DEU NO JORNAL

A “LIGA DOS CUMPANHÊRU”

Luís Ernesto Lacombe

O policial civil que interpelou a jornalista da Globo News Natuza Nery foi previamente condenado. O que vão decidir agora, ao que tudo indica, é por quais crimes… Injúria, calúnia, difamação, agressão física, ameaça, abolição violenta do Estado Democrático, golpe de Estado… Arcênio Scribone Júnior já foi afastado de suas atividades operacionais. Enquadrado como “bolsonarista” e inimigo do Supremo Tribunal Federal, ele pode até ser incluído nos inquéritos ilegais do STF. Vai sobrar para a polícia, de um modo geral… Vai sobrar para todo mundo… Vão dizer que as redes sociais precisam ser “reguladas” e que o Estado deve continuar atuando contra a liberdade de expressão.

Preciso deixar claro que não defendo nenhum tipo de agressão, de ataque verdadeiro a ninguém. A questão é que ainda é muito cedo para saber o que realmente houve entre a jornalista e o policial num supermercado de São Paulo no penúltimo dia de 2024. As imagens do circuito interno de câmeras ainda não foram divulgadas (e talvez nunca sejam, se a história envolvendo o ministro Alexandre de Moraes no aeroporto de Roma servir como modelo). As possíveis testemunhas também não foram ouvidas. Por enquanto, temos a palavra da jornalista contra a palavra do policial. Natuza diz que ouviu dele que ela e a emissora para a qual trabalha deveriam ser aniquiladas. Arcênio afirma que não praticou nenhuma infração penal, que não fez ameaças, apenas uma crítica ao trabalho da jornalista.

O problema maior é que o caso imediatamente mobilizou o ministro do Supremo Gilmar Mendes e o advogado-geral da União, Jorge Messias, que pediu “uma ação rápida das autoridades para investigar e responsabilizar o agressor”. Contra os opositores da aliança STF-PT tudo deve ser mesmo rápido. Ordenamento jurídico, devido processo legal, direito ao contraditório, ampla defesa, isso tudo pode ser ignorado. Messias, que teoricamente defende a União, não pediu diretamente uma investigação sobre o caso em si, mas sobre o policial, que ele já trata de antemão por “agressor”. E, como as redes sociais ainda não estão totalmente censuradas, há nelas uma série de críticas ao advogado-geral da União e a Gilmar Mendes. Uma conta no X disse que o movimento dos dois confirma a existência de uma “liga dos cumpanhêru”, cujo lema é “mexeu com um, mexeu com todos”.

Gilmar Mendes, que nem deveria usar redes sociais, que deveria se manifestar apenas nos autos, usou o X para dar pitaco sobre o caso e foi chamado por usuários da rede de “comentarista político”, “influenciador digital”, “blogueiro”… O ministro escreveu o seguinte: “O ataque sofrido por Natuza Nery, em razão do simples exercício diário de seu ofício, exige pronta resposta do poder público, em especial dos órgãos de persecução penal. É de nossa manutenção na pauta civilizatória que estamos a tratar. As democracias dependem do jornalismo profissional; sem ele, não há liberdade de informação e, por conseguinte, liberdade de expressão”. Como resposta à publicação, muita gente lembrou também o caso de 2018 em que Gilmar mandou um repórter enfiar uma pergunta em determinado lugar…

O procurador de Justiça do Ministério Público do Rio de Janeiro Marcelo Rocha Monteiro explicou muito bem: “Não cabe a ministro do Supremo ultrapassar sua competência constitucional para provocar a atuação do órgão independente de persecução penal, sobre o qual não deveria ter nenhuma ascendência à luz da própria Constituição Federal. O bom direito diz que ocorre excesso passível de caracterização de abuso de poder quando o agente público atua fora de sua estrita competência legal”. Agindo dessa forma, um ministro do Supremo se traveste de agente político e, enquanto medidas legais não são tomadas contra esse tipo de comportamento, ele deveria, no mínimo, aceitar o que faz parte desse jogo: as críticas. E isso vale também para jornalistas que se entregam alucinadamente à militância política.

