PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

OUTRORA – Virgínia Vitorino

E tudo está na mesma, tudo igual.
Tudo fala de ti a cada passo.
– Caminhos que eu andei pelo teu braço,
andorinhas a rir sobre o beiral…

O que eu gostei de ti? Era um cristal
a minh´alma. Depois um embaraço.
Amargura mudada num cansaço,
e o nosso amor findou, triste e banal.

Faz-me saudades tudo o que dissemos.
É sempre bom aquilo em que nós cremos.
Eu cri numa mentira. Sou mulher…

Ai o que nós dissemos! Que ansiedades!
Mas sobretudo, amor, tantas saudades
do que nunca chegamos a dizer!

Virgínia Vitorino, Alcobaça, Portugal (1895-1967)

DEU NO X

ALEXANDRE GARCIA

LULA CRITICA O PASSADO, ERRA NO PRESENTE E FINGE NÃO VER A CRISE

Presidente Lula visitou Moscou, na Rússia, e Pequim, Na China, em meio ao escândalo do INSS no Brasil

Lula em Moscou aderiu ao eixo político anti-americano. Em Pequim, ou Beijing, aderiu a um eixo econômico, abrindo o Brasil para a China. Foi anunciado que haverá investimentos em delivery, veículos, química, indústria farmacêutica, bebidas, mineração, informática e, aí, entra inteligência artificial. Uau. Vão concorrer com brasileiros.

Imagino: delivery? Vão concorrer com o motoboy brasileiro? É isso? Uau. E Lula disse: “Brasil e China são parceiros incontornáveis, porque o Brasil precisa da China e a China precisa do Brasil.” Lá do outro lado do mundo, um precisa do outro. De repente, passou a precisar… no governo do PT.

Em Moscou, Lula deu uma entrevista dizendo que o escândalo dos descontos aplicados a idosos fragilizados, que recebem benefícios do INSS, não envolveu dinheiro público, mas sim o dinheiro deles, dos próprios idosos. Vocês entenderam? Se não entenderam, é porque não fazem parte do público para quem o presidente da República acha que pode apresentar uma falácia.

Ao dizer isso, ele está supondo que as pessoas não têm neurônios. Sim, o dinheiro nasceu do nada e foi parar no bolso dos aposentados e pensionistas como por mágica. Está enrolando.

Tenta responsabilizar o governo anterior, que, ao contrário, editou uma medida provisória e depois um decreto justamente para proteger aposentados e pensionistas de descontos não autorizados. Estabeleceu métodos e exigências de cadastramento que a esquerda, por sua vez, tentou suavizar — como o caso do recadastramento anual que passou a ser trienal — e depois trabalhou para derrubar completamente, alegando que os sindicatos estavam sendo prejudicados.

O resultado? Quando chegou ao governo Lula, os descontos dispararam. Subiram como um foguete.

Agora, até um ex-senador está reclamando: Jaime Campos, de Mato Grosso, afirmou que foram descontados R$ 1.100 de sua aposentadoria desde março de 2024. Até senador foi enganado. Segundo ele, não autorizou nada.

O valor foi cobrado por uma tal “Caixa de Assistência de Aposentados e Pensionistas”, que está na lista de entidades sob investigação.

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CPI que o governo teme e tenta enterrar nos bastidores

Enquanto isso, a ministra Gleisi Hoffmann e o líder do governo na Câmara, José Guimarães, se movimentam para evitar a instalação de uma CPI mista sobre o caso — formada por deputados e senadores. No Senado, a CPI está praticamente garantida. Mas Lula levou o senador Davi Alcolumbre para Moscou e para a China.

Com Alcolumbre, nada anda. E Hugo Motta está no centro da discussão sobre o que a Câmara fará. Agora, a Casa deve responder ao Supremo Tribunal Federal, depois que a Primeira Turma decidiu, por unanimidade, que a resolução da Câmara — aprovada com 319 votos e convertida em lei — “não é bem assim”. Ou seja: o Supremo tem mais poder sobre leis do Legislativo do que o próprio Legislativo.

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Críticas a Trump revelam o atraso do Planalto

Voltando à viagem de Lula à China, o presidente leu um discurso desatualizado. Enquanto Estados Unidos e China anunciavam um acordo sobre tarifas, Lula criticava as tarifas de Donald Trump — que nem estão mais em vigor. Na época de Trump, os EUA aplicavam 145% de tarifa sobre a China, que revidava com 125%. Atualmente, a China cobra 10% sobre os EUA, e os EUA, 30% sobre a China.

Alguém precisa avisar Lula antes dele discursar. Talvez sua assessoria não entenda chinês… Pode ser isso.

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Quando o assistencialismo desestimula o trabalho

E, por fim, cito palavras do ministro do Tribunal de Contas da União, Augusto Nardes, ex-deputado por muitos mandatos, do Rio Grande do Sul. Ele lembrou o óbvio: estão dando muitos benefícios. Bolsa isso, bolsa aquilo, bolsa de todas as formas. Resultado? As pessoas não querem mais trabalhar, porque recebem a bolsa. Só que o governo não cria riqueza — quem cria é o pagador de impostos.

E a conta é simples: cada vez mais pessoas recebem, e proporcionalmente menos pessoas produzem. Como disse Augusto Nardes: “Tem que ensinar a pescar. Porque há poucos pescadores e, daqui a pouco, vai faltar peixe para quem só quer comer e não quer pescar.”

DEU NO JORNAL

DENTRO DOS CONFORMES

Lula finalmente resolveu falar sobre o roubo aos aposentados, mas, outra vez, mentiu e “culpou” o antecessor, muito embora fuja de CPI como o diabo da cruz.

Tampouco explicou a blindagem no sindicato do irmão Frei Chico, que, alvo da PF, não será incomodado na Justiça.

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Essa nota aí de cima diz que o Descondenado mentiu “outra vez”.

Grande novidade.

Mentir é partea fundamental e indispensável de toda fala dele.

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

SÉRGIO – SÃO PAULO-SP

Dia 13 de maio, dia de Nossa Senhora de Fátima e dia em que a Lei Áurea foi sancionada, em 1888.

Dessa forma, a Lei da Abolição da Escravatura, assinada pela Princesa Isabel, determinou o fim da escravidão dos negros aqui no país.

Maria Santissima, volvei vossos olhos misericordiosos para este mundo tão necessitado de Paz, de Saúde e Justiça.

Vinde em nosso auxilio, Mãe dos Aflitos, e socorrei-nos com Vosso Amor e Piedade.

Nossa Senhora do Rosário de Fátima, rogai por nós.

Vamos orar

DEU NO JORNAL

CÍCERO TAVARES - CRÔNICA E COMENTÁRIOS

THE HURRICANE – (1999) – O FURACÃO INOCENTE NO INFERNO VIVO

Cartaz de The Hurricane lançado em Blu-Ray em 2000

A cinebiografia HURRICONE – O FURACÃO (1999), conta a história de Rubin “Hurricone” Carter (Denzel Washington, numa atuação magistral), famoso pugilista estadunidense, cuja prisão por assassinato foi cercada de suspeita por perseguição racial. Em 1966, Rubin Carter foi detido junto com um amigo e acusado do assassinato de três pessoas em Nova Jersey. Após rápido julgamento, ele foi condenado à prisão perpétua por um júri composto exclusivamente por brancos por triplo assassinato. Tanto Rubin Carter como seu amigo, John Artis negaram envolvimento nos assassinatos, passaram sem problemas por um detector de mentiras e as testemunhas não os reconheceram como os executores dos disparas no bar, mas mesmo assim foram condenados. O filme mostra as pessoas que ajudaram a conseguir um novo julgamento que o inocentou. Rubin Carter ficou encarcerado por quase 20 anos e a sua esperança restringia-se aos fãs que acreditavam em sua inocência.

“Esta é a história de Hurricane, o homem que as autoridades vieram a culpar por algo que ele nunca fez. Posto na prisão, aquele que poderia ter sido campeão do mundo,” assim escreveu Bob Dylan na letra da música Hurricone, protestando pela injustiça da condenação preconceituosa do boxeador.

