RODRIGO CONSTANTINO

ABANDONADO PELO SISTEMA?

Algo mudou. Jornalistas que até “ontem” aplaudiam Alexandre de Moraes como “defensor da democracia” estão à vontade para cobrar do ministro explicações sobre o escândalo do Banco Master.

Joel Pinheiro, na Folha, perguntou: “Discutir o impeachment de Moraes é golpismo?”. Em seguida, ele lembra que o Senado tem a prerrogativa de investigar e punir más condutas de ministros supremos. Sim, mas não é o que “bolsonaristas” alegam faz tempo?

Josias de Souza, no UOL, disse que o silêncio de Moraes sobre o caso Master “vai do inconcebível ao intolerável”. Merval Pereira, no Globo, disse algo similar, assim como seu colega Lauro Jardim. Estão todos cobrando explicações de repente!

Moraes soltou notinha, mas nada crível. Disse que as ligações para Galípolo, do Banco Central, miraram somente na questão da Lei Magnitsky. Fumou, mas não tragou? É como crer que Toffoli e o advogado do Banco Master falaram só de futebol no jatinho em que o ministro pegou carona. Piada!

Até mesmo Ricardo Noblat, petista, escreveu que estava à espera de que o ministro Moraes se explique, acrescentando: “O silêncio em certos casos é um mau sinal”. O que estaria acontecendo aqui? O sistema soltou a mão de Moraes? Vai puxar seu tapete? Pretende entregar sua cabeça numa bandeja?

Difícil dizer. GIlmar Mendes já saiu em defesa dos colegas Moraes e Toffoli. Gilmar é a cara do sistema. Mas nada impede de ele dizer uma coisa em público e agir de forma diferente nos bastidores.

Segundo Monica Bergamo, a Faria Lima ficou em polvorosa com as ligações de Moraes a Galípolo para interceder a favor do Banco Master. Ou seja, cada vez mais gente “chocada” com a corrupção de Moraes. Como disse Ludmila Lins Grilo, a corrupção é um tema mais sensível para as elites e a mídia do que a ditadura do Xande.

Leandro Narloch talvez tenha dado o tom: “Não se trata mais de impeachment do Moraes, mas de prisão em flagrante. Esse cara precisa estar na cadeia com urgência”. A turma vai perdendo o medo de defender isso em público. Moraes estaria mais fragilizado? Foi mesmo largado? Só o tempo dirá…

RODRIGO CONSTANTINO

HAVAIANAS: TIRO NO PÉ

É preciso ter titica na cabeça para fazer uma campanha que deliberadamente rifa mais da metade da potencial clientela, só por motivos políticos

O que deu na cabeça dos marqueteiros da Havaianas?! A marca de chinelos de borracha resolveu usar a artista petista Fernanda Torres para sua campanha de fim de ano, e com uma mensagem bizarra: não entrar no ano novo com o pé direito! Afinal, esquerdistas não querem saber de endireitar coisa alguma.

Claro que a campanha teve efeito bumerangue. A marca foi “cancelada” por inúmeras pessoas, e vários vídeos revoltados viralizaram. É preciso ter titica na cabeça para fazer uma campanha que deliberadamente rifa mais da metade da potencial clientela, só por motivos políticos.

A dona da marca, a Alpargatas, pertence ao grupo Itaú. Seu CEO foi do conselho do Lula. O próprio banco tem sócios importantes que vivem defendendo o PT. O boicote, portanto, nem deveria ficar restrito aos chinelos de PVC, mas ao próprio banco. Quem lacra não lucra!

Érika Hilton saiu em defesa da Havaianas, mas o que chamou a atenção foi o tamanho do seu pé. Certas coisas o movimento trans não consegue mudar. Enquanto isso, a marca concorrente, Ipanema, já surfa na onda e tenta capturar os clientes insatisfeitos com a guinada ideológica.

