DEU NO JORNAL
A PALAVRA DO EDITOR
LIGEIRINHO, LIGEIRINHO
Sexta-feira, 30 de maio.
Logo, logo, estaremos nas festas de final de ano.
O tempo é mesmo vapt-vupt: passa ligeirinho.
Esta gazeta escrota fecha o mês de maio com tudo em ordem e em dia.
O competente técnico Bartolomeu Silva, cuja empresa nos dá assistência técnica, já recebeu seu pagamento.
E Chupicleide, secretária de redação, está relinchando de alegria com o salário depositado em sua conta.
A safadinha disse que hoje vai encher a cara no final do expediente.
Isso só pra me fazer inveja, que estou há anos em abstinência compulsória!
– Um xêro pra todos vocês, meus queridos!
Gratíssimo pelas generosas doações feitas nos últimos dias pelos leitores desta gazeta escrota.
Um grande abraço para os fubânicos Áurea Regina, Maria de Fátima Pereira, Nezilma Batista, João Matias dos Reis, Rubens Lucena, Joana Santigo, Arnaldo Duque Farias, Marluce Quintas e Vanderlei Zanetti.
Um excelente final de semana para toda a comunidade fubânica!!!
E para embelezar a nossa sexta-feira, vamos fechar a postagem com a valsa Contos dos Bosques de Viena, uma comovente homenagem de Johann Strauss II à sua belíssima cidade natal.
DEU NO JORNAL
ESSA VAI FEDER…
ALEXANDRE GARCIA
IOF: O PREÇO DA FIDELIDADE NO CONGRESSO

O Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), que o governo deu uma turbinada, subiu no telhado lá na Câmara dos Deputados. Está muito difícil conseguir votos, mesmo com as ameaças do ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Ele está ameaçando os deputados, dizendo que, se não aumentarem o imposto, não vai sobrar dinheiro para as emendas parlamentares. É assim — e Lula também está fazendo isso.
Mas está muito difícil dizer para um deputado ou senador, que representa o povo e precisa ser reeleito no ano que vem: “Vamos aprovar.” E não é nem aprovar, porque esse é um decreto que já está em vigor. É pedir para não fazer o antidecreto — ou seja, um decreto legislativo que anule o decreto do Executivo.
O Legislativo é o mais poderoso dos poderes. Tem o poder de anular qualquer coisa, porque a vontade do povo está em primeiro lugar na Constituição. É o poder que traduz a vontade popular. O poder emana do povo, que o exerce por meio de seus representantes. E os representantes estão no Legislativo.
* * *
A conta que não fecha
E veja só a situação: você sabe qual é o tamanho da dívida pública? Pública porque é sua, é nossa — dívida do governo federal. Você sabe quanto é um milhão, certo? É mil vezes mil. Um bilhão é mil vezes um milhão. E um trilhão é mil vezes um bilhão. Agora, a dívida está em sete vezes um trilhão: são R$ 7,6 trilhões. Como é que se paga isso? Não se paga. Vai se enrolando, rolando. Mas há juros altíssimos. Tem que pagar juros sobre isso — e juro é dinheiro posto fora, não é?
Eu ganho com isso, porque compro papéis do governo que me pagam juros. Mas o governo está gastando demais. Se você olhar o “Impostômetro”, lá em São Paulo, verá que o “gastômetro” está uns R$ 300 bilhões acima do que se arrecada. Isso significa déficit.
Interessante é que, no governo anterior, havia superávit. Nos Correios, havia superávit. Agora, é déficit. E nas contas públicas, também. Nós pagamos impostos para sustentar o Estado brasileiro — e o Estado brasileiro ainda não presta bons serviços públicos, não nos representa direito por meio de seus poderes. Faz censura, não segue o devido processo legal — e a gente paga imposto para sustentar tudo isso.
Como se viu na reportagem do jornal Zero Hora, de Porto Alegre (RS), tem desembargador ganhando mais de R$ 600 mil por mês, sendo que o teto é R$ 46 mil.
* * *
Representação ou privilégio?
Atenção: a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado está com um projeto — o de número 112 — que, imagine só, discute cotas para mulheres nas Câmaras de Vereadores e na Câmara dos Deputados. Se houver dez cadeiras, quatro são para mulheres. Quer dizer que as quatro mais votadas vão para lá? Não. Elas precisam ter, pelo menos, 10% do quociente eleitoral.
Gente, estão derrubando a pedra de toque do voto, a pedra fundamental da democracia: um indivíduo, um voto. Nesse caso, se for candidata, não será um voto; será “um vírgula alguma coisa”. Será mais que um voto. É um absurdo.
Mas há absurdos maiores. Há um artigo — o de número 869 — que prevê pena de sete anos de prisão para quem estimular a recusa do resultado eleitoral. Ou seja: “Você cala a boca, aceite o resultado eleitoral e pronto.”
