Afinal, é o costume de viver Que nos faz ir vivendo para a frente. Nenhuma outra intenção, mas, simplesmente O hábito melancólico de ser…
Vai-se vivendo… é o vício de viver… E se esse vício dá qualquer prazer à gente, Como todo prazer vicioso é triste e doente, Porque o Vício é a doença do Prazer…
Vai-se vivendo… vive-se demais, E um dia chega em que tudo que somos É apenas a saudade do que fomos…
Vai-se vivendo… e muitas vezes nem sentimos Que somos sombras, que já não somos mais nada Do que os sobreviventes de nós mesmos!…
A Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher levou 15 dias para, após muita pressão de deputadas do PL, da oposição, aprovar moção de repúdio contra o filho de Lula (PT) acusado de espancar a ex-mulher.
* * *
O mais coerente não seria a mulherzada petêlha demorar 15 dias pra aprovar a moção.
Essa demora deveria ter sido de 13 dias.
O número da facção comandada pelo pai do espancador.
O bairro tinha uma denominação elogiável: Bela Vista. Fica na periferia de Fortaleza.
Hoje, pelo crescimento demográfico, com a população praticamente dobrada, a distância para o centro da cidade diminuiu bastante – pela velocidade dos veículos, pela qualidade das vias e pelas várias opções do transporte urbano.
Pois, na Bela Vista, havia um local que poucos não conheciam e muito menos não sabiam onde ficava. Era a bodega do Moreira. Francisco de Alencar Moreira, “comerciante” que não aceitava a adjetivação, naquele tempo considerada moderna. Preferia era “bodegueiro” mesmo.
Moreira vendia de tudo na bodega. Do carvão (desde o tempo em que o gás butano não era parte do orçamento familiar da grande maioria), passando pelo pão, feijão e outros secos e molhados, até a cachaça.
Em local destacado e apropriadamente visível, pendurou uma placa: “Não vendo fiado. Só se o freguês estiver acompanhado do avô”.
A Bela Vista não conhecia “desemprego”. Ali, quase todos moradores trabalhavam, ou faziam algo considerado trabalho, a única fórmula para ganhar os caraminguás do sustento.
Houve um tempo (e quem tem mais de sessenta anos sabe disso) em que, o “dicumê” precisava ser comprado todo dia.
Dona Ceci era uma dona de casa esperta, inteligência aguçada, e, para não fugir do que determinava a placa afixada na bodega do Moreira, todo dia mandava Dirceu (o filho) comprar o “dicumê”, fiado. Dirceu andava alguns metros até a bodega, e a tiracolo levava “Seu Domingos”, o avô.
– Seu Moreira, mamãe mandou comprar fiado: feijão, arroz, farinha, tripa de porco salgada, pó de café, açúcar, colorau e banha de porco. E mandou dizer para anotar no caderno. Eu trouxe o meu Avô!
Reclamar de que e como?
A encomenda consistia em: meio quilo de feijão de corda, meio quilo de arroz, um quilo de farinha seca, meio quilo de tripa de porco, duzentas gramas de pó de café, um quilo de açúcar, duas colheres de colorau e cem gramas de banha de porco. Tudo atendido, e anotado no caderno.
– Seu Domingos, falta o senhor afiançar!
Com muito sacrifício e dores, Seu Domingos “arrancava” dois cabelos brancos dos bigodes e os entregava à Moreira. Pronto. Estava ali a garantia de que o fiado seria pago.
Mas, não se animem e pouco se decepcionem. Isso acontecia lá pelos anos 50, chegando aos 60. Era no tempo em que, além de honrar os cabelos brancos, o “homem” tinha honra e presava por ela. Honrava a família e a sua história, sem estória nenhuma vivida. O homem tinha vergonha na cara.
Mas, nos dias atuais, o modernismo ia passando e freou. Estancou. Abancou-se. Apeou e, para ser mais sertanejo, como se fala na roça onde nasci, “atamboretou-se” e está esperando que o café seja servido.
Reparem – em quase todos, exceção aos carecas – nos cabelos dos personagens envolvidos, ou, pelo menos denunciados como tal, por quem vive de investigar (e eu não quero me dar o direito de, como outros, dizer que é mentira ou perseguição política). Todos de cabelos brancos. Todos com excelentes salários pagos pelos bons empregos.
Aparentemente (embora os atos indiquem o contrário), todos com famílias constituídas – e nem por isso, com inteligência e respeito por elas.
Para esses, pelo que se vê nos noticiários das televisões, Seu Moreira, o da bodega da Bela Vista, não venderia fiado nem que estivessem acompanhados do tetravô.
Os cabelos brancos desses não valem nada, e ainda lhes falta vergonha na cara.
