O drama de Lula (PT) com a queda de popularidade e a reprovação contundente do seu governo, que chega a 70% em alguns Estados, só não é mais sentida pelo presidente, segundo auxiliares mais próximos, que a situação inversa dos principais adversários.
Enquanto pesquisas nacionais indicam que seria hoje derrotado por Bolsonaro, em Estados como o Paraná ele seria vencido em primeiro turno também por Ratinho Jr, Michelle Bolsonaro e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas.
Governadores de oposição batem recorde de aprovação: Caiado (86%), Ratinho Jr (82%), Ibaneis (74%), Tarcísio (69%) etc.
Se a oposição surfa na aprovação dos brasileiros, em Estados que eram lulistas, Pernambuco e Bahia, a reprovação já é maior que a aprovação.
Frases como “ele já não é o mesmo” ou “Lula está sem ânimo” ou “não é mais aquele” são as mais ouvidas de assessores próximos.
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As frases dos assessores, que convivem diretamente com o Descondenado, resumem tudo.
Uma excelente notícia para abrilhantar este domingo ensolarado.
A banda decente do Brasil celebra estes fatos com entusiasmo.
Sendo mantido o rítimo de uma cagada por dia, a queda do cara-de-pau vai ser acelerada com muito vigor.
O filósofo grego Diógenes Sinope foi considerado um crítico impressionante de homens públicos e de costumes. Diz-se que em plena luz do dia, ele andava com uma lanterna acessa procurando homens verdadeiros, ou seja, homens autossuficientes e virtuosos. Ao longo do tempo, o povo substituiu “homem verdadeiro” por “homem honesto”. Mesmo sendo uma lenda, a base de tudo isso é a Grécia Antiga, berço da democracia. Eu imagino a dificuldade que Diógenes teria se tivesse no Brasil, onde só existe uma “alma honesta”.
Seguramente estamos fadados ao abuso das regras judiciais. Já perguntei em outras ocasiões e não custa perguntar de novo: existe algum corrupto neste país que está na cadeia? Por favor, se alguém conhecer coloque o nome aqui para gente fazer um banco de dados, mas particularmente até onde me lembro, o STF anulou e soltou todos os corruptos presos, por exemplo, na Lava Jato. Mas, não para por aí. Li, hoje, que Gilmar Mendes suspendeu uma ação contra o ex-governador Marconi Perillo, do PSDB. Trata-se de uma ação que apura desvio de recursos da saúde quando ele governador de Goiás.
Gilmar Mendes soltou um parente de Beto Richa, então governador do Paraná, acusado de receber propina, salvo engano naquela questão das concessões de vias rodoviárias. O cara fugiu para o Líbano. Gilmar Mendes, tirou da cadeia Jacob Barata, conhecido como “Rei do ônibus” – por duas vezes, inclusive. Cabe salientar que Gilmar foi padrinho de casamento de um dos filhos de Barata, algo assim. A lógica desse país é não manter corruptos na cadeia e de certa forma, a corrupção depende do incentivo ao crime. A economia do crime é objeto de estudo de Gary Becker (1967).
As coisas não funcionam nesse país e de uma forma equivocada culpa-se, quase sempre, o executivo. O problema não é só esse, na verdade é só um terço do problema. No governo passado, os outros dois terços se uniram contra o executivo, criaram problemas, acionaram o STF por qualquer coisa que fosse feita pelo presidente. Um exemplo clássico foi o indulto concedido a Daniel Silveira. Está na constituição que indulto é uma prerrogativa da presidência da república e uma vez concedida, o indultado não pode ser preso pelo crime passado. Mas, não foi isso que aconteceu. Cancelaram o indulto como se não tivesse o menor valor jurídico.
Não restam dúvidas que temos problemas no executivo, no entanto, se não formos capazes de mudar o legislativo, não atingiremos absolutamente nada. Somente o senado tem prerrogativa de impedir ministros do STF e isso não será feito nunca porque temos penduricalhos de corruptos ocupando presidência e comissões importantes tanto na câmara quanto no senado. O arquivamento da denúncia contra Janone, pelo DEMOCRATA, Guilherme Boulos, serve como parâmetro para demonstrar que ninguém será cassado no congresso, exceto se você for oposição, como aconteceu com Deltan Dallagnol.
O senado é apenas um puxadinho de um celeiro de raposas. Em decisão normativa publicada ontem, o presidente do senado criou um jabuti idêntico ao que existe no sistema judiciário. Agora, o alto escalão da casa vai ter o benefício de 1 por 3, ou seja, a cada 3 dias trabalhados, o servidor ganha 1 de folga, mas o detalhe é que essa folga pode ser remunerada e isso fará com que determinados funcionários recebam mais de R$ 1 milhão de salários por ano. É preciso lembrar que o legislativo não tem receita própria e por isso vive de duodécimos repassados pelo poder executivo? É preciso lembrar que o não repasse implica numa violação constitucional e que pode levar o presidente a um processo de impeachment?
