CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

JOÃO P. SOUZA – LUZIÂNIA-GO

A PRINCESA E O OGRO

O Fidel Castro canadense está mostrando a que veio: está mandando espancar, prender, expropriar.

Esse sujeitinho, que é apresentado pela extrema-imprensa de merda como um cara democrata, bacana, delicado e sensível, tem a mania de se sentar desse jeitinho aí, ó, mostrado nas fotos, com as pernas bem juntinhas, feito uma princesa recatada.

Ele defende o discurso esquerdista de que os homens não devem se sentar com as pernas abertas porque isso é demonstração de machismo, de masculinidade tóxica.

Esse ditadorzinho comunista deve ter arrancado os próprios bagos só para se mostrar politicamente correto. Só pode!

Nenhum homem (homem homem!) consegue se sentar espremendo suas bolas.

Nas fotos, ao lado do déspota refinado e chique, está o cara que, segundo a mesma imprensa de merda, é a expressão do mal, da grossura e da insensibilidade.

O abominável ogro que, além de se sentar como um macho tóxico, ainda faz questão de deixar bem claro, nos gestos que faz com as mãos, que gosta mesmo é de priquito.

JOSÉ DOMINGOS BRITO - MEMORIAL

OS BRASILEIROS: Di Cavalcanti

Emiliano Augusto Cavalcanti de Albuquerque Melo nasceu em 6/9/1897, no Rio de Janeiro. Pintor, ilustrador, desenhista, cenógrafo, jornalista, muralista, caricaturista e um dos expoentes da pintura brasileira. Participou da Semana de Arte Moderna, em 1922, e imprimiu um caráter nacional em suas obras ao abordar temas típicos da cultura brasileira, como carnaval, mulatas e figuras populares em cores exuberantes e formas sinuosas.

Filho de Frederico Augusto Cavalcanti de Albuquerque, membro de uma tradicional família pernambucana, e Rosalia de Sena. Pelo lado materno, era sobrinho da esposa de José do Patrocínio, abolicionista do século XIX. Iniciou a carreira como caricaturista, na revista Fon-Fon, em 1914, e mudou-se para São Paulo em 1917, onde ingressou na Faculdade de Direito. Na ocasião, trabalhou como ilustrador de conteúdo e capas para a revista O Pirralho, fez a ilustração do livro Carnaval (1919), de Manuel Bandeira e se entrosou com os artistas e escritores paulistas. A exposição da pintora Anita Malfatti, em 1917, e os contatos com Rubens Borba de Moraes e Sergio Milliet, apresentando-lhe as pinturas de Pablo Picasso, deram-lhe ânimo para retomar o estudo de pintura com o professor alemão Georg Elpons, no Rio de Janeiro. Pouco depois a capital paulista entra num período de efervescência cultural capitaneado por Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Guilherme de Almeida, Sergio Milliet etc. dos quais se tornou amigo.

Para ajudá-lo financeiramente, os amigos planejaram uma exposição de suas caricaturas, mas ele sugeriu que no lugar de uma “exposiçãozinha” poderiam fazer um evento maior incluindo outras artes, como música e literatura. Assim, deu-se início a organização da Semana de Arte Moderna, para a qual criou o catálogo e cartaz e expôs algumas de suas obras. No ano seguinte, quando Milliet voltou para a Europa, ele foi junto e arrumou emprego na revista Monde, em Paris. Aí permaneceu até 1925 e frequentou a Académie Ranson. Na condição de jornalista, “sem contar a ninguém que era pintor, entrei em contato com Picasso, Braque, Matisse, Fernand Léger, Jean Cocteau e toda a vanguarda francesa, sempre levado pela mão de Sergio Milliet”. Destes artistas recebeu influências que foram trabalhadas ao seu modo, numa linguagem pessoal.