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Mais um dia especial:
De novo, peço licença aos possíveis leitores, para dedicar esta crônica à Ana Karina, minha filha mais velha.
Karina nasceu ontem, 20 de abril, na Zona Oeste (Campo Grande) do Rio de Janeiro. Já passou dos 40!
A foto anexada mostra a efervescente adolescência. Atualmente reside em Fortaleza, no bairro Henrique Jorge.
Hoje revi a bengala Que o meu pai usou outrora: A viola era o apoio, A bengala era a escora, Com o passar da idade A ladeira da saudade Vejo em minha frente agora.
Marcus Vinícius da Cruz de Mello Moraes nasceu em 19/10/1913, no Rio de Janeiro. Diplomata, jornalista, advogado, cantor, compositor, dramaturgo, crítico de cinema e essencialmente poeta lírico notabilizado pelos seus sonetos. Ficou célebre, também, como boêmio inveterado, “casadoiro” e um grande conquistador.
Filho de Lydia Cruz de Moraes, pianista amadora, e Clodoaldo Pereira da Silva Moraes, funcionário público, poeta e violinista amador, teve os primeiro estudos na Escola Afrânio Peixoto, onde rabiscou os primeiros poemas. Em 1924 ingressou no Colégio Santo Inácio; entrou no coral e começou a fazer pequenas peças de teatro. Em seguida fez amizade com os irmãos Campos e Paulo Tapajós e compôs os primeiros poemas.
Ingressou na Faculdade Nacional de Direito em 1929 e graduou-se advogado em 1933. Durante o curso tornou-se amigo do escritor Otávio de Faria, que estimulou sua carreira literária e promoveu seu ingresso no movimento nacionalista “Ação Integralista Brasileira”. Por um breve período, trabalhou como censor de cinema no Ministério da Educação e Saúde e em 1937 publicou Soneto de Katherine Mansfield, na revista Anauê! No ano seguinte ganhou uma bolsa do Conselho Britânico para estudar língua e literatura inglesa na Universidade de Oxford. Retornou ao Brasil em 1949 e passou a trabalhar no jornal A Manhã, como crítico de cinema.
Foi também colaborador da revista Clima e prestou concurso para diplomata no MRE-Ministério das Relações Exteriores, em 1942, mas não passou. Tentou de novo no ano seguinte e foi aprovado. Assumiu o posto de vice-cônsul em Los Ageles, EUA, em 1946, e retornu ao Brasil em 1950, com a morte do pai. Na década de 1950 atuou como diplomata em Paris e Roma, onde mantinha animados encontros na casa de seu amigo Sergio Buarque de Holanda.
Em fins de 1968 foi aposentado compulsoriamente pelo AI-5 e afastado da diplomacia. O motivo alegado foi seu comportamento boêmio, que comprometia suas funções. Mas, foi anistiado (post-mortem) em 1998. Em 2010 recebeu promoção póstuma ao cargo de ministro de primeira classe do MRE. O cargo -o mais alto da carreira diplomática- equivale a embaixador. Sempre apaixonado, casou-se nove vezes e manteve uma vasta obra na literatura, teatro, cinema e música e dizia que a poesia foi sua primeira maior vocação. Dizia também que suas outras artes derivam do fato de ser poeta.
Na música teve como parceiros a nata da MPB: Tom Jobim, Chico Buarque, Toquinho, Baden Poweel, João Gilberto, Carlos Lyra, Antonio Maria… João Cabral de Melo Neto, que dizia não gostar de música, opinou: “se ele não fizesse tanta musiquinha, seria um poeta ainda maior”, que ganhou gargalhadas do poeta. Vinicius foi prolífico tanto como compositor como poeta. Em fins da década de 1920 compôs 10 canções gravadas pelos Irmãos Tapajós, em 1932. No ano seguinte lançou o primeiro livro de poemas: O Caminho para a distância e continuou produzindo canções e poemas simultaneamente.
Por esta época fez amizade com Manuel Bandeira, Mário de Andrade e Oswald de Andrade e passou por uma fase mística, quando ganhou o “Prêmio Felipe D’Oliveira” pelo livro Forma e Exegese (1935). Em seguida lançou Ariana, a Mulher (1936), uma temática que passou a predominar em sua carreira. Na década de 1940 deu-se uma mudança de fase e passou a escrever em linguagem mais simples e sensual abordando, eventualmente, temas sociais. Publicou os livros Cinco Elegias (1943) e Poemas, Sonetos e Baladas (1946). Além de poeta e compositor, atuou como jornalista e crítico de cinema, chegando a lançar, em 1947, a revista Filme, junto com o cineasta Alex Vianny.
