Tá pegando mal, artistas. Não tem versão 2023 da música? pic.twitter.com/toKnspqszR
— Milton Neves (@Miltonneves) November 9, 2023
Tá pegando mal, artistas. Não tem versão 2023 da música? pic.twitter.com/toKnspqszR
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O Ministério do Trabalho continua lidando com a história de abre ou não abre nos feriados. Eu não sei por que governos têm que se meter nisso. Devia deixar com as pessoas. Se eu sou dono de uma loja devia poder acertar com meus funcionários, “vamos abrir no domingo, vamos abrir no feriado, no meio da semana, porque isso vai fazer bem para todos nós. Vamos faturar, eu vou dividir com vocês, vocês vão ganhar mais, eu também vou ganhar mais”, mas não é assim. Agora é para dar força para o sindicato, que com a história do imposto sindical, da contribuição sindical, os sindicatos estão reclamando que estavam acostumados com muito dinheiro, principalmente os pelegos sindicais, aqueles que se tornaram sindicalistas por profissão.
E isso tem em toda parte, tem os sindicatos de empregadores e sindicatos de empregados. Ainda ontem eu ouvi um dirigente sindical dizer que é um absurdo receber para isso. E às vezes há lugares em que pagam muito, porque os associados do sindicato e os sindicalizados estão lá sustentando tudo. Lei do ano 2000 diz que abrir ou fechar em feriado é resultado de uma convenção coletiva de trabalho ou disciplina de lei municipal. A lei municipal regula essas coisas. Mas saiu uma portaria no ano passado, em novembro, que foi um caos. Então, está agora a Confederação Nacional do Comércio, sindicatos, Ministério do Trabalho estudando uma fórmula, porque do jeito que estava, só ia abrir em feriado farmácia e posto de gasolina. Isso é um absurdo, todo mundo sabe que num feriado, num domingo, é o único dia em que o trabalhador tem para fazer compra. Aí ele sai para fazer compra e encontra tudo fechado.
O trabalhador que também quer ir para uma churrascaria, para um restaurante, festejar num feriado. Ah, não está fechado. Como assim? É a mania do Estado de se meter na vida das pessoas. Onde o Estado menos se mete na vida das pessoas, mais há prosperidade. Estados Unidos, por exemplo, é uma questão entre trabalhador e empregador. Claro que há as unions, sindicatos que querem se meter, que querem controlar, que às vezes até adotam meios violentos para isso.
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Ramagem
Outro assunto do dia é mais uma busca e apreensão com um deputado oposicionista que é pré-candidato a eleição municipal, no caso Alexandre Ramagem, do PL, pré-candidato à Prefeitura do Rio de Janeiro. Alvo de busca e apreensão, sob a alegação de que quando era diretor da ABIN, Agência Brasileira de Informação, que estaria monitorando adversários políticos do governo. Isso aconteceu uma semana depois de uma busca e apreensão num pré-candidato à prefeitura de Niterói, o líder da oposição, Carlos Jordy. Houve muito protesto em relação a isso, inclusive porque, se é verdade que se baseou numa foto de um suposto organizador do 8 de janeiro, a foto foi forjada. É uma foto da posse de Bolsonaro, ele está na multidão, na frente do Palácio, na posse de Bolsonaro, de camisa alusiva à posse.
Mas aí foi apagada a alusão do dia da posse, para dizer que foi no 8 de janeiro, sendo que ele não estava no 8 de janeiro em Brasília. Essa é a pessoa que teria chamado o líder de líder. Mas enfim, são os abalos que tornam o Brasil parecido com a Nicarágua, porque o Ortega faz isso. Próximo à eleição começa a botar a polícia atrás dos seus adversários nas urnas. Assim que reiniciar o ano legislativo, esse assunto vai ser requentado, vai para os plenários, porque até agora a gente não ouviu, ou pelo menos não houve volume de voz na fala do presidente do Congresso e do presidente da Câmara a respeito da entrada de polícia nos gabinetes de representantes do povo, gente do poder legislativo.
O potencial eleitoral de Bolsonaro é reconhecido até entre medalhões do PT, como José Dirceu.
“Não subestimaria a Michelle como candidata”, declarou em entrevista o companheirão de Lula.
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Claro que eles, os medalhões do PT, têm plena consciência do “potencial eleitoral” de Bolsonaro, citado nesta nota.
Mas não perdem o sono por conta disto.
De maneira alguma.
Eles contam fielmente com os politizados eleitores eletrônicos.
Uma das minhas iguarias preferidas é quindim. Aprendi a gostar com a minha saudosa mãe, dona Lia, que cozinhava muito bem e dava preferência às sobremesas que levassem coco.