No capitalismo é assim mesmo: cada um é livre para escolher, e posicionamentos políticos têm consequências. Parece que a empresa já se deu conta da burrada, apagou a campanha e trancou os comentários, mas é tarde demais. O estrago está feito. Talvez a marca pudesse mudar de nome para Havanas. Fernanda Torres coleta seu cachê capitalista e vende socialismo para os otários…

Aqui em casa a Havaianas não entra mais. Não será um grande esforço: os chinelos são um tanto vagabundos, especialmente para o preço cobrado. Nos Estados Unidos, um par chega a custar mais de US$ 20, ou seja, mais de cem reais! Era só o valor da marca mesmo, pois o custo de produção não deve passar de dois dólares. Só que agora a marca está chamuscada. Que venda só para a turma petista. Vamos ver se é suficiente…

RODRIGO CONSTANTINO

ESCÂNCALO DO INSS MAIS PERTO DELE

O senador Weverton Rocha (PDT-MA), vice-líder do governo no Senado, foi um dos alvos de mandado de busca e apreensão da operação Sem Desconto, deflagrada nesta quinta-feira (18), que apura um esquema de descontos indevidos em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O secretário-executivo do Ministério da Previdência Social, Adroaldo da Cunha Portal, foi alvo de prisão domiciliar e foi afastado do cargo de “número 2” da pasta.

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Adroaldo Portal – numero 2 da Previdência – preso hoje na operação sem desconto

Romeu Carvalho Antunes, filho do empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, e o advogado Eric Fidelis, filho do ex-diretor do INSS André Fidelis, também foram presos durante a ação policial.

Além de pai e filho, Romeu e Antônio são sócios. Uma das empresas que compartilham tem o nome de “World Cannabis” e é alvo da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS. O “careca do INSS” é apontado pelas investigações como um dos principais envolvidos nos descontos indevidos em aposentadorias e pensões. Ironicamente, a empresa de fachada no escândalo da compra de respiradores pelo Consórcio NE tinha Hemp no nome, alusão à maconha também.

A Polícia Federal apreendeu armas, relógios, carros de luxo e dinheiro vivo na nova fase da operação Sem Desconto. Os agentes cumprem ao todo 52 mandados de busca e apreensão e 16 mandados de prisão preventiva no Distrito Federal, Maranhão, São Paulo, Paraíba, Rio Grande do Norte, Pernambuco e Minas Gerais.

A CPMI do INSS, instalada para investigar um esquema bilionário de fraudes em descontos indevidos aplicados a aposentados e pensionistas, tornou-se o centro de uma disputa política envolvendo o nome do filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. Na terça-feira (16), deputados da oposição acusaram governistas de blindar o filho do presidente mesmo diante de possíveis evidências de uma viagem a Portugal que Lulinha teria feito com Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”. Uma testemunha afirmou que Lulinha recebia mesada de R$ 300 mil do esquema.

O cerco vai se fechando em torno de Lula. Fica cada vez mais claro que esse escândalo do INSS teve o DNA de muita gente próxima do presidente, inclusive de seu filho. Lula seguirá fazendo cara de paisagem, ignorando o caso e mobilizando sua base para boicotar a CPMI. Mas o trabalho da PF vai se aproximando da sua família, que mais parece uma quadrilha. Desviar recursos de idosos aposentados talvez seja mesmo o ápice da canalhice, em meio a tantos escândalos que Lula e seu PT acumulam até aqui.

Só não dá para fingir surpresa: quem imaginou que colocar o ladrão de volta à cena do crime, como diria seu vice Alckmin, faria com que escândalos de corrupção voltassem com tudo à tona?!

RODRIGO CONSTANTINO

NOTÍCIAS RUINS DO FRONT ECONÔMICO

Haddad confirma que pode deixar a Fazenda para atuar na campanha de Lula

Haddad afirma que pode deixar o comando do Ministério da Fazenda para “colaborar com a campanha do presidente Lula”

Com aumento de impostos, carga tributária bate recorde histórico no governo Lula. Em 2024, Brasil registrou maior arrecadação em 20 anos, segundo dados federais. O problema nunca foi falta de grana, mas sim o tamanho das despesas. Lula mente ao dizer que Fernando Haddad reduziria impostos. Ele merece a alcunha de Taxad, como podemos ver. Sai em fevereiro deixando como legado econômico apenas isso: recorde de arrecadação!

Atividade econômica recua em outubro, diz Banco Central. IBC-Br cai 0,2% no mês, indicando estagnação no PIB. Não obstante o “pibinho”, a inflação acumulada em 12 meses segue perto do topo da meta, em 4,46%. O Banco Central diz que condução ‘cautelosa’ dos juros tem reduzido inflação. O Copom manteve Selic em 15% ao ano pela quarta vez na semana passada; na ata, destacou o “o ganho de confiança que vem se acumulando com o processo de desinflação”.

