Arquivo diários:28 de novembro de 2025
DEU NO X
DEU NO JORNAL
A TRAGÉDIA PSICOPOLÍTICA NACIONAL
Flávio Gordon
“Numa patocracia, indivíduos com transtornos de personalidade ocupam as posições mais elevadas na hierarquia do poder.” (Andrew Lobaczewski, Ponerologia: Psicopatas no Poder)
Nas modernas ciências da alma, é bastante consolidada a ideia de que existe uma região psíquica evitada pelos homens, um local recôndito e misterioso que permanece adormecido qual um vulcão inativo. É o que, classicamente, Freud chamou de “inconsciente” e que Carl Gustav Jung, referindo-se particularmente à autoimagem do indivíduo, denominou de “sombra”. Trata-se do depósito subterrâneo de tudo aquilo que preferimos não admitir sobre nós mesmos – desejos, impulsos destrutivos, ressentimentos, inseguranças, vaidades feridas etc. Quando não enfrentados, esses conteúdos não se dissipam; apenas aguardam, decantados, a ocasião de emergir sob formas distorcidas.
Se admitirmos como verdadeiro o princípio antropológico estabelecido por Platão há 2,5 mil anos – segundo o qual “a pólis é o homem escrito em letras maiúsculas” (A República, 368c-d) –, essa dimensão da psique individual também se aplica, mutatis mutandis, à política. Instituições, embora adornadas por linguagem jurídica e símbolos de autoridade, não escapam dessa dinâmica. Também elas constroem uma persona – o rosto virtuoso, público e higienizado – que só se sustenta pela expulsão compulsória de tudo o que ameaça contradizê-la.
É justamente aqui que, inspirado no princípio platônico (e recusando a cisão maquiavélica entre alma individual e alma estatal), o psiquiatra polonês Andrew Lobaczewski fornece uma chave de leitura relevante para a compreensão da política moderna. Como ele mostra em Ponerologia: Psicopatas no Poder, sistemas políticos inteiros podem ser progressivamente capturados por indivíduos cuja estrutura psicológica é empobrecida, incapaz de empatia genuína e inclinada à manipulação e ao controle. Uma vez instalada, essa elite “ponerogênica” (do grego poneros, “mal”, e genesis, “origem”) passa a usar o aparato estatal para projetar sua própria sombra no exterior, sempre sobre inimigos cuidadosamente escolhidos, que acabam vítimas de perseguição permanente.
A história oferece um exemplo quase didático: a perseguição movida por Stalin contra Trotski. Muito além de disputas doutrinárias, havia ali um conflito entre persona e sombra. Trotski encarnava precisamente aquilo que Stalin temia não possuir: talento intelectual, prestígio internacional, magnetismo político e ousadia estratégica. Como mostram biógrafos de Trotski como Isaac Deutscher, Robert Service e Leonardo Padura, o processo stalinista que começou com isolamento, passou pela difamação e culminou no exílio e no assassinato não tinha por objetivo apenas eliminar um rival. Para Stalin, tratava-se de um ritual de expiação – uma tentativa desesperada de calar a voz íntima que, projetada no adversário, denunciava sua própria fraqueza.
Nos últimos anos, o Brasil testemunha uma versão juridicamente ornada da mesma lógica. Em torno de Alexandre de Moraes ergueu-se uma persona luminosíssima: o guardião infalível da democracia, celebrado por colunistas, reverenciado por corporações, protegido por uma aura de impecabilidade e higidez institucional. Mas nenhuma persona resiste por muito tempo à contemplação da própria sombra no espelho. E, para o sancionado de toga, esse espelho atende pelo nome de Jair Bolsonaro.
Apesar de seus defeitos demasiado humanos – ou justamente por causa deles –, Bolsonaro carrega uma força política que desestabiliza a narrativa alexandrina. Simetricamente inverso ao sancionado, é popular, carismático e imprevisível, recordando ao sistema que a legitimidade do poder reside na representatividade orgânica, não na imposição artificial das vontades de uma casta burocrática pretensamente iluminada. A percepção desse contraste basta para que a sombra institucional, reprimida e acumulada, busque um hospedeiro externo. De repente, tudo aquilo que a persona togada não admite em si – autoritarismo, ódio, inadequação e desejo de vingança – é projetado sobre o ex-presidente, convertido em “inimigo da democracia” por uma necessidade psicopolítica.
A leitura de Lobaczewski ajuda a compreender o fenômeno. Regimes constituídos por elites mentalmente corrompidas precisam de adversários permanentes para manter coesão interna. A repressão teatral – intimações hospitalares, buscas cinematográficas, vigilância clandestina, prisões desproporcionais, tortura e exibicionismo penal – não exprime autoridade, mas medo. Quando um sistema inteiro precisa reencenar diariamente a própria força, é porque teme que sua legitimidade exista apenas enquanto houver um bode expiatório disponível.
