Arquivo diários:21 de novembro de 2025
DEU NO JORNAL
CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA
VALENTINA BENATTI – BLUMENAU-SC
Aconteceu em Berlim do Pará:
Incêndio na COP30.
Faltou comida
Sobrou vexame
Faltou estrutura
Sobrou humilhação
Faltou papel higiênico
Sobrou incompetência
INCÊNDIO na COP30
em BERLIM DO PARÁ.Faltou comida
Sobrou vexame
Faltou estrutura
Sobrou humilhação
Faltou papel higiênico
Sobrou incompetênciaMas a culpa desse vexame é do chanceler alemão… 🤡 pic.twitter.com/8YbyKoInbH
— Henrique (@henriolliveira_) November 20, 2025
DEU NO X
ZONA INCENDIADA
Flop 30 pic.twitter.com/yeomj96cKg
— Adilson SP (@adilsonesp) November 20, 2025
LAUDEIR ÂNGELO - A CACETADA DO DIA
ACABOU A COP30 – VAMOS PERFURAR!!!
SEVERINO SOUTO - SE SOU SERTÃO
LÍRIO DO MATO (TULIPA BRASILEIRA)
ALEXANDRE GARCIA
COP 30 DESANDA: CHUVA NO INÍCIO, FOGO NO FIM E MAIS DESGASTE
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, reconduzido ao cargo com os votos de 45 senadores, denunciou o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e o jornalista Paulo Figueiredo por coação no curso do processo. A denúncia foi aceita pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF). O Figueiredo não deveria ser julgado pelo Supremo, ele não é deputado, não é senador, não é ministro, mas está lá. São esses milagres jurídicos que acontecem hoje.
Gonet disse que os dois “apresentaram-se como patrocinadores dessas sanções, como seus articuladores e como as únicas pessoas capazes de desativá-las” e “para a interrupção dos danos, objeto das ameaças, cobraram que não houvesse condenação criminal de Jair Bolsonaro na AP 2.668”.
Crime de coação com base em falas em rede social. O mais importante é que um dos atingidos pela perda do visto americano é o próprio procurador. Gonet está denunciando as pessoas que, segundo ele, seriam capazes de patrocinar e anular essa sanção, os donos das sanções.
Para o procurador-geral, foram essas pessoas que tiraram o visto dele. Se ele é a vítima, deveria se declarar impedido de denunciar. Todos os ministros que aceitaram a denúncia também foram sancionados com a perda de visto, ou seja, também são as vítimas e deveriam se declarar impedidos de julgar. Tudo é muito estranho.
Até o principal atingido, o ministro Alexandre de Moraes, que é alvo da Lei Magnitsky, aceitou a denúncia. A decisão da Turma foi unânime. Uma unanimidade com quatro ministros. Ao todo, o Supremo tem onze. É absurdo. O Brasil vive em um tribunal de exceção, que é proibido pela Constituição.
O presidente Lula está sentindo o desgaste do PT após a aprovação do projeto de lei antifacção na Câmara dos Deputados por 370 votos a 110. O governo não queria punir facções criminosas e pediu para a base votar contra o substitutivo apresentado pelo relator, Guilherme Derrite (PP-SP). Esse é o tamanho do governo: só 110 votos entre 513 deputados.
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COP 30 termina em caos
Lula indicou o ex-ministro José Dirceu, o cérebro mais brilhante do PT, para reorganizar o partido. Ele pode buscar outra ideologia ou talvez uma nova doutrina, já que o partido está muito fisiológico. Depois que o PT assumiu o governo, foi contaminado pelo poder. O poder contamina.
Ele está preocupado com a eleição do ano que vem e tem cometido tantos erros. A COP 30, que começou com chuvarada, terminou com fogo. Foi uma sucessão de desastres. O jornal britânico The Telegraph disse que o evento foi “mergulhado no caos” devido ao incêndio registrado nesta quinta-feira (20). Um fiasco atrás do outro. O presidente do PT, Edinho Silva, que também é um petista histórico, é quem vai coordenar a sigla na eleição de 2026.