Em junho de 1966, Rubin “Hurricane” Carter (Denzel Washington) era um forte candidato ao título mundial de boxe. Entretanto, os sonhos de Carter vão por água abaixo quando três pessoas são assassinadas num bar em Nova Jersey. Indo para casa em seu carro e passando perto do local do crime, Carter é erroneamente preso como um dos assassinos e condenado à prisão perpétua. Anos mais tarde, Carter publica um memorial, chamado “The 16th round”, em que conta todo o caso. O livro inspira um adolescente do Brooklyn e três ativistas canadenses a juntarem forças com Carter para lutar por sua inocência.

O filme “The Hurricane – O Furacão” é baseado na história real de Rubin Carter, um famoso pugilista que após ganhar 18 lutas seguidas passou a ser conhecido como “Furacão” por seus golpes demolidores. No entanto, a carreira vitoriosa de Carter foi interrompida por uma acusação infundada de três homicídios.

A trajetória do garoto negro que aprendeu cedo a sobreviver, como o próprio se define, começa a ficar turbulenta aos 11 anos, quando tem seus direitos de cidadão violados e é condenado a cumprir sentença até completar 21 anos por atacar um pedófilo branco da alta corte americana. O detetive encarregado da investigação foi Della Pesca, um branco racista da sociedade, o mesmo que se encarregaria de reunir provas falsas para incriminar Rubin novamente em 1965.

A história de Rubin Carter comoveu artistas e fãs e ganhou propagação mundial, mas nem mesmo as inúmeras manifestações e os protestos foram suficientes para tirá-lo da prisão. Carter foi preso e condenado a prisão perpétua, junto com seu amigo John Artis, porque duas testemunhas do local do crime confirmaram os dois como autores do triplo assassinato. As testemunhas foram subornadas pelo detetive particular racista Della Pesca, que encontrou uma maneira simples e rápida de resolver o caso.

Após passar, quase 20 anos preso, e ser julgado e condenado duas vezes por um júri branco, Rubin Carter estava desacreditado de sua liberdade. No entanto, o livro escrito por ele, nos primeiros anos de cadeia, intitulado The 16th Round – De número 1 ao número 45472, caiu nas mãos de Lesra, um garoto negro que se identificou com a história do pugilista e motivou a família canadense a lutar pela liberdade de Carter. Essa amizade foi responsável por em 1985 garantir a liberdade de Hurricane. Tendo a sentença de condenação anulada por um juiz do tribunal federal que, na sentença, encontrou prova de racismo e alteração da realidade dos fatos por um detetive particular branco, racista, que o havia condenado na adolescência.

É interessante pensar em Hurricane como um campeão de boxe, afinal a sua grande vitória vem ao escrever sua biografia que encanta o jovem Vince e seus amigos canadenses, e é com a ajuda dele que Rubin (Hurricane) consegue sair da prisão após quase 20 anos preso injustamente.

O filme, além de contar com uma atuação magistral de Denzel Washington (lembrando seus momentos de glória em Duelo De Titãs e O Voo, onde esteve brilhante) também é muito bem escrito, conseguindo prender o telespectador durante as mais de duas horas e meia de exibição e consegue fazer o espectador escolher um lado, se o da polícia, ou (e obviamente) o do boxeador.

Para aqueles que pensam que Hurricane – O Furacão, é apenas mais uma biografia de um homem que conseguiu dar a volta por cima; enganam-se. O filme é sim uma verdadeira superação, é uma aula onde a pauta principal é a vida; Porque viver? Porque o racismo? Porque eu? Essas são apenas algumas das inúmeras perguntas respondidas e que estão muito bem delineadas nas entrelinhas do roteiro. É possível até mesmo uma comparação a filmes como “We Are Marshall” (2006), “The Pursuit of Happyness” (2006), “A Procura da Felicidade”, que além de superação, nos mostram a importância de aceitar as coisas e pensar, no lugar de se irritar com o destino o certo é lutar.