Outra questão que precisa ser colocada: não houve apenas uma agressão verbal de Gilmar Mendes a um jornalista em 2018… No ano seguinte, o STF censurou o portal O Antagonista e a revista Crusoé, por conta de uma reportagem sobre “o amigo do amigo de meu pai” – no caso, o ministro Dias Toffoli –, baseada em depoimento de Marcelo Odebrecht. E a censura contra jornalistas e veículos de imprensa, principalmente os independentes, só aumentou. Muita gente que não faz parte da “liga dos cumpanhêru” passou a ser perseguida, foi incluída em inquéritos ilegais, teve redes sociais e canais em plataformas de vídeos banidos, passaportes cancelados, contas bancárias bloqueadas. Muitos tiveram de deixar o Brasil. Para esses, não há garantia do exercício profissional, liberdade de expressão, “pauta civilizatória”…

Ou seja, aos jornalistas da tal “liga” querem garantir a tal “liberdade de expressão absoluta”. Eles podem dizer o que quiserem, mesmo que sem base nos fatos, no mundo real. Podem afirmar que o STF “salvou a democracia”, que Lula não foi condenado em três instâncias e libertado da cadeia numa manobra imunda, que manifestação que termina em quebra-quebra pode ser chamada de “tentativa de golpe de Estado”, quando interessa aos poderosos… E que se cuidem os jornalistas sérios, que ainda não foram “aniquilados” e fazem críticas fundamentadas e ponderadas à aliança STF-PT. No seu encalço estarão o Supremo e a AGU, que, com Lula de novo na Presidência, tem processado por crime de injúria muitos profissionais da imprensa, esses que sabem muito bem que o único regime em que não há espaço para críticas e questionamentos é a ditadura.

DEU NO X

SE ESTÁ NO DATAFOLHA, ENTÃO DEVE SER MAIOR…

LAUDEIR ÂNGELO - A CACETADA DO DIA

DEU NO JORNAL

LULA 3, O GOVERNO DOS RECORDES

Adriano Gianturco

Recordes de Lula

Nunca antes na história desse país um governo bateu tantos recordes. Pena que são todos negativos

O fim de um ano e início de outro é momento de retrospectivas. Aqui, faremos um balanço de 2024 focando nos recordes de Lula 3, e também de alguns outros resultados que, mesmo sem bater recordes, ficaram acima da média – para o mal, claro.

O governo Lula 3 bateu o recorde de rombo nas empresas estatais: o buraco de R$ 7,4 bilhões é o maior desde que a série histórica começou a ser calculada em 2002. Vale relembrar que Salim Mattar, quando foi secretário de desestatização, fez uma pesquisa para descobrir em quantas empresas a União (sem contar estados e municípios) tem propriedade ou participação (porque nem isso se sabia ao certo), e chegou ao número de 637, outro recorde mundial.

Uma das bases eleitorais desse governo é a casta burocrática, que viu seu salário aumentar de forma exponencial nos primeiros dois governos Lula, diferenciando-se muito dos salários pagos no setor privado. Depois de uma parada, quando o ministro Paulo Guedes bloqueou novos concursos, Lula não decepcionou e voltou a gastar mais com os empregados estatais: R$ 382,2 bilhões, recorde desde quando a série histórica começou a ser calculada em 2008.

Obviamente, tudo isso gerou um terceiro rombo, o maior de todos: o rombo das contas públicas, que atinge o valor de R$ 1,1 trilhão, outro recorde desde que a série histórica começou a ser calculada.

Pobre Lula; tamanho buraco deve ter ocorrido porque a economia vai mal e a arrecadação de impostos está caindo… só que não! O PIB está aumentando e a arrecadação também: subiu quase 10 ponto porcentuais acima da inflação, outro recorde!