O país atravessa uma crise intensa com empresas públicas de pires na mão, a exemplo dos Correios, com fundos de pensão perdendo dinheiro dos beneficiários, como no caso da Previ, e que quantidade de empresas que entraram em Regime Judicial cresceu, entre 2023 e 2024, um pouco mais de 61%. Foram 2.154 empresas e a média de empresas em RJ nestes dois anos apenas é 1839.
Na minha opinião, a leniência do judiciário no combate a corrupção, fazendo com que o Brasil caísse no ranking mundial, associada com a canalhice dos caras que estão no legislativo, empurram o país para um sistema falimentar. A questão é que no governo passado a gente tinha dois terços dos poderes trabalhando contra o executivo. Agora, nós temos três terços trabalhando contra o Brasil.
Havia apenas aquela área livre em bom tamanho, no bairro. Foi aproveitado e reconhecido durante anos, como o “campo do Tropical” – e era ali que muitos tinham oportunidade de se iniciarem na prática do futebol amador, a caminho da profissionalização.
O campo do Tropical, era, digamos, a única área física disponível na Bela Vista. E era, também, a maior.
Eventos como, quermesses (que não conseguiam ou não tinham relação com a Igreja do bairro (Matriz de Nossa Senhora da Salete), festas juninas que dependiam de arraiais e outros eventos de maior porte, eram instalados no campo do Tropical.
Os jovens não aprovavam, pois, sua melhor diversão perdia o espaço por tempo indeterminado. Mas, eram obrigados a aceitar, e, em família ou com namoradas acabavam frequentando as diversões, fossem elas quais fossem.
Eis que, uma semana após o clássico futebolístico do bairro, cerca de quatro a cinco caminhões do tipo baú encostaram e estacionaram no campo do Tropical. Os passageiros começaram a descer e “vistoriar” a área, como se ela lhes pertencesse.
De um carro menor, o motorista desceu e falou:
– É aqui!
Em dois dias o Circo Itaguará estava “montado” e apto para os espetáculos circenses. Enquanto isso, os jovens do bairro ficavam privados do seu melhor e mais propício lazer: o futebol.
No primeiro fim de semana – sexta-feira, sábado e domingo – o circo estreou. Animais selvagens (um elefante que parecia mais velho que o próprio continente africano; um leão que demonstrava ser bisavô do “Rei Leão”; alguns macacos e vários trapezistas em evoluções que chamavam a atenção da plateia.
Chegara o momento mais esperado: o palhaço e suas palhaçadas, algumas muito conhecidas, mas que só tinham sido vistas pela plateia nos filmes exibidos nos cinemas.
De repente, o silêncio tomou conta da plateia. As luzes foram apagadas e aquele clima nostálgico se fez presente. Debaixo do único facho de luz que havia sob aquela empanada circense, o palhaço pediu a atenção da plateia para um pronunciamento.
– Senhoras, e, senhores muito boa noite. Peço sua atenção para minha pequena fala.
Chegamos aqui no começo da semana. Trabalhamos com afinco e sacrificamos nosso descanso para que tivéssemos a oportunidade de lhes oferecer a estreia nesta noite de sexta-feira. Conseguimos. Estamos plenamente satisfeitos com o público presente, nosso combustível para a vida e a diversão. Mas, infelizmente, amanhã iniciaremos a desmontagem da nossa vida que pretendia oferecer a todos uma diversão sadia e profissional. Partiremos, provavelmente no domingo. Muito obrigado pelo comparecimento que só nos incentiva e dignifica.
Incrédulo, o público presente se manifestou em uníssono:
– Ooohhhhh!
O palhaço triste com a partida
O palhaço, agradecido, voltou a falar: “mas, hoje, o espetáculo continua. Procuraremos fazer o nosso melhor para retribuir a atenção que nos foi dada”.
As luzes foram acesas, o elefante velho voltou ao picadeiro e fez as maiores e melhores estripulias que um animal domesticado poderia fazer. Parecia ter ouvido e sido atingido pelo discurso de despedida do palhaço.
Trapezistas evoluíram. Macacos divertiam. Aquilo não parecia uma despedida. Mas, infelizmente, era.
Fim do espetáculo.
O público entristecido deixava as cadeiras e as arquibancadas. No portão que fora entrada, e agora saída, um palhaço-mirim em lágrimas, entregava uma rosa a cada espectador, ao tempo que murmurava:
– Muito obrigado!
Palhaço-mirim
Na tarde daquele domingo da mesma semana, o campo do Tropical virava local de diversão para o clássico Tropical x Avante.
Foi quando o jogador “Acarape”, com voz e sentimento filosofal, garantia:
Quinze dias sem comer A gente sofre e aguenta Sem amor também sustenta E três sem água beber. Sem ter nem o que fazer Por todo canto uma dor Mas sem ela, sofredor Pois é só quem me sustenta A poesia alimenta A alma do cantador.
