Com um ano e meio desde o início, mais de 70% dos brasileiros não conseguem citar uma única ação positiva do governo Lula, de acordo com levantamento nacional do instituto Paraná Pesquisas.
* * *
Como não tem “ação positiva” no governo Lula?
Tem sim!
Baixar o cacete nesse Ladrão Descondenado é uma ação de alta positividade.
E que deve ser obrigação de todo cidadão que enxerga bem e tem bom raciocínio.
A esculhambação tenebrosa desse guverno lulo-petralha está arreganhada, escancarada, pra quem quiser ver.
De modo que é muito positivo meter o pau nessa zona que “administra” o país atualmente.
Eis que surge à minha frente, desafiadora, a síndrome da página em branco, fato que assalta os escritores, grandes e pequenos como eu, que, por obrigação temporal assumida, escrevem seus textos para blogs ou jornais. Se de todas as bobagens eu já falei, falar de quê? Se também já abordei coisas boas e sérias, como amor, amizade, saudade, netos, de que falarei?
De futebol, não cometerei a insanidade de falar: as mulheres e meus outros 4 ou 5 leitores não gostam e não leriam. Das tragédias no Rio Grande do Sul, também não arriscarei: basta ligar a televisão ou abrir um jornal para saber das agruras por que passa o povo gaúcho. Falar de política, não me apetece. Tudo já está na TV e na imprensa escrita ou virtual, além do que certamente contrariaria amigos que pensam diferentemente de mim. Melhor não correr o risco de perder amizades.
Pensei em falar do conhecido que foi ao médico e lá encontrou sobre a mesa do doutor, além do estetoscópio, um livro de Silas Malafaia. Deveria ter saído sem consulta, mas ali permaneceu (a dor era tanta e, nessas horas, qualquer Dorflex serve). Por imperícia do doutor quase teve que amputar o pé, não o fazendo porque trocou de esculápio a tempo. Mas esse é assunto que só interessa ao quase amputado e a seus amigos. Prefiro não deprimir meus leitores.
Verdade é que me falta assunto. Mas, de tanto me faltar temas, de baboseira em bobagice a falta de assunto foi suficiente para encher a página que estava em branco e inspirar a presente croniqueta, com menos de quatrocentas palavras, como sempre. Que venha inspiração para a próxima semana! Desculpem!
* * *
Todos os Livros e a maioria dos Discos de autoria de XICO BIZERRA estão à disposição para compra através do email xicobizerra@gmail.com. Quem preferir, grande parte dos CDs está disponível nas plataformas digitais.
Nossos CDs estão nas plataformas virtuais e, em formato físico, na Loja Passadiscodo Recife.
Em Guarulhos (SP), Lula voltou a falar da guerra de Israel contra o Hamas, mas não disse nada sobre a morte do refém brasileiro Michel Nisenbaum
Uma das marcas mais infames da política externa de Lula – neste mandato, mas também nos anteriores – é sua incapacidade completa de chamar as coisas ou as pessoas pelo que são, ou em sentido oposto, a facilidade com que ele chama coisas ou pessoas daquilo que não são. É assim que a ditadura venezuelana vira “democracia”; que a Ucrânia deixa de ser vítima de uma agressão unilateral russa para se tornar “culpada” pelo conflito que se arrasta há dois anos; que a ação de Israel contra o Hamas em Gaza se torna “genocídio”; e, finalmente, que os terroristas do Hamas quase nunca sejam chamados como tais pelo petista, nem mesmo quando o resultado dos seus atos bárbaros atingem cidadãos brasileiros.
Na sexta-feira, as Forças de Defesa de Israel confirmaram que um dos corpos de reféns do Hamas recuperados na noite anterior era do brasileiro Michel Nisenbaum, 59 anos, niteroiense que vivia em Israel desde 1988 e havia sido sequestrado em 7 de outubro, enquanto dirigia seu carro para buscar sua neta em uma base das FDI. Segundo as forças israelenses, Nisenbaum e os outros dois civis cujos corpos foram encontrados na quinta-feira haviam sido assassinados ainda naquele trágico dia 7. Nas mídias sociais, o presidente Lula até conseguiu – e sabe-se lá quanto esforço isso deve ter exigido dele – referir-se a Nisenbaum como “refém do Hamas”, mas novamente faltou a qualificação exata dos militantes islâmicos: terroristas. Não passou despercebido o fato de Lula ainda se referir à “morte” do brasileiro, e não de seu “assassinato”, como se Nisenbaum pudesse ter morrido de qualquer outra causa não violenta enquanto era mantido cativo pelo Hamas.