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Trump fez bem em sancionar divulgação do caso Epstein
O Itamar Franco fez isso quando era presidente do Brasil. Agora, Donald Trump está fazendo o mesmo nos Estados Unidos. Trump sancionou o projeto de lei que obriga a divulgação dos arquivos sobre Jeffrey Epstein. O presidente americano é alvo de fofoca envolvendo o caso.
As autoridades devem mostrar como Epstein morreu na prisão, em 2019, em um aparente suicídio. Tudo vai aparecer. O processo que está no Departamento de Justiça será aberto, incluindo os nomes dos envolvidos. Democratas e republicanos apoiaram esse projeto de lei, e Trump fez muito bem em sancioná-lo.
Além disso, ele não aceitou a proposta do ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, que propôs deixar o poder em dois anos. Trump disse não. A María Corina Machado, por sua vez, pediu que as forças de segurança venezuelanas baixem as armas quando for a hora. O Maduro, pelo jeito, já está rifado.
Quem não está bem é a Ucrânia. Nos últimos confrontos, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, não quis fazer o que Trump tinha sugerido. A Rússia tem mais capacidade de continuar guerreando. Zelensky foi à Espanha e à França pedir a venda de 100 aviões. Ele conseguiu garantir na Grécia o fornecimento de gás americano. A Ucrânia está recebendo gás americano e na COP 30 há quem não queira mais perfurar poços de petróleo ou de gás.
DEU NO X
CULPA DO CHANCELER ALEMÃO, DIZ ANALISTA
⚠️ COP30: Evento pega fogo e organização diz que foi uma homenagem aos incêndios na Amazônia. “Culpa do chanceler alemão” diz leitor. pic.twitter.com/LzdYW9Eylt
— Joaquin Teixeira (@JoaquinTeixeira) November 20, 2025
DEU NO JORNAL
UM BRANCALEONE CARIBENHO
Flávio Gordon

Venezuelanos prontos para resistir a um ataque norte-americano, segundo Nicolás Maduro
Como costumo dizer, o realismo mágico haveria mesmo de ter surgido na América Latina. Não é possível descrever a política latinoamericana – e, mais especificamente, as desventuras do que Hugo Chávez batizou de “socialismo do século 21” – sem recorrer a esse gênero literário tão regionalmente marcado. Vejam que espetáculo garcia-marquezista ou cortazariano não nos oferece o ora pacifista Nicolás Maduro, o narcoditador que canta Imagine e, com os olhos fitos, repete a palavra “peace” feito um alucinado.
Depois dos 4,5 milhões de milicianos convocados pelo regime chavista – uma cifra tão magicamente real quanto o número de filhos do coronel Aureliano Buendía –, Diosdado Cabello agora anuncia que “irmãos indígenas” ensinarão o uso de flechas envenenadas com curare, a “arma silenciosa” da selva. A cena tem tudo para entrar no romanceiro regional: um déspota que, incapaz de gerir um Estado, mobiliza mitologia e arcos rústicos contra porta-aviões. Para o azar da narcoditadura, a vida real lida com números, e eles não são indulgentes.
Comecemos pelo básico: dinheiro. Em 2024 os Estados Unidos gastaram quase US$ 1 trilhão em defesa – mais exatamente, US$ 997 bilhões –, total que supera em várias ordens de grandeza o orçamento militar venezuelano e equivalentes regionais; é mais de três vezes o gasto da segunda potência mundial. Orçamento não compra tudo, mas compra a logística, os sensores, as munições, a manutenção e a cadeia de combate que transformam exércitos em forças projetáveis.