O quindim é um doce, à base de açúcar, gemas e coco ralado. É de se comer, “até lamber os beiços.”
Além de gostar de quindim, minha mãe também gostava muito da canção “Os Quindins de Iaiá” (de 1941), que cantarolava, embalando o filho caçula, como se fosse uma canção de ninar.
Sem dúvida, foi dela que herdei a preferência por quindim, que conservo até hoje.
“Os Quindins de Iaiá”, da autoria de Ary Barroso (1903-Ubá-MG / 1964-Rio de Janeiro-RJ), fez muito sucesso na voz do autor, como também na voz de Carmen Miranda, Dorival Caymmi (1914–2008), Dominguinhos e outros excelentes intérpretes.
“Aquarela do Brasil”, também da autoria do grande compositor Ary Barroso, foi a música que consolidou o estilo samba-exaltação, e ajudou a elevar o gênero samba à categoria de símbolo musical nacional.
Filho do advogado João Evangelista Barroso e Angelina de Resende Barroso, Ary Barroso ficou órfão aos 6 anos de idade. Os pais foram vítimas da tuberculose.
Ary Barroso foi criado pela tia avó, a professora de piano Ritinha, que o introduziu na música. Com 12 anos de idade já trabalhava como pianista auxiliar no Cinema Ideal de Ubá (MG), acompanhando os filmes mudos. Com 15 anos, começou a compor.
Com 18 anos, recebeu uma herança do tio Sabino Barroso, ex-ministro da Fazenda, e partiu para estudar Direito no Rio de Janeiro. Morava numa pensão de luxo, frequentava os melhores restaurantes e comprava as melhores roupas.
Quando o dinheiro acabou, passou a tocar piano em cinemas e cabarés, para se sustentar. Acabou gostando da boemia carioca.
Em 1923, passou a tocar na orquestra do maestro Sebastião Cirino, na sala de espera do teatro Carlos Gomes.
Em 1926, iniciou o Curso de Direito, interrompido diversas vezes.
Em 1928, foi contratado pela orquestra do maestro Spina, de São Paulo, para uma temporada de oito meses em Santos e em Poços de Caldas.
Em 1929, Ary voltou para o Rio de Janeiro. De pensão em pensão, foi parar na Rua André Cavalcanti, 50. Gostou das acomodações e da filha da dona da pensão, Ivone Belfort de Arantes. A família não concordava com o casamento de Ivone com o pianista boêmio.
Depois de ganhar um concurso de música carnavalesca com a marchinha “Dá Nela”, Ary pode pagar as despesas, e com o diploma de bacharel em direito, conquistado em 26 de fevereiro de 1930, pode se casar com Ivone. Ainda morando na pensão, nasceram os filhos Flávio Rubens e Mariúzia.
Em 1932, Ary Barroso ingressou na Rádio Philips a convite de Renato Murse. Além de pianista, foi humorista, animador e locutor esportivo.
Em 1933, enfrentou uma grande crise pessoal, quando perdeu a esposa Ivone e a avó no mesmo ano.
Depois da Rádio Philips, Ary foi para a Mayrink Veiga, e de lá, em 1934 foi para a Cosmos, em São Paulo, época em que criou o programa “Hora H”. Exigia que os calouros cantassem apenas músicas brasileiras e que citassem o nome do compositor.
Carmem Miranda foi uma de suas principais intérpretes e também grande amiga, com quem passeava nas ruas do Rio. O sucesso de “Aquarela do Brasil” na voz da cantora, fez com que Ary Barroso se transformasse em compositor e arranjador de filmes de Hollywood.
Ary Barroso notabilizou-se pelas músicas “Aquarela do Brasil, “Na Baixa do Sapateiro”, “Os Quindins de Yaiá” “No Tabuleiro da Baiana” e outras.
Retratou em suas canções, muitos aspectos do cotidiano popular. O samba esteve presente na maior parte de suas músicas, mas também estiveram presentes o xote, o choro, o foxtrote e a marcha.
Foi convidado, em 1936, para ser locutor na Rádio Cruzeiro do Sul. Apesar de já ser um compositor de sucesso, a atividade de locutor e comentarista esportivo se tornaria uma marca registrada de sua carreira.
Seus programas de calouro ficaram famosos e em 1937 inovou com um sino, para eliminar os calouros na Rádio Cruzeiro do Sul, no Rio de Janeiro. Quando foi para a Rádio Tupi, instituiu o gongo.