Some-se tudo isso a outros fatores micro e macroeconômicos (inadimplência, produtividade, déficit, dívida pública) e a fatores políticos (ingerência no Banco Central, alinhamento internacional), e o resultado é a maior fuga de capital estrangeiro desde 2016 (quando começaram a calcular a série histórica): US$ 32,4 bilhões. Tudo isso leva ao sexto e ao sétimo recordes desse governo: a alta do dólar, que bateu R$ 6,26 antes de recuar só um pouquinho. Foi a maior cotação da história, senhores! E sejamos claros: não é tanto o dólar que sobe, é mais o real que cai. Sim, em 2024 o dólar se valorizou, mas o real se desvalorizou muito mais a ponto de ter sido a moeda que mais recuou em 2024, entre as mais negociadas mundialmente.

Essa fantástica performance não ocorre só na área econômica. A área do meio ambiente, tão presente no discurso de governos de esquerda, viu um recorde de queimadas dos últimos 14 anos – lembrando que os recordes precedentes também são de quando Marina Silva era ministra (2003-2008). Relacionado a este, vimos também o recorde de omissão e silêncio de artistas nacionais e globais!

Tivemos também recorde nas mortes por dengue, desde quando a série histórica começou a ser calculada: cerca de 6 mil pessoas. Mas isso não é genocídio, claro. E nem contamos aqui os recordes de 2023: o maior número de feminicídios desde 2015 e o recorde de mortes infantis indígenas, com 1.040 óbitos, aumento de 24% em relação ao ano anterior.

Recordes positivos? Não encontramos.

Algumas dessas marcas (mortes por dengue, fuga de capital estrangeiro, rombo das contas públicas, rombo nas estatais, rombo com o funcionalismo) são as maiores em determinado período de tempo porque as medições – e, consequentemente, as séries históricas – começaram poucos anos ou décadas atrás; se elas tivessem começado antes, o resultado poderia ser ainda pior. Veja-se a desvalorização do real e a arrecadação de impostos, que são recordes realmente históricos.

Que não se diga que esse governo não entregou resultados excepcionais: chegamos a nove recordes em 2024! Se esse for o governo que mais bateu recordes, isso por si só já levaria ao décimo recorde. Ainda temos dois anos promissores pela frente, vêm mais recordes por aí. Lula 3 está mesmo levando a sério o “nunca antes na história desse país”!

PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

SOMBRA – Florbela Espanca

De olheiras roxas, roxas, quase pretas,
De olhos límpidos, doces, languescentes,
Lagos em calma, pálidos, dormentes
Onde se debruçassem violetas…

De mãos esguias, finas hastes quietas,
Que o vento não baloiça em noites quentes…
Nocturno de Chopin… risos dolentes…
Versos tristes em sonhos de Poetas…

Beijo doce de aromas perturbantes…
Rosal bendito que dá rosas… Dantes
Esta era Eu e Eu era a Idolatrada!…

Ah, cinzas mortas! Ah, luz que se apaga!
Vou sendo, em ti, agora, a sombra vaga
D’alguém que dobra a curva duma estrada…

Florbela Espanca, Vila Viçosa, Portugal (1894-1930)

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

MIGUEL ANTUNES ZAGO – ARAGUARI-MG

A Argentina ao lado está dando certo porque expulsou a esquerda do poder.

O Brasil que votou na esquerda está indo NOVAMENTE pro buraco.

Santa Catarina dá certo porque não vota na esquerda.

Todo país que tem administração liberal de direita dá certo.

Todo Estado brasileiro administrado por uma direita liberal como Santa Catarina dá certo.

Pessoas que votam na esquerda votam na própria ignorância histórica e no próprio suicidio coletivo.

COMENTÁRIO DO LEITOR

LEITOR FIEL

Comentário sobre a postagem QUASE MORTA

João Bosco:

Boa Tarde!

Fiquei surpreso e agradecido por ver a foto de minha cidade Unai-MG estampada nesta gazeta escrota que eu adoro ler todos os dias.

Sempre que ligo o computador pela primeira vez no dia, procuro esta revista.

Quando acontece de estar sem atualização por falta de internet e o editor nos comunica, perco o resto de meu dia e não convém expressar aqui o que penso da operadora vivo.

* * *

DEU NO X

DEU NO JORNAL

JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

A PRAIA DE TAMBAÚ

Não sei quem é o autor da frase: “A propaganda é a alma do negócio”. Mas, sei que escuto isso há muito tempo e é, como dizia minha Avó, “antes do cão ser menino”!