Pouco antes viajou pelo Nordeste junto o escritor americano Waldo Frank e, vendo a seca e a pobreza nordestina, passa a se influenciar pelos ideais comunistas. Em seguida foi para os EUA, como diplomata, numa curta temporada e retorna ao Brasil no inicio da década de 1950. Gravou seu primeiro samba – Quando tu passas por mim -, em 1953, com Aracy de Almeida em parceria com Antonio Maria. No mesmo ano foi para Paris trabalhar na embaixada brasileira.
No ano seguinte publicou Antologia Poética e a peça Orfeu da Conceição. Na busca de alguèm para musicar a peça, encontrou Antonio Carlos Jobim, um jovem pianista, dando origem a uma fecunda parceria, de onde sairam: Garota de Ipanema, Eu sei que vou te amar, Lamento no morro, Chega de Saudade entre outras. A peça deu origem a dois filmes (1): “Orfeu Negro”, uma produção ítalo-franco-brassileira, em 1959, dirigido por Marcel Camus, premiado com o Oscar de melhor filme estrangeiro e Palma de Ouro no Festival de Cannes e (2) “Orfeu”, em 1999, dirigido por Cacá Diegues.
Pela primeira e única vez ouvi uma palestra do médium minero Chico Xavier, em 1973, no auditório da PUC-RJ, quando eu cursava a pós-graduação em Planejamento Educacional. Ainda não cristão de retorno, embora ex-aluno da Universidade Católica de Pernambuco (Economia), percebi logo naquele palestrante um ser humano especial, dotado de incontida solidariedade para com todos, fossem quem fossem. Um vivente muito semelhante, guardadas as devidas proporções, ao Galileu proclamado Filho de Deus por milhões de cristãos, nascido em Belém, no ano 4 a.C., numa simples hospedaria, no reinado de Herodes.
Em 2017, já espiritista, recebi da Sissa, minha inspiradora cotidiana, um livro que guardo até hoje, relido inúmeras vezes: LIÇÕES DE CHICO XAVIER DE A a Z, Múcio Martins (organizador), Uberaba MG, Livraria Espírita Edições Pedro e Paulo, 2016, 640 p.
Percebi, lendo as primeiras páginas, tratar-se de reflexões profundas sobre a vida e a vivência do mineiro Francisco Cândido Xavier (1910-2002), resgatadas por vários de seus biógrafos, devidamente organizadas por um pernambucano do Recife, Múcio Fernando de Melo Martins, nascido em 1949, de família estabelecida posteriormente em Niterói RJ (1958). Formado em engenharia civil pela Universidade Federal Fluminense, de formação católica, tendo se voltadao para a Doutrina Espírita quando leu O Livro dos Espíritos, aos 33 anos.
Como apresentação do médium, um relato de quem foi Chico Xavier, um retrato poderoso escrito pela Márcia Queiroz Silva Bacceli, uberabense, também autora de um livro muito divulgado intitulado História de Chico Xavier para Crianças.
Com a devida licença dos meus possíveis leitores, escolhi algumas reflexões do Chico Xavier para enobrecer este texto, buscando despertar mentes e corações para o maior dever existencial do ser humano: o de ser solidário e fraterno com todos, sem ódios e preconceitos, percebendo-se sempre filho amado do Criador, irmão de Jesus, o maior revolucionário pacifista da história da humanidade. Ei-las, com a devida vênia de todos, gregos, troianos de todas as crenças e descrenças:
“A prece, para o ser humano, deveria ser uma fonte de inspiração para o trabalho; ele deve procurar na oração as forças para agir, porque, sem dúvida, a fé sem obras, no dizer do Emmanuel, não passa de uma flor artificial sobre a mesa.”
“O sexo é um santuário; tanto é um santuário que Deus permitiu que ele governasse a reencarnação.”
“Todo desperdício é contra a Lei do Equilíbrio.”
“Quem lança muito a culpa nos outros é porque não aceita as culpas que tem. A culpa só se resolve com amor e trabalho.”
“Sem a ideia da reencarnação, sinceramente, com todo respeito às demais religiões, eu não vejo uma explicação sensata, inclusive, para a existência de Deus.”
“O estudo nos esclarece e o trabalho dissipa as sombras negativas que possam alcançar nosso cérebro.”
“Treinar, educar-se, aprender, reaprender, às vezes tropeçar, cair, mas reacertar, levantar, continuar. Servir sempre, sem nenhuma ideia de melindre pessoal diante da crítica que porventura apareça. Assim, aprimora-se a mediunidade.”
O livro acima citado nos deixa uma lição para lá de essencial para todos os pensantes, de todos os naipes e desnaipes:
Devemos ser melhores hoje do que fomos ontem, sempre cada vez melhores a cada amanhecer