Novo Abrantes
Eu rumino todo dia Na mente e no coração Fonte de inspiração Quando vejo cantoria Leio livro que é magia Da cultura sou defensor Eu sou um degustador Cheiro rosa com a venta A poesia alimenta A alma do cantador.
Cabal Abrantes
Poesia é a comida Do cantador de repente É a inspiração da mente E também sua bebida É a sua própria vida Quando canta com amor Mora em seu interior É ela quem lhe sustenta A poesia alimenta A alma do cantador.
Poeta Nascimento
A poesia decora As rodas da Cantoria, No verso novo que cria E que o poeta elabora. Com seu pulsar revigora E aguça o espectador, É o motor propulsor Que à viola fomenta, A poesia alimenta A alma do cantador.
Melchior SEZEFREDO Machado
É pouca gente que entende A força da poesia Quem recebe esta magia Ama, sofre, se arrepende. Erra demais, mas aprende De cada ato o valor E voa como o condor Sem ter medo da tormenta. A poesia alimenta A alma do cantador.
Laura Agostini de Vilalba Alvim nasceu no Rio de Janeiro, RJ, em 2/11/1902. Dedicada ao mecenato cultural, fez a doação de sua casa ao governo do Estado com a finalidade de se criar um Centro Cultural, em 1983. O objetivo foi concretizado em 1986 com a fundação da Casa de Cultura Laura Alvim, na Praia de Ipanema. Foi considerada a primeira “garota de Ipanema”, devido a sua beleza e popularidade de fino trato.
Filha de Laura Agostine de Vilalba Alvim e Dr. Álvaro Freire de Vilalba Alvim, introdutor do Raio-x no país e neta de Angelo Agostin, o primeiro cartunista do Brasil. Em 1910 seus pais foram morar na Av. Vieira Souto, praia de Ipanema, na época um imenso areal. Trata-se de um grande sobrado de 3 andares num terreno de mil m², o metro mais caro do Rio de Janeiro. Tornou-se um ambiente de efervescência cultural, nas décadas de 1930-1940, frequentada por Burle Marx, Ernesto Nazareth, Bibi Ferreira, Burle Marx, Álvaro Moreira, Rosalina Coelho Lisboa, Isadora Duncan, Fernanda Montenegro e Tônia Carrero entre outras do meio artístico e cultural.
Na década de 1950, ela comprou a parte dos irmãos herdeiros; tornou-se única proprietária a passou viver só, pois nunca se casou, mesmo recebendo dezenas de propostas. Na década de 1950 passou a dedicar-se ao projeto de transformar a casa num grande centro cultural, numa espécie de homenagem ao pai, que morreu em 1928. Anos depois, com a morte da mãe, passou a viver só com uma governanta cearense. Em fins da década seguinte, em meio a uma reforma, a casa se encheu de novo. Dessa vez, o casarão passou a ser habitado pelos parentes da governanta que vinham do Nordeste.
Conta-se que cerca de 60 pessoas chegaram a morar nos cômodos mal-acabados até encontrar moradia e emprego. Ficou conhecida como “A República do Ceará”, abrigando de recém-nascidos a idosos. Vendeu os terrenos que o pai possuía no Leblon, ficando sem dinheiro tocar seu antigo projeto. Sua situação foi agravada por uma doença na pele e tornou-se reclusa, pois já não se sentia tão bonita e apresentável para receber as pessoas. Com pouco recursos, alugou alguns quartos do casarão e dormia no porão. No entanto, não abandonou o sonho de transformar o casarão num importante centro cultural.
Em 1983, aos 81 anos, providenciou um atestado de sanidade mental e doou sua casa ao Estado com a condição, expressa em contrato, de transformar a casa num centro cultural. Faleceu em 22/3/1984 e dois anos depois foi inaugurada a “Casa de Cultura Laura Alvim, contando com o empenho de Darcy Ribeiro, Vice-governador e Secretário da Cultura, no Governo de Leonel Brizola. A casa hoje é mantida pela FUNARJ-Fundação Anita Mantuano de Artes do Estado do Rio de Janeiro, com cláusulas assegurando que o imóvel só pode abrigar o centro cultural.
Em 2016, a empresa suíça de relógios Omega se instalou na casa durante as olimpíadas e paraolimpíadas e financiou uma grande reforma, modificando e modernizando sua estrutura. O espaço conta com 3 salas de cinema, 2 teatros, galeria de exposições, bistrô para alimentação, salas multiuso, ampla área para eventos e um estúdio para gravação e produção musical. O espaço também oferece aulas de teatro, artes visuais e workshops, auxiliando na formação de jovens artistas e uma sala expondo o “Memorial Laura Alvim” contando sua história através de seus pertences.
O espaço segue à risca a proposta de sua idealizadora de servir de palco para diferentes expressões artísticas. Graças a determinação de Laura Alvim, a orla de Ipanema (Av. Vieira Souto) não conta hoje com mais um grande edifício arranha-céu, tendo em seu lugar um belo sobrado, transformado em obra pública dedicado à cultura.