Moro no Maranhão há 38 anos. Conheço alguns municípios, por força do trabalho, mas não conheço a fundo.

Pois, sem que seja coisa consciente por parte do governo maranhense (os governantes só pensam e agem politicamente – aliás, a má política), no município de Barreirinhas tem sido divulgada e destacada a beleza que é, realmente, “Os lençóis maranhenses” – um presente da Natureza, que poderia render mais para o Estado, se fosse em outro lugar com visão melhor e mais profissional.

E aonde quero chegar?

Pois, no extremo norte do Estado existe um município com o nome de Porto Rico, com “lençóis” muito mais bonitos e privilegiados pela Natureza, que os “lençóis de Barreirinhas”. Quem quiser comprovar, visite os dois lugares e tire suas conclusões.

A diferença, é que, realmente, a propaganda é a alma do negócio.

O belo, a culinária e o atendimento

Lembro bem que, em atividade jornalística, me desloquei de São Luís para João Pessoa. Faz tempo. Fiquei hospedado num hotel que imagino não ter sido alcançado pela classificação das estrelas. Hotel simples, com tudo simples – inclusive o atendimento.

O evento que fui designado para cobrir, foi um Campeonato Brasileiro de Natação que aconteceu num clube social de nome Cabo Branco. O hotel onde fiquei hospedado (na realidade, era quase uma pousada, pois servia apenas dormida, banho e café da manhã) fica a alguns metros da praia de Tambaú – onde funciona há alguns anos, o conhecidíssimo Hotel Tambaú, esse alcançado pela classificação estelar, com quatro ou cinco estrelas.

Alcatra bovina feita carne de sol acompanhada de macaxeira cozida e queijo de coalho assado

A noite era uma criança. No pequeno hotel, os professores que acompanhavam a delegação não queriam sair e deixar os jovens atletas “largados”, pois a competição era importante para uma classificação futura. Assim, por três noites (antes de regressar) saí sozinho. Caminhava pelo calçadão da praia de Tambaú. Cansado, sentava e forrava o estômago.

Prato pedido: carne de sol feita de alcatra bovina, frita na banha suína, macaxeira cozida e generosos pedaços de queijo de coalho assado. Só comi coisa igual, quando visitei Luiz Berto no Apipucos, que nos serviu fava rajada com o pernil de um animal que não lembro mais. Até hoje lembro da fava, e fico agradecido a Dona Aline.

Pois, o turismo paraibano faz propaganda de Tambaú, mas não faz da culinária, tanto quanto o turismo baiano faz do acarajé. A comida, comi num boteco caindo os pedaços nas proximidades de Tambaú – atendimento de primeira e qualidade da comida idem.

Caranguejo Uçá cevado

No dia seguinte, um sábado, mais uma excelente surpresa: parte da delegação almoçou no Clube Cabo Branco, enquanto preferi comer algo diferente na orla marítima. Mesmo calçadão da praia, mas, agora, em quiosques mais estilizados.

Morando no Maranhão, aprendi com a cultura local, que, “caranguejo gordo”, só nos meses sem a letra “R” (maio, junho, julho e agosto). E aquele evento em João Pessoa não aconteceu em nenhum mês desses citados.

Antes de sentar para fazer o pedido do que comeria, achei estranho um tanque de cerâmica num quiosque de madeira, e fui conferir. Vi caranguejos, limpos e se alimentando. O atendente me disse que eram “caranguejos cevados”. Mandei preparar, enquanto me deliciava com a brisa do mar, sorvendo uma cerveja gelada e escutando Zé Ramalho.

Pois, só havia comido com tanta gula e prazer, quando comi a carne de sol na noite anterior e, repito, quando comi fava rajada em Apipucos, na casa do Berto. No Apipucos, em vez de Zé Ramalho, ouvi e assisti Jessier Quirino e Salvador. Diferentes, e ao mesmo tempo parecidos.

Foi a partir daí que me convenci: a propaganda é a alma do negócio.