ALEXANDRE GARCIA

SEGURANÇA MOSTRA O ABISMO DE DIFERENÇA ENTRE PORTUGAL E BRASIL

Vista de Lisboa: Portugal é sétimo melhor país em ranking global de segurança pública.

Vista de Lisboa: Portugal é sétimo melhor país em ranking global de segurança pública

Eu estou vendo aqui uma avaliação sobre segurança e criminalidade no mundo, o Global Peace Index, que existe desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Portugal está em sétimo lugar, ou seja, é o sétimo país mais seguro. Eu vejo isso por aqui, dá para sentir. O Brasil é o 131.º, e é algo que também dá para sentir. O primeiro lugar é bem explicável: a Islândia é uma ilha, o sujeito não tem para onde fugir, se joga na cratera de um vulcão, ou em um gêiser. Depois da Islândia, vêm Irlanda, Áustria, Nova Zelândia, Cingapura, Suíça e Portugal.

Vocês notaram que entre os líderes não estão nem Alemanha, nem Bélgica, nem Inglaterra, nem França. Pois é, são os problemas que começaram com a imigração desordenada. Em Portugal estão levantando o alerta toda hora, porque algumas coisas aparecem em todos os jornais. Outro dia, dois homens quebraram o vidro de um carro para roubar o que está dentro dele. Isso no Brasil acontece no mínimo 500 vezes por dia. Em outro caso, um sujeito asiático entrou na casa de uma menina de 13 anos e se jogou na cama dela. Isso vira notícia em Portugal, porque não é o tipo de coisa que acontece com frequência. Acontece com frequência na Alemanha, na Bélgica, na França…

* * *

Para recusar transfusão, STF reconhece direito à objeção. E para rejeitar picada experimental?

O Supremo já tem sete votos – ou seja, já formou maioria – para decidir que testemunhas de Jeová podem se negar a receber transfusão de sangue. O que fica proibido é os pais negarem transfusão de sangue para filhos menores, segundo o STF. Mas precisam dizer que o médico e o hospital que estão cuidando do paciente se eximem de responsabilidade nesse caso, se não houver alternativa.

Minha pergunta é a seguinte: o Supremo se baseia no respeito a convicções religiosas. Mas e quando alguém disser, também baseado em suas convicções, “eu não aceito nenhuma inoculação no meu corpo de algo que não foi suficientemente testado, que tem mostrado efeitos adversos assustadores e que não tem mostrado eficácia”? Porque está cheio de governos estaduais e municipais exigindo a tal picada.

* * *

Antes de criticar deputado, senador podia aprender regência verbal

Não vou me meter na briga do senador Irajá com o deputado Nikolas Ferreira. Mas vou lembrar o artigo 13 da Constituição, que o senador Irajá está desobedecendo. Esse artigo diz que o idioma do Brasil é a língua portuguesa. E eu ouvi e vi o senador Irajá dizendo “o partido que eu faço parte”. O senador faz parte um partido? Porque o “de” ficou desaparecido. Não sei se a professora do senador era adepta de Paulo Freire, mas eu fiquei assustado.

* * *

Venezuela e Argentina trocam ordens de prisão 

O Supremo da Venezuela decretou a prisão de Javier Milei. E agora uma câmara da Justiça federal em Buenos Aires decretou, por razões, óbvias, a prisão de Nicolás Maduro e mais 30, inclusive Diosdado Cabello, que é o número 2 no poder. Mas por que os venezuelanos querem Milei preso? Porque o argentino, amparado pelas leis internacionais, confiscou um avião venezuelano (que na verdade é iraniano, e o Irã está sob sanções dos Estados Unidos) que estava pousado na Argentina e o pôs à disposição das autoridades dos EUA. De qualquer forma, as relações já estavam rompidas, as forças bolivarianas tinham até cercado a embaixada da Argentina, que está sob a tutela do Brasil e onde estão abrigados refugiados políticos.

DEU NO JORNAL

ONGs QUEIMANDO MILHÕES

O Brasil registra os mais devastadores incêndios em vinte anos, mas as “organizações não governamentais” (ONGs), que adoram o dinheiro governamental, não têm motivos de queixas: passam o rodo nos recursos financeiros do Ministério do Meio Ambiente, de Marina Silva.

As ONGs, algumas investigadas na CPI das ONGs, morderam 17% de tudo o que foi contratado e pago este ano, R$ 315,5 milhões, de acordo com dados do Portal da Transparência.

Fica fácil entender por que nenhuma delas reclama dos incêndios no País.