PIB fraco, inflação ainda resiliente, juros na Lua: vai se configurando um quadro arriscado de estagflação, quando há estagnação na atividade econômica e mesmo assim ocorre perda do valor de compra da moeda. Já seria uma situação complicada por si só para os brasileiros, mas quando analisamos a questão do endividamento…

As famílias estão endividadas, assim como o próprio governo. A dívida sobre o PIB deve passar de 80%, valor preocupante para um país emergente. Nem na pandemia chegou nesse patamar, e mesmo assim a alta no governo Bolsonaro se mostrou temporária. Paulo Guedes entregou a casa em ordem. O PT parece pior do que o vírus chinês, levando a dívida a patamares insustentáveis.

Enquanto isso, o governo quer ajudar MEIs, micro e pequenas empresas a pagar dívidas. Um programa de renegociação de dívidas de micro e pequenas empresas nos moldes do que foi o Desenrola Brasil para as pessoas físicas no ano passado está em fase avançada de definição dentro do governo.

Segundo a Serasa Experian, os números mais recentes mostram que o total de CNPJs em atraso chega a 8,4 milhões, com a vasta maioria sendo de companhias de menor porte: 7,9 milhões. Dados do Banco Central também mostram o crescimento da inadimplência na carteira de crédito de micro, pequenas e médias empresas. Em janeiro de 2024, eram 4,29% dos contratos com atraso de mais de 90 dias — número que subiu para 5,6% em outubro deste ano.

Em suma, famílias, empresas e, acima de tudo, governo endividados, num cenário de economia fraca e inflação ainda persistente, no topo da meta. Como 2026 é ano eleitoral, o governo prepara seus pacotes de “bondades” para aliviar os endividados e estimular o consumo, mas faz isso com irresponsabilidade, sempre criando um mecanismo perverso de incentivos. Vai empurrando com a barriga o inevitável encontro com o problema fiscal.

Se a fotografia da economia brasileira não é nada boa, o filme é ainda pior. Analisando pela ótica dinâmica do mercado, o quadro vai se agravar em 2026 e o presidente que assumir em 2027 terá uma baita herança maldita para digerir. Uma vez mais o PT causou enorme estrago nas contas públicas e na economia nacional. Quem poderia imaginar?!

RODRIGO CONSTANTINO

ATAQUE JUDEOFÓBICO NA AUSTRÁLIA

tiroteio australia

Ambulância atende feridos após ataque terrorista na Praia de Bondi, em Sydney, durante festa judaica do Hanukkah

Um ataque terrorista a uma celebração judaica de Hanukkah na Bondi Beach, em Sydney, Austrália, matou pelo menos 15 pessoas e feriu dezenas, segundo as autoridades, marcando o ataque antissemita mais mortal desde o massacre de 7 de outubro de 2023 pelo Hamas em Israel.

O tiroteio ocorreu enquanto cerca de 2.000 pessoas se reuniam para celebrar a primeira noite de Hanukkah. A polícia afirma que o ataque teve como alvo deliberado a comunidade judaica, envolveu pelo menos dois atiradores e incluiu dispositivos explosivos improvisados encontrados nas proximidades. Um dos atiradores foi morto e outro está em estado crítico.

“Um dos supostos atiradores nos ataques mortais na Bondi Beach, em Sydney, era Naveed Akram, um homem do sudoeste da cidade”, informou a ABC News, citando uma autoridade sênior das forças de segurança.

Um civil desarmado derrubou um dos terroristas enquanto ele atirava contra a celebração judaica, e é possível ver em imagens o momento em que ele luta para tirar a arma do terrorista. Trata-se de um homem chamado Ahmed al Ahmed, dono de uma frutaria local, de origem síria, que correu em direção a um dos atiradores e conseguiu arrancar a arma de suas mãos, salvando vidas. Ele foi baleado durante a ação, mas é amplamente elogiado como herói pelas autoridades australianas.