O Itamaraty, ao menos, foi capaz de emitir uma “veemente condenação aos atos terroristas praticados pelo Hamas”, conseguindo juntar os dois termos-chave em uma única sentença, ao contrário do que faz Lula, que quando cita o Hamas não costuma falar em terrorismo, e quando fala em terrorismo quase nunca menciona nominalmente o grupo palestino. A nota do Ministério das Relações Exteriores já é uma evolução em comparação com os textos emitidos quando da confirmação das mortes de outros brasileiros vítimas do terror islâmico, como Ranani Glazer, Bruna Valeanu e Karla Stelzer, lamentadas em comunicados que não citavam nem o Hamas nem a natureza terrorista dos atos do 7 de outubro. Lula, no entanto, se mostra incapaz de demonstrar a mesma capacidade de melhorar.
A tibieza da resposta lulista à notícia de mais um brasileiro assassinado pelos terroristas não passou despercebida. Sua afirmação de que “o Brasil continuará lutando, e seguiremos engajados nos esforços para que todos os reféns sejam libertados” foi prontamente contestada. A família de Nisenbaum recebeu de Lula e do governo atenção ínfima em comparação com os brasileiros residentes em Gaza – e, se o petista age assim quando se trata de seus concidadãos, quem em sã consciência haverá de acreditar que ele faz algum esforço em prol dos reféns de outras nacionalidades? A hipocrisia foi muito bem resumida pelo presidente da Federação Israelita do Estado de São Paulo, Marcos Knobel: “Quando um grupo de palestinos de Gaza com passaporte brasileiro chegaram ao Brasil, o presidente Lula afirmou que nenhum brasileiro ficaria para trás, mas, na cabeça dele, ele só estava se referindo aos palestinos”, disse.
Para completar o insulto à memória de Nisenbaum, Lula fez questão de tratar o assassinato do brasileiro como página virada neste sábado, em Guarulhos, quando voltou a falar do conflito entre Israel e os terroristas. Pediu “solidariedade às mulheres e crianças que estão morrendo na Palestina por irresponsabilidade do governo de Israel”, cujas ações chamou de “aberração”. Solidariedade com as vítimas do terrorismo? Solidariedade com a família dos quatro brasileiros mortos pelo Hamas? Uma menção que fosse ao nome de Nisenbaum? Absolutamente nada.
A crítica ao modo como Israel conduz sua guerra contra o terror islâmico é possível, e não há como descartar de antemão a possibilidade de cometimento de crimes de guerra em Gaza, mas isso deve ser objeto de criteriosa investigação, de preferência isenta de qualificativos ideológicos que envenenam o debate, como a abjeta comparação entre israelenses e nazistas, feita por Lula meses atrás. O que não é possível, de forma alguma, é a leniência quando se trata de um grupo comprovadamente terrorista, que tem objetivos comprovadamente genocidas e que comprovadamente (a repetição é necessária neste caso) despreza seu próprio povo, usado como escudo humano para proteger suas atividades. A forma como Lula, o governo e o PT lidam com o 7 de outubro e seus desdobramentos não revela apenas incoerência, mas hipocrisia e, a julgar pelas demonstrações de apoio ao Hamas feitas por membros da esquerda, até mesmo cumplicidade.
O mundo, o Brasil, está tudo do mesmo jeito, tudo invertido. São raros os lugares, são raras as situações em que o mal é o mal, em que o bem é o bem. E o pior é que em nosso país já nem se pode mais apontar a farsa sem correr enormes riscos. Negociatas não são mais negociatas, roubalheira não é mais roubalheira… Não, pilhagem nunca houve. Os criminosos, no país pelo avesso, não são mais criminosos, e os inocentes de verdade passaram a ser bandidos. Tudo foi invertido, pervertido, subvertido. Fomos empurrados, sem dó nem piedade, ao colapso geral, moral, político, judicial.