Ary Barroso, portanto, foi o precursor do gongo, imitado em programas de calouros, na televisão, tipo “A Buzina do Chacrinha” do apresentador José Abelardo Barbosa de Medeiros, mais conhecido como Chacrinha (1917-1988), que muito divertiu os telespectadores brasileiros, com seus jargões engraçados.
Os quindins de Iaiá
Cumé, cumé, cumé?
Os quindins de Iaiá
Cumé, cumé, cumé?
Os quindins de Iaiá
Cumé?
Cumé que faz chorar
Os zóinho de Iaiá
Cumé, cumé, cumé?
Os zóinho de Iaiá
Cumé, cumé, cumé?
Os zóinho de Iaiá
Cumé?
Cumé que faz penar
O jeitão de Iaiá
Me dá, me dá
Uma dor
Me dá, me dá
Que não sei
Se é, se é
Se é ou não amor
Só sei que Iaiá tem umas coisas
Que as outras Iaiá não tem
O que é?
Os quindins de Iaiá
Os quindins de Iaiá
Os quindins de Iaiá
Os quindins de Iaiá
Tem tanta coisa de valor
Nesse mundo de Nosso Senhor
Tem a flor da meia-noite
Escondida nos canteiros
Tem música e beleza
Na voz dos boiadeiros
A prata da lua cheia
No leque dos coqueiros
O sorriso das crianças
A toada dos barqueiros
Mas juro por Virgem Maria
Que nada disso pode matar…
O quê?
Os quindins de Iaiá…
Dentro de cada cidade há duas cidades. Uma feita de arquitetura, museus antigos, museus do presente (supermercados), igrejas, praças, rios, mares. Carlos Pena Filho até diz isso (em Olinda) com extrema beleza
Olinda é só para os olhos.
Não se apalpa é só desejo.
Ninguém diz é lá que eu moro.
Diz somente é lá que eu vejo.
Só que, por dentro desta cidade dos cartões postais, há uma outra cidade feita de gente. E o mesmo ocorre com os homens. Que, em cada um, há dois. O primeiro com medalhas, currículos, cargos, o poder; enquanto, dentro dele, habita um homem comum que sofre as injustiças do mundo, chora, sonha, tem esperanças. Trata-se do “homem interior”, a que se refere Dom Tolentino quando cita Sto. Agostinho (em De vera religione).
O cardeal Dom José Tolentino Mendonça foi distinguido como Doutor Honoris Causa ontem, 25 de janeiro, pela Universidade Católica de Pernambuco. Suas numerosas honrarias e seus mais de 50 livros publicados foram apresentados, ao público, na cerimônia. E estão, na internet, à disposição de quem queira saber. Mas, intimamente, quem será ele?, eis a questão. Para responder lembro livro curioso, editado em 2014 pelo Prêmio Nobel de Literatura (em 1971) Pablo Neruda, El libro de las preguntas. Em que primeiro anuncia palavras e, depois, discorre sobre o tema. Nesse caminho, escolhi apenas 20. E vejamos o que Dom Tolentino diz, sobre elas. Para conhecer melhor esse homem enorme que, agora, honra também nossa terra.
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BRINQUEDOS. Numa caixa de brinquedos estão as histórias disparatadas e sábias que contamos pela vida fora, a primeira bicicleta, os livros que nos ofereceram quando ainda não sabíamos ler, o silêncio da intimidade, as conversas à janela voltadas para a noite. Nessa caixa, está a arte de fazer tempo e de perdê-lo, para que se torne mais nosso.
CAMINHOS. Ensina-nos, Senhor, a olhar com humildade e a reconhecer, como um caminho que deve ser percorrido, o áspero acúmulo de ruínas. Esse caminho, que o homem moderno se descobre a percorrer, Eliot alumia-nos com uma esperançosa pergunta: “Quem é o terceiro que caminha sempre a teu lado? Quando conto, só vejo nós dois; mas quando olho adiante na estrada branca há sempre outro caminhando a teu lado.”
CHORO. Devemos chorar sem permanecer no pranto, a fazer o luto sem enlutar demasiado tempo o coração, a visitar as nossas feridas sem perder a esperança.
COZINHA. Pensar uma casa a partir da cozinha em nada atenta contra a sua natureza sagrada. Há uma compreensão que se abre para aquilo que uma casa significa, como se assim tocássemos o seu segredo.
ETERNIDADE. Este sentimento de eternidade não consiste numa duração contínua, num tempo ininterrupto. Colhe-se no sentimento de que a vida é atravessada por alguma coisa, por uma alegria que emerge pela pura e simples sensação de estarmos vivos.