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, culpou o governo australiano pelo aumento do antissemitismo no país. Na paranoia da pandemia, o jogador de tênis Djokovic não pode entrar no país por falta de vacina contra a Covid, mas a entrada de muçulmanos sem o devido critério segue em alta. E o discurso inflamado contra Israel e o povo judeu também.

O antissemitismo parece em alta no Ocidente como um todo, e em países em que o próprio governo alimenta a narrativa falsa de que Israel é responsável por um “genocídio” em Gaza, isso fica ainda pior. É o caso do Brasil de Lula, que tem visto mais e mais casos de judeofobia. O presidente levou mais tempo para se manifestar sobre o ataque terrorista na Austrália do que o prefeito muçulmano eleito por Nova York. Lula escreveu:

Recebi com profunda consternação a notícia do brutal atentado terrorista ocorrido neste domingo na Austrália, que tirou a vida de 15 pessoas e deixou dezenas de feridos. É inaceitável que atos de ódio e extremismo ceifem a vida de pessoas inocentes e atentem contra valores de paz, coexistência pacífica e respeito. Manifesto a mais sincera solidariedade às famílias das vítimas, à comunidade judaica, ao governo e ao povo australiano. O Brasil reitera o seu compromisso inabalável com a defesa da vida, da tolerância e da liberdade religiosa.

Faltou o presidente mencionar que foi um atentado muçulmano. Não são todos os muçulmanos que defendem o terror, claro, e basta lembrar que o civil que desarmou o terrorista também é muçulmano. Mas é inegável que a imensa maioria dos ataques terroristas, como o na Austrália, hoje vem de islâmicos que aprendem a odiar judeus desde cedo, numa intensa lavagem cerebral.

A civilização judaico-cristã está sob ataque, mas muitas autoridades se recusam a encarar o problema, falar abertamente da imigração desenfreada e do que isso representa para o Ocidente. Os judeus representam uma minoria perseguida, mas dentro do discurso esquerdista, eles nunca podem ser as vítimas. A demonização de Israel tem cobrado um alto preço e os judeus não se sentem mais seguros em vários países ocidentais.

Ou as democracias liberais do Ocidente mudam o quanto antes essa postura, ou esses países estarão irreconhecíveis em poucos anos, dominados por radicalismo islâmico e sem oferecer qualquer segurança aos judeus ou mesmo cristãos.

RODRIGO CONSTANTINO

O CONGRESSO

A decisão de Alexandre de Moraes, que decidiu cassar o mandato de Carla Zambelli (PL-SP) mesmo após decisão da Câmara de mantê-lo repercutiu imediatamente nas redes sociais. Políticos de esquerda e de direita correram para comentar a atitude.

O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) chamou o ato de “usurpação”. “Quando um ministro anula a decisão soberana da Câmara e derruba o voto popular, isso deixa de ser Justiça e vira abuso absoluto de poder. O Brasil viu um ato de usurpação institucional: um homem passando por cima do Parlamento e da vontade do povo”, disse em sua conta no X.

O senador Rogério Marinho (PL-RN) também deu destaque à interferência do judiciário no legislativo. “O art. 55, §2º da Constituição, é claro: em caso de condenação criminal, a perda de mandato depende de decisão do Parlamento, por maioria absoluta. Ao cassar o mandato por ato individual, o Judiciário usurpa competência exclusiva do Legislativo”, disse.

Alguns alegam que há uma jurisprudência do STF de 12 anos sobre o tema, mas se o Supremo está ignorando a própria Constituição há 12 anos, a coisa fica ainda pior! Afinal, o texto é claro. Cabe à Câmara decidir. Moraes, uma vez mais, atropela outro poder. E o presidente Hugo Motta não se mostra à altura do cargo.

A falta de reação do Parlamento tem sido um convite a novos abusos. Decisão ilegal de sancionado por abuso de direitos humanos não se cumpre. Em algum momento, o Congresso terá de peitar para valer o STF. Talvez esse momento já tenha passado e seja tarde demais.

A triste verdade é que a população percebe uma inutilidade crescente do Congresso, se todo poder emana de poucos ministros supremos. Enquanto isso, a esquerda petista quer retomar as ruas para fazer campanha contra… Hugo Motta e Alcolumbre, os dois presidentes que têm protegido o consórcio PT-STF! E ainda chamam o Congresso de “inimigo do povo”. Não é golpismo?