ONGs faturam mais que o dobro da soma do dinheiro destinado a órgãos do governo, como Ibama, Funai e Embrapa: R$ 157,5 milhões no total.

Uma ONG Fest (Fundação Espírito-santense de Tecnologia) encabeça a lista dos repasses milionários: embolsou R$ 16,5 milhões até agora.

* * *

É mole ou quer mais?

Bom, em se tratando de gunverno zisquerdal-petralhoso, nada é impossível.

Tudo pode acontecer.

Quando tomou conhecimiento desse absurdo, a cachorra Xolinha, mascote desta gazeta escrota, ficou de tabaca incendiada.

Coitadinha…

COMENTÁRIO DO LEITOR

TRISTE DIA

Comentário sobre a postagem NANISMO

Pablo Lopes:

Lula nunca apitou nada no cenário internacional. Em seus primeiros mandatos ainda enganava os trouxas, com seu discurso fajuto de combate à fome e proteção ambiental.

O tempo cuidou de revelar sua verdadeira face: um corrupto e mentiroso contumaz.

Nesta assembleia da ONU, o ex-presidiário chegou fedendo à fumaça das queimadas que cobre Brasília e com as mãos sujas do sangue de venezuelanos mortos pela ditadura chavista, que ele defende, e de israelenses mortos pelos terroristas do Hamas, que ele se recusa a condenar.

Ou seja, o dito-cujo não tem qualquer moral para falar de meio ambiente, direitos humanos ou democracia. Resta apenas a cara de pau que envergonha os brasileiros.

Triste dia para a diplomacia brasileira.

Rui Barbosa e Oswaldo Aranha se reviram no túmulo.

MARCELO BERTOLUCI - DANDO PITACOS

TEXTOS ALHEIOS – RON PAUL

Ron Paul foi candidato independente à presidência dos Estados Unidos em 1988 e disputou a indicação pelo partido republicano em 2008 e 2012, ficando em segundo lugar nas primárias em ambas as ocasiões.

Ron é médico, capitão da Força Aérea dos EUA e autor de 17 livros. Foi deputado pelo Texas quatro vezes.

* * *

Na semana passada, o mundo escapou por pouco da provável destruição nuclear, quando o governo Biden recebeu o pedido da Ucrânia para permitir que mísseis dos EUA atingissem o interior do território russo. O presidente russo, Vladimir Putin, alertou, enquanto o pedido estava sendo considerado, que, como esses mísseis não poderiam ser lançados sem a participação ativa dos militares dos EUA e da OTAN, a Rússia se consideraria em estado de guerra com a OTAN e os EUA caso eles fossem lançados. Foi uma “crise dos mísseis cubanos” em grande escala.

Felizmente, Washington não deu permissão para atingir o interior da Rússia, mas ao longo desta guerra, muitas vezes o uso de um sistema de armas foi primeiramente negado e depois concedido aos representantes de Washington em Kiev. Não devemos deixar de nos preocupar, mesmo que a guerra nuclear tenha sido temporariamente evitada.

Os ataques com mísseis dentro da Rússia fariam a Ucrânia vencer a guerra? Nem mesmo o Pentágono acha isso. O próprio secretário de Defesa dos EUA, Lloyd Austin, disse no início deste mês que conceder permissão à Ucrânia para lançar mísseis na Rússia não seria um “divisor de águas” na guerra de dois anos e meio.

Mesmo os “divisores de águas” mudaram pouco nesta guerra. Quantas vezes a grande mídia pró-guerra nos disse que um sistema de armas seria um “divisor de águas” na Ucrânia? Lembra dos mísseis Javelin? Tanques Leopard? HIMARS? E como nenhum deles conseguiu virar a maré a favor da Ucrânia, os neoconservadores e seus amigos na mídia só exigem mais.

O fato é que a Rússia está vencendo a guerra apesar de centenas de bilhões de dólares e dos melhores sistemas de armas dos EUA e dos países da OTAN. Cada nova remessa de armas cada vez mais sofisticadas não produz vitórias no campo de batalha para a Ucrânia. Só produz mais soldados ucranianos mortos e mais lucros para os fabricantes de armas.

Até mesmo a grande mídia – que apoiou solidamente a guerra na Ucrânia – começou a relatar as enormes perdas e a situação desesperadora da Ucrânia. No entanto, à medida que mais e mais começam a acordar sobre a desastrosa guerra por procuração, Washington só conhece uma direção quando se trata de guerra: para frente. Há pouco mais de uma semana, o Pentágono anunciou outro pacote de armas de US$ 250 milhões para a Ucrânia. Ninguém acredita que isso vá reverter os ganhos constantes obtidos pela Rússia no campo de batalha, mas gerará mais lucros para os fabricantes de armas dos EUA, que são a verdadeira força por trás da política externa americana.

