DEU NO JORNAL

O BRASIL NÃO AGUENTA MAIS

Paulo Briguet

Em 4 de março de 2013, a então presidente Dilma Rousseff, nossa eterna Mulher Sapiens, disse:

“Nós podemos disputar eleição, nós podemos brigar na eleição, nós podemos fazer o diabo quando é a hora da eleição. Agora, quando a gente está no exercício do mandato, nós temos que nos respeitar, porque fomos eleitos pelo voto direto do povo brasileiro”.

É interessante notar que a primeira parte da fala descreve perfeitamente o comportamento da esquerda brasileira durante o período eleitoral (inclusive o comportamento da própria Dilma). Mas a segunda parte da mensagem nunca foi, nem de perto, seguida pelo PT. Na hora da eleição, os petistas fazem o diabo; na hora de governar, também.

Depois de fazer o diabo no governo, Dilma deixou o Brasil na pior recessão de sua história. E Lula está fazendo exatamente a mesma coisa agora, com um terrível acréscimo: reeleita, Dilma destruiu a economia; reeleito, Lula destruirá a economia e os últimos resquícios de justiça e liberdade no país.

O diabo, como se sabe, é o pai da mentira. Mas não se trata de uma mentira qualquer. Aqui estamos falando da mentira universal, aquela que abarca e inverte toda a realidade, transformando o bem em mal, o crime em virtude e a virtude em crime. O intelectual romeno Vladimir Tismaneanu faz uma descrição magistral desse fenômeno no livro “O Diabo na História”, em que retrata os regimes da Alemanha nacional-socialista e da Rússia comunista.

O diabo tem dois ardis fundamentais. O primeiro é tentar convencer as pessoas de que não existe. Quando esse ardil falha — cedo ou tarde, as pessoas percebem que o diabo é perfeitamente real —, ele passa a se travestir como o seu oposto.

Recentemente, Lula arvorou-se em dar conselhos não solicitados à Igreja Católica em questões como o celibato clerical e a ordenação de mulheres. Foi mais longe: afirmou que o vermelho do PT corresponde ao sangue de Cristo.

Faz isso no mesmo momento em que está sendo revelada, aos olhos do país inteiro, toda a podridão do seu governo, em um oceano de lama que inclui o principal algoz de seus inimigos, os mais altos líderes da República, seus assessores diretos e até seu filho mais velho. Essa escalada de crimes me lembra um personagem do Apocalipse: o Anticristo.

Mário Henrique Simonsen tem uma frase antológica: “Se você é dono de uma lavoura e precisa escolher entre uma nuvem de gafanhotos e um administrador petista, fique com os gafanhotos”. A frase de Simonsen pode ser aplicada a toda a imensa lavoura que é o sistema de poder no Brasil. Do mais modesto cargo no menor dos municípios à cadeira da Presidência da República, a esquerda é uma nuvem de gafanhotos que devora e atormenta as forças vitais da sociedade brasileira.

Santo Agostinho ensinava que o mal não possui substância própria; ele nada mais é do que a privação de um bem, que Deus só permite para dele extrair um bem maior. O Brasil não suporta mais ser privado do bem por essa diabólica nuvem de gafanhotos políticos.

Lula está percebendo que vai perder essa eleição e fará o diabo para evitar a derrota, usando sua principal arma — a mentira. Tenho para mim, no entanto, que desta vez a arma não vai funcionar.

O Brasil não aguenta mais você, Lula. Vá embora — e leve seus companheiros.

DEU NO JORNAL

LULA E A “BABAQUICE DE FAZER SUPERÁVIT”

Editorial Gazeta do Povo

lula superavit babaquice

Lula em Curitiba, quando chamou o esforço por superávit primário de “babaquice”

Cabos eleitorais como o ministro da Fazenda, Dario Durigan, continuam se esforçando para pintar um Lula fiscalmente responsável em um eventual quarto mandato, mas pelo jeito precisam combinar com o chefe. Em 12 de setembro, durante comício em Curitiba, Lula disse que “para gerar emprego, a economia tem de crescer e, para economia crescer, o governo tem de investir e, para o governo investir, é preciso parar com essa babaquice de fazer superávit, porque a grande dívida do Brasil é a taxa de juros que nós pagamos”. Lula repete, assim, seu eterno desprezo pela disciplina fiscal e seu apreço pelo déficit público – o que não surpreende quem se lembra de outras declarações do petista, para quem um pouco mais de déficit não tem importância, um pouco mais de inflação não é problema, e os livros de Economia estão superados.