O Poder Legislativo é o que efetivamente representa a população, com milhões de votos espalhados pelo país todo. Mas ele vem se tornando irrelevante perante os abusos supremos em conluio com o Poder Executivo. Quando o Parlamento “morre” desse jeito, a democracia foi para o saco. São tempos sombrios que o Brasil vive…

RODRIGO CONSTANTINO

O DISCURSO DE CORINA MACHADO

maria corina maduro trump

A líder opositora Maria Corina Machado, que recebeu neste ano o Prêmio Nobel da Paz

Maria Corina Machado recebeu o Prêmio Nobel da Paz, por toda a sua corajosa luta por liberdade e democracia na Venezuela. Ela conseguiu sair do país escondida e ir até Oslo, mas não a tempo de fazer o discurso de agradecimento. Este ficou por conta de sua filha, num inglês perfeito, que levou a mensagem de sua mãe ao mundo.

O trecho mais importante talvez seja quando ela disse que os venezuelanos tomaram como garantida sua democracia, que era uma das mais sólidas da região. “Quando compreendemos o quanto frágeis as instituições se tornaram, já era tarde demais”. Raramente se perde a liberdade de uma só vez.

O populismo de Chávez e Maduro, a compra de votos, a distribuição de benesses por meio do assistencialismo, a perseguição aos opositores, a cooptação da cúpula militar, os ataques aos empresários, tudo isso foi minando gradualmente a democracia, até restar somente uma ditadura socialista escancarada.

A fraude eleitoral passou a ser a regra, diante dos olhos de todos. Mas já não havia muito o que fazer. A comunidade internacional denunciou, mas a Venezuela já estava fechada num regime isolado dentro do eixo do mal. A grande esperança vem de uma ação militar americana para derrubar Maduro.

A Venezuela viu o maior êxodo da história recente, com quase dez milhões fugindo do país. Maria Corina Machado permaneceu e segue numa luta arriscada contra o ditador, mobilizando o restante da população que ficou no país e deseja a volta da normalidade democrática. Ela estava há quase dois anos sem ver a própria filha! O reencontro de ambas foi tocante.

Corina Machado é uma heroína nessa batalha por liberdade. O Nobel da Paz, que no passado já foi concedido a pessoas não merecedoras, finalmente teve um destino certo, chamando a atenção para a triste realidade venezuelana. O belo discurso, lido por sua jovem filha, mostra que a defesa desses valores está no sangue da família. Nas redes sociais, a repercussão foi enorme.

Agora é esperar a ajuda da cavalaria do norte. Se Trump autorizar uma ação militar terrestre e culminar na morte, prisão ou fuga de Maduro, ele será outro a merecer o Nobel da Paz. Enquanto isso, a esquerda petista fica em silêncio ou sai em defesa do companheiro Maduro, e as feministas se calam diante de uma mulher “empoderada” e corajosa como Corina Machado. O feminismo não liga para mulheres independentes, pois sua agenda é o esquerdismo.

RODRIGO CONSTANTINO

O DILEMA DA DOSIMETRIA

Câmara aprova PL da dosimetria que reduz pena de Bolsonaro

Após meses de impasse, Câmara aprova PL da dosimetria que reduz penas de Bolsonaro e de condenados do 8/1

A Câmara dos Deputados aprovou, na madrugada desta quarta-feira (10), o projeto de lei que reduz as penas do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e dos envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023. O PL da dosimetria recebeu 291 votos favoráveis, 148 contrários e uma abstenção. Os deputados rejeitaram todos os destaques da base do governo que poderiam alterar o projeto.

O texto segue para análise dos senadores. Mais cedo, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), garantiu que a proposta será votada ainda neste ano. O deputado Marcel van Hattem (Novo-RS) destacou a necessidade de se aprovar a proposta da dosimetria para beneficiar as pessoas presas pelo 8 de janeiro. “Temos pressa na aprovação desse projeto, estamos falando da redução do sofrimento das pessoas”, disse.

E esse é o grande dilema que se apresentou para a oposição. Todo brasileiro atento sabe que somente uma anistia ampla, geral e irrestrita faria alguma justiça. Na verdade, o certo mesmo era anular as sentenças absurdas, uma vez que os julgamentos foram políticos e teatrais, sem embasamento ou provas, sobre uma tentativa de golpe inexistente. Mas isso estava fora de questão.