Traduzindo orçamento em homens e plataformas: o Pentágono sustenta cerca de 1,3 milhão de militares em serviço ativo, além de mais de 700 mil reservistas – um aparato humano continuamente treinado, equipado e sustentado por uma indústria de defesa robusta e por bases globais. A comparação direta com a Venezuela é humilhante: estimativas confiáveis colocam as forças armadas venezuelanas em algo entre 100 mil a 150 mil efetivos ativos, com dezenas de milhares de guardas nacionais e paramilitares, e um inventário de equipamentos envelhecido ou limitado. A diferença de escala operacional é, em uma palavra, abissal. Fora da literatura mágico-realista, soldados espectrais não contam.
A disparidade material é ainda mais gráfica nas plataformas-chave. Os EUA operam 11 porta-aviões nucleares – centros móveis de projeção de poder capazes de levar dezenas de caças e milhares de tripulantes para qualquer oceano. A Venezuela, evidentemente, não tem nenhum porta-aviões e dispõe de uma marinha modesta, sem capacidade de projeção oceânica comparável. Num conflito hipotético de alta intensidade, um porta-aviões americano ao largo seria uma fábrica de destruição que, obviamente, nenhuma “flecha envenenada” poderia nem sequer vislumbrar alcançar. Sob a forma de passarinho, Chávez precisa vir contar isso ao seu discípulo.
No ar, a diferença de capacidade é igualmente esmagadora: os EUA mantêm milhares de aeronaves militares – caças furtivos, aviões de comando e controle, reabastecedores, AWACS – enquanto relatórios sobre a Venezuela apontam para poucas centenas de aeronaves, grande parte de padrão antigo ou em manutenção intermitente. Não é apenas uma questão de quantos aviões existem, mas de sensores, aviônicos, munições guiadas, reabastecimento em voo e integração de frota – tudo essencial para a superioridade aérea sustentada.
Mesmo nas forças blindadas e navais a foto é inequívoca: os EUA mantêm milhares de veículos blindados modernos, centenas de navios de guerra de superfície e submarinos nucleares; a Venezuela dispõe de algumas centenas de blindados, fragatas e poucos submarinos operacionais – muitos provenientes da era soviética ou adquiridos sem renovação tecnológica suficiente. Em termos práticos, isso significa que as forças venezuelanas, inclusive reforçadas por milícias, teriam mobilidade, proteção e potência de fogo limitadas frente a uma campanha moderna de interdição, superioridade aérea e bloqueio naval.
E aí surge o golpe de cena: o “exército” anunciado por Maduro, um verdadeiro Exército de Brancaleone latinoamericano, pode ter algum apelo simbólico (folclore, povo armado, resistência popular), mas carece de substância técnica. Milícias urbanas e rurais podem criar atritos locais, insurgência assimétrica e dores de cabeça em ocupação prolongada – mas elas não substituem a infraestrutura capaz de defender um país contra ataque naval, aéreo ou cibernético de alta intensidade. Em termos estratégicos, as flechas com curare são, no máximo, ferramenta de intimidação teatral; no campo técnico, são irrelevantes contra sensores, blindagem e sistemas de defesa modernos.
Há também um aspecto logístico que põe a conversa em termos crus: guerra moderna é guerra de consumo – munição, combustível, manutenção de motores, peças sobressalentes, cadeias de ressuprimento – e isso custa dinheiro e infraestrutura que a Venezuela hoje não tem em escala. Um míssil de cruzeiro custa milhões; um lote de bombas guiadas é caro; a manutenção de um caça exigiria suporte técnico que se perde quando o Estado entra em crise. Fanfarronadas retóricas não alimentam pilotos, nem mantêm navios operacionais por longos períodos.
Por fim, o fator humano e institucional: treinar milícias com práticas ancestrais pode servir a dois propósitos: um símbolo de identidade e mobilização interna, e a tentativa de transformar fragmentos culturais em instrumentos bélicos. O problema é que a guerra contemporânea exige coordenação, comando, comunicações seguras e interoperabilidade – coisas que não se improvisam com arcos e folclore.
