DEU NO JORNAL

DALINHA CATUNDA - EU ACHO É POUCO!

GLOSAS

O doce e eu

“Porém nunca vou chegar
A ser Cora Coralina!”

Mote desta colunista

Sou poeta e sou doceira,
E na farofa sou boa,
Faço verso, canto loa,
As vezes sou cantadeira,
E metida a cirandeira!
E nessa minha rotina
De cabocla nordestina,
Eu nasci pra versejar:
“Porém nunca vou chegar
A ser Cora Coralina.”

Dalinha Catunda

Eu nasci agricultor
Cultivando o fértil chão
De enxada e foice na mão
Em meio a mata em flor
Sonhava ser escritor
Da cultura nordestina
Minha obra é pequenina
Mas preciso divulgar
“Porém nunca vou chegar
A ser Cora Coralina”

Araquém Vasconcelos

Eu me chamo Nelcimá
Sempre gostei de escrever
Eu só não quis entender
Que um dia ia versejar
E agora no pelejar
Vou com a alma felina
Tentando ser turmalina
Para a todos agradar
“Porém nunca vou chegar
A ser Cora Coralina.”

Nelcimá Morais

Não faço como Dalinha
Abençoada pela arte
Fazendo aqui minha parte
Pela casa e na cozinha
Pego agulha enfio linha
Faço isto desde menina
Tenho inspiração divina
Peço pra nunca faltar
“Porém nunca vou chegar
A ser Cora Coralina.”

Vânia Freitas

Sendo pra nascer mulher
Desejava ser Dalinha
Tendo vaga pra Mocinha
Até Pagu se quiser
Mas tinha outra colher
Caso fosse Messalina
Um homem em cada esquina
Para experimentar
“Porém nunca vou chegar
A ser Cora Coralina”!

Ésio Rafael

O seu verso apimentado
E o doce dos quitutes
São, sem dúvida, desfrutes
Para os fãs apaixonados
Nesse jeito misturado
De pimenta e sacarina
Tá completa a sua sina
Não convém se lamentar:
“Porém nunca vou chegar
A ser Cora Coralina”

Giovanni Arruda

Na vida já fiz de tudo
Conquistei o infinito
Escrevi, soltei meu grito
A quem o queria mudo
Transformei rima em escudo
Numa verve cristalina.
Com mamãe, desde menina
Aprendi a cozinhar,
“Porém nunca vou chegar
A ser Cora Coralina”

Nilza Dias

Sou poeta de cordel
Versejo com alegria.
Não vivo de fantasia.
À verdade sou fiel.
Vou traçando meu painel,
Na escrita sou feminina
E também sou nordestina
Pois gosto de versejar
“Porém nunca vou chegar
A ser Cora Coralina.”

Rosário Pinto

Não precisa que eu grite
Mas vou dizer nesta rima
Eu não sou de obra prima
Não chego a esse limite
Tenha calma não se agite
Essa poetisa fina
Muito muito me ensina
Deixa o mundo me julgar
“Porém nunca vou chegar
a ser Cora Coralina.”

RivaMoura Teixeira

Pareço na escalada
Da montanha dessa vida
Cada pedra removida
Será uma flor plantada,
Se a semente é germinada
Cumpro um pouco a minha sina
CORA chega e me ensina
Cair e se levantar
“Porém nunca vou chegar
A ser Cora Coralina!”

Bastinha Job

* * *

A grande poetisa Cora Coralina, Goiás-GO (1889-1985)

DEU NO X

ALEXANDRE GARCIA

MAIS UMA PUNIÇÃO PARA SÉRGIO CABRAL NÃO CUMPRIR

Sérgio Cabral

O ex-governador Sérgio Cabral Filho (MDB-RJ) no momento de sua prisão, em dezembro de 2016

A Justiça Estadual do Rio de Janeiro condenou o ex-governador Sérgio Cabral a indenizar o Estado em R$ 2,5 bilhões. Claro que ele não vai pagar isso. Se ele foi condenado a 425 anos de prisão, ficou na cadeia apenas por um tempo e já está na piscina da casa dele fazendo recomendações de peças de teatro e de filmes, vai mesmo pagar R$ 2,5 bilhões? Outro ex-governador, Luiz Fernando Pezão, também foi condenado a pagar R$ 1,4 bilhão, e também não vai pagar. Lamento pela descrença no cumprimento de pena, mas motivos não faltam.