A triste realidade é que o sistema venceu essa batalha. A guerra ainda não acabou, mas o poder real está nas mãos do STF – tanto que não houve qualquer chance de sequer votar emendas, e nos bastidores se sabe que foi exigência de Moraes. Uma vez que o regime tinha a faca e o queijo na mão, era dosimetria ou nada. Muitos conservadores optaram pelo aspecto humanitário: reduzir as penas de presos políticos afastados de suas famílias injustamente.

Por isso deputados do Novo e do PL votaram “sim”, mesmo sabendo que são “migalhas” oferecidas pelos que sequestraram esses pobres coitados. Alguns não queriam ceder, o que também é compreensível: agora ficou basicamente inviável falar em anistia, e ao votar pela redução das penas, a direita acabou ajudando a endossar a narrativa oficial do golpe.

Mas o realismo se impõe: não sou eu que vou passar o Natal longe dos pais ou dos filhos. É mais fácil bancar o herói quando não é um familiar nosso “sequestrado”. Bolsonaro recomendou voto favorável, mesmo sabendo que sua redução de pena ainda o levaria ao regime fechado por mais de dois anos. Ele pensou nos demais presos, muitos dos quais serão soltos com a nova regra, se aprovada pelo Senado.

O Brasil vive seu capítulo mais sombrio da “democracia”, e a permanência desses presos políticos é a maior prova dos abusos supremos. O projeto da dosimetria está bem longe do ideal, pode ter enterrado de vez a chance de uma anistia, e alimenta o discurso do STF. Mas paciência: compreendo quem votou pelo projeto pensando única e exclusivamente na soltura de inocentes. É isso o que mais importa nesse momento.

RODRIGO CONSTANTINO

O CANDIDATO É FLÁVIO BOLSONARO: ACEITA QUE DÓI MENOS!

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), anunciado como pré-candidato à presidência da República

Quando Flávio Bolsonaro disse que poderia não ir até o fim da candidatura, que tinha um “preço” para abandoná-la, muitos que o rejeitam e preferem o centrão ficaram eufóricos, acreditando que sua indicação pelo pai era um “balão de ensaio” ou uma “chantagem” pela anistia. O Globo chegou a escrever uma longa reportagem concluindo que Flávio aceita “negociar”.

Mas, como eu tinha imaginado, era uma “trolagem”, uma forma de ganhar destaque na mídia, holofotes da imprensa para revelar o óbvio: Flávio é mesmo o candidato. Seu “preço” é libertarem Jair Bolsonaro para que ele seja o candidato. Ou seja, não tem negociação alguma. Não tem balão de ensaio. É Flávio Bolsonaro e ponto final.

Entendo o desespero da Faria Lima, que tinha clara preferência por Tarcísio. É o “pragmatismo” amoral de quem acusa Bolsonaro de egoísmo, ignorando que o homem está doente e preso para o resto da vida sem ter cometido qualquer crime, só por ter exposto o sistema podre. Egoísmo me parece ignorar esse aspecto em sua escolha.

Encurralaram Bolsonaro, não ligam para seu destino, e queriam apenas seus votos, para que um centrão dominado por Kassab pudesse tirar Lula do poder e dar um choque de gestão na economia. Aqueles que pensam somente no próprio bolso e nunca ligaram para Daniel Silveira, Filipe Martins, Débora e tantos outros acusam Bolsonaro de egoísta!

Ao endossar a candidatura do filho Flávio, Bolsonaro não priorizou o clã familiar, mas pensou em confrontar o sistema que não lhe deixou qualquer saída. No mais, aqueles que dizem que o bolsonarismo morreu e Flávio tem “telhado de vidro” podem lançar um candidato próprio de “terceira via”. Ou seja, o desespero dessa turma revela sua hipocrisia: eles sabem quem tem os votos!

Flávio é competitivo sim. Como argumenta Adolfo Sachsida na Gazeta, “Flávio Bolsonaro tem experiência legislativa, perfil moderado, capacidade de diálogo. Ele sabe unir, não dividir. Sabe ser firme, sem ser intransigente. Sabe conciliar, sem abrir mão de princípios. É esse espírito – esse temperamento – que atrai o centro, os moderados e todos aqueles que desejam firmeza sem radicalismo”.

