CARLOS EDUARDO SANTOS - CRÔNICAS CHEIAS DE GRAÇA

FIGURAS DECORATIVAS

Fachada do London and River Plate Bank, no Recife

Hoje, com esses mecanismos de Caixa-eletrônico, Pix e a velocidade das comunicações por satélite, as pessoas “setentonas” que formavam o povão nos anos 50, sentem-se, digamos assim, ludibriados pela ciência, por não ter implantado, já naqueles anos, maneiras menos trabalhosas de lidar com moedas, papéis-moeda, transferências bancárias, empréstimos, movimentação entre contas, ordens de pagamento, cheques e notas promissórias.

Cabe, aqui, rememorar, para fins didáticos, como tudo isso funcionava. Pra começar, pessoas físicas não podiam ter conta em Banco. Só aos grandes comerciantes e industriais era dado esse privilégio. Uma forma de preconceito social!

No Recife a antiga Caixa Econômica Federal de Pernambuco implantou a Caderneta de Poupança, onde qualquer mortal poderia guardar seu dinheirinho. Mas, para movimentá-la, o titular teria que ir à Caixa, que situava-se na Avenida Guararapes, 161, no bairro de Santo Antônio. Apresentada a Caderneta, o Caixa fazia as anotações dos depósitos ou recebimentos.

Há 70 anos a Caixa contava com um departamento autônomo de jogos de azar, denominado: Loteria da Caixa Econômica, que lembro-me bem, foi gerenciado durante muitos anos por Nivaldo Bastos de Figueiredo, até sua aposentadoria. O modelo tentou eliminar o antigo “Jogo do Bicho”, que continuou proliferando e mantendo os “bicheiros” milionários.

Nos dias atuais o sistema atualizou-se e passou a funcionar como bets, que em inglês é to bet (apostar), plataformas digitais de apostas de quotas fixas que permite aos usuários dar palpites em resultados de partidas esportivas ou mesmo jogos de azar.

Na década de 50, quando iniciei-me na carreira bancária, se um pobre mortal desejasse transferir dinheiro para qualquer lugar onde tivesse Bancos, era necessário comparecer ao balcão do setor de Ordens de Pagamento, preencher um formulário, comprar estampilhas de Educação e Saúde, (que representava o Imposto Federal sobre movimentações Financeiras), colar no papel, datar e assinar por cima dos selos.

Hoje é o Pix quem resolve tudo, apenas com toques de dedos na telinha de um smartphone. É tiro e queda!

Para fazer qualquer pagamento naqueles anos, era necessário ao correntista utilizar cheques, que representavam “´dinheiro à vista”. Entretanto, tais papéis tiveram seu significado desvirtuado, servindo como garantia de empréstimo a agiotas e vendas parceladas, no comércio.

Não era possível escapar do Imposto Federal. Nos próprios Depósitos em Conta Corrente o interessado tinha que entregar ao Caixa Cr$ 2,50 (dois Cruzeiros e cinquenta centavos). Os correntistas – como o cronista – não costumavam sair de casa sem um talão-de-cheques no bolso, papeis que funcionavam como moeda, em qualquer eventualidade. Havia certo charme em se sacar um talão e emitir um cheque. Era sinal de poder financeiro.

Mas o recebedor teria que ir ao Banco para efetuar o depósito e também pagava a taxinha de Cr$ 2,50 par efetuar a operação.

Novamente o Pix em cena! Com a vantagem da isenção de taxas. Acabou-se a chatice de se conduzir o talão de cheques, correndo o risco (em caso de recebimento) de se estar de posse de um “Borrachudo”; ou seja, aquele tipo de cheque que bate no Banco e volta; no caso de insuficiência de fundos.

Nessa fase os Bancos davam a entender suas solidez, através de grandes edifícios, com fachadas caprichadas, como o London and River Plate Bank, e outros, instalados no bairro do Rio Branco, no Recife: o Banco Francês e Italiano para a America do Sul, o Royal Bank of Canadá, o Banco Nacional Ultramarino, o The National City Bank of New York, formando o que se convencionou chamar de: Wall Street pernambucana.

Para concluir meu livro: “Recife da Moeda ao Crédito”,que seria editado em 2005, recorri ao Banco Central do Brasil, localizado em Brasília, que me enviou carta informando relação das instituições possuidoras de agências em funcionamento no Recife, sendo a parte singular da correspondência, a citação do Banco Simples S.A., que apesar de não possuir agência neste estado, tinha endereço de sede o Recife.

Mas, pretendo deixar para a próxima crônica os comentários a respeito dessas informações e focalizar a parte do Pernambuco Histórico, quando falaremos, entre outros fatos, que a primeira instituição bancária das Américas foi instalada no Recife, graças `iniciativa de Nassau: a Casa Bancária Fugger, de origem alemã e a primeira moeda de ouro cunhada nessa mesma região, em 1645, no término do período holandês

Quando o Banco do Brasil se tornou um Conglomerado Financeiro, pois perdera a Conta Movimento – que era reservada ao Banco Central – ocorreu o pioneirismo das inovações mais importantes, dentre elas o Cheque Especial (com limites para a garantia de fundos), primeiro serviço desse porte, do Mercado brasileiro.

Depois, a partir de maio de 1964, a Agência Centro do Banco do Brasil em Pernambuco remodelou o primeiro pavimento de seu edifício-sede, para oferecer os serviços dos Caixas-eletrônicos, oferecendo quase todas as modalidades de operação, inclusive empréstimos de Pessoa Física.

