1903 na Índia, mas, famoso e mundialmente conhecido pelo pseudônimo de George Orwell, o autor do livro best-seller traduzido para a língua portuguesa com o título de “A revolução dos bichos” é motivação e inspiração para revoluções.

Perseguidos durante anos por “Napoleão” (Napoleon) os bichos foram aprisionados numa espécie de “Papudinha” existente na selva, pelo simples fato de reclamarem a escassez da ração.

Foram enganados e presos. A partir de então, a ração passou a ser apenas uma vez por dia e, ainda assim, apodrecida.

A humilhação, o sofrimento e a perseguição foram tamanhas que, “do nada”, apareceu “Bola de Neve” disposto a liderar um levante sem fim e sem medição das consequências: o movimento ficou conhecido como “A revolução dos cururus”.

Eu, Zé Ramos (conhecido apenas entre os familiares, pelo pseudônimo de “Zé Alfredo”) nascido não na Índia, mas entre eles com descendência materna dos índios Paiakus, vou lhes contar em poucas linhas os dias que antecederam, como aconteceu e as consequências dessa “cururuzada”.

Bola de Neve “convencendo” a perereca

Lembro ainda que era noite. Chovia. Aquela chuva fininha, mas que molha muito. Principalmente o chão de terra “regando” as plantas. Por volta da meia-noite a chuva cessou.

Como trombetas anunciando algo, as cigarras começaram a cantar. Foram seguidas pelos grilos e, como marcação orquestral ouvia-se o coaxar dos sapos. Era o sinal para a luta contra as tiranias de Napoleão. Ninguém ali o suportava mais.

Foi quando Bola de Neve, o mais antigo e maior cururu da Papudinha, resolveu esquecer a perereca com a qual se multiplicava por instantes, e resolveu organizar aquela cururuzada para que a Revolução tivesse êxito.

Todos os sapos, bichos e afins à luta.

“Chega de injustiça. Queremos tratamento e ração diferenciada. Temos esse direito. Tudo está consagrado pela nossa constituição aprovada no dia 22 de setembro de 1988, e promulgada no dia 5 de outubro do mesmo ano” – bradava Bola de Neve!

Mas, Napoleão, o tirano, por inúmeras vezes invadiu o matagal, ofendia os bichos e até jogava água de sal nos cururus, depois de inúmeras vassouradas como castigo. Sempre determinando um prazo de 48 horas para que todos se humilhassem.

A hora dele havia chegado!

Bola de Neve orientando um dos muitos soldados da Revolução dos Cururus

Eis que o destino final do tirano Napoleão começava a ser desenhado.

Do outro lado do rio de águas caudalosas, havia uma selva repleta de ocupantes esclarecidos e poderosos. Eles também tinham entre si, o seu Bola de Neve, com características diferenciadas. Ele era quase “albino” e tinha entre os auxiliares alguém de extrema confiança e conhecedor das falcatruas e perversidades de Napoleão. Os dois se identificaram muito com Bola de Neve. Se tornaram amigos confiáveis e agiram rápido.

Traçaram as ações e nelas tiveram o apoio total de Patinhas, o multimilionário que vivia encantado com outros planetas.

Foram à travessia das águas caudalosas do rio e atravessaram até com muitas facilidades. Prometeram ações diversas para o começo de outubro.

Pelo visto, sem contar a tremedeira, o tirano Napoleão encontrou panos para as mangas das camisas.

COMENTÁRIO DO LEITOR

UM SER QUE EXTRAPOLA A SENSATEZ

Comentário sobre a postagem QUE PENA… OS CONSERVADORES SÃO MAIORIA…

Mauro Pereira da Silva:

O ser esquerdista é imediatamente reconhecido pela sua manifesta condição de tentar burlar a inteligência daqueles que pensam diferente dele.

Ardiloso, representa com competência o patético papel de pessoa normal.

Na verdade, trata-se apenas de uma entidade movida pelo ódio, pela soberba e pela psicopatia.

O ser esquerdista extrapola a sensatez e consegue se perder na cotidiana aventura humana de ser um ser.

Às vezes sou surpreendido pela dúvida sobre a essência de sua condição humana.

Fica difícil recorrer até mesmo à regra da exceção.

Mas deve haver.

Creio.

WELLINGTON VICENTE - GLOSAS AO VENTO

A MÃO DO TEMPO

A mão do tempo rasgou
Meu manto de ilusão.

Mote de George Alves (Major)

Sem querer o tempo furta
A juventude da gente,
E o vigor de antigamente
Cada dia mais encurta.
A vontade anda curta
Para brincar no colchão,
Que o gás da disposição
Parece que evaporou,
A mão do tempo rasgou
Meu manto de ilusão.

Jr. Adelino

Meus castelos fictícios
Um a um desmoronaram,
Os anos duros mostraram
Incontáveis sacrifícios.
Hoje rezo meus Ofícios
Implorando a Deus perdão,
Quando feri meu irmão
Meu íntimo também chorou.
A mão do tempo rasgou
Meu manto de ilusão.

Wellington Vicente