ÉTICA. A ética e a liberdade não têm a ver com a vontade, nem com as ações que dependem de nós, mas sim com o conhecimento e a possibilidade de conhecer. O ser humano é livre na medida em que conhece. A ética, em síntese, é a capacidade de reconhecer o que nos move uma experiência de abandono ou uma presença amorosa; um vazio que gera carência ou uma plenitude; uma força que expande ou um medo que lhe tolhe.
FÉRIAS. Que aproveitemos o tempo das férias para prolongar o tempo: o tempo das conversas, o tempo dos encontros, o tempo à volta da mesa, o tempo da leitura, o tempo dedicado à alegria, o tempo da contemplação, o tempo do cuidado.
FUTURO. Ensina-nos a divisar futuros onde os olhos só avistam entraves ou escombros e a acreditar que um fogo subsiste debaixo das cinzas.
HISTÓRIA. A história nos parece indiferente ao que possamos fazer. Vale a pena avaliar o tempo, o que fazemos dele e o que ele faz de nós.
MÃE. Falar da mãe é tocar alguma coisa ardentemente intransmissível, mas que permite aceder a um património que todos podemos reconhecer nosso.
MORTE. Na sociedade da imagem a morte torna-se sempre mais invisível e anônima. A única descrição que se consente é do boletim clínico, que diz tudo e não diz nada daquilo que a morte efetivamente é. Conta-se que na Roma antiga, quando os vitoriosos festejavam e eram publicamente festejados por uma conquista significativa, um escravo recebia o encargo de lhes repetir ao ouvido: “Memento Mori!” (uma saudação dos trapistas, algo como lembra-te de que um dia vais morrer).
NATUREZA. O destino do homem não pode ser separado do destino da natureza. Em vez de senhores despóticos, precisamos ser cuidadores sensatos nos estilos de vida, nas escolhas, nas expressões mais domésticas do quotidiano.
PALAVRAS. Minha avó materna era analfabeta e foi ela minha primeira biblioteca (a literatura oral). Ensina-nos, Senhor, a mansidão das palavras. Que saibamos escolher as palavras que lançam pontes, que deixam portas abertas ao que virá depois, que continuam a favorecer a esperança. Quando as palavras buscarem amparo em teu secreto canto, serás ainda o único pastor do meu silêncio.
POBREZA. A pobreza verdadeira é aceitar que, depois de tudo, o pai do filho pródigo não queria saber porque se parte, ou porque se regressa.
RECOMEÇO. Ensina-nos, Senhor, a esperança dos recomeços, mesmo se mais humildes do que idealizámos e mais ásperos, demorados ou fatigantes A paciência necessária aos recomeços. A arte dos recomeços.
REZAR. A oração não é aquele momento em que consigo libertar-me e fugir. É aquele instante em que o espírito se une à minha fraqueza e dá-me forças para abraçar aquilo que é maior do que eu.
SERENIDADE. Queremos, Senhor, entregar-Te tudo. O que nos dá serenidade e o que nos inquieta. O que nos encoraja e o que nos fecha no desalento.
SILÊNCIO. Cada um vive a sua vida única, mas também vivemos a de muitos outros e em nome de muitos outros. O silêncio é a partilha do furtivo lume.
SOLIDÃO. Devemos aprender, Senhor, não a temer, mas a escutar. Ensina-nos não a omitir, mas a abraçar a curva da solidão.
VIDA. A vida é mais do que a tua casa, do que o trabalho, a vida é mais. Fernando Pessoa dizia que nós não medimos a nossa altura, somos da altura daquilo que vemos – e a coisa mais importante na vida é ter uma visão. Não é só viver, é ter percebido o que é a vida. E essa visão só se consegue quando tiramos os olhos dos nossos sapatos e olhamos para a lua.
Sábias palavras ditas por um grande homem, essa visão da vida que só se consegue quando tiramos os olhos dos nossos sapatos e olhamos para a lua. Quando tiramos os olhos do pequeno e buscamos o soberbo. Quando tiramos os olhos do barro trágico e olhamos para o céu estrelado. Quando abandonamos as ilusões perdidas e sonhamos sonhos radiosos.
Para encerrar, lembro que Dom Tolentino tomou posse como Cardeal (em 15/12/2019), no Vaticano. E, dia seguinte, ofereceu almoço aos amigos que lá estiveram. Preparei discurso a partir do fato de que, naquele tempo, o Flamengo era treinado por um português, Jorge de Jesus, endeusado por todos. E esse discurso, que ainda vale em nossos corações, encerrava assim:
‒ No Brasil, hoje, (Jorge de) Jesus é Deus. Os amigos de Dom Tolentino são bem mais modestos. Não querem que ele seja Jesus nem, muito menos, Deus. Para nós, basta que um dia ele seja Papa.