DEU NO JORNAL
PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA
A PASSIFLORA – Alphonsus de Guimaraens
A Passiflora, flor da Paixão de Jesus,
Conserva em si, piedosa, os divinos Tormentos:
Tem cores roxas, tons magoados e sangrentos
Das Chagas Santas, onde o sangue é como luz.
Quantas mãos a colhê-la, e quantos seios nus
Vêm, suaves, aninhá-la em queixas e lamentos!
Ao tristonho clarão dos poentes sonolentos,
Sangram dentro da flor os emblemas da Cruz…
Nas noites brancas, quando a lua é toda círios,
O seu cálice é como entristecido altar
Onde se adora a dor dos eternos Martírios…
Dizem que então Jesus, como em tempos de outrora,
Entre as pétalas pousa, inundado de luar…
Ah! Senhor, a minha alma é como a passiflora!

Afonso Henrique da Costa Guimarães, Ouro Preto-MG (1870-1921)
CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA
JOSÉ ALVES FERREIRA – SÃO PAULO-SP
Dr. Bacamarte, médico renomado, com suas insígnias e diplomas conquistados ao longo de estudos no país e exterior, livros e palestras, além de análises cranianas – segundo a técnica de Lombroso – concluiu que que era tempo de pôr em prática seus conhecimentos, na cidade onde construiu um grande manicômio, passando a internar ali quem no seu conceito era fora dos padrões que acreditava identificar.
Resumidamente, esse é o conto O alienista de Machado de Assis…
Fazendo uma parábola com dias atuais, ouso dizer que temos Simão Bacamarte entre nós – vários – na figura de baluartes da sabedoria, que se dizendo disposto a consertar nosso país ou defende-lo de ameaças meio indefinidas, promovem os maiores absurdos, prendendo e esquecendo princípios básicos penais e constitucionais.
Resta saber – como no final do conto – quando eles sairão de seu mundo paralelo, deixarão seu multiverso e, afinal aceitarem que não foram salvadores de nada, na verdade apenas desvairados impressionados com seu poder..
Se vivo fosse, Machado de Assis teria assunto para mais um conto maravilhoso.
MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE
NÃO PRECISA ME EXPLICAR! EU SÓ QUERIA ENTENDER
Devido ao filme O Planeta dos Macacos, exibido na década de 1980, criaram um programa humorístico chamado O Planeta dos Homens, liderado por Jô Soares e Agildo Ribeiro. Orival Pessini tinha um personagem, chamado Sócrates, que um macaco que fazia perguntas constrangedoras, olhava para a câmara e dizia: “Não precisa me explicar! Eu só queria entender!”. Estou me sentido assim: mais em busca de entendimento do que de explicação! Os questionamentos são tão amplos e tão diversos que me causam, além de confusão mental, indignação.
É sabido que a Odebrecht fez um sucesso impressionante ao longo dos governos do PT. Literalmente, como se diz por aí, o Brasil exportou corrupção para o Equador, Venezuela e alguns países africanos onde, Taiguara, enteado de Lula mudar a profissão de vidraceiro em Santos para empresário da construção civil em Angola. O que é esquisito é conceder asilo político a ex primeira-dama do Equador e, ainda por cima, enviar um avião da FAB para ir buscá-la. Os motivos foram justificados pelo ministro das relações internacionais: questão humanitária!
Eu acho engraçado esse enquadramento, posto que o corrupto não tem um pingo de humanidade quando desvia dinheiro da saúde, ou da educação, para suas contas pessoais de uma forma direta ou através de “laranjas”. Hospitais carentes de equipamentos, profissionais ou remédios. A fila de atendimento ao SUS chegou aos 52 dias, ou seja, uma consulta no SUS demora quase dois meses para ser realizada e quando o paciente consegue esse feito, muito provavelmente, ele vai se deparar com um equipamento de raio x quebrado, ou um laboratório de análises clínicas sem insumos necessários para fazer um hemograma.
As escolas não fogem à regra da estrutura comprometida e, além de tudo, a má qualidade de ensino que faz com que o Brasil ocupe os últimos lugares no exame do PISA. Nossos alunos não apresentam capacidade de entendimento de problemas simples de raciocínio lógico ou de leitura. Os professores são compromissados com a doutrinação e não com a educação. Isso me remete aos meus tempos de professor de escola estadual quando eu propus que das cinco aulas semanais de matemática a gente usasse duas aulas para ensinar geometria e não foi aceito. Depois tomei conhecimento que o problema era que eles não sabiam geometria. Lembro bastante quando uma professora disse que “o melhor dia na escola era quando recebia o contracheque”.
O sucateamento da saúde e da educação decorrem da corrupção impregnada nas entranhas do poder público. Somos PHD em corrupção, porque temos um presidente corrupto, ministros corruptos, diretores das estatais corruptos, senadores, deputados federais, estaduais, vereadores, prefeitos, governadores, enfim, não um cargo eletivo sequer que, por ele, não tenha passado um corrupto. Então, nesse contexto absurdo, o Brasil – por questões humanitárias – abriga uma pessoa que sempre acreditou estar acima da lei e não ser alcançada pela justiça de forma com todo rigor da lei.
O Brasil se especializou em distúrbios éticos, abrigando corruptos, terroristas e meros ladrões. Ronald Biggs ficou famoso ao roubar o trem na Inglaterra, nos idos de 1966, e viveu uma vida plena de liberdade aqui no Brasil até que, por livre e espontânea vontade, voltou para a Inglaterra e bastou pisar no solo inglês para ser conduzido à cadeia. Alegou que estava doente, salvo engano, com um câncer em estado avançado, mas foi para as grades.
Cesare Battisti, em 2010, ganhou o direito de permanecer no Brasil porque foi considerado um “preso político” quando, de fato, era simplesmente um assassino envolvido numa ação que matou três pessoas e deixou a quarta paralítica. Seu advogado, Barroso – hoje ministro do STF – conseguiu convencer o ministro da justiça, Tarso Genro, que Battisti era um perseguido e no último dia do seu mandato o presidente Lula deu-lhe o status de perseguido político.
Não é possível que nos calemos como simples cordeiros tangidos para o matadouro. Não é possível que uma maioria – pelo menos é isso que apregoa – continue calada e obediente diante de tantos abusos diários praticados pelo poder judiciário. Não é possível que se elejam, sempre, os mesmos corruptos subservientes ao poder judiciário.
Nadine Heredia era dirigente do Partido Nacional Peruano e em conluio com a Venezuela recebia dinheiro por artigos que nunca foram escritos. Os pagamentos feitos a essa senhora eram realizados por pessoas que não tinha recursos financeiros, portanto, o governo venezuelano usava laranjas para pagar os “serviços prestados” por ela. Agora, ela está aqui no Brasil, segundo o que foi noticiado, o tratamento humanitário foi devido a um diagnóstico de câncer. Eu, de fato, me pergunto: por que o Brasil permite tanto desvios de conduta? “Não precisa me explicar, eu só queria entender.”
DEU NO JORNAL
FALOU O ÓBVIO
O senador Ciro Nogueira (PP-PI) avaliou como imoral a decisão do governo Lula de conceder asilo para ex-primeira-dama do Peru.
“Decide anistiar até condenada por corrupção, mas, manifestantes do 8/1, não”.
* * *
Cuidado com seus pronunciamentos, sinhô senador.
Chamar decisão do gunverno Lula de imoral é redundância.
Procurar moralidade em gunvernança petralha é feito dar conselho a doido: pura perda de tempo.
WELLINGTON VICENTE - GLOSAS AO VENTO
O MEU CAVALO É ASSIM
O meu cavalo é ligeiro,
Nunca falhou no seu trato,
Tangendo novilha braba,
Correndo atrás de boiato,
Levando cerca no eito,
Derrubando boi no mato.
Jr Adelino
O meu não comprei barato,
Porém tem intuição:
Sabe distinguir o rastro
De novilha e barbatão.
Por isso eu o batizei
Com o nome de Adivinhão.
Wellington Vicente
DEU NO X
ALGUÉM SABE O ENDEREÇO DESSA BARBERARIA??
Pagariam R$100 reais no corte de cabelo masculino nesse salão diferenciado? pic.twitter.com/D8h3Pa601d
— Gabi (@Euagabibizinha) April 19, 2025
JOSÉ DOMINGOS BRITO - MEMORIAL
OS BRASILEIROS: Arnaldo Vieira de Carvalho
Arnaldo Augusto Vieira de Carvalho nasceu em Campinas, SP, em 5/1/1867. Médico pioneiro da saúde pública no Brasil, com a fundação da Faculdade de Medicina de São Paulo, e participação na criação do Instituto Butantan, Sociedade de Medicina e Cirurgia e Instituto do Câncer. Foi também pioneiro no desenvolvimento de uma cultura nacional como um dos fundadores da Sociedade de Cultura Artística, em 1912, presidindo-a até 1920.
Filho de Carolina Xavier Vieira de Carvalho e Joaquim José Vieira de Carvalho, professor de Direito, deputado do Império e senador estadual em 1891. Teve os primeiros estudos em sua cidade natal e ingressou na Faculdade Nacional de Medicina, no Rio de Janeiro, onde se diplomou em 1888. Ao retornar a São Paulo, foi residir na Rua Ipiranga (atual Av. Ipiranga) no centro da cidade. Com proclamação da República, em 1889, os ideais de higiene e saúde passaram a ganhar destaque na administração pública.
Logo após o retorno, seu pai o indicou como médico da Hospedaria dos Imigrantes e influenciou em sua contratação para trabalhar na Santa Casa de Misericórdia. Em 1889 foi médico-adjunto, médico-cirurgião e vice-diretor clínico da Santa Casa. No período 1893-1913, foi diretor do Instituto Vacinogênico (atual Instituto Emílio Ribas) em 1894, foi chefe da clínica e diretor do hospital da Santa Casa e, entre 1895 e 1920, fundador da Sociedade de Medicina e Cirurgia de São Paulo. Por essa época era um homem público, envolto em discussões políticas e urbanas e publicava artigos em jornais com o pseudônimo de “Epicarnus”. Foi uma das figuras de maior destaque no desenvolvimento da Medicina em São Paulo no final do século XIX e início do século XX, em um momento delicado da saúde pública brasileira.
Na época São Paulo contava com problemas sociais gravíssimos e ele não se conformava com o fato da cidade não contar com uma escola de medicina. Os interessados na área tinham que se deslocar até o Rio de Janeiro. Assim, ele encabeçou uma reivindicação de seus colegas para que fosse cumprida uma lei de 1891, que previa a criação de uma escola de medicina pública em São Paulo. Após uma longa deliberação entre os médicos e a administração do Estado, o então Presidente de São Paulo -Rodrigues Alves- assinou a Lei nº 1357, implantando a Faculdade de Medicina e Cirurgia de São Paulo, em 1912, mais tarde incorporada à USP-Universidade de São Paulo. A aula inaugural se deu em 2/4/1913, ministrada pelo Dr. Edmundo Xavier, no salão nobre da Escola Politécnica.
Ele mesmo escolheu o corpo docente e foi seu primeiro diretor. Procurou a Fundação Rockfeller em busca de apoio na complementação da formação dos estudantes e a construção do hospital-escola ficou sob a responsabilidade do governo paulista, que só foi inaugurado em 1944, localizado atrás do edifício-sede da faculdade. Hoje é a única escola de medicina da América Latina que participa do grupo composto por 25 instituições acadêmicas de saúde e hospitais universitários da World Academic Alliance, responsável pela organização da Cúpula Mundial da Saúde, que discute soluções para os desafios da saúde global.
Sua atuação se deu no combate a algumas endemias e epidemias em território paulista, como o combate à varíola, doença responsável por grande número óbitos naquele momento; a febre amarela que se alastrava com grande velocidade entre os imigrantes; além da luta contra a epidemia de gripe espanhola, em 1918. Na ocasião, supervisionou a construção de hospitais de campanha, organizou cerca de mil leitos da Santa Casa e mobilizou professores e alunos da Faculdade de Medicina nos postos de atendimento espalhados pela cidade.
Faleceu em 5/6/1920, aos 53 anos, em decorrência de uma contaminação sofrida em uma cirurgia realizada na Santa Casa. Quando a nova sede da Faculdade foi inaugurada em 1931, seu busto em bronze foi erguido à frente do edifício, fazendo com que prédio ficasse conhecido como “a casa de Arnaldo”. No mesmo ano a Avenida Municipal, local em que a Faculdade se instalou, passou a ser denominada Avenida Dr. Arnaldo. Em 2020, no centenário de seu falecimento, sua memória foi lembrada em grandes solenidades através das instituições em que atuou e seguem, ainda hoje, ocupando papel de relevância no ensino, pesquisa e assistência médica em São Paulo.
