PENINHA - DICA MUSICAL

DEU NO JORNAL

DEU NO X

ARREGANHADO, ESCANCARADO. E COM A CARA MAIS LISA DO MUNDO

DEU NO X

LAUDEIR ÂNGELO - A CACETADA DO DIA

DEU NO JORNAL

DEU NO JORNAL

PIORA DO BRASIL NUM RANKING INTERNACIONAL DE CORRUPÇÃO

Leandro Ruschel

Ministro não quer “conclusões apressadas” sobre a aguda piora do Brasil num ranking internacional de corrupção

Em questão de três anos, a justiça brasileira anulou as condenações de quase todos envolvidos no maior escândalo de corrupção da história, evidenciando pela Lava Jato.

Sérgio Cabral, por exemplo, símbolo da corrupção, condenado a 390 anos de prisão por diversos crimes está livre, leve e solto nas ruas do Rio, trabalhando na sua nova carreira de influencer. Ele conta com a anulação das suas condenações.

Mais que isso, a cúpula da justiça operou abertamente para deixar livre o caminho para presidência do condenado por corrupção e lavagem de dinheiro no esquema, e posteriormente descondenado, Lula.

“Derrotamos o bolsonarismo”, disse o atual presidente do tribunal constitucional. Para não sobrar dúvidas, outro ministro disse: “se hoje nós temos a eleição do presidente Lula, isso se deveu a uma decisão do Supremo”.

Ao assumir o cargo, o descondenado prontamente apontou seu advogado pessoal para o Supremo.

Recentemente, as multas bilionárias de uma das empresas que confessou as propinas pagas foram suspensas pelo mesmo tribunal. Outras empresas que confessaram crimes também suspenderam o pagamento de multas, esperando serem agraciadas com decisões parecidas.

Mesmo diante do cenário, o ministro Gilmar Mendes foi ontem às redes sociais afirmar que é preciso “ver com cautela” a queda do Brasil no ranking de corrupção da Transparência Internacional, para não chegar a “conclusões apressadas”.

Ora, não é preciso de ranking algum para entender o que está acontecendo no Brasil.

Imagem

JESSIER QUIRINO - DE CUMPADE PRA CUMPADE

DEU NO X

MARCOS MAIRTON - CONTOS, CRÔNICAS E CORDEIS

TRÂNSITO, ECONOMIA E GENTILEZA

Sete e quinze da manhã. Escrevo enquanto percorro o Eixo Rodoviário de Brasília, vulgo Eixão. Sigo do extremo da Asa Norte em direção ao extremo da Asa Sul, que é o caminho que me leva ao aeroporto. Obviamente que não estou dirigindo. Do banco de trás, consigo observar que estamos dentro do limite de velocidade da via.

Observo também o movimento dos outros veículos ao nosso redor. Uma quantidade considerável de carros para essa hora da manhã. Não chega a engarrafar, porque o Eixão raramente engarrafa, mas tenho certeza que em outras grandes cidades brasileiras já tem muito trânsito parado a essa hora.

Isso me faz pensar nesse mundo que criamos, onde milhões de pessoas saem de casa todas as manhãs para trabalhar, enchendo as ruas de gente, seja em automóveis, motocicletas, ônibus, trens, etc. Cada um segue uma direção, em busca do seu destino, de modo que seus caminhos se tocam ou se cruzam, mas raramente coincidem.

Em meio a essas divagações, lembro de uma cadeira de Economia que cursei no MBA em Gestão do Poder Judiciário, do qual participei nos idos de 2006 a 2008. Em certa aula, o professor tentava explicar o funcionamento do mercado a partir de um paralelo com o movimento do trânsito. Dizia:

– Observem que cada motorista tenta chegar ao seu destino, sem bater nos outros carros. Na economia também, cada agente econômico busca seus objetivos sem se chocar com os outros…

Aluno questionador (alguns diriam chato), desses que não se conformam com um raciocínio qualquer apresentado pelo mestre, questionei:

– Professor, entendo que a parte em que cada motorista quer chegar ao seu destino esteja conforme as regras da economia. Mas a parte de evitar bater nos outros carros, parar nos sinais vermelhos, não entrar na contramão, essas coisas cabem ao Direito.

Estava instalada a polêmica. Trabalho duro para o professor de Economia, em uma sala com uns trinta alunos, todos com formação jurídica. Alguns com mestrado ou doutorado em Direito. Não lembro em que deu aquela discussão, mas tenho certeza que o restante da aula passou mais rápido.

Hoje, enquanto sigo em direção ao aeroporto, observando o trânsito, vejo que todos tínhamos um pouco de razão. No trânsito, assim como nas relações econômicas, respeitamos o espaço do outro não apenas por receio de sanções legais, mas também para evitar acidentes (que além de atrasos nos trariam prejuízos) e pelo simples respeito pelo espaço do outro.

Sim, acredito na capacidade do ser humano de agir em cooperação, mesmo nesse mundo louco, quando a maioria das pessoas parece estar sempre apressada, correndo atrás de seus próprios objetivos. Aliás, não estou me referindo a grandes movimentos baseados na solidariedade, mas em nossa convivência diária, quando alguém nos cede passagem na porta giratória de um banco ou cobra um preço razoável por um serviço prestado. Outro dia, ao levar um liquidificador ao conserto, o rapaz que consertou recusou-se a cobrar, porque se tratava de um simples mau contato. Acabou recebendo uma quantia simbólica, por insistência minha.

Claro que nem todos colaboram para difundir a prática dessas pequenas gentilezas. Estando agora a menos de duzentos metros do aeroporto, vejo que um desgraçado parou bem no meio da via. Está desembarcando uma família inteira. Com várias malas.

Rapidamente se forma uma fila de carros. A passagem está completamente interrompida por alguém que, pelo jeito, não dá a mínima para os outros. Penso em desembarcar e seguir o resto do caminho a pé. Mas me recuso, em parte pela chuva fina que cai, em parte porque não admito ter meu caminho alterado por essa criatura infeliz.

“Desgraçado”. “Criatura infeliz”. Começo a rir de mim mesmo, porque as palavras que me vêm à mente não são essas que digito na tela do celular. Mas não vou escrever palavrões.

Alguns instantes depois já caminho pelo saguão do aeroporto. E continuo acreditando na predisposição do ser humano para a cooperação, o respeito e a gentileza.