O trágico é que toda a sociedade paga o preço desse processo. Quando magistrados começam a acreditar que são encarnações vivas da Constituição; quando o Estado assume o papel de tutor moral; quando o direito deixa de limitar o poder e passa a funcionar como instrumento de purificação política – então a sombra coletiva cresce a ponto de tudo devorar. Já não há instituição que escape ao destino de se tornar um mero petisco para saciar a fome metafísica do Leviatã no divã.
Stalin não se libertou de sua sombra ao assassinar Trotski; apenas eternizou sua miséria interior na história, deixando um rastro conhecido de destruição e infâmia. Da mesma forma, transformar Bolsonaro em inimigo metafísico diz menos sobre ele do que sobre o regime que necessita fabricá-lo para manter sua ilusão de pureza.
Nenhuma sombra desaparece com a destruição do objeto sobre o qual se projeta. Quando o perseguidor confunde sua psicopatologia com a razão de Estado, a tragédia social deixa de ser possibilidade e se torna fato consumado.
DEU NO X
É HORA DE RESSUSCITAR AS LEIS E A CONSTITUIÇÃO
LAUDEIR ÂNGELO - A CACETADA DO DIA
POR QUE SERÁ ?
DEU NO JORNAL
PODE TUDO
“Nós estamos hoje literalmente entregues… onde um Poder pode tudo e não é moderado por ninguém”, protestou o líder do PL no Senado, Rogério Marinho (RN).
“Isso é intolerável”, concluiu.
* * *
O sinhô senadô acertou em cheio.
Tem um Poder que “pode tudo”.
Um retrato perfeito da nossa republiqueta nos dias de hoje.
A PALAVRA DO EDITOR
FIM DE MÊS, FIM DE SEMANA
Estão chegando o fim do mês e o fim da semana.
Aqui no Recife a sexta-feira amanheceu bonita e com muito sol.
Chupicleide, secretária de redação, começou o dia com um grito.
Um brado no qual ela usou o mais novo neologismo que a vagabundagem inventou nos últimos tempos:
– Sextou!!!
Ou seja, é dia de cair na gandaia e encher o rabo de aguardente e cerveja, tirando o gosto com rolinha frita e sarapatel de porco no Bar da Tripa, bairro do Totó, em Jaboatão dos Guararapes, que fica aqui na Grande Recife.
Ela e Bosticler, o nosso faxineiro, já me pediram dinheiro, se aproveitando das generosas doações feitas pelos nossos leitores.
Além do adiantamento de dinheiro pra Chupicleide e Bosticler, vou também providenciar uma ração especial pro mascote desta gazeta escrota, o jumento Polodoro.
Os dois, Chupicleide e Polodoro, estão aqui com os dentes arreganhados de felicidade.
Vocês são a força que mantém esta gazeta escrota nos ares e que cobrem as despesas com hospedagem e manutenção técnica feita pela empresa Bartolomeu Silva.
Chupicleide afirma, assevera, assegura e garante que as contribuições dos nossos leitores voltarão em forma de muita alegria, amor, paz, tesão, saúde e vida feliz.
Amanhã começa um final de semana que será excelente pra toda a comunidade fubânica!!!
E, pra fechar a postagem, Roberta Sá e Martinho da Vila cantando a música “Amanhã é Sábado“, pra embelezar e alegrar o nosso dia:
COMENTÁRIO DO LEITOR
THE COWSILLS
Comentário sobre a postagem THE COWSILLS
Deco:
Pois é, em 1967, com 19 anos, e daí pra frente, curti muito esta música e há muito tempo não escutava.
Foi uma muito grata recordação proporcionada pelo “Peninha”, que muito nos agrada e emociona, apresentando as pérolas musicais, principalmente do passado.
Segundo li no YouTube, hoje, somente restam 2 integrantes do “The Cowsills”.
E consegui uma apresentação deles, com ainda os três restantes integrantes.
Encaminho o vídeo para o JBF, quem sabe o nosso querido editor possa divulgar este vídeo para os demais leitores desta importante Gazeta.
PEDRO MALTA - REPENTES, MOTES E GLOSAS
GRANDES MESTRES DO REPENTE

O paraibano Severino Lourenço da Silva Pinto, o Pinto do Monteiro (1895-1990)
* * *
Pinto do Monteiro:
Quando é de manhãzinha,
Se apagam os pirilampos,
O homem vai para os campos,
A mulher vai pra cozinha;
Sacode milho à galinha,
Se, por acaso, ela cria!
Canta o galo, o pinto pia,
Salta o bode no terreiro,
Se despede o violeiro,
Dando adeus, até um dia.
Recordo perfeitamente,
Quando em minha idade nova,
O meu pai abria a cova,
E eu plantava a semente.
Eu atrás, ele na frente,
Por ter força e mais idade…
Olhando a fertilidade
Da vastidão da campina,
Aquela chuvinha fina
Me faz chorar de saudade.
Em dezembro, começa a trovoada,
Em janeiro, o inverno principia,
Dão início a pegar a vacaria:
Haja leite, haja queijo, haja coalhada!
