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DEU NO JORNAL

O NOVO VELHO PROTECIONISMO

Editorial Gazeta do Povo

Alckmin e Lula, que tomarão posse em 1 de janeiro

O presidente Lula e o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), também ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços

Em sua incansável busca por retomar políticas atrasadas e que no passado se mostraram desastrosas para a economia brasileira, o governo petista acaba de anunciar, com toda pompa e circunstância, a chamada “Nova Indústria Brasil” (NIB), que de nova não tem nada, ao contrário. A proposta apenas resgata o papel do Estado como indutor do desenvolvimento industrial – algo já experimentado nas gestões petistas anteriores e que nunca se mostrou eficaz.

Supostamente com o objetivo oficial de “estimular o desenvolvimento produtivo e tecnológico, ampliar a competitividade da indústria brasileira, nortear o investimento, promover melhores empregos e impulsionar a presença qualificada do país no mercado internacional”, a NIB é, basicamente, um grande pacote protecionista. Ao menos por enquanto, não há previsão de nenhuma ação concreta para resolver os graves entraves ao empreendedorismo nacional, o que seria indispensável numa política pública realmente séria e compromissada com o setor produtivo.

O plano prevê a disponibilização recursos não reembolsáveis, ações regulatórias e de propriedade intelectual, além de uma política de obras e compras governamentais que priorizam empresas nacionais – mesmo quando apresentarem maior custo se comparado a empresas estrangeiras. Empresas brasileiras também terão linhas de crédito com condições mais favoráveis que as do mercado para que possam assumir obras do Novo PAC, outro programa ressuscitado de governos petistas anteriores, e que ficou conhecido pela quantidade de obras atrasadas ou inacabadas e irregularidades nos projetos.

Ora, tais medidas passam longe de oferecer um real e duradouro incentivo à indústria nacional. Se protecionismo fosse a solução, o Brasil já teria de ser referência em relação à qualidade de seus automóveis, uma vez que o setor automotivo há décadas é um dos campeões quando se trata de benesses governamentais, ou de informática, alvo de medidas protecionistas desde a década de 1990.

Os reais problemas do setor produtivo se referem a questões bem conhecidas como a precariedade na infraestrutura de transportes, armazenagem, energia, portos e aeroportos, falta de liberdade econômica, a elevada carga tributária, o ambiente jurídico lento e instável, a legislação trabalhista complicada, a burocracia sufocante, a baixa produtividade, o precário incentivo à inovação, e a instabilidade macroeconômica, quase sempre causada pela adoção de políticas econômicas equivocadas. Para resolver esses gargalos é que o Estado deveria trabalhar.

Mas o lulopetismo opta pelo caminho mais fácil, conveniente e pernicioso, adotando mais subsídios e protecionismo, que só ajudam a manter o setor estagnado e dependente da boa vontade governamental, além de estimular a ineficiência, a baixa produtividade e os preços mais altos. Seria ingenuidade acreditar que uma empresa vá investir em inovação, buscando produzir mais, melhor e com menor preço, quando sabe que sua fatia no mercado já está garantida e que, mesmo vendendo mais caro que uma empresa estrangeira, o governo sempre estará disposto a comprar sua produção. A Nova Indústria Brasil nada tem de nova; é mais do mesmo atraso que vem sendo a tônica do governo Lula 3.

PENINHA - DICA MUSICAL

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

NONATO FREITAS – BRASÍLIA-DF

O FUTEBOL – ARTE DE VOLTA AO BRASIL?

Sou do tempo em que os craques de futebol no Brasil jogavam com o ouro em pó da arte faiscando no bico das chuteiras. Os jogos alcançavam um nível de refinamento tão impressionante que a imprensa costumava dizer que o futebol do Brasil era de outro planeta.

Na Copa de1982, apesar da desclasificação para a Itália, o Brasil, mais uma vez, encantou o mundo.

Depois de mais uma exibição de gala de nossa Seleção, um jornal do exterior deu a seguinte manchete: “O Brasil joga sem despentear o cabelo”.

Esse requinte começa com a “Seleção de Ouro” de 1958, quando nos sagramos campeões do mundo pela primeira vez. O ataque do Brasil era demolidor: Garrincha, Didi, Vavá, Pelé e Zagalo. Lá atrás, o destaque ficava por conta de Djalma Santos, Zito e Nilton Santos. Sem esquecer os méritos do goleiraço Gilmar e dos eficientes zagueiros Orlando e Belini.

Na Copa de 1962 o Brasil repetiu a brilhante campanha de 58, conquistando o bicampeonato. O time era quase o mesmo. Houve apenas três alterações. Belini cedeu o lugar para Mauro,

Zózimo entrou na vaga de Orlando, enquanto Amarildo, de apenas 21 anos, assumiu a grande responsabilidade de substituir Pelé, que sofrera uma grave distensão na virilha, no segundo jogo do Brasil na Copa, contra a então Tchecolosváquia.

