DEU NO X

JOSÉ DOMINGOS BRITO - MEMORIAL

OS BRASILEIROS: Noel Nutels

Noel Nutels nasceu em 1913, na Ucrânia. Médico, etnólogo e indigenista, esteve na famosa “Expedição Roncador-Xingu”, junto com os irmãos Villas-Boas, em 1943, explorando o interior do País. Foi médico do SPI-Serviço de Proteção ao Índio, atual FUNAI e pioneiro no combate a malária e tuberculose no Brasil.

A família mudou-se para a Europa com o recém-nascido visando escapar da perseguição aos judeus durante a I Guerra Mundial. Mas o destino era o Brasil, onde foram morar em São José da Lage, AL. Em seguida estudou em Garanhuns, PE e mais tarde a família mudou-se para o Recife, onde foi estudar medicina e formou-se em 1938, ano em que se naturalizou brasileiro. Pouco depois mudou-se para Botucatu, SP para trabalhar no Instituto Experimental de Agricultura.

Em 1943 integrou a primeira Expedição Roncador-Xingu, junto com os irmãos Villas-Boas, e passou a se dedicar à defesa dos índios e à erradicação das doenças oriundas do contato a “civilização”. Em 1957 idealizou e dirigiu o SUSA-Serviço de Unidades Sanitárias Aéreas no âmbito do Ministério da Saúde. Utilizou a infraestrutura do correio aéreo para chegar a cidades onde não havia assistência médica. Seu feito maior foi criação do Parque Nacional do Xingu, no Mato Grosso, junto com os Irmãos Villas-Boas, em 1961. Foi a primeira terra indígena homologada pelo governo federal.

Pouco depois foi nomeado diretor do SPI no nos anos 1963-1964. Sua filha conta que ele costumava comparar o índio brasileiro com povo judeu. “A comunidade judaica existe até hoje porque soube preservar sua cultura. O Índio não conseguiu fazê-lo. Um povo sem cultura é marginalizado”. Além do trabalho de assistência aos índios, lecionou em diversas universidades nacionais e estrangeiras e deixou mais de 50 trabalhos científicos publicados em revistas especializadas.

Foi acometido por diversas malárias e ainda jovem, aos 59 anos, em 10/2/1973. Na mesma semana seu amigo Carlos Drummond de Andrade dedicou-lhe sua coluna no Jornal do Brasil: “Valeu? Valeu a pena / teu cerne ucraniano / fundir-se em meiga argila brasileira / para melhor sentires / o primitivo apelo da terra”. Em Manaus foi homenageado com seu nome dado a avenida ligando as zonas Norte e Leste e no Rio ao LACEN-Laboratório Central de Saúde Pública do Rio de Janeiro Noel Nutels. Algumas escolas públicas e logradouros receberam seu nome.

Sua trajetória de vida inspirou Orígenes Lessa a escrever o romance biográfico O Índio cor-de-rosa: Evocação de Noel Nutels, publicado em 1978 pela Editora Codecri e vem sendo reeditado pela Ed. Record. Mais tarde, a mesma trajetória rendeu outro romance biográfico. Moacyr Scliar publicou A Majestade do Xingu, em 1997, enaltecendo seus feitos junto aos índios. Bem antes destas memórias romanceadas, Antonio Houaiss cuidou de organizá-las e publicou Noel Nutels: Memórias e depoimentos, lançado em 1974 pela Editora José Olympio.

Em 2019 o título do livro de Origenes Lessa -e seu apelido dado pelos amigos- foi adotado no filme-documentário O Índio cor de rosa contra a fera invisível: a peleja de Noel Nutels, dirigido por Tiago Carvalho e lançado pela Fiocruz Vídeo. Foi apresentado no Festival Biarritz, na França, onde obteve o prêmio de melhor documentário e encontra-se à disposição na Internet/Youtube.

DEU NO X

WELLINGTON VICENTE - GLOSAS AO VENTO

POETAS CANTADORES

Não há poeta pequeno
Em noite de inspiração.

Mote de José Lucas de Barros

As musas descem voando
Em direção ao poeta
Que sem saber se projeta
Em tudo que está cantando
A platéia admirando
O poder de criação
Do matuto do sertão
Devoto dO Nazareno.
Não há poeta pequeno
Em noite de inspiração.

As palmas são combustível
Para o vate violeiro
Cada canto do terreiro
O aplaude em alto nível
Parece que um dirigível
O guia em cada canção,
O vento presta atenção,
O calor se torna ameno,
Não há poeta pequeno
Em noite de inspiração.

Os matutos e doutores
Dos setores mais diversos
São levados por seus versos
Às paisagens multicores
As lembranças dos amores
Guardadas no coração
Retomam a ebulição
Mesmo no frio sereno.
Não há poeta pequeno
Em noite de inspiração.

DEU NO X

DEU NO JORNAL

FERNANDO ANTÔNIO GONÇALVES - SEM OXENTES NEM MAIS OU MENOS

UMA SÁBIA REFLEXÃO

O escritor Georges Bernanos, francês de índole católica, dizia que “nada é mais ridículo do que um velho enrabichado.” E Alceu Amoroso Lima, o extraordinário Tristão de Athayde, complementava: “Nada mais contra a natureza das coisas e aos olhos de Deus do que a velhice inconformada com a morte.” Morremos muitas vezes ao longo da nossa existência: quando um amigo se vai, diante dos punhais cravados pelos parentes aparentes, pelas animalidades cometidas pelos amigos de mentirinha ou quando as arrogâncias corroem um debilitado humanismo século XXI. Ao longo das nossas vidas, diante da inexorabilidade da eternização, tomamos quatro atitudes diferentes. Quando crianças, a morte nos é indiferente. Nutrimos por ela uma curiosidade idêntica às demais sentidas diante do imprevisto. Nenhum valor específico lhe atribuímos, posto que ela não provoca qualquer reação mais profunda. Um acidente da vida como outro qualquer. O escuro, quando se é criança, provoca muito mais medo que a própria morte. Para não falar das almas do outro mundo. Brinca-se até de morto como se brinca de bandido ou de mocinho. Ou de professor. Ou de dona de casa, as meninas-da-casa fazendo comidinha para as meninas-visitas, as mais gulosas.

Na adolescência, principiamos a pensar na morte. Idealizamos a morte, mitificamos a morte. E começamos a pensar na própria morte. E principiamos a morrer, diante dos primeiros desmoronamentos provocados em nosso castelo-derredor. Mas ainda encaramos a morte como final de uma aventura, sem tropeços nem maldades, apenas coroamento, sem as pedras do caminho. Na juventude, a morte torna-se companheira quase brincante. Conceito romântico, substituindo a indiferença da primeira idade.

A inimizade se inicia na porteira da maturidade. A morte torna-se a maior inimiga, temida, mais analisada, filosófica e religiosamente. A indagação de São Paulo inquieta: “Morte, onde está tua vitória?” A morte é término ou passagem? Túmulo ou túnel, como magistralmente o saudoso Pastor Campos, o pai da amiga Pérola, costuma dizer em suas pregações. Com crença ou sem ela, a agonia da morte se torna presente e o viver um contínuo e resoluto foco de resistência.

No último quadrante da vida, entretanto, “a mesa está posta e a cama feita”, como nos dizia o poeta Bandeira, que vivia aos trancos e barrancos com a Última Dama. Nessa fase, exige-se serenidade, capacidade de rever caminhadas menos felizes, emergindo a convicção de que bem outras seriam algumas das estratégias tomadas. se os fatos fossem encarados com a mentalidade dessa fase da vida. Creio que a concepção da morte é determinada pela concepção que se faz da vida. Superar a morte, eis o desafio maior dos libertos dos encantamentos supérfluos, das prestimosidades dos lambetas, das pantufas sabichonas, dos burregos tecnocratas que desconhecem os valores de uma sociedade emergente e dos recalcados recalcitrantes, que se imaginam eternas vítimas, cordeirinhos imolados de um mundo que não os compreende devidamente. Sem falar dos azedos – homens, mulheres e demais gêneros – que imaginam sempre estar em ambientes europeus, reinos se possível, os daqui nada mais sendo que peças fétidas de um contexto de ofuscados pelas suas “luminosidades.”

Sejamos metamorfoses ambulantes pensantes sempre, para compreendermos bem a significância do que existe do outro lado do mundo existencial.

PENINHA - DICA MUSICAL

DEU NO JORNAL

MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

A IGREJA E SEU PAPEL – PARTE 1

Ao pronunciarmos a palavra “igreja” ergue-se, imediatamente, diante de nós a Igreja Católica. Ela imperou desde Cristo e somente no século XVI, Martim Lutero, ex sacerdote católico, instituiu a Reforma Protestante trazendo 95 teses que contestavam o poderio da Igreja e a infalibilidade do Papa. Obviamente, com a Reforma Protestante surgiram interpretações diversas que gerou subdivisões como as igrejas hoje conhecidas como Assembleia de Deus, Batista, Presbiteriana, Pentecostal e mais recentemente surgiram as neopentencostais que visam, apenas, a exploração do povo e nas quais os pastores e pastoras não se envergonham de tirar dinheiro dos miserais.

Essa ramificação imoral e exploratória se solidificou com a Igreja Universal de Edir Macedo, mas o R. R. Soares, salvo engano genro de Macedo, veio com a Igreja Internacional e depois outras com Igreja do Evangelho Quadrangular, Renascer e mais recentemente vi Danilo Gentile entrevistar um pastor cuja igreja se chamava Picas das Galáxias. Segundo ele, era necessário ter um nome que demonstrasse a grandeza como “Universal”.

