Sério, isso daqui não dá pra passar pano. Transcende direita x esquerda. Enquanto pessoas estão morrendo, perdendo suas casas e desesperadas no RS, ele chega no local e fala que está torcendo pro Grêmio e internacional. Escroto. pic.twitter.com/SIjK7SJJHV
Mais conversas, hoje só da terrinha, em livro que estou escrevendo (título da coluna).
ANA MARIA MACHADO, da Academia Brasileira de Letras. No elevador da Rua Santa Justa, que faz o trajeto Chiado/Baixa, fotografou bilhete que lhe deram quando pagou a passagem. Com Instruções para Viagem
– Ao viajar de pé, afaste as pernas e tenha-as bem plantadas. Segure-se com firmeza, sobretudo nas arrancadas e nas curvas.
E ficou sem entender. Que não havia bancos, no local, todos teriam mesmo que “viajar de pé”. E “curvas”, num elevador?
ANTÓNIO COSTA, homem público. Em Lisboa, nas vésperas das eleições gerais de 30/01/2022, vi poste cartaz da municipalidade com esse aviso aos motoristas
‒ Cuidado, zona de acidentes a 2.000 m.
E por baixo, em outro cartaz, foto de António Costa, ex-prefeito e então Primeiro Ministro, com seu lema de campanha
‒ Continuamos a avançar.
ANTÓNIO VALDEMAR (JOSÉ STONE DE MEDEIROS TAVARES), da Academia das Ciências (Carteira 01 do Sindicato dos Jornalistas de Portugal). Na redação do Diário de Notícias, com ele foi ter o filho Álvaro, 2 metros de altura. Foi quando seu colega de redação Guilherme de Melo, homossexual assumido, ficou deslumbrado e disse
– Perdão, amigo Valdemar, é que eu desejava tanto ser sua nora…
COUTOS DE VISEU. Em 12/01/2018 li, no Jornal do Centro, Aviso sobre Dias de Falecimento e de Acesso ao Cemitério de Coutos. A matéria, com brasão do concelho, dizia
– O cemitério só está aberto ao fim de semana, das 8h00 às 20h00 no verão e das 9h00 às 18h00 no inverno.
– Os cidadãos só podem falecer quinta-feira e sexta-feira, para permitir que os funerais ocorram sábado ou domingo.
– O falecimento noutros dias será considerado ato de desobediência civil sujeito a contraordenação, caso o falecido seja reincidente.
Depois vim a saber que a Junta da Freguesia de Coutos de Viseu está processando o jornal pela rebaldaria (canalhice, patifaria) de publicar uma página de humor como se fosse algo sério. O presidente da Junta declarou que
‒ O jornal está abusivamente a usar da heráldica para causar danos à imagem da freguesia.
Após o que completou
– Filhos da puta, deviam era morrer todos.
Faltou só dizer se preferia que isso ocorresse quinta ou sexta-feira.
DIAMANTINO MIRANDA, ex-jogador e treinador de futebol, hoje comentarista da CMTV. Numa entrevista ao Onefootball, sobre desmandos no Benfica, declarou
‒ Se cada corrupto andasse com uma lâmpada no cu, Portugal hoje parecia Las Vegas.
FERNANDO ANTÔNIO GONÇALVES, pensador. Numa sapataria do Chiado, pergunta o preço e acha caro
– Trezentos e vinte euros por um sapato?
– Não, sr. dr., pelos dois pés.
JOÃO MADUREIRA TEIXEIRA, empresário. Encontrou, no restaurante Solar dos Nunes (dos irmãos Suzana e Zé Tó), o amigo de juventude Albano Pereira Dias de Magalhães. Que quase não reconheceu dado estar já com rosto gasto, careca, barriga enorme. E disse o que protocolarmente se diz, nessas ocasiões,
‒ Você não mudou nada, Albano, está ótimo.
‒ E você continua o mesmo, João, a mentir muito.
JÚLIA PINHEIRO, apresentadora de TV. A Ana Maria Braga de lá. Em seu programa matinal da SIC, falava de minha coleção com objetos de Fernando Pessoa.
– O Cavalcanti foi pondo a mão em tudo?
– Pondo a mão?, não.
– E não foi?
– Não. Recebi de presente ou comprei.
– Mas não foi o que eu disse?
Só para lembrar, Júlia tornou-se conhecida por um programa satírico da SIC (no qual participava, também, o jornalista Victor Moura Pinto), a Noite da Má Língua. E eu estava com um pé atrás. Depois me informaram que, em Portugal, meter a mão significa adquirir. Problema é que aqui, no Brasil, não. A língua é uma só mas, por vezes, duas.
MONÇÃO. Primeira página do JN fala em evento gastronômico que ia realizar-se na aldeia de Piais, dias 17/18/19 de março de 2023, com essa manchete
‒ Monção quebra jejum de 3 anos e reedita Feira da Foda.
MURO EM FOLGOSINHO (SERRA DA ESTRELA). Joaquim de Barros escreveu Serenata a uma pretensiosa, com versos assim
– Nas tuas unhas condiz Teu modo de ostentação Por fora sobra verniz Por dentro falta sabão.
Naquele muro, vi o último quarteto desse longo poema
– Nem sempre uma linda cara Traduz encanto no mundo Há mil fontes d’agua clara Cheias de lodo no fundo.
NO SUPERMERCADO. História contada por José Brandão, arquiteto no Porto, que jura ser verdade. José (como não disse quem era, vai aqui o personagem com seu nome) foi ao Pingo Doce para comprar azeite. Deixou a carteira em casa e levou, com ele, só uma cédula de 10 euros que, na fila do caixa, escapou da mão e um cidadão, atrás dele na fila, gentilmente pegou. Já se preparando para agradecer, José viu aquele estranho pôr o dinheiro no bolso da própria camisa; justificando, a partir de conhecido provérbio português,
– O que está no chão é de quem põe a mão.
E não devolveu. Depois de algum tempo, quando o tal senhor já se dirigia para seu veículo, decidiu ir atrás. Junto com a caixa, funcionários e clientes, ainda indignados todos com o que aconteceu antes. Para fazer nem sabia o quê. Em frente à caminhonete luxuosa o tal senhor pôs as duas sacolas no chão, tirou do bolso a chave, tocou nela e a porta do bagageiro começou lentamente a subir. Foi quando José se abaixou e agarrou uma sacola em cada braço, com pronta reação do outro,
– Elas são minhas.
– Correção, sr. dr., o que está no chão é de quem põe a mão.
E saiu correndo com suas compras.
ONÉSIMO TEOTÓNIO ALMEIDA, da Universidade de Brown (Estados Unidos). No Teatro Sá da Bandeira (Porto), o Primeiro Ato da peça correu muito mal e grande parte do público se foi assim que encerrou. O famoso ator português Artur Ribeiro contou, a Onésmo, que começou o Segundo a dizer
– Aqui estou, aqui estou, aqui estou!
Só para ouvir, na plateia, um espectador
– Também eu, mas muito arrependido!
POLICIAMENTO. Em 1953 foi publicada, pela Câmara Municipal de Lisboa, a Portaria 69.035, para policiamento de zonas consideradas quentes. Dizia, em resumo,
‒ Verificando-se o aumento de atos atentatórios à moral e aos bons costumes, determina-se à Polícia e Guardas Florestais uma permanente vigilância sobre as pessoas que procurem frondosas vegetações. Assim, estabelece-se:
1º. Mão na mão (2$50);
2º. Mão naquilo (15$00);
3º. Aquilo na mão (30$00);
4º. Aquilo naquilo (50$00);
5º. Aquilo atrás daquilo (100$00).
Parágrafo único ‒ Com a língua naquilo, 150$00 de multa.
RAUL CUTAIT, médico. Em Coimbra, num posto de gasolina,
– Quanto tempo até Lisboa?
– Depende.
– Do quê?
– Da velocidade em que o sr. dr. ande no carro.
Ponto para o luso.
RENATINHO MAIA, empresário. No Lautarco (bairro de Alfama), se deliciava com um bacalhau. E perguntou ao proprietário, que lhe atendeu,
– O senhor poderia trazer azeite?
O cidadão veio com uma garrafa. Mas, ao ver Renatinho por em cima do bacalhau, desabafou
– Vocês, brasileiros, têm mania de pôr azeite no que não se deve. O prato já tem o necessário. Se precisasse, eu mesmo teria posto.
– E por que trouxe?
– Pensei que fosse para colocar no pão.
SHIGEAKI UEKI, ministro das Minas e Energias (no governo Geisel). Desembarcaram, no aeroporto de Lisboa, ele e seu assessor de imprensa Hideo Onaga. Deram nome do hotel, ao táxi. E, com cara de japoneses, conversavam no banco de trás. Em português do Brasil, claro. Até que o motorista não se conteve
– Que raio de língua estão a falar?, que eu entendo tudo.
SUPERMERCADOS MINIPREÇO, Av. Alexandre Herculano (no Rato). Bati foto de cartaz que vi, por lá, sobre caixa com uva e mamão
‒ As senhoras que apalpem (com traço, por baixo) a fruta serão submetidas ao mesmo tratamento por parte dos vendedores.
VICTOR MOURA-PINTO, jornalista da TVI/CNN. No aniversário dele, mandei bilhete
– A Lisboa de outras eras Já livre da servidão É feita de cem quimeras De duzentos quem-me-deras De trezentas mil esperas Ardendo ao sol do verão.
Tal qual o famoso casamento da raposa (quando chove e, ao mesmo tempo, faz sol).
Quando mudei em definitivo do Rio de Janeiro para São Luís (segundo casamento, e a mulher preferia morar na Ilha do Amor), fui trabalhar no jornal do Sarney.
Função: Revisor.
Virei encarregado da revisão de um caderno inteiro (8 páginas) onde escrevia como colunista um dileto amigo (Sávio Dino), membro da Academia Maranhense de Letras – faleceu faz pouco tempo.
O que ele, Sávio, em conversa revelava e conceituava sobre esse filho, Flávio, vou levar para o túmulo.
O fubânico José Ramos, em sua coluna publicada na terça-feira passada, 30 de abril, nos brindou com um excelente texto sobre o seu aniversário de 81 anos.
Um texto tocante, comovente e inspirado, como costumam ser todas as suas crônicas.
Pois no final do texto, no penúltimo parágrafo, ele me chama de “Editor Bancário”.
Fiquei curioso e intrigado.
Nunca trabalhei em banco…
Aí mandei uma mensagem perguntando pra ele que danado era aquilo.
E ele matou minha curiosidade: disse que a denominação era por conta de um banco de praça que tem meu nome, uma homenagem da Prefeitura de Palmares, minha terra de nascença.
Um banco cuja foto publiquei há alguns anos aqui no JBF.
Esse aqui:
No mesmo parágrafo, José Ramos também se refere à “Roleta do Cu-Trancado.”
Para quem não conhece ainda essa figura, transcrevo uma nota que escrevi numa postagem feita em abril de 2020, aqui nesta gazeta escrota.
Esta nota que está a seguir:
Cu-Trancado é um ardiloso que tem sua roleta instalada no meio da feira em Palmares.
Numa mesa onde também correm soltos os jogos de baralho e de bozó (dados).
Tudo montado pra arrancar dinheiro dos matutos viciados.
Não existe um único apostador neste mundo que consiga ganhar um tostão sequer naquele cassino fuleiro.
Cu-Trancado deixa o cabra ganhar um ou outra, mas, no final, o sujeito sai de lá mais liso do que bochecha de anjo. Ganha uma, perde três.
Neste dia em que apareço nas fotos aí embaixo, comprei 20 reais de fichas e, no final, perdi tudinho.
Apostei já sabendo que ia perder.
Cu-Trancado é este cabra lindo que aparece à direita, fazendo pose pra foto.