O tricampoeonato veio em 1970, com aquela que é considerada a melhor Seleção da história.

A bem da verdade, o futebol do Brasil começou a despertar a atenção do mundo a partir da Copa de 1938, com as jogadas geniais de Leônidas da Silva, tão espetacular quanto Pelé, conforme alguns historiadores.

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ALEXANDRE GARCIA

PONTE PARA O FUTURO

A nova Ponte de Ferro sobre o Rio das Antas, no município gaúcho de Nova Roma do Sul.

A nova Ponte de Ferro sobre o Rio das Antas, no município gaúcho de Nova Roma do Sul

Todos vimos as imagens da ponte sendo levada pelas águas do Rio das Antas, em 4 de setembro. No último sábado, 138 dias depois, a ponte estava de novo ligando os municípios de Farroupilha e Nova Roma do Sul. A ponte de ferro original havia sido aberta em 4 de outubro de 1930, um dia depois do início da revolução que levou Getúlio Vargas ao poder. Agora ela mostra a vontade férrea de gaúchos da região, que não esperaram pelo governo. O governo não tinha data para pôr a ponte no lugar, mas orçava R$ 22 milhões para as obras. E prometia uma ponte nova, em outro lugar, por R$ 51 milhões. A população recuperou a ponte e a melhorou por R$ 5,6 milhões. Dinheiro de doações de empresas, rifas, eventos beneficentes e pix aberto. A força da população somou R$ 8,6 milhões. Sobraram quase R$ 3 milhões para decidirem como vão aproveitar o saldo.

A inauguração foi festiva, com discursos, comes e bebes, bênção do padre e testemunhos lembrando que políticos que oferecem emendas descontadas de 5% ou 10% não apareceram. Imagino se algum ministro ou o governador fosse lá, a vaia que haveria. Representando a Associação de Amigos de Nova Roma do Sul, que tem 200 participantes, um orador que fez a prestação de contas lembrou que a ponte será um repositório dos valores humanos da região, um monumento à força dos que fazem a nação, a despeito de o Estado que arrecada estar ausente. Lembrou aqueles que, na noite de Natal, trabalhavam na montagem da ponte, dos aposentados que compraram rifas, de todos os que se sentiam responsáveis pela ponte e depositaram seu pix. Houve leilão para saber quem passaria primeiro pela ponte. Ganhou a Associação dos Amigos de Pinto Bandeira, que atravessou a ponte gloriosamente empurrando uma Rural Willys.

A ponte também lança a compreensão sobre dois entes: a nação, e o Estado que a representa e que existe para servi-la. No Brasil de hoje, águas turvas levaram a ponte que deveria existir ligando os dois. O Estado parece que tem vida própria, quando a vida verdadeira está na nação, como o povo do Vale das Antas demonstrou. O que o povo arrecada é em troca de bens e serviços, em relações voluntárias. O que o Estado arrecada é pela coerção e deveria ser para a prestação de bons serviços de justiça, segurança, ensino, saneamento básico, saúde e infraestrutura, como pontes. No Estado, todos são servidores do público, inclusive os que o representam pelo voto. Não deveriam ter privilégios, mais férias, melhores aposentadorias; não poderia ser uma casta. Não poderiam ser diferentes dos que pagam impostos em tudo que compram e nomeiam seus representantes pelo voto.

O que aconteceu sobre o Rio das Antas não é inédito. Lembro-me de que agricultores em Guarantã do Norte, divisa entre Mato Grosso e Pará, também tomaram a iniciativa. A BR-163 estava intransitável. Políticos criaram emendas de milhões, mas elas não chegavam à estrada. Então se reuniram, arranjaram máquinas e com R$ 90 mil tornaram o trecho transitável. Será que o Estado brasileiro não fica com vergonha, ou apenas vai alegar que as licitações é que consomem muito tempo? Mas o que consome tanto dinheiro dos nossos impostos? Por que a mesma obra, tocada por particulares, custa uma quarta parte do preço? Enfim, lá no palco improvisado na cabeceira da ponte, projetaram ao fim da inauguração um estribilho do Hino Rio-Grandense que diz: “Sirvam nossas façanhas / de modelo a toda terra”.

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PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

PÁGINA VAZIA – Euclides da Cunha

Quem volta da região assustadora
De onde eu venho, revendo, inda na mente,
Muitas cenas do drama comovente
De guerra despiedada e aterradora,

Certo não pode ter uma sonora
Estrofe ou canto ou ditirambo ardente
Que possa figurar dignamente
Em vosso álbum gentil, minha senhora.

E quando, com fidalga gentileza
Cedestes-me esta página, a nobreza
De nossa alma iludiu-vos, não previstes

Que quem mais tarde, nesta folha lesse,
Perguntaria: “Que autor é esse
De uns versos tão mal feitos e tão tristes?”

Euclydes Rodrigues Pimenta da Cunha, Cantagalo-RJ, (1866-1909)