A improvável dupla Robert F. Kennedy Jr. e Donald Trump Jr. disse isso melhor em um editorial recente no The Hill: “Não podemos chegar mais perto do limite do que isso. E para quê? Para ‘enfraquecer a Rússia’? Para controlar os minerais da Ucrânia? Nenhum interesse americano vital está em jogo. Arriscar um conflito nuclear por causa da fantasia neoconservadora de ‘domínio total’ é loucura.”

Eles estão certos, é uma loucura arriscar o futuro do país e de nossos filhos e netos por guerras que não têm nada a ver conosco e não servem a nenhum interesse nacional dos Estados Unidos. Isso certamente é verdade para a guerra na Ucrânia e também para as guerras que os EUA estão apoiando no Oriente Médio. Quando a loucura vai acabar? Quando o povo se manifestar e exigir uma mudança.

DEU NO JORNAL

HIPOCRISIA NO PALCO GLOBAL

Editorial Gazeta do Povo

O presidente Lula na ONU, durante abertura da Assembleia Geral, em 24 de setembro.

O presidente Lula na ONU, durante abertura da Assembleia Geral, em 24 de setembro

O microfone cortado durante o discurso na Cúpula do Futuro, no domingo, não foi o único vexame protagonizado pelo presidente Lula na ONU, em Nova York. Na terça-feira, ao ser o primeiro líder a falar na Assembleia Geral – por tradição, o presidente brasileiro sempre é o primeiro a discursar depois do secretário-geral da ONU –, Lula até tentou fazer valer o soft power brasileiro na questão ambiental, mas não conseguiu escapar da realidade das queimadas que assolam a Amazônia e o Pantanal. E, ao falar de política externa, mais uma vez apelou à abjeta equivalência moral e defendeu a validação da “paz dos valentões” ao falar da invasão da Ucrânia pela Rússia.

Qualquer mandatário brasileiro que ocupe a tribuna na Assembleia Geral acaba tendo de mencionar o meio ambiente, que hoje é talvez a única área de preocupação global na qual o Brasil tenha alguma contribuição substancial a fazer. Lula se queixou de tudo e mais um pouco: do “negacionismo”, de “acordos climáticos não cumpridos”, de “metas de redução de emissão de carbono negligenciadas” e, especialmente, de não receber dinheiro dos países ricos para ajudar na preservação ambiental. Depois de afirmar que “a Amazônia está atravessando a pior estiagem em 45 anos”, Lula emendou afirmando que as queimadas “já devoraram 5 milhões de hectares apenas no mês de agosto”, e concluiu dizendo que “meu governo não terceiriza responsabilidades”, algo que acabara de fazer implicitamente, ao associar os incêndios florestais ao tempo anormalmente seco.

O que Lula não disse é que, se a estiagem não é culpa sua, a falta de preparo para prevenir seus efeitos é, sim, uma responsabilidade que o governo nunca assumiu. Os avisos sobre um inverno excepcionalmente seco foram feitos há tempos, e mesmo assim os recursos para o combate a queimadas diminuíram em 2024 na comparação com 2023; com o fogo já devorando os biomas, o governo foi instado pelo STF a montar um plano para conter os incêndios, mas, vencido o prazo de três meses, não tinha nada a mostrar e teve de pedir mais tempo. Enquanto isso, a terceirização de responsabilidades corria solta, sobrando não apenas para a estiagem, mas também para o agronegócio – por mais que o setor seja um dos grandes prejudicados ao perder negócios no exterior graças à péssima imagem internacional de um Brasil em chamas.

Mas foi ao falar dos dois grandes conflitos em curso hoje no mundo que Lula se superou. Fiel à tradição de, sempre que possível, não chamar pelo nome os agressores quando são seus aliados, o petista não mencionou nem a Rússia, nem Vladimir Putin, e teve o cinismo de, com poucos segundos de diferença entre as frases, afirmar que “o Brasil condenou de maneira firme a invasão do território ucraniano” e defender o “entendimento de seis pontos que China e Brasil oferecem para que se instale um processo de diálogo e o fim das hostilidades” – plano este que simplesmente chancela a anexação russa de território ucraniano. O que Lula está dizendo ao mundo inteiro na ONU é que, para ele, o respeito à integridade territorial da Ucrânia nada vale. O petista se queixa de que “o uso da força, sem amparo no Direito Internacional, está se tornando a regra”, mas seu plano é justamente validar esse uso da força.