O fato é que a igreja, seja ela com “i” maiúsculo ou “i” minúsculo, se distanciou soberanamente do Cristo. Imagina, você: um cara que pregou o amor, o perdão, que mudou a contagem do tempo (antes de Cristo, depois de Cristo) jamais pregaria a violência ou a tomada do poder pelas armas. Uma figura, que ao meu ver, é injustiçada na história cristã é Barrabás. Pelo que já pesquisei sobre ele, eu o vejo como um cara que acreditava que o “messias” ia usar armas para derrotar o império romano. Essa minha curiosidade veio com o filme Jesus de Nazaré, de Franco Zeffirelli. Outra figura injustiçada é Madalena. Nunca foi puta como se pregou a vida toda.

O domínio da Igreja, questionado por Lutero, se impôs através do terror. As cruzadas deixaram rastro de mortes em nome de Deus. A Inquisição condenou tocou fogo em muita gente, dentre as coisas Joana D´Arc e quase acendia um lampadário de ignorância queimando Galileu que, sabiamente, preferiu continuar suas pesquisas e trazer lucidez à ciência.

Uma das questões mais importantes no catolicismo é o celibato. A Igreja Católica trata Pedro, o apóstolo, como seu primeiro Papa porque Jesus teria dito: “tu és pedra e sobre esta pedra edificarei a minha igreja”. Pedro era casado e outros apóstolos também tinha esposas e filhos. Uma busca rápida no google você vai encontrar uma relação de papas que foram sexualmente ativos durante o papado. João XII institui uma pornocracia no seu papado e foi deposto porque transformou a Basílica de São João de Latrão num puteiro. Adúltero, incestuoso, etc., vivia ao lado de prostitutas e foi morto por um marido ciumento que o pegou transando com sua mulher.

Em adição tem uma lista de papas como Paulo II, Sisto IV, Leão X, dentre outros, que eram suspeitos de manterem relacionamentos homossexuais. Ou seja, a putaria na Igreja vem de longas datas e continua ao longo dos séculos. Fui “coroinha” de um padre sério, egipciense, chamado Luis Muniz do Amaral. Quando ele faleceu foi substituído por um chamado padre Dutra que era “pederasta”.

A arquidiocese de Los Angeles pagou mais de US$ 660 milhões a mais de 500 vítimas de pedofilia, inclusive o padre responsável por tantos abusos havia falecido em 1987, mas as vítimas processaram a igreja. O filme Spotligh: Segredos Revelados retratou a investigação feita por repórteres sobre os casos de pedofilia na igreja que estavam sendo acobertados pela arquidiocese. Procure na internet que você encontrará casos de pedofilia na igreja em Portugal, França, Polônia, Alemanha, Itália e não poderia ser diferente: no Brasil.

Aqui há mais de 100 padres envolvidos em pedofilia dos quais 60 foram condenados por crimes sexuais. Tem algumas pesquisas sobre o assunto e até livros escritos, relatando tais casos. Um dos casos mais rumorosos sobre abuso sexual de padre foi o caso do padre Airton que comandava a Fundação Terra. Tal entidade desenvolvia um trabalho importante no interior do estado e o tal padre violentou uma mulher que depositava nele absoluta confiança.

O caso do Padre Júlio Lancelloti veio a público com a divulgação de um vídeo no qual o padre se masturba para um menor de 16 anos. Um escritório de perícia atestou que as imagens são reais, que o cara do filme é o padre, que o ambiente do filme é o mesmo que aparece nas suas redes sociais e tudo mais. Outro perito desacreditou o trabalho feito por esse escritório, alegando que era montagem, no entanto, em mais de 2000 frames não se viu o menor indício de que se trata de montagem.

Em São Paulo, um grupo de vereadores iniciou a abertura de uma CPI para investigar o papel das ONG’s que mantem viva a Cracolândia. Ao que se sabe alguns vereadores retiraram a assinatura da CPI quando souberam que as investigações podem atingir o padre Júlio. O vídeo no qual o padre se masturba foi encaminhado a arquidiocese que resolveu arquivar as denúncias.

O fato é que a Igreja Católica tem perdido adeptos ao longo dos anos. Muitas pessoas se dizem católicos por falta de opção ou por pura acomodação. De certa forma, a Igreja não está sabendo conciliar os ensinamentos de Jesus com as práticas dos seus “representantes”. Não se trata de generalizar porque sabemos que há pessoas bem intencionadas, mas o comportamento de alguns não tem nada de cristão.

Eu tenho um amigo alagoano que dizia que a iniciação sexual do tio dele teve início com uma confissão feita a Frei Damião. Ele tinha uns 10 ou 11 anos quando Frei Damião foi fazer uma missão na cidade e aqueles que iam fazer a primeira comunhão deveria se confessar. Qual a porra de pecado que uma criança de 10 anos tem para pedir perdão? (“Deixai vir a mim as crianças e não as impeçais porque deles é o reino dos céus). Bom, o fato é que Frei Damião perguntou se ele fazia “safadezas” e o cara disse “que tipo?”….Bom o frade completou: “daquele tipo que fica brincando com a pintinha”… Ele nem sabia o que era isso, mas correu para casa depois da confissão e… Obrigado Frei Damião!