Esse terraplanismo econômico já foi derrubado pela teoria e pela história dos países que cresceram e melhoraram a vida de sua população; afinal, nenhum governante atual sério e responsável compartilha das lamentáveis teorias lulistas. Lula chegou ao poder, em 2002, prometendo respeito aos contratos e à prudência fiscal, ou seja, controle dos gastos e equilíbrio das contas públicas, mas a promessa da “Carta aos Brasileiros” durou pouco. Com a entrada de Guido Mantega no Ministério da Fazenda, foram lançadas as bases da “nova matriz econômica” movida a gasto desenfreado, e o superávit ganhou de vez o status de “babaquice”: após um auge nos anos do “PIBão”, motivado por uma economia superaquecida e pela grande demanda externa por commodities brasileiras, o resultado primário foi piorando ano após ano, até se transformar em déficit em 2014.

Só em 2022, último ano de Jair Bolsonaro, o país voltou a ter superávit, consolidando um ajuste fiscal prejudicado pela pandemia de Covid-19. Mas bastou Lula botar novamente os pés no Planalto para a conta voltar ao vermelho, onde está até agora. Ou seja, embora seja a corrupção que ganhe mais destaque nas manchetes jornalísticas, a irresponsabilidade fiscal é outra marca permanente dos governos petistas, a ponto de Dilma Rousseff ter perdido o mandato pela manipulação das contas públicas, as “pedaladas fiscais”.

Chamar de “babaquice” o esforço por manter as contas em ordem é ignorar o básico. Se o governo gasta mais do que arrecada sistematicamente, há somente três vias pelas quais os déficits podem ser pagos: aumento de tributos, aumento da dívida do governo ou emissão de dinheiro. Lula promete investimento e crescimento, mas o caminho traçado por ele só consegue entregar inflação e juros, comprometendo o presente e o futuro do país. Se o Brasil escolher este caminho, dando um quarto mandato a Lula, o destino do país estará traçado: viver como um pária entre o grupo das nações que prezam as liberdades individuais e econômicas, firmando-se como uma nação atrasada, pobre, com elevada dívida pública e descolada das relações com os países desenvolvidos e suas tecnologias modernas.

Seis mandatos presidenciais do PT, com seu desprezo pelo saber e pela lógica, inclusive a econômica, significarão uma geração inteira vivendo sob um tempo de obscurantismo. Prudência financeira e controle das contas públicas, como meio de evitar déficits que acabam levando a aumento da dívida do governo, são a norma entre os governantes responsáveis, respaldada pelo saber econômico acumulado ao longo dos séculos. A declaração disparatada de Lula a respeito da “babaquice de fazer superávit” não é apenas irresponsável; ela contribui para aumentar a ignorância em matéria de gestão pública e condução da política econômica, e não pode ser levada a sério por quem quer ver o país crescer e avançar.

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NO MODO “FAZER O DIABO” PARA GANHAR A ELEIÇÃO, LULA ATACA O SEU PRÓPRIO GOVERNO

Sílvio Ribas

Lula

Corrida presidencial apertada faz campanha de Lula apelar para o vale-tudo eleitoral e o populismo para evitar a derrota

A poucos dias de 4 de outubro, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) entrou de vez no modo “fazer o diabo” para ganhar a eleição — expressão celebrizada por Dilma Rousseff (PT) e recentemente reeditada pelo presidente. A novidade é que, na sanha por votos, ele passou a atacar até decisões do governo.

O tal “fazer o diabo” para vencer nas urnas entrou para o vocabulário político em março de 2013, numa declaração de Dilma sobre sua campanha à reeleição no ano seguinte. A ironia de Lula resgatar agora a frase é que o seu vale-tudo vinha desde 2023 e, na reta final, alimenta críticas de rivais.

O caso mais recente — e mais gritante — das contradições nas quais Lula se afunda na campanha está na nova e radicalmente oposta posição sobre bets, no rumo de bani-las. É o mesmo governo que propôs, sancionou e implantou a regulação das apostas esportivas, obtendo bilhões em tributos.

Antes disso, houve outro recuo no caso da “taxa das blusinhas”. A gestão petista apoiou a tributação das compras internacionais de pequeno valor, e Lula sancionou a cobrança. Em 2026, porém, o fim da taxa entrou na pauta negociada pelo presidente com os comandos da Câmara e do Senado.

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Com mesmo valor desde 2022, Bolsa Família tem reajuste a dias do pleito

O exemplo mais evidente do despudor eleitoral veio do reajuste do Bolsa Família. A apenas 17 dias do primeiro turno, o governo anunciou correção de 15,04% no valor do benefício, elevando o piso de R$ 600 para R$ 691. A estimativa divulgada é de impacto adicional superior a R$ 22 bilhões nas contas de 2027.