Tais influências marcam um redirecionamento em sua obra. Passa a adotar uma temática nacionalista ligada a questão social. A tela Samba (1925), considerada sua obra-prima reflete esta tendência. Representa a figura da mulher negra seminua e o samba, ícones da cultura popular brasileira. A influência de Picasso fica evidente no porte volumoso e tratamento dado às mãos e aos pés das figuras. Segundo o crítico Jones Bergamin, este quadro tem um reconhecimento similar ao de Abaporu (1928), de Tarsila do Amaral e constitui-se numa “das bandeiras da arte brasileira”. Quando retornou ao Brasil, filiou-se ao Partido Comunista em 1928. Retoma com mais afinco sua obra e aprimora seu estilo, influenciado agora pelo expressionismo alemão, com formas simplificadas e curvilíneas em cores quentes, em especial vários tons de vermelho.

Em 1932 fundou em São Paulo, junto com os pintores Flavio de Carvalho e Antonio Gomide, o CAM-Clube dos Artistas Modernos. No mesmo ano foi preso durante a Revolução Constitucionalista e no ano seguinte publicou o álbum A Realidade Brasileira, uma série de 12 desenhos satirizando os militares. Em seguida casou-se com a pintora Noêmia Mourão. Na década de 1940 atinge a maturidade artística e o reconhecimento público no cenário nacional. Adepto da arte figurativa, deu uma conferência no MAM-Museu de Arte Moderna , em 1948, publicada na revista Fundamentos, sob o título Realismo e abstracionismo, defendendo uma arte brasileira e contra o abstracionismo. Por esta época incursiona na arte muralista, sob a influência do mexicano Diego Rivera e produz alguns murais em edifícios de São Paulo. Em 1960 realizou o painel “Candango” na Câmara dos Deputados, em Brasília.

Ao mesmo tempo em que mantinha a carreira artística, participava dos movimentos político-sociais. Foi preso, de novo, em 1936 e libertado por amigos, mudou-se para Paris, onde permaneceu até 1940. Lá recebeu medalha de ouro com a decoração do Pavilhão da Companhia Franco-Brasileira, na Exposição de Arte Técnica. Pouco antes da II Guerra Mundial, retornou ao Brasil, fixando-se em São Paulo. Em seguida passou a expor em Lisboa, México, Buenos Aires e Montevideo e obteve reconhecimento internacional. Participou da I Bienal Internacional de Arte de São Paulo, em 1951 e recebeu a láurea de melhor pintor na II Bienal, prêmio dividido com Alfredo Volpi. Por essa época fez uma generosa doação de mais de 500 desenhos ao MASP-Museu de Arte de São Paulo.

Em 1954, o MAM-Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro fez uma retrospectiva de suas obras e 2 anos depois participou da Bienal de Veneza. No mesmo ano recebeu o I Prêmio da Mostra Internacional de Arte Sacra de Trieste. Em 1960 criou imagens para a tapeçaria do Palácio da Alvorada e pintou as estações da via sacra, na Catedral de Brasília. No México, ganhou uma sala especial na Bienal Interamericana e foi contemplado com a Medalha de Ouro. Teve sala especial, também, na VII Bienal de São Paulo em 1962. Foi indicado pelo presidente João Goulart para ser adido cultural na França, embarcou para Paris, mas não pode assumir o cargo devido ao Golpe Militar de 1964. Passou a viver em Paris com Ivete Bahia Rocha e lançou uma espécie de autobiografia: Reminiscências líricas de um perfeito carioca.

A década de 1970 foi marcada com diversas exposições retrospectivas, premiações e comendas: Prêmio da Associação Brasileira de Críticos de Arte; título de doutor honoris causa, da UFBA e teve sua obra Cinco moças de Guaratinguetá, reproduzida em selo postal. Em 1975 recebeu a comenda da Ordem do Infante Dom Henrique de Portugal. Faleceu em 26/10/1976 e seu funeral foi filmado por Glauber Rocha, constituindo-se no documentário Di-Glauber (1977) em homenagem ao pintor. Principais obras: Pierrete e Pierrot (1924) Samba (1925), Mangue (1929), 5 moças de Guaratinguetá (1930), Músicos (1963) etc.