Os antipetistas falavam em união contra Lula, e agora já querem rifar Flávio? Não faz qualquer sentido. É preciso se unir em torno de sua candidatura, compreender que ainda há um longo caminho pela frente, e costurar alianças importantes. Flávio tem condições de fazer isso, mas terá de enfrentar o “nojinho” daqueles que, no fundo, não suportam o sobrenome Bolsonaro.

O sistema está com suas entranhas expostas em praça pública. Toffoli blinda o Master e viaja em jatinho particular com o advogado do banco Arruda Botelho, enquanto Gilmar blinda os próprios ministros do STF. Até o Estadão, que até aqui justificou vários abusos supremos, constatou: “Com a tentativa de limitar a possibilidade de impeachment de ministros, o STF afirma, em essência, que precisa se proteger do resultado da eleição para o Senado, um evidente disparate”.

O Brasil foi dominado por uma quadrilha, e qualquer candidato de oposição precisa, no mínimo, ter coragem para denunciar esses abusos. Flávio Bolsonaro tem, além de seu próprio sobrenome, capacidade para enviar um recado claro: só há eleição que possa ser chamada desse nome se houver Bolsonaro nas urnas.

Fizeram de tudo para eliminar Jair da equação política, mas o ex-presidente soube dar a resposta indicando seu filho Flávio como candidato. Agora cabe a todos que querem se livrar de Lula e dos abusos supremos se unir em torno desta candidatura, a que representa a direita de verdade. E Flávio marcaria um golaço se indicasse, como sugeriu Silvio Navarro, Paulo Guedes como seu Posto Ipiranga…

RODRIGO CONSTANTINO

PERSEVERANÇA

direita esquerda bandeiras

O Brasil cansa. Qualquer pessoa atenta fica desanimada. É tanta cacetada no cidadão de bem que fica difícil seguir adiante. Por isso a Oração da Manhã de Dom Adair José Guimarães desta sexta, “A virtude da perseverança”, veio tanto a calhar. Parece que foi feita sob medida para todos aqueles que, como eu, andam cansados.

Não é para menos. Numa só semana, Toffoli colocou sigilo total no caso Banco Master, após soltura de Daniel Vorcaro, Gilmar Mendes, em decisão monocrática, blinda os ministros do STF de qualquer chance de impeachment, e boataria se espalha de que a Magnitsky de Moraes pode cair em acordo entre Lula e Trump.

Lulinha ganhava mesada de R$ 300 mil ligada ao escândalo do INSS, e o Careca fazia até ameaça contra a testemunha que denunciou o esquema. A coisa está chegando na família Lula mesmo, pois seu irmão Frei Chico já estaria ligado até o pescoço. Mas a velha imprensa finge que nem viu a notícia.

Enquanto isso, a direita briga entre si, até dentro da família Bolsonaro. A campanha conservadora vai usar um boneco de papelão do ex-presidente preso, enquanto o PT vai ter toda a máquina estatal na mão, a ajuda do supremo, as estatais corrompidas e os artistas e jornalistas militantes e engajados.

Tem muito mais, na verdade. Tem a soltura do assassino de Aracruz, após somente três anos. O sujeito matou quatro pessoas e já está livre! É um país dominado pela barbárie hobbesiana. É muito difícil apostar no futuro da nação, acreditar que um dia as coisas vão mesmo melhorar. O cansaço parece inevitável.

Daí a importância da mensagem de Dom Adair. Precisamos perseverar, com confiança, fé, apesar do cansaço, dos contratempos. Passei por uma grande provação pessoal recentemente, na luta contra um câncer agressivo, e sei da importância dessa postura de perseverança, até de otimismo diante do sofrimento.

Os percalços são grandes, mas temos de crer na vitória final. Deus está conosco. Deus está com aqueles que perseveram na luta. Vamos em frente, com ou sem Magnitsky, impeachment ou mesmo Bolsonaro como cabo eleitoral. O jogo é bruto, o sistema faz de tudo para manipular o resultado eleitoral. Do nosso lado, temos a verdade e a perseverança. Um dia a mesa vira. Amém!