Em suma, o moribundo regime chavista – asfixiado por sanções, devastado pela miséria e moralmente derrotado na esfera internacional – pode ainda ser forte contra uma oposição esfomeada e desarmada, mas nunca contra as forças armadas da nação mais poderosa do mundo.
CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA
MARLUCE MONTEIRO – JOÃO PESSOA-PB
PEDRO MALTA - REPENTES, MOTES E GLOSAS
GRANDES MESTRES DO REPENTE
Diniz Vitorino Ferreira, Monteiro-PB (1940-2010)
Diniz Vitorino:
Vemos a lua, princesa sideral
Nos deixar encantados e perplexos
Inundando os céus brancos de reflexos
Como um disco dourado de cristal
Face cálida, altiva, lirial
Inspirando canções tenras de amor
Jovem virgem de corpo sedutor
Bem vestida num “robe” embranquecido
De mãos postas num templo colorido
Escutando os sermões do Criador.
Manoel Xudu Sobrinho:
Os astros louros do céu encantador
Quando um nasce brilhando, outro se some
E cada astro brilhante tem um nome
Um tamanho, uma forma, brilho e cor
Lacrimosos vertendo resplendor
Como corpos de pérolas enfeitados
Entre tronos de plumas bem sentados
Vigiando as fortunas majestosas
Que Deus guarda nas torres luminosas
Que flutuam nos paramos azulados.
Lourival Batista Patriota:
Entre o gosto e o desgosto,
o quadro é bem diferente,
ser moço é ser um sol nascente,
ser velho é ser um sol posto,
pelas rugas do meu rosto,
o que fui hoje não sou,
ontem estive, hoje não estou,
que o sol ao nascer fulgura,
mas ao se pôr deixa escura
a parte que iluminou.
* * *
Um cientista profundo
me perguntou certa vez:
se eu conhecia os três
desmantelos deste mundo.
Eu respondi num segundo
e dei mais a explicação:
Doido, Mulher e Ladrão:
Doido não tem paciência,
Ladrão não tem consciência,
Mulher não tem coração.
* * *
O cantador repentista
em todo ponto de vista,
precisa ser um artista
de fina imaginação,
para dar capricho à arte
e ter nome em toda parte,
honrando o grande estandarte
dos oito pés de quadrão!
* * *
Dimas Batista Patriota:
Deus vê do céu bem visíveis
Nossos íntimos dilemas
Pra Ele não tem problemas
De soluções impossíveis
Desde que são infalíveis
Os atos do grande Ser
Todos têm que obedecer
Rico, pobre, bom ou mau
Não cai a folha de um pau
Sem nosso Deus não querer.
* * *
Fraqueza da humanidade
Alguém dirá, mas não é
Diz a tradição até
Jesus chorou de saudade
Seu coração de bondade
Da Virgem se despedia
Chorava olhando a Maria
Do Horto da Oliveira
A saudade é companheira
De quem não tem companhia.
* * *
Os carinhos de mãe estremecida
Os brinquedos do tempo de criança
O sorriso fugaz de uma esperança
A primeira ilusão de nossa vida
Um adeus que se dá por despedida
O desprezo que a gente não merece
O delírios da lágrima que desce
Nos momentos de angústia e de desgraça
Passa tudo na vida tudo passa
Mas nem tudo que a gente passa, esquece.
Pinto de Monteiro:
Se em janeiro não houver trovoada
Fevereiro não tem sinal de chuva
Não se vê a mudança da saúva
Carregando a família da morada
Só se ouve do povo é a zuada
Pai e mãe, noiva e noivo, genro e nora
Homem treme com a fome, o filho chora
Se arruma e vão tudo para o Rio
O carão que cantava em meu baixio
Teve medo da seca e foi embora.
* * *
Se for acocho de amor,
aceito e fico contente.
Se ela for carinhosa
e me arrochar novamente,
de nove para dez meses
o padre batiza gente!