Já em relação ao outro conflito, no Oriente Médio, só podemos imaginar o quanto deve ter custado a Lula pronunciar as palavras “ação terrorista” para se referir ao 7 de outubro de 2023. Mas não passou disso: segundo Lula, o ataque a Israel foi coisa de “fanáticos”, termo que o dispensou de nomear o Hamas, grupo que governa a Faixa de Gaza e tem como objetivo final a aniquilação do Estado de Israel, como se esses dois pontos fossem completamente irrelevantes. Nem o Hezbollah, com quem Israel luta no sul do Líbano, nem o Irã, apoiador e financiador dos dois grupos, apareceram na fala de Lula.

De resto, o mundo teve uma amostra daquilo a que os brasileiros são submetidos dia sim, dia também: indiretas ou mesmo diretas contra a direita conservadora, contra Elon Musk, contra Javier Milei, contra a responsabilidade fiscal, contra os juros altos, contra os ricos; a eterna lamentação sobre a falta de um assento permanente no Conselho de Segurança para o Brasil; e as meias-verdades tão convenientes ao império da mentira que o petismo construiu. É assim que Lula faz uma “defesa da democracia” que defende Cuba e se cala sobre a Venezuela, ou diz que a América Latina vive uma “segunda década perdida” na economia, sem mencionar que boa parte dessa estagnação é culpa das políticas desastradas do próprio petismo, no Brasil, e de seus aliados como o kirchnerismo argentino e o bolivarianismo venezuelano.

A degradação ambiental, a pobreza, a fome, as guerras são problemas muito reais, qualquer pessoa de bom senso há de admiti-lo. Mas, quando Lula abre a boca para falar deles, o mundo fica muito longe de se iluminar, para usar as palavras da filósofa esquerdista Marilena Chauí; na verdade, não há nada a se extrair do discurso, que vai do irrelevante (pelo tom genérico como certos temas são tratados) ao acintoso (pelas equivalências morais e pela validação do uso da força). Não surpreende que a imprensa internacional tenha dado pouco destaque às palavras de Lula, enquanto o discurso de Milei, em sua primeira participação na Assembleia Geral, teve repercussão bem mais ampla: o petista é um presidente que não tem nada a mostrar e nada a dizer.

PENINHA - DICA MUSICAL

COMENTÁRIO DO LEITOR

DEU NO X

DEU NO JORNAL

DEU NO JORNAL

INTELECTUAIS PELA CENSURA

Guilherme Fiuza

Intelectuais pela censura 

Mais de 50 intelectuais de vários países assinaram um manifesto de apoio à suspensão da plataforma X no Brasil. A notícia também poderia ser dada assim: mais de 50 almas penadas se reuniram num abaixo-assinado infame a favor da censura. Dá praticamente no mesmo, ninguém vai brigar por causa disso.

Entre os signatários deste documento histórico está o brasileiro José Graziano, amigo do Lula – aquele que esteve à frente do programa Fome Zero em 2003. Como era inexequível, o programa foi extinto antes de ser implementado – uma façanha do petismo que até hoje não foi superada por nenhum partido no mundo. E olha que os picaretas estão sempre tentando.

Como prêmio por liderar um programa governamental que matou a fome de zero pessoas, Graziano ganhou um cargo na organização da ONU para alimentação e agricultura (FAO). Coerência é tudo. O mínimo que se espera de um burocrata da nutrição de fachada é que assine um documento de apoio à mordaça em nome da democracia.

Outro luminar presente entre os que endossaram esse manifesto libertário pela censura no Brasil é o francês Thomas Piketty. Assim como Graziano, é economista. E também ficou famoso graças a uma façanha: virou best-seller mundial com um livro que fazia uma recauchutagem do marxismo para sentenciar, mais uma vez, a crise incontornável do capitalismo. 

Vendeu milhões de exemplares provando em definitivo a verdade histórica: a sobremesa predileta da burguesia que enche a pança no capitalismo é falar mal do capitalismo para afetar a grandeza de espírito. Especialistas consideram que o livro de Piketty é um dos mais vendidos e menos lidos da história.

E você tem a convicção de que essas manchetes tratarão muito bem esse tipo de encenação – até porque, como se diz no chiqueiro, uma mão lava a outra. 

O X é hoje a plataforma mais importante para a liberdade de imprensa no mundo. Todos os entusiastas do seu banimento no Brasil já têm seus nomes eternizados na história da democracia que passarinho não bebe.