Para facilitar as transações entre Pessoas Físicas e o Comércio, o BB implantou o primeiro Cartão Múltiplo circulante em no Brasil, pois reunia as funções de movimentação de contas e Cartão de Crédito num só produto: o Ourocard. E demonstrando audácia burocrática, foi instituído o modelo de Caixa Executivo, diminuindo muito as filas nos Caixa.

Todavia, mesmo com essas facilidades, o Pix veio tornar os Bancos brasileiros – independente das vultosas operações de Pessoa Jurídica, ligadas à Carteira de Comércio Exterior e financiamentos planejados pelo Governo Federal – quase em meras figuras decorativas.

PROMOÇÕES E EVENTOS

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O NOVO “TARIFAÇO” DE TRUMP E A REAÇÃO INTEMPESTIVA DE LULA

Editorial Gazeta do Povo

As idas e vindas da política comercial de Donald Trump voltaram a mirar o Brasil. Após a Suprema Corte dos Estados Unidos ter derrubado, em fevereiro deste ano, o primeiro “tarifaço” imposto pelo presidente norte-americano, a Casa Branca avisou que usaria a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 para procurar e punir práticas consideradas desleais, justificando novas tarifas, e para muitos era questão de tempo até que os norte-americanos alegassem novos pretextos para retomar a cobrança sobre produtos importados de várias nações. No caso brasileiro, duas investigações separadas resultaram em duas recomendações de tarifas.

Na segunda-feira, dia 1.º, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) divulgou relatório recomendando uma tarifa de 25% a importações oriundas do Brasil, com algumas exceções. Entre os motivos estavam questões ambientais, falta de combate à pirataria e à corrupção, tarifas preferenciais a outros países como México e Índia, e a fúria censora do Supremo Tribunal Federal. Sobrou até para o Pix, em um trecho sobre um suposto prejuízo a “empresas americanas que atuam em serviços concorrentes de pagamento eletrônico, inclusive por meio de políticas que favorecem sua principal empresa nacional” – um equívoco grosseiro, já que o Pix não pertence a empresa alguma, sendo um sistema de pagamentos implantado pelo Banco Central.

Uma segunda investigação dizia respeito ao combate ao trabalho escravo, e terminou com a recomendação de uma tarifa de 12,5% não apenas sobre produtos brasileiros, mas também de dezenas de outros países – mesmo os que já teriam mecanismos de combate ao trabalho escravo ou assinaram acordos com os EUA também seriam taxados em 10%, incluindo aliados próximos de Donald Trump, como a Argentina de Javier Milei. Nenhuma das duas tarifas sugeridas está em vigor; audiências sobre os dois relatórios estão marcadas para a primeira quinzena de julho, e só depois disso deve haver alguma decisão sobre a cobrança – que nem é certa, caso Trump esteja preocupado com efeitos inflacionários que reduzam as chances de seu partido nas eleições de meio de mandato, marcadas para novembro.

Há muitas justificativas frágeis nos relatórios americanos – o caso do Pix é evidente, pois as operadoras de cartão continuam trabalhando tranquilamente no Brasil –, mas outras apontam problemas reais. As citações do relatório ao Supremo Tribunal Federal, por exemplo, são certeiras: tanto no que se refere ao desmonte do combate à corrupção, com a anulação constante de condenações da Operação Lava Jato, quanto no que se refere ao ataque à liberdade de expressão, com ordens de censura que chegam a invadir a jurisdição norte-americana – motivo pelo qual Alexandre de Moraes está respondendo a processo nos Estados Unidos. E, naquilo que os norte-americanos identificaram corretamente, a chance de haver qualquer mudança de rumo por parte do Brasil é nula.

Desde que Trump anunciou seu primeiro tarifaço, a Gazeta do Povo tem demonstrado o desacerto das medidas, no atacado e no varejo. Em termos gerais, o norte-americano prejudica seriamente o comércio global, comprovada ferramenta de geração de riqueza e prosperidade. No caso brasileiro em específico, punir setores inteiros da economia pelos abusos de algumas autoridades é algo totalmente desproporcional. Se Trump quer expor ao mundo os desatinos dos inimigos da Lava Jato no STF, como Dias Toffoli e Gilmar Mendes, ou a censura de Alexandre de Moraes, que os sancionasse individualmente.

Mesmo que Trump esteja errado, no entanto, a reação brasileira à possibilidade de voltar a ter seus produtos taxados nos EUA retrocedeu aos níveis de infantilidade que marcaram os dias seguintes ao primeiro tarifaço. O presidente Lula, agora operando em modo 100% eleitoral, tem respondido com as bravatas de praxe, aproveitando para acusar seu provável rival na disputa pelo Planalto, Flávio Bolsonaro, de estar por trás das possíveis novas tarifas, já que o senador esteve em Washington e se encontrou com Trump dias antes dos anúncios do USTR. O petista chegou a insinuar que Flávio e seu irmão Eduardo deveriam ser enforcados como “traidores da pátria”.

No tarifaço de 2025, Lula teve mais sorte que juízo: Trump recuou porque sua política comercial causou inflação, não por causa das provocações do petista, que se mostrou disposto a sacrificar o exportador brasileiro para colher alguns pontos porcentuais em popularidade com o discurso da “soberania”. Ao repetir a reação intempestiva diante de um possível “tarifaço 2.0”, o petista mostra mais uma vez que só pensa em aproveitar eleitoralmente a nova crise, em vez de deixar para os adultos a tarefa de negociar para defender o produtor nacional e uma boa relação entre Brasil e Estados Unidos.

PENINHA - DICA MUSICAL

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