Só isso já causa perda de visto pelo governo americano, porque é censura. Gente, recusar o resultado eleitoral é o choro do derrotado — é um direito. Todo mundo diz que o vencido tem o direito de reclamar, de contestar, de chorar. Mas até isso vai ser punido. Incrível.
E mais: não altera nada no sistema de voto pela urna eletrônica. Trata-se de um PLP de 2021. Fique atento. Pergunte ao seu senador qual é a posição dele. Está em jogo o seu voto.
DEU NO X
PODE PIORAR…
CARLITO LIMA - HISTÓRIAS DO VELHO CAPITA
AMOR NO TEMPO DE JARAGUÁ
Beco da Rapariga – Bairro de Jaraguá
Pedro Ernesto tinha uma paixão fulminante, cheia de desejos presos por sua namorada Laurinha, tão bonitinha, de uma sensualidade exuberante. Toda noite eles namoriscavam, se agarravam no portão escuro da moça, não podiam ultrapassar a virgindade. Assim aprenderam as jovens daquela época.
Ernesto depois do namoro, gostava de se aliviar, subindo as escadas das boates de Jaraguá, onde certamente relaxaria. Isaura, rapariga da Boate Tabariz era seu xodó, rapaz gentil, estudante de medicina e divertido.
Numa noite de sexta-feira Pedro Ernesto foi “namorar” Isaura. Subiu a escada íngreme da Tabariz, a boate mais chique de Jaraguá. Uma sala-dancing ampla, algumas mesas com tolha de linho, cinzeiros de prata, mostravam o charme do ambiente. No tablado uma orquestra tocava belas músicas. Deparou-se com o ambiente festivo, as meninas sentadas nas mesas, casais dançando, cumprimentou uma e outra procurando Isaura. De repente ela apareceu com um charmoso vestido vermelho, morena nascida no sertão alagoano, Ernesto abraçou-a com alegria.
– Vamos vadiar a noite toda e pegar o Sol com a mão.
Lá para as tantas entrou no salão o Coronel Zé Malta e três capangas, sentaram-se numa mesa dupla. O coronel, brabo e prepotente mandou chamar Ana, a cafetina. Ficaram conversando, vieram algumas meninas. O Coronel, também deputado, era o maior arruaceiro da Zona. Briga e tiro faziam parte de suas histórias de boemia.
Um garçom, a mando de Ana, dirigiu-se à mesa de Ernesto e avisou à Isaura que o deputado gostaria de sua companhia. Ela respondeu que estava ocupada. O ambiente nas mesas ficou tenso, o deputado não gostou, reclamou, a própria Ana foi à mesa de Ernesto e cochichou no ouvido de Isaura:
– Menina deixe de besteira, o Coronel gosta de você, tem muito dinheiro e você fica aqui com este estudante lascado, mal tem para a bebida. Faça isso não, vá com o deputado, ele está esperando.
Saiu com raiva da sua pupila. O ambiente ficou mais tenso quando ela recusou novamente. As pessoas em volta perceberam.
Ernesto tomou uma decisão. Levantou-se, dirigiu-se à mesa do Coronel. Nessa altura todo salão acompanhava a situação. Quando o estudante encostou-se à mesa do Deputado, a expectativa, o suspense e o medo eram geral, alguns clientes desceram a escadaria, outros ficaram por trás das colunas. Pedro Ernesto falou alto e em bom tom:
– Deputado, o senhor me desculpe, mas a mulher que o senhor pediu está acompanhada comigo, assim ela não pode ficar com o senhor, faz parte de nosso costume, é a lei da boemia, que todos respeitamos.
Os capangas se levantaram com a mão nas cartucheiras, Ernesto continuou olhando nos olhos do Deputado. Esperava-se um tapa, um murro, um tiro, a qualquer momento. Surpreendentemente o Coronel estendeu a mão ao jovem.
– Gostei de você menino, mostrou que é macho, é assim que um homem faz, tome uma dose comigo.
Foi um alivio geral, Ernesto bebeu duas doses, divertiu-se com piadas picantes, depois foi pegar o Sol com a mão com Isaura.
Dizem que o Coronel se tornou amigo do Doutor Pedro Ernesto até sua morte. A história da briga que não houve, ainda é contada pelas quengas, pelos boêmios, pelas cafetinas e bêbados nos bares, nos cabarés do porto de Jaraguá.
PEDRO MALTA - REPENTES, MOTES E GLOSAS
MANOEL XUDU, UM GÊNIO DO REPENTE

O grande poeta paraibano Manoel Lourenço da Silva, o Manoel Xudu (1932-1985)
O meu verso é como a foice
De um brejeiro cortar cana.
Sendo de cima pra baixo,
Tanto corta, como abana,
Sendo de baixo pra cima,
Voa do cabo e se dana.