Não adianta que assumam seus crimes, os bandidos reais, em confissões, delações, acordos de leniência. Pode ter carta, nota oficial para a imprensa: “Erramos… Estamos aprendendo com nossos erros, evoluindo”. Não adianta que se juntem provas e mais provas das práticas ilegais, planilhas, que se recupere uma dinheirama. Há sempre um amigo do amigo do amigo pronto para mudar o passado. Nada do que aconteceu aconteceu. Estão todos liberados; suas penas anuladas devem transformá-los em heróis, em “guerreiros do povo brasileiro”, em empreendedores santificados… Mais uma vez, os “campeões nacionais”, de banho tomado e novo nome, para que ninguém queira puxar pela memória. A ordem é não ter memória.
E o juiz que já foi, um dia, a esperança desse país entrega os pontos de vez. Já não tem bandeiras, é morno, é manso. Aceita o que pareceu combater em outros tempos… Permite que o país não tenha pretérito, não lute no presente e, portanto, abra mão do futuro. Elogia, tentando uma especificidade que não cabe, a “independência do Judiciário”. Em relação a quem? Em relação a quê? Tristes tempos estes em que resolveram agir e permitir que se aja independentemente das leis, do mundo real. Somos a mentira, o embuste, a trapaça, a tramoia, o golpe, a cilada. Somos todos os substantivos e adjetivos detestáveis que foram transformados em coisa boa.
Há rodas de samba para o condenado a mais de 400 anos de prisão, ou uma cadeira de rodas quando ele achar conveniente. E não venham falar em escárnio. Esqueçam o passado. Lembrem-se de que o que é ruim passa a ser bom, o que é profano passa a ser sagrado. Dependendo da pessoa em questão, é permitido comemorar desastre aéreo com mais de 300 mortos, agradecer à “natureza por ter criado esse monstro chamado coronavírus”. Dá até para ir ao Vaticano e dizer: “Malditas sejam todas as cercas, malditas todas as propriedades privadas”.
Escolheram a calamidade, apoiando o que nunca deu certo, em lugar nenhum, em época nenhuma. Temos um rombo fiscal de pandemia, corruptos liberados, perseguição política, censura… Aqui e pelo mundo, santificaram também um “carniceiro”, alguém que prendia, torturava e assassinava opositores. Como está tudo ao contrário, aquele que era temido e odiado virou um “excelente ser humano”, uma “pessoa exemplar”. Seus amigos ficaram tristes… Os amigos da tirania, da barbárie, do caos. Os amigos dos amigos dos amigos dos amigos do fim de tudo.
Quando voltava da escola Em casa sequer entrava Debaixo da Castanhola Todo dia eu me sentava. Reunião de amigos Naqueles dias antigos Que a lembrança me traz… Saudade, diga ao presente Quando voltar novamente Talvez não me encontre mais.
Uma roda de cadeiras Formando lá na calçada, Um reino de brincadeiras Tudo virando piada. De vez enquanto uma briga Que não gerava intriga Pois logo voltava a paz… Saudade, diga ao presente Quando voltar novamente Talvez não me encontre mais.
Naquele reino de encantos De carinhos, de afetos, De zelos, cuidados tantos, Entre vizinhos diletos, Havia uma irmandade Recheada de bondade Que nem o tempo desfaz… Saudade, diga ao presente Quando voltar novamente Talvez não me encontre mais.
A legítima rainha Daquela sombra e reinado Era Dona Raimundinha Seu rei Aprígio ao lado. O casal nos recebia Sob a sombra e a magia Daquele tempo fugaz… Saudade, diga ao presente Quando voltar novamente Talvez não me encontre mais.
Hoje há só o vestígio A lembrança me consola De Raimundinha, de Aprígio Da sombra da Castanhola. Mas não ficou no passado Meu olhar vê o reinado Nas águas que o tempo traz… Saudade, diga ao presente Quando voltar novamente Talvez não me encontre mais.