Como biografia, contamos com o livro: Memória do Saber: Arnaldo Vieira de Carvalho, organizado por Maria Amélia M. Dantas e Márcia Regina B. da Silva e publicado pela Fundação Miguel de Cervantes/CNPq, em 2013. O livro conta com capítulo, onde André Mota nos mostra suas realizações como a “matéria-prima para construção social do ‘herói paulista da medicina brasileira’. Equiparado a Oswaldo Cruz, o herói republicano da medicina brasileira, o mito de Arnaldo foi incorporado às lutas simbólicas relativas à construção da identidade regional paulista. Contamos ainda com outro livro – A casa de Arnaldo: Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo -, de Berta Ricardo de Mazzieri, publicado em 2004 pela Editora Revinter, que se constitui na biografia de sua obra maior.
FERNANDO ANTÔNIO GONÇALVES - SEM OXENTES NEM MAIS OU MENOS
PARA OS AMANHÃS BRASILEIROS
Na atual conjuntura mundial, com Donald Trump relinchando com ações tarifárias, com seus assessores principais ruminando e só batendo palmas, ansiosos por novos tipos de coices do maioral, mesmo que prejudicando o resto do mundo, torna-se inadiável uma ampla reformulação do atual modelo educacional brasileiro, há muito necessitando de uma sistemática DDD – Desmediocrização Docente-Discente em todos os seus níveis, excetuadas algumas exceções merecedoras de aplausos.
Urge, no Ensino Médio, o retorno da disciplina Filosofia Viva, que proporcione alicerces existenciais básicos para uma juventude hoje majoritariamente celulártica, induzindo debates edificantes e balizamentos éticos, favorecendo uma consciência comunitária que assimile as questões de um todo mundial, hoje vitimado por uma ausência efetiva de solidariedade humana, com uma ampla percentagem populacional vivendo muito sofrivelmente.
Com o desenvolvimento acelerado da IA – Inteligência Artificial, mister se torna a defenestração de inúmeras outras “inteligências”: a da manada, a assassina, a irracional, a populista, a demagógica, a oportunista, a aética, a bundálica exibicionista e a fingidamente religiosa, que visa apenas o fortalecimento de suas contas bancárias pastorais. Como também a eliminação das loterias tipo BET que, usando para sorteio todos os CPFs da Receita Federal, quase nunca premiam os que efetivamente jogaram.
Urge também uma gigantesca Revalorização da Vida, embasada numa reflexão notável do teólogo inglês James D. G. Dunn (1939-2020): “No pensamento judaico a figura da Sabedoria é feminina, porque os judeus desde o começo se davam conta que o divino não podia limitar-se a um único gênero.”
Para início de conversa, recomendaria a todos os pensantes brasileiros, militantes de todas as vertentes eticamente comprometidas com os amanhãs nacionais, a leitura de umas páginas que seguramente muito agigantarão mentes e corações. Um livro escrito por um jornalista, filho de um ex-professor da Fundação Getúlio Vargas, Dumerval Trigueiro (1927-1987, educador humanista ouro de lei. O livro: SABEDORIA NO DIA A DIA, André Trigueiro, Catanduva SP, Editora InterVidas, 2024, 240 p. Para os leitores do JBF, explicito, abaixo, a título de petisco, uma reflexão do autor do livro: “A cada dia temos novas oportunidades de realizar algo, por menor que seja, que guarde relação com um caminho espiritual. Se a perfeição não é desse mundo, e se estamos aqui justamente para descobrir as verdades essenciais da existência, convém não ser um juiz implacável de si mesmo e, com serenidade e confiança, dar o passo do tamanho da perna.”
As reflexões do André Trigueiro estão embasadas em escritos de um outro notável jornalista, Carlos Torres Pastorino (1910-1980), que detestava os que apenas criticam, fuxicam, enxovalham, anestesiam, mutilam e aviltam, sem oferecerem um tostão de alternativas concretas edificantes, sempre favorecendo o continuísmo da esculhambação geral, tudo ficando como dantes, no quartel de Abrantes, sem eira bem beira.
Saibamos, batalhando por uma efetiva Reforma do Sistema Educacional, favorecer, nos alunos dos primeiros níveis de ensino, um PCES – Pensar Cidadão Empreendedor Solidário capaz de fomentar um comunitarismo sem sectarismos racistas, nem posturas extremistas que muito buscam denigrir as consciências de mais da metade da nossa população.
Que a Educação Brasileira se agigante, saia das suas legislações dinossáuricas, abandone seus oportunismos eleitoreiros e lucrativos, e busque potencializar uma Profissionalidade Solidária Empreendedora capaz de inserir o todo pátrio no rol das nações mais desenvolvidas do planeta. Antes que tudo vire mel…
PENINHA - DICA MUSICAL