***
O homem que bem pensar
Não tira a vida de um grilo
A mata fica calada
O bosque fica intranquilo
E a lua chora com pena
Por não poder mais ouvi-lo
***
Eu admiro um caixão
Comprido como um navio
Em cima uma cruz de prata
No meio um defunto frio
E um cordão de São Francisco
Torcido como um pavio.
***
Nessa vida de amargura
O camponês se flagela
Chega em casa à meia-noite
Tira a tampa da panela
Vê o poema da fome
Escrito no fundo dela.
***
Uma novilha amojada
Ao se apartar do rebanho,
Quando volta, é com uma cria
Que é quase do seu tamanho;
Ela é quem lambe o bezerro,
Por não saber lhe dar banho.
***
Carneiro do meu sertão,
Na hora em que a orelha esquenta,
Dá marrada em baraúna
Que a casca fica cinzenta
E sente um gosto de sangue
Chegar à ponta da venta.
DEU NO JORNAL
TÃO SE OBRANDO NAS CALÇAS
Depois de Lula, que precisou de atendimento médico após crise de labirintite, foi a vez de Geraldo Alckmin baixar no hospital com forte dor de barriga.
Isso no dia em que o presidente do seu partido revelou que Dilma mandou espionar Eduardo Campos, morto em desastre aéreo.
* * *
Onde se lê “dor de barriga”, leia-se caganeira.
Esse é termo correto.
Devem estar aperreados com a possibilidade de vir coisas por aí…
DEU NO X
GULOSO: UM COCO NO FURICO
Gentennnn….o cara conseguiu enfiar um coco no KU, Gzuis! 😳 pic.twitter.com/o9CjR13EaB
— Harley Quinn♦️ (@HarleyArlequin1) May 29, 2025
JOSÉ PAULO CAVALCANTI - PENSO, LOGO INSISTO
ANISTIA
Lisboa. Início dos anos (19)70, na mais dura fase da Ditadura Militar (de 1964), comprei um pequeno veleiro e fui registrar na Capitania dos Portos (era, e continua sendo, obrigatório). O nome que escolhi foi “Ann’s Tear”. Traduzindo, a “Lágrima de Ana”. Só que lia-se Anistia. Para que da praia se pudesse vê-lo, todo branco, nas águas de um mar com mais fraternidade.
Na véspera do registro, por precaução, fui conferir no dicionário. E só então percebi que “tear”, além de “lágrima”, também pode ser traduzido por “buraco”. Assim, dependendo de quem lesse, poderia ser “Lágrima de Ana” ou “Buraco de Ana”. Para evitar esse risco registrei só como “Ann’s Tia”. Mistura sem muita inspiração de inglês e português, a “Tia de Ana”. Mas, na praia, todos entendiam a mensagem. E apreciavam o navegar doce daquele Anistia.
Voltemos ao presente. Segundo o senador Eduardo Girão (Novo-CE), desde 1822, nossa História registra mais de oitenta anistias no Brasil. Entre elas de sequestradores, assaltantes e assassinos. Lembro de uma. O caso se deu de 2 a 4/12/1959, passando a ser conhecido como a Revolta de Aragarças. Uma tentativa de golpe feita por oficiais da Aeronáutica e do Exército para derrubar o governo JK. Foi quando tivemos o primeiro sequestro de avião no Brasil, um Constellation de Panair, que decolou do Santos Dumond (Rio) na direção de Manaus e sobrevoava Barreiros (na Bahia). Levava 46 pessoas (38 passageiros). A revolta deu em nada. Que nem a ONU, nem o Exército, nem a opinião pública, ninguém apoiou, levando os revoltosos a fugir para países vizinhos.
Sufocado o movimento, mais tarde, JK tratou de providenciar anistia para os revoltosos. Nosso padrinho de casamento, encontrávamos com ele sempre em seu apartamento no Rio. E, um dia, conversei sobre esse episódio. Então relatou fato curioso. Disse que, quando foi assinar o documento da anistia, os cabelos de seu braço levantaram. Como o pelo dos gatos, quando têm medo. Como se fosse um prenúncio. Não assinou e devolveu a caneta à mesa. Os cabelos voltaram ao normal. Pegou de novo a caneta e, novamente, os cabelos levantaram. Era como uma antevisão do futuro.
Assinou, assim mesmo, por pressão dos amigos. Para poucos anos depois, logo ao início da Ditadura de 1964, ver seu mandato de Senador ser cassado e perder os direitos políticos (em 08/06/1964). Por mãos de alguns dos anistiados por ele, em Aragarças, que foram voz ativa nessa violência. Perguntei se estava arrependido de ter assinado a tal anistia, respondeu que não. Segundo ele, o Brasil precisava mesmo se reconciliar.
Esse tema da anistia voltou a debate quando estávamos na Comissão Nacional da Verdade. Durante os trabalhos, discutimos a questão de punir os responsáveis por torturas, mortes e desaparecimentos forçados de 1964. Antes de seguir, bom lembrar que precederam no mundo, a nossa Comissão Nacional da Verdade brasileira, outras 40 comissões semelhantes. Mais notória sendo a da África do Sul, criada em 1994 por Nelson Mandela e sob direção de Desmond Tutu ‒ um arcebispo da Igreja Anglicana que foi prêmio Nobel da Paz dez anos antes.
E nenhuma dessas 40 comissões anteriores foi criada com o fim específico de fazer justiça. Ou de por, na cadeia, os responsáveis por torturas e mortes. A ideia era, basicamente, só recontar a história do que se passou; e, também, preparar as bases para uma transição menos traumática, em cada país, entre os horrores de antes e os novos tempos.
Tanto que a já referida Comissão da África do Sul tinha só três subcomissões: violação a direitos, reparação e anistia. O que se buscava, sobretudo, era o conhecimento da verdade. Aquilo que aconteceu, de fato, naquele passado triste.. Para quem confessasse o que fez, sendo garantida anistia automática. Valendo notar que não houve uma única prisão, no curso ou por conta (depois) de todas essas outras comissões, em nenhum país.
Com relação à anistia ampla e recíproca, concedida no Brasil aos dois lados naquele tempo (permitindo voltar ao Brasil Arraes, Brizola e outros), é comum dizer que a Lei da Anistia (nº 6.683) foi votada, em 28 de agosto de 1979, por pressão dos militares. Sobretudo para proteção deles próprios. Com certeza foi assim. Ocorre que houve outra Lei da Anistia, posterior no tempo, da qual pouco se fala. Como se nunca tivesse existido.
Foi a única exigência feita pelos militares, nas negociações da transição. Para beneficiar os responsáveis pelo RioCentro, que se deu na noite de 30 de abril de 1981. Posterior, portanto, à primeira lei (que é de 1979). Tancredo concordou. Por ser algo necessário, para o país. Morto, coube a Sarney honrar seu compromisso. O que foi feito com a Emenda Constitucional nº 26, de 27 de novembro de 1985 (art. 4º, com sete parágrafos). Votada por um Congresso livre de quaisquer pressões. O mesmo que elegeu Tancredo, opositor civil ao Regime Militar. Uma regra não apenas mais recente, no tempo, como também de nível superior ao das leis ordinárias, posto que passou a constar da própria Constituição.
Membros de nossa Comissão (menos eu) pretenderam recusar dita anistia, para que todos os responsáveis ainda vivos (bem poucos) fossem julgados, condenados e presos. Na votação das “Recomendações”, na Comissão Nacional da Verdade, votei a favor dela. Textualmente, assim ficou registrado: “Baseado nas mesmas razões que, em 29 de abril de 2010, levaram o Supremo Tribunal Federal, no julgamento da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental nº 153, e com fundamento em cláusulas pétreas da Constituição brasileira, a recusar, por larga maioria (sete votos a dois), essa tese”. Em razão do que nenhum dos envolvidos, de parte a parte, poderá mais ser punido. A menos que o Supremo modifique seu entendimento. A reação da imprensa foi de amplo apoio a essa posição de reconhecer e validar a anistia. Com Editoriais de todos os grandes jornais do país, a favor.
Essa minha posição, a favor da anistia, não é portanto nova. Vem de bem antes. O Brasil, hoje, é outro. Nossas prioridades, outras. Mas somos um país conturbado. E, sobretudo, precisamos de paz. Algo cada vez mais difícil de acontecer. Que o governo politiza a questão, como um meio de impedir que adversários sejam candidatos. E aqueles que deveriam responder por isso mais que todos, no Supremo, são os que mais promovem a radicalização e o confronto. Como se tivessem um ódio ancestral, no coração; sangue, nos olhos; e falta de qualquer piedade, roendo seus corpos. O que é muito ruim.
Por isso, amigo leitor, reitero aqui uma ideia simples. A de que num país fraturado, como o nosso, nada é mais importante, necessário e urgente, que promover a paz social entre os brasileiros. Com uma grande anistia. Política, claro, e não da roubalheira que hoje se espraia. Deixo aqui minha opinião. Cada um pense como quiser, tem direito, afinal vivemos numa Democracia. Será? Para encerrar, lembro poema recente (Exílio) do amigo português Manuel Alegre que diz:
Havia uma casa.
Havia uma pátria.
Éramos vinte ou trinta nas margens do Sena
Onde o vento cantava
Uma canção estrangeira.
É possível viver de outro modo. É
possível transformares em arma a tua mão.
É possível o amor. É possível o pão.
É possível viver de pé.