Em setembro, começa a vaquejada:
É aboio, é carreira, é queda, é grito!
Berra o bode, a cabra e o cabrito;
A galinha ciscando no quintal,
O vaqueiro aboiando no curral;
Nunca vi um cinema tão bonito!
* * *
Oliveira de Panelas:
Na mulher toda têmpera se envolve
Seu ciúme é cuidado impertinente
Seu desejo é fornalha incandescente
Quando pode, é perigo, o que devolve,
Quando está duvidosa só resolve
Pelo fio da ânsia propulsora,
Quando assume o papel de genitora
Aurifica seu corpo fecundante,
Pra tornar-se a maior representante
Dessa lei biológica criadora.
No namoro é centelha de ilusão
No noivado é a fonte de esperança
Sendo esposa é profunda a aliança
E faz unir coração com coração,
Como mãe é suprema adoração!
Sendo sogra é as vezes tempestade
Quando amiga, é amiga de verdade,
Sendo amante é volúpia no segredo,
Porém sendo inimiga causa medo
Ao mais forte machão da humanidade.
* * *
DEU NO X
PEITOS E MEDIDAS
— Lani Georgia (@LaniGeorgiaPLvB) November 27, 2025
ALEXANDRE GARCIA
SUPERSALÁRIOS
O Estado de S.Paulo e outros jornais estão mostrando que, no Brasil, 53,5 mil servidores públicos, ativos ou inativos, recebem acima do que estabelece o limite constitucional. Estão sendo regiamente pagos, desobedecendo a Constituição na cara de todo mundo. A Constituição estabelece limites no artigo 37: nos municípios, o teto tem relação com o salário dos prefeitos; nos estados, com o salário dos governadores; e, em âmbito nacional, não pode passar do que recebem ministros do Supremo. Hoje, o teto máximo é R$ 46.366,19, mas 53,5 mil servidores recebem acima disso; nos últimos 12 meses, foram gastos R$ 20 bilhões dos nossos impostos para pagar esses penduricalhos. A Constituição é bem clara, o teto se refere à soma de todas as vantagens: não é só o salário, o estipêndio, o soldo, os proventos, chamem como quiser, é tudo.
Agora há um projeto de lei para tentar moralizar isso. O Brasil é líder mundial em número de servidores que recebem acima do limite legal. Em segundo lugar vem a Argentina, com 27 mil funcionários recebendo acima do teto deles. Em terceiro, Estados Unidos, com 4 mil – e isso que os EUA têm 300 milhões de habitantes. Vi que em Portugal só três pessoas recebem acima do teto de lá; devem ser o presidente, o primeiro-ministro e o presidente da Assembleia da República, talvez.
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Mal saiu da COP 30, Lula já beneficiou termelétricas a carvão
Lula já negou o discurso ambiental 48 horas depois de terminada a COP 30. Não adianta, sempre há contradição entre o que esse presidente diz e o que ele faz. Lula acaba de sancionar uma lei com estímulos para termelétricas movidas a carvão, dias depois da COP. A ministra Marina Silva tinha recomendado o veto, mas Lula sancionou.
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Decretos assinados por Lula e Lewandowski violam marco temporal, diz bancada do agro
A Frente Parlamentar do Agro entrou na Procuradoria-Geral da República com uma queixa-crime contra Lula e contra o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, por decretos assinados por ambos e anunciados na COP, sobre demarcação de terras indígenas, contrariando a lei que regulamenta a Constituição Federal. O chamado marco temporal diz que “são indígenas as terras que ocupam”, ou seja, terras que os índios ocupavam em 5 de outubro de 1988, quando a Constituição foi promulgada. A bancada do agro acha que os decretos contrariaram a lei e a Constituição, e por isso apresentou queixa-crime. Lewandowski ainda foi convocado pela Comissão de Agricultura da Câmara, para falar sobre invasões indígenas de propriedades rurais.
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Deputado diz que Messias se omitiu durante investigação de fraudes no INSS
O deputado Kim Kataguiri apresentou notícia-crime, encaminhada ao relator no STF, ministro André Mendonça, contra o advogado-geral da União, Jorge Messias, que é indicado por Lula para a vaga no Supremo, por ter deixado de aplicar a lei. No caso, Messias teria aliviado para seis entidades envolvidas nas fraudes em descontos dos aposentados e pensionistas do INSS. Nove entidades foram objeto de um alerta, mas a AGU fingiu que não viu seis delas e só foi para cima de três; e isso pode ter sido uma omissão criminosa.
Tudo isso deve aparecer na sabatina de Messias no Senado, marcada para o dia 10. Messias já está percorrendo o Senado, pedindo voto para os senadores. Até o momento dessa gravação, eu não tinha notícia de que Davi Alcolumbre o tivesse recebido. Alcolumbre já disse que seu candidato é Rodrigo Pacheco, ex-presidente do Senado; Pacheco queria ir para o Supremo porque sabe que não tem futuro eleitoral em Minas Gerais.