O governo sustenta que não há ganho real, mas reposição da inflação acumulada. A defesa oficial é de que há espaço fiscal para a medida. A proximidade da votação, contudo, abriu imediatamente a polêmica sobre o componente eleitoral de um benefício que alcança milhões de famílias.

A própria escolha do formato reforçou o debate. Em plena reta final da disputa, a correção ampla tem impacto político muito superior ao de medidas focalizadas. A decisão surge justamente quando o custo de vida ficou mais caro e tem impacto direto no desejo de Lula de preservar seu eleitorado de baixa renda.

No mesmo ambiente eleitoral, Lula acrescentou outra proposta de enorme apelo popular: oferecer canetas emagrecedoras pelo SUS. A ideia entrou no discurso presidencial antes de estarem claramente definidos todos os critérios de incorporação, público-alvo, cronograma e impacto financeiro da medida.

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Nikolas Ferreira vê Lula como criador de problemas para o presidente resolver

Cada mudança de posição pode ser justificada por razões econômicas, sociais ou fiscais. O problema está na concentração de guinadas às vésperas da eleição. É justamente essa sequência que oferece a adversários material para confrontar o Lula candidato com o Lula presidente.

O resultado é Lula atacando a si próprio. Ao tentar convencer o eleitor de que pode corrigir problemas na canetada, o petista expõe decisões anteriores de seu governo ao crivo do público. No modo “fazer o diabo”, seu crítico mais incômodo acaba sendo o registro histórico de suas próprias palavras e atos.

Nas redes sociais, o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) explorou essa contradição ao reunir propostas envolvendo bets, “taxa das blusinhas” e canetas emagrecedoras no SUS. Para ele, “o próprio governo cria os problemas para depois poder apresentar a solução para eles”.

Agora, o vale-tudo eleitoral chega também ao Judiciário. A campanha de Lula acionou diretamente o Supremo Tribunal Federal (STF) para apurar eventual interferência estrangeira nas eleições, destinando a ação a Flávio Dino, ex-ministro da Justiça de Lula e indicado pelo petista à Corte.

DEU NO JORNAL

É MILHÃO QUE SÓ A PESTE

Com R$ 64,6 milhões em despesas contratadas, a campanha de Lula vai trocar os comícios com passarela, dez vezes mais caros, por caminhadas, que, de quebra, avalia passar imagem de mais “humilde”.

* * *

É milhão que só a peste.

Sr. Grande Mentiroso, pode usar este jornaleco para fazer sua campanha.

Vai ganhar voto que só a porra!!!

E a gente cobra bem mais barato.

Qualquer trocadinho será muito bem vindo.

DEU NO JORNAL

NOS CONFORMES

Ministros do presidente Lula, os da Esplanada, desrespeitam a lei e não divulgam agenda com compromissos, fundamental para que o pagador de impostos possa fiscalizar aqueles que arrancam generosos salários do nosso bolso.

Levantamento da coluna mostra que, no último mês, Alexandre Padilha (Saúde), Guilherme Boulos (Secretaria Geral), Esther Dweck (Gestão e Inovação), Jorge Messias (AGU) e Margareth Menezes (Cultura), Wellington Dias (Desenvolvimento Social), reincidem no erro.

Só três escaparam

Dos 38 ministros, nesta sexta-feira, por exemplo, só três auxiliares de Lula divulgaram agendas.

Para os outros 35, nada.

* * *

Esta nota aí de cima começa dizendo que os ministros luleiros “desrespeitam a lei”.

Grande novidade!

Não há motivo algum para espantos.

Eles estão apenas cumprindo o regulamento do bando que atualmente desgoverna este maltratado país.

Tudo dentro dos conformes,

DEU NO JORNAL

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A LIBERDADE DE IMPRENSA É INEGOCIÁVEL

Editorial Gazeta do Povo

donald trump liberdade de imprensa

Donald Trump faz anúncio a jornalistas em 18 de setembro, dia em que proibiu três veículos de comunicação de acessar a Casa Branca

Ao longo de seus dois mandatos, o presidente norte-americano Barack Obama jamais teve uma relação amistosa com a Fox News, emissora de viés conservador e bastante crítica ao mandatário democrata: concedia menos entrevistas à Fox que às concorrentes, e respondia a menos perguntas de seus jornalistas nas coletivas na Casa Branca. A certa altura, membros do governo flertaram com a ideia de proibir a presença da Fox nesses eventos, e em 2009 o Departamento do Tesouro de fato tentou impedir a emissora de participar de uma entrevista coletiva de um de seus diretores; houve protestos dos outros canais, e o banimento nunca se concretizou.