A mulher de Sérgio Cabral também tinha sido condenada a dezenas de anos de prisão; foi para casa porque tinha filho adolescente. A cabeleireira Débora, aquela do batom, passou um tempão na Colmeia, aqui em Brasília, até conseguir ficar com os filhos pequenos, que choravam e pediam pela mãe. Mas Débora é uma cabeleireira, não era uma primeira-dama coberta de joias…

* * *

Depois de Sabino, é Fufuca quem trai o eleitor

Não foi só Celso Sabino que resolveu desprezar o partido e, pior ainda, desprezar seus eleitores, que são seus mandantes. Sabino é um mandatário, ele tem um mandato, porque 142.326 paraenses lhe deram procurações para representá-los e foram abandonados porque ele preferiu ser empregado do Lula, ministro do Turismo. O turismo é mesmo uma maravilha no Brasil; só a cidade de Lisboa recebe mais turistas estrangeiros que o Brasil inteiro. Deveria ir para lá e aprender a atrair turistas, saber o que Lisboa tem e o Brasil não tem: segurança, limpeza, orientação, bons hotéis, boa comida – e tudo isso sem as belezas naturais que o Brasil tem. Mas esse é um outro assunto.

André Fufuca, do Maranhão, também já disse que não sai do Ministério do Esporte, que o presidente do PP, Ciro Nogueira, pode tirá-lo do partido, mas do governo ele não sai. Agora, está discutindo isso com a legenda. Danem-se os 135.078 eleitores maranhenses que lhe deram o mandato, a procuração para representá-los. Mas o verdadeiro mandante de Fufuca e de Sabino não é Lula, são os eleitores deles. Se não meterem isso na cabeça, não existe democracia representativa nesse país.

* * *

Ensino em casa tem parecer favorável em comissão do Senado

Boa notícia vinda da Comissão de Educação do Senado: a senadora Dorinha Seabra (União-GO) deu parecer favorável ao ensino em casa. Os que adoram ser colonizados chamam isso de homeschooling, eu chamo de “ensino em casa”. Conheço pais, mães e filhos que adotaram o ensino em casa, e são estudantes brilhantes. A relatora deu vários exemplos de nações que têm ensino em casa: em primeiro lugar, a Finlândia. que é o maior êxito de ensino do planeta Terra; depois, Áustria, Austrália, Islândia, Bélgica, República Tcheca, Canadá, Chile, Estados Unidos, Dinamarca, Itália, Nova Zelândia, Israel, Portugal, Noruega. Ela citou 18 países no total.

Não é só isso. A relatora alega que o ensino em casa é mais seguro – como também é a escola cívico-militar, onde não entram drogas, não entram traficantes, não entra faca nem arma de fogo na mochila. Lá existe disciplina e as pessoas aprendem a ouvir um “não”, como era a escola antigamente, no meu tempo. Eu tive a sorte de estar em escola pública, que ensinava tudo isso que hoje é preciso ensinar em casa ou na escola cívico-militar.

Outra vantagem é blindar as crianças e adolescentes do gramscismo, que é uma doutrina muito inteligente para se fazer a revolução comunista sem precisar de fuzil, conquistando as mentes e começando com as crianças, contando a história de outra forma. Uma vez, fui dar uma palestra em uma escola de Brasília e, na hora das perguntas, um menino de uns 12 anos me perguntou como era no tempo do regime militar, quando um soldado ficava em cada esquina para bater com a coronha do fuzil na cabeça das pessoas que passavam. Eu disse: “De onde é que você tirou isso?” Pois tinha sido a professora de História que contou.

DEU NO JORNAL

NÃO POUPA NEM AS PIADAS

Editorial Gazeta do Povo

No último fim de semana, a Primeira Turma do STF formou maioria para confirmar a aceitação de uma denúncia contra o senador Sergio Moro (União-PR) por suposta calúnia contra o ministro do STF Gilmar Mendes. A turma julgava embargos de declaração contra a decisão de junho de 2024 que tornou Moro réu; Cármen Lúcia, Flávio Dino, Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin votaram para manter a aceitação da denúncia, faltando apenas o voto de Luiz Fux, que não tem mais como alterar o resultado. E, assim como ocorreu no ano passado, mais uma vez a principal corte do país consegue, em uma única votação, atropelar princípios básicos do direito, a própria jurisprudência, o calendário, o bom senso e o que mais houver em termos de correção jurídica.