Em seu centenário, em 1997 foram realizadas exposições comemorativas e retrospectivas: As mulheres de Di, pelo Centro Cultural do Banco do Brasil; Di, meu Brasil brasileiro, pelo Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro e Di Cavalcanti, 100 anos, pelo Museu de Arte Brasileira da Fundação Armando Álvares Penteado. Três livros, entre tantos outros, dão conta de sua vida, legado e sua contribuição à pintura brasileira: Contando a arte de Di Cavalcanti, de Angela Braga-Torres (Global Editora, 2021); Di Cavalcanti: conquistador de lirismos, de Denise Mattar e Elisabeth Di Cavalcanti (Ed. Capivara, 2016) e A querela do Brasil: a questão da identidade da arte brasileira: a obra de Tarsila, Di Cavalcanti e Portinari: 1922-1945, de Carlos Zilio (Ed. Relume Dumará, 1997).

DEU NO X

WELLINGTON VICENTE - GLOSAS AO VENTO

PARAÍBA FEMININA

Glosas deste colunistas feitas no Aeroporto Internacional Juscelino Kubitschek, Brasília-DF, 17/11/2020.

Mote:

Paraíba Feminina,
Espere que tô chegando!

Eu agradeço a Jesus
Por comandar a escolta
E permitir minha volta
À terra de Zé da Luz.
Vou preparar um cuscuz
Já vendo um bode guisando,
Uma cerveja gelando
Ao lado da cajuína.
Paraíba Feminina,
Espere que tô chegando!

Quero ouvir Ton Oliveira
Sanfonando “Jóia Rara”,
Raiane é a nova cara
Da sanfona brasileira.
Vou abrir uma “Brejeira”
Que eu deixei maturando,
Para me lembrar de quando
Fui forrozar em Campina.
Paraíba Feminina,
Espere que tô chegando!

Quero ouvir dois cantadores
Falando em mar e sertão
E ver em teu algodão
Variedades de cores.
Teus exímios tocadores
Tuas feiras animando
E o povo todo aclamando
Os solos da Concertina.
Paraíba Feminina,
Espere que tô chegando!

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

DEU NO X

FERNANDO ANTÔNIO GONÇALVES - SEM OXENTES NEM MAIS OU MENOS

BINOCULIZANDO OS AMANHÃS DO 21

Acabei de ler, após longa temporada de páginas rabiscadas, o livro 21 LIÇÕES PARA O SÉCULO 21, do historiador israelita Yuval Noah Harari, editado pela Companhia das Letras em 2018, primeira edição. E o término da leitura demorou um pouco em função do empréstimo do livro a um caminheiro que nem eu, que foi contaminado por essa pandemia assassina que se espalhou mundo afora, a exigir dos governantes uma reestruturação planetária de longo alcance, para evitar colapsos futuros nos quatro cantos do planeta, provavelmente irreversíveis.

Nas páginas do livro, o autor traça balizamentos indispensáveis para as próximas décadas do presente século, quando os desajustes deverão estar sanados e a democracia fortalecida, a inteligência artificial sempre subordinada à mental, embora extraordinariamente facilitadora de soluções ultra rápidas, a cidadanização planetária se estendendo para outras localidades do cosmo, corrigidas as imperfeições de um sistema econômico ainda classificado enganosamente como liberal, ensejando como mandamento civilizatório primeiro uma cada vez mais ampla liberdade de crítica militante, permanentemente renovadora. O objetivo do historiador Harari com seu livro não muito atraente é o de favorecer a consolidação de uma racionalidade planetária capaz de proporcionar um equilíbrio mais consistente do ambiente global.

Cada um dos bilhões de habitantes da Terra é possuidor, segundo Harari, de uma agenda pessoal, com problemas individuais bem mais urgentes que o ingresso do Brasil na OCDE ou uma invasão que poderá ocorrer na Ucrânia, em decorrência de ânsias de poder entre alguns idiotizados mandatários metidos a donos de uma a verdade ideológica planetária plena.

No seu livro, o autor oferece alertas para os amanhãs 21. Um resumo dos balizamentos:

1. Analise bem as três narrativas formuladas pelos centros decisórios do mundo – Nova York, Londres, Berlim e Moscou: a narrativa fascista, a narrativa comunista e a narrativa liberal. Todas elas em descréditos acelerados.

2. Balize sempre, na medida em que se profissionalizar, as alterações do mercado de trabalho, principalmente na área tecnológica, com seus emergentes empregos online.

3. Cuidado com as ditaduras digitais e a ausência de conhecimentos elementares sobre Humanidades, sua trajetória, história, pensamento e perspectivas.

4. Perceba sempre que só existe uma civilização do mundo e que problemas globais exigem respostas globais.

5. Diferencie sempre os princípios dogmáticos de cada crença religiosa, jamais abdicando da sua espiritualidade cósmica, sempre percebendo que algumas culturas possuem caracetrísticas mais solidamente edificadas que outras.

6. Nunca entre em pânico, sempre buscando controlar os anseios e receios da sua mente.

7. Jamais subestime a estupidez humana. E busque entender os argumentos que comprovam que as últimas décadas foram as mais pacíficas de toda história humana.

8. Perceba-se cotidianamente que você não é o centro do mundo, respeitando as posturas dos que acreditam ser tão somente filhos do Dono.

9. Tenha plena consciência da sua sombra, sempre se baseando em suas evoluções e evidências, nunca apenas sendo reflexos.

10. Considere-se muito confuso diante da complexa situação global, analisando sempre as diferenças existentes entre as mais explicitadas verdades, nunca sendo vitimado por propagandas enganosas e desinformações fabricadas.

11. Na era da pós-verdade, sempre assimile um fato incontestável: algumas news jamais serão extintas, porque sempre permanecerão reais.

12. Conscientize-se de que os amanhãs jamais acontecerão conforme exibidos nos filmes e novelas, preservando sempre seu livre-arbítrio crítico-construtivo.

13. Amplie sua resiliência de caminheiro militante, aprendendo a superar obstáculos numa era de múltiplas emergentes complexidades.

14. Mesmo cético de tudo e de todos, jamais perca seu bom humor, reservando momentos para uma avaliação dos ditos e feitos praticados nos últimos tempos.

15. Nunca se esqueça de assimilar um dito famoso: Quem sabe faz a hora, nunca espera acontecer.

Milhares de respostas surgirão todos os dias à nossa frente, tenhamos plena certeza disso. Algumas delas, a título de pequena amostra: Quem “fabricou” o Coronavirus? Israelitas e palestinos se entenderão um dia? O espiritualismo transecumênico um dia será triunfante? A fome de milhões será extinta na face da Terra? Haverá contatos efetivos duradouros com seres de outros planetas? A Lua será um dia destino turísticos para os mais ricos? Existirá, no futuro, um Governo Mundial Parlamentarista? O que será necessário para se obter um ambiente planetário integralmente fraterno, sem medos, ódios, vinganças e outras catástrofes? Quando teremos no mundo uma plena igualdade racial e de gêneros, sejam quais forem? Quando será que a Coreia do Norte, o Iraque e El Salvador se equipararão socialmente a Dinamarca dos tempos atuais? Quando o ainda sobrevivente ideário liberal será fraternalmente solidário com o mundo subdesenvolvido? Quando o Sistema Judiciário e a Imprensa serão integralmente independentes? Quando serão erradicados os privilégios raciais, nacionais e de gênero? O sistema liberal superará suas atuais dificuldades de enfrentamento da tecnologia da informação e da biotecnologia? Quando o mundo será integralmente alfabetizado e cidadão?

Saibamos conter os limites da estupidez humana, favorecendo a emersão de uma universalidade repleta de Luz.

DEU NO JORNAL

PENINHA - DICA MUSICAL