Em 2004, o governo Lula mandou suspender o visto de um jornalista do New York Times após uma reportagem sobre hábitos etílicos do presidente. Larry Rohter só não foi expulso do Brasil porque o Judiciário interveio em defesa do correspondente e o Ministério da Justiça recuou. O petista voltou à carga em agosto deste ano: durante sua sabatina no Jornal Nacional, o presidente-candidato não gostou de uma pergunta certeira da apresentadora Renata Vasconcellos sobre a escalada da dívida pública. “Eu pensei que uma jornalista da tua qualidade, da tua competência, pudesse começar a sua pergunta falando diferente”, disse Lula antes de dizer que pergunta chapa-branca gostaria de ter ouvido. Em 2018, o ministro do STF Gilmar Mendes também se irritou ao ser questionado por uma repórter da Folha de S.Paulo sobre o responsável por custear a viagem do ministro a Portugal para seu “Gilmarpalooza”. “Devolva essa pergunta ao seu editor, manda ele enfiar isso na bunda”, retrucou Gilmar, com sua grosseria característica.

O que deveríamos pensar se, em retaliação às perguntas “desagradáveis”, Lula proibisse o acesso da Rede Globo aos eventos presidenciais, ou Gilmar proibisse a Folha de acompanhar os julgamentos no Supremo? Ou se Rohter acabasse de fato expulso do Brasil? Ou se Obama tivesse levado adiante a ideia de barrar a Fox News? Isso seria, ou ao menos deveria ser, motivo de repúdio unânime não apenas entre a classe jornalística, mas de toda a sociedade – e, no caso do correspondente do NYT, as entidades representativas de jornalistas e veículos de imprensa foram bastante atuantes. A liberdade de imprensa é um dos pilares da democracia, protegida constitucionalmente tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos, e o acesso dos jornalistas a eventos de Estado não é um privilégio concedido a amigos e vedado aos “inconvenientes”, mas um direito garantido aos que têm como profissão levar informação aos cidadãos.

É por isso que o presidente Donald Trump, ao banir da Casa Branca o site Politico e as emissoras de televisão CNN e MS NOW, imitou uma característica deplorável da esquerda mundial: a aversão à imprensa que não se curva aos desejos do mandatário de plantão. Excluir desta forma veículos de comunicação cuja cobertura desagrada o governo é medida típica de regimes autoritários, ou de governantes de alma autoritária, que precisam se escorar em justificativas fragilíssimas, como supostas ameaças à “segurança nacional” – um raciocínio muito semelhante aos “danos ao país” alegados pelo ditador Hugo Chávez para não renovar a concessão do maior canal de televisão da Venezuela, a RCTV, em 2006.

Os argumentos de Trump, felizmente, não colaram nem mesmo para a Fox News, mais alinhada às plataformas do Partido Republicano. A emissora se juntou ao protesto das outras concorrentes que seguiam credenciadas: elas não pararam de informar seu público sobre as atividades do presidente, mas deixaram de participar do pool responsável pela geração conjunta de imagens da Casa Branca e de Trump – nenhuma emissora, por exemplo, transmitiu o embarque do presidente no Air Force One e sua chegada a Nova York para a Assembleia Geral da ONU. A manifestação de solidariedade é fundamental, mas não substitui uma solução definitiva que garanta a liberdade de imprensa.

CNN, MS NOW e Politico acionaram a Justiça norte-americana para recuperar o acesso à Casa Branca e, na madrugada de quinta-feira, o juiz federal americano Timothy Kelly ordenou que as credenciais anteriormente tomadas sejam devolvidas aos veículos de imprensa; no entanto, jornalistas de CNN e MS NOW foram barrados no jantar oferecido por Trump ao ditador chinês Xi Jinping na noite de quinta, após a concessão da liminar. Em sua decisão, o magistrado baseou-se primariamente em possíveis violações do devido processo legal, como a impossibilidade de defesa, mas é necessário que qualquer decisão definitiva sobre o tema seja também bastante enfática quanto à proteção do livre exercício do jornalismo como garantia democrática. “Se for mantida, [a decisão de Trump] ameaça a liberdade de imprensa e o direito do público ao jornalismo independente, livre de interferências governamentais”, disseram na ação os três veículos de imprensa. Quem quer que viva sob regimes ou governos inimigos da liberdade de informação sabe o quanto essa afirmação é verdadeira.