DEU NO JORNAL

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O PLANO DO PT PARA O BRASIL

Editorial Gazeta do Povo

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José Dirceu discursa durante o 8.º Congresso Nacional do PT, em abril

O Partido dos Trabalhadores encerrou seu 8.º Congresso Nacional com a aprovação e a divulgação de um manifesto em que exalta os feitos – alguns reais, outros ilusórios, outros fora de contexto – do terceiro mandato de Lula e repete o mantra da “herança maldita” para explicar tudo o que não deu certo. É um documento redigido com o olhar para as eleições de outubro, obviamente; mas quem quer que o leia com critério perceberá que ele acaba sendo uma ótima peça publicitária… para a oposição. Afinal, boa parte do que está ali, se tornado realidade, seria uma verdadeira catástrofe para o Brasil.

A começar, claro, pela declaração de que o “horizonte programático” do partido é o “socialismo democrático” – uma impossibilidade em si, já que não existe nenhum exemplo bem-sucedido de regime socialista que também seja democrático, e a história mostra muito bem que, tendo de escolher entre o socialismo e a democracia, líderes com a mesma ideologia do petismo sempre ficam com aquele e acabam com esta. Não à toa, tudo o que aparece no manifesto com o termo “democratização” significa, no fundo, que o setor em questão deve ser colocado sob a tutela do partido, o autoproclamado representante do povo. “Democratizar” a comunicação, por exemplo, é o eufemismo para a censura ditada pelo governo; “democratizar” o campo é o código para a violação do direito de propriedade; e assim sucessivamente.

Curiosamente, entre os alvos da “democratização” petista está, agora, o Judiciário. Ao que tudo indica, já não basta, para o petismo, que a Justiça brasileira, especialmente os tribunais superiores, tenha livrado Lula da cadeia e limpado sua ficha, tenha demolido a Lava Jato, esteja perseguido ferozmente os críticos – famosos e anônimos – do governo, e faça ativismo judicial em prol das plataformas petistas em assuntos de comportamento: é preciso botar o cabresto de vez nos juízes e ministros. E o documento ainda foi redigido, aprovado e publicado antes de o Senado humilhar Lula, recusando o nome de Jorge Messias para o STF; é de se imaginar o que os petistas teriam incluído no manifesto a respeito do Judiciário se ele tivesse sido escrito após a derrota.

Quanto trata de economia, o petismo se limita a uma ladainha de indicadores positivos, comparados com o mandato anterior, sem considerar o estrago feito pela pandemia, primeiro com a devastação dos negócios graças ao “fecha tudo”, e depois com a enorme pressão inflacionária oriunda da retomada da atividade econômica. Como já se esperava, o petismo afirma ter trazido “a inflação de volta à meta”, uma afirmação duplamente mentirosa – primeiro, porque a meta é de 3% ao ano, enquanto os 4,5% são apenas o limite superior da banda de tolerância; segundo, porque o mérito por não deixar a inflação fugir do controle é da política monetária contracionista do Banco Central, não do governo. A contribuição de Lula vai na direção contrária: provocar inflação ao basear toda a sua política econômica no estímulo ao gasto governamental e ao consumo das famílias – um roteiro que, de acordo com o manifesto, será mantido em um eventual quarto mandato lulista. E, com a dívida pública crescendo quase dez pontos como proporção do PIB no atual mandato, o PT ainda tem a desfaçatez de afirmar que “todos esses resultados foram conquistados em conjunto com a melhora das contas públicas”.

Em resumo, o que o PT promete é mais controle estatal sobre a sociedade, mais intervencionismo na economia, e mais estímulo à irresponsabilidade no gasto público. Uma receita desastrosa, evidentemente, mas que o petismo tenta embalar de forma bonita, embora um tanto passivo-agressiva, ora ressaltando números como o baixo desemprego, ora afirmando que, se não mantiver o PT no poder, o país cairá nas garras da “extrema direita fascista”. Nada que o Brasil já não conheça, vindo de onde vem; mas é um sinal forte de que o petismo não tem mais nada a oferecer ao país além das receitas antigas que dão resultados de curto prazo enquanto plantam estagnação e recessão econômica, e que ocultam o avanço do Estado sobre a sociedade usando a camuflagem da “democratização”.

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O MAIOR NÍVEL DA HISTÓRIA

A partir desta segunda-feira (4), os pagadores de impostos brasileiros já amargam mais de R$ 1,45 trilhão pagos em impostos, em 2026.

A conta é da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), através da ferramenta “Impostômetro”.

Só no mês de abril, foram tomados da população cerca de R$ 360 bilhões, aumento de 13% em relação a março, que já foi considerado recorde histórico no volume de taxas cobradas para o mês.

Em média, o pagador de impostos bancou R$ 12 bilhões por dia, durante o mês de abril.

É o maior nível da História.

Apenas o estado de São Paulo respondeu por R$ 504 bilhões pagos em impostos, entre 1º de janeiro e 1º de maio, este ano.

A arrecadação dos governos municipais, estaduais e federal cresceu 2,9% em 2026 em comparação com o ano passado, aponta a ACSP.

* * *

A expressão “tomados da população”, usada nessa nota aí de cima, é um resumo perfeito.

Tomados com força!

Pague e não bufe, nobre contribuinte.

E se prepare pro aumento na varredura que é feita no seu bolso.

O tri-tri-tri não para de crescer.

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A CAMINHO DO FUNDO DO POÇO

As duas grandes derrotas do governo Lula (PT) no Congresso Nacional semana passada, primeiro com a rejeição histórica do seu indicado ao Supremo Tribunal Federal Jorge Messias e depois com a derrubada do veto à lei que vai reduzir penas dos condenados pelo 8/jan, prenunciam dificuldades que as pesquisas já indicam que o presidente vai enfrentar nas eleições.

* * *

As pesquisas estão ótimas: o Descondenado está afundando ligeiro, ligeiro.

Em tudo quanto é recanto deste sofrido país.

Uma excelente notícia para levantar o astral da banda decente do Brasil neste domingo.

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ANÃO ECONÔMICO

Editorial Gazeta do Povo

editorial pib per capita

Em indicadores como PIB per capita, produtividade, liberdade econômica e participação no comércio internacional, o Brasil ocupa posições medíocres

Em 2014, o diplomata israelense Yigal Palmor, então porta-voz da chancelaria de Israel, chamou o Brasil de “anão diplomático”, em resposta a críticas brasileiras a uma ação israelense na Faixa de Gaza. Na ocasião, o presidente de Israel se desculpou em telefonema à então presidente Dilma Rousseff, mas a expressão e seu simbolismo permaneceram. Se “anão diplomático” entrou para o vocabulário como um país pequeno e sem expressão nas questões diplomáticas internacionais, o Brasil corre agora outro risco: o de ser, paradoxalmente, uma nação com uma economia nominalmente grande, entre as maiores do mundo, mas um “anão econômico” em vários outros indicadores.

O PIB de 2025, de US$ 2,3 trilhões, dividido por uma população de 213,4 milhões, resulta em US$ 10,8 mil de PIB por habitante. Tanto o PIB total quanto o PIB per capita, no entanto, apresentam dois problemas. O primeiro é mais óbvio: a fatia do PIB que cabe a cada habitante é muito pequena, e coloca o país longe do padrão de vida dos países desenvolvidos. O segundo problema é que esse PIB é insuficiente tanto para permitir a reposição da parte do capital físico (infraestrutura física, empresarial e social) desgastada pelo uso quanto para promover o aumento do capital físico necessário ao aumento do PIB per capita nos próximos anos.

Vale lembrar que o PIB, sendo o valor total de todos os bens e serviços finais produzidos mais o aumento do estoque dos bens intermediários e dos produtos inacabados, pode ser visto também como o resultado da multiplicação do número de horas trabalhadas pelo valor da produção de cada hora (a produtividade expressa em valores monetários). Assim, o PIB per capita brasileiro é pequeno não porque o brasileiro trabalhe pouco, mas porque a produtividade/hora do trabalho é bastante baixa no ranking mundial, equivalendo a um quarto da produtividade dos norte-americanos, suecos, alemães ou finlandeses, um sexto da produtividade de um norueguês e um oitavo da produtividade de um irlandês, segundo dados de 2025 da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

O Brasil tem áreas de excelência, entre as quais sobressai expressivamente o agronegócio, a ponto de o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos lançar um relatório afirmando que a transformação da agropecuária brasileira nos últimos 70 anos é um caso de sucesso praticamente único no mundo. O relatório e outros documentos retratam o papel significativo desempenhado pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) na evolução da pesquisa científica, uma estatal que deu certo e responde por contribuição decisiva para a melhoria da agropecuária em termos de produtividade e qualidade. Infelizmente, o sucesso da Embrapa é caso raro entre as centenas de empresas estatais brasileiras.

Quanto ao crescimento econômico, é importante ressaltar que o PIB por habitante é a principal variável para definir se o país terá um padrão médio de bem-estar social acima da linha da pobreza e poderá sonhar com padrão de vida próximo das nações desenvolvidas. Essa deveria ser a principal preocupação das autoridades públicas e a premissa primeira na elaboração do planejamento e na execução da política econômica. Infelizmente, a demagogia é abundante entre os governantes brasileiros, especialmente quando se trata de justificar sua incompetência e o baixo desempenho; um caso bastante didático é o de Dilma Rousseff, que pouco antes de seu impeachment afirmou que não é pelo PIB que se mede o desenvolvimento de um país, mas sim pela forma como a sociedade e o governo tratam suas crianças e adolescentes.

A retórica da então presidente petista era puro sofisma diante do péssimo desempenho da economia nacional, especialmente nos anos de 2015 e 2016, quando o governo jogou o país em grave recessão que fez o PIB cair mais de 7% em dois anos, gerando desemprego e sofrimento à população brasileira – e, se um país não cresce, não tem como oferecer vida e serviços dignos a seus cidadãos, incluindo as crianças e adolescentes. Não era apenas uma fala logicamente abominável e inverídica, mas também hipócrita, porque durante os anos de crescimento do PIB sob governos petistas o indicador sempre foi usado por Lula e Dilma para autopromoção, como se apenas eles soubessem fazer o país crescer, gerar empregos e melhorar a renda das pessoas.

O PIB importa, sim, e muito. Sem que ele cresça acima da taxa de aumento populacional não há chance de o país eliminar a miséria, reduzir a pobreza e sonhar com o ingresso no grupo das nações desenvolvidas, cuja renda por habitante é superior a US$ 30 mil anuais. O PIB de US$ 2,3 trilhões pode colocar o Brasil entre as maiores economias do mundo, e podemos nos orgulhar de algumas áreas de excelência; mas, em quesitos como o PIB per capita, a produtividade do trabalho e outros, como a participação no fluxo de comércio internacional, de fato estamos mais para anões.

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