Em abril de 2023, viralizou nas redes sociais um vídeo de menos de dez segundos, feito em uma festa junina na qual Moro parecia estar participando da conhecida brincadeira da “cadeia”, em que uma pessoa é “presa” e tem de pagar um valor para ser “solta”. Rindo, Moro afirma que “isso é fiança, é instituto, pra comprar um habeas corpus do Gilmar Mendes”. A Procuradoria-Geral da República, então, entrou em cena e ofereceu denúncia contra Moro, afirmando que ele imputava “falsamente [a Gilmar Mendes] o crime de corrupção passiva”, com as agravantes de crime cometido “contra funcionário público, em razão de suas funções” e “na presença de várias pessoas”, conforme os incisos II e III do artigo 141 do Código Penal. A PGR pediu que Moro fosse condenado a pagar uma indenização a Gilmar Mendes e a perder o mandato se fosse condenado a mais de quatro anos de prisão. Um erro do começo ao fim.

Para começar, tendo o vídeo aparecido nas mídias sociais no início de 2023, e tendo sido claramente filmado durante uma festa junina, era mais que óbvio que o evento tinha ocorrido no mais tardar em 2022, quando Moro ainda nem havia sido eleito senador. Por mais que o Supremo tenha alterado as regras do foro privilegiado não poucas vezes, ao menos desde 2018 a prerrogativa de foro não se aplica a supostos crimes cometidos antes da diplomação, ou seja, o caso jamais deveria ter sido encaminhado ao Supremo, e sim à primeira instância. Isso, claro, se de fato houvesse qualquer indício de crime, e aqui deixamos de analisar o “quem” e o “quando”, para examinarmos o conteúdo e o contexto das afirmações.

A jurisprudência a respeito do crime de calúnia é bastante clara ao afirmar que, para sua configuração, não basta uma afirmação genérica: seria preciso dar detalhes específicos sobre a “venda de habeas corpus”: quando ocorreu, em que processo, quem foi o beneficiado. Na pior das hipóteses, portanto, estaríamos diante de um caso de difamação, cuja pena corresponde a metade daquela prevista para a calúnia. Mas nem isso seria possível imputar a Moro, por outra razão também muito simples: ainda que o vídeo seja curtíssimo, é impossível fugir da conclusão de que tudo estava sendo dito em tom de brincadeira, o que no jargão jurídico chama-se animus jocandi. A melhor doutrina sobre a liberdade de expressão é enfática em afirmar que esse tipo de afirmação não constitui crime, e a jurisprudência brasileira o confirma: é o caso, por exemplo, da primeira das teses do Superior Tribunal de Justiça relativas aos crimes contra a honra, segundo a qual “para a configuração dos crimes contra a honra, exige-se a demonstração mínima do intento positivo e deliberado de ofender a honra alheia (dolo específico), o denominado animus caluniandi, diffamandi vel injuriandi”.

Apesar de um ou outro termo latino, estamos certos de que nada disso é grego para a PGR, nem para os ministros da Primeira Turma. Eles sabem – ou ao menos deveriam saber, já que nem é preciso ter “notório saber jurídico” para tal – que o juiz natural do caso não é o Supremo; que não há elementos para configurar o crime de calúnia; e que o animus jocandi é protegido pela doutrina e pela jurisprudência. Bastaria um desses itens para tornar inepta a denúncia; que ela tenha sido aceita mesmo contendo três erros grotescos não tem explicação jurídica possível.

A explicação, portanto, está em outro lugar, e também não exige muito esforço em encontrá-la: os integrantes do Supremo estão cada vez mais intolerantes a qualquer tipo de crítica. Quem diz pessoalmente a um ministro que ele e o tribunal são “uma vergonha” é obrigado a se explicar à Polícia Federal – como já ocorreu em um caso envolvendo o mesmo Gilmar Mendes, no aeroporto de Lisboa –; quem critica ministros em grupos de WhatsApp acaba processado. Cada vez mais a boa doutrina sobre a liberdade de expressão quando se trata de críticas a autoridades vai sendo esquecida pelo Supremo, e agora nem mesmo a simples piada está imune.

PENINHA - DICA MUSICAL

DEU NO X

DEU NO X

DEU NO JORNAL

É BOA

O governo Lula (PT) avaliou como má notícia a definição do secretário de Estado Marco Rubio, chefe da diplomacia americana, para negociar com o Brasil os termos da normalização da relação bilateral.

Rubio foi a primeira autoridade do governo de Donald Trump a criticar o governo do Brasil publicamente e a denunciar perseguições do STF a políticos conservadores.

Passou por ele ou nasceu dele cada uma das sanções contra autoridades brasileiras.

* * *

Essa nota aí de cima começa dizendo que o governo Lula “avaliou como má notícia”.

Logo, então, portanto, seguindo a lógica e o bom senso, deve ser uma excelente notícia.

Simples assim.

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA