XICO COM X, BIZERRA COM I

Eis que surge à minha frente, desafiadora, a síndrome da página em branco, fato que assalta os escritores, grandes e pequenos como eu, que, por obrigação temporal assumida, escrevem seus textos para blogs ou jornais. Se de todas as bobagens eu já falei, falar de quê? Se também já abordei coisas boas e sérias, como amor, amizade, saudade, netos, de que falarei?

De futebol, não cometerei a insanidade de falar: as mulheres e meus outros 4 ou 5 leitores não gostam e não leriam. Das tragédias no Rio Grande do Sul, também não arriscarei: basta ligar a televisão ou abrir um jornal para saber das agruras por que passa o povo gaúcho. Falar de política, não me apetece. Tudo já está na TV e na imprensa escrita ou virtual, além do que certamente contrariaria amigos que pensam diferentemente de mim. Melhor não correr o risco de perder amizades.

Pensei em falar do conhecido que foi ao médico e lá encontrou sobre a mesa do doutor, além do estetoscópio, um livro de Silas Malafaia. Deveria ter saído sem consulta, mas ali permaneceu (a dor era tanta e, nessas horas, qualquer Dorflex serve). Por imperícia do doutor quase teve que amputar o pé, não o fazendo porque trocou de esculápio a tempo. Mas esse é assunto que só interessa ao quase amputado e a seus amigos. Prefiro não deprimir meus leitores.

Verdade é que me falta assunto. Mas, de tanto me faltar temas, de baboseira em bobagice a falta de assunto foi suficiente para encher a página que estava em branco e inspirar a presente croniqueta, com menos de quatrocentas palavras, como sempre. Que venha inspiração para a próxima semana! Desculpem!

* * *

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4 pensou em “SEM ASSUNTO

  1. Durante 15 anos escrevi, para a página 2 da Folha de São Paulo, 3 artigos por semana. Terças, quintas e domingo. E nunca faltou assunto. Ao contrário. Sempre tive que escolher, entre vários. O mesmo em O Globo. Hoje no JC, todas as sextas. Sempre tendo que escolher. Por isso não acredito no gênio que é o mestre Xico Bizerra. Sõ pode ser brincadeira dele. Há braços lisboetas.

  2. A diferença, meu caro Doutor, é que existem Paulos e Xicos: a uns sobram, a outros faltam … Incluo-me, claro, na segunda turma. E é por isso que o mesmo artigo publicado no JBF também o é no Jornal O PODER e no FACEBOOK, e apenas uma vez por semana. Abraço Capibaribeano,
    XICO BIZERRA

  3. Xico, às vezes demoramos para entender que a inspiração atravessa a sala no lombo de uma formiga.
    Quando há formiga.
    Só o fato de tentarmos entender uma metáfora boba como essa acima e escrevermos sobre ela, já daria para povoar um mundo inteiro de livros.
    Vou aguardar sua próxima coluna, sem medo algum de esperar.
    Da minha sala, sem formigas, ouço a cantiga gostosa de muitos grilos no jardim lá embaixo.
    Se “coçam” inspirados pelas chuvas da tarde.
    Não lhes falta assunto – certamente – logo a eles que sequer sala têm.
    Ora! Eles têm um jardim!
    E viram muitas formigas com os lombos ocupados.

  4. Meu amigo Jesus,
    Melhor aguardar a chegada da inspiração escutando as cigarras. Não que eu tenha algo contra as formigas: pelo contrário, por elas tenho a maior afeição. Mas são lentas e papel em branco exige pressa, senão a inspiração vai embora … E viva as formigas, os grilos e os cantares das cigarras!

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