As considerações fáticas do Juiz Federal, Sarokin, para anular os dois processos de primeiro grau do Tribunal Estadual de Nova Jersey são um primor de contextualização jurídica. E a frase que Rubin Carter pronunciou ao jovem Lesra Martin de dentro do parlatório, o adolescente negro que abraçou a causa por puro amor à Justiça, pagam o filme: “O ódio me pôs na prisão. E o amor vai me tirar.” – concluiu Carter.

The Hurricane – (Trailer Oficial)

Caso CARTER: Inspiração de BOB DYLAN “HURRICANE”

DEU NO JORNAL

DESACELERAÇÃO DO IPCA NÃO ATENUA RISCOS DE POLÍTICA FISCAL IRRESPONSÁVEL

Editorial Gazeta do Povo

ipca de abril

Medicamentos tiveram reajuste autorizado pelo governo no fim de março e pesaram na inflação de abril

A desaceleração da inflação em abril, na comparação com março, não foi suficiente para frear a subida do acumulado em 12 meses, que segue mais de um ponto porcentual acima do limite máximo de tolerância para a meta desde ano. Na sexta-feira, o IBGE divulgou o IPCA de abril, que foi de 0,43%, contra 0,56% em março. No entanto, o acumulado subiu ligeiramente, para 5,53%, contra um limite de 4,5% para que a meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional seja cumprida. Não só isso: o acumulado de 12 meses de abril é quase dois pontos porcentuais maior que o verificado no mesmo mês do ano passado, quando era de 3,69%.

De acordo com os dados do IBGE, um terço do avanço total dos preços registrado em abril se deve ao grupo “Saúde e cuidados pessoais”, que subiu 1,18% e respondeu por 0,16 ponto porcentual do IPCA de abril. Em 31 de março, entrou em vigor um reajuste de até 5,06% nos preços dos medicamentos autorizado pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (Cmed) da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O grupo “Alimentação e bebidas” não subiu tanto quanto os itens de saúde, mas a alta de 0,82% ainda está acima do índice cheio, e contribuiu para mais 0,18 ponto porcentual na composição do índice de abril. Na outra ponta, a queda de 14,15% nos preços das passagens aéreas – um item de fortíssima volatilidade – e reduções nos combustíveis fizeram o grupo “Transportes” ser o único a registrar deflação no mês passado.

Alguns fatores externos também ajudaram a gerar um alívio temporário. O dólar se desvalorizou ao longo de abril: depois de bater os R$ 6 em meio à tensão global com o “tarifaço” de Donald Trump, a moeda norte-americana fechou o mês passado em R$ 5,67. Mas que ninguém se iluda, pois este foi muito mais um movimento de perda de força do dólar globalmente, e não um fortalecimento do real graças a medidas que preservariam o valor da moeda brasileira. Internamente, continuamos mais frágeis que nunca, pois o governo federal não se moveu um único milímetro na direção de uma responsabilidade fiscal que proteja o poder de compra do brasileiro, destruído pela inflação.

Essa persistência da inflação – especialmente a manutenção do acumulado de 12 meses em patamares bem superiores ao limite máximo de tolerância da meta de inflação – acaba reforçando os motivos citados pelo Copom para a elevação de meio ponto porcentual na taxa Selic, decidida na semana passada. Naquela ocasião, o comunicado citou, como um dos riscos de alta para a inflação e as expectativas, “uma conjunção de políticas econômicas externa e interna que tenham impacto inflacionário maior que o esperado, por exemplo, por meio de uma taxa de câmbio persistentemente mais depreciada”. Ainda que o comunicado tenha dado mais destaque às consequências da política comercial norte-americana, o que é bastante compreensível, o texto é claro ao afirmar que as políticas internas continuam a ser fator importante para a trajetória da inflação.

Ainda que o dólar continue um ciclo de enfraquecimento global como consequências das políticas tarifárias norte-americanas, não há moeda nacional que resista a políticas fiscais expansionistas como a brasileira. Enquanto o gasto público ilimitado e o estímulo irresponsável à demanda constituírem o centro da estratégia lulopetista para fomentar o crescimento do PIB, o Banco Central precisará continuando responder com políticas monetárias contracionistas para impedir que a inflação não escape totalmente do controle.

PENINHA - DICA MUSICAL

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA