DEU NO X

VIOLANTE PIMENTEL - CENAS DO CAMINHO

O BOM E O BOMBOM

O tempo é inexorável, e com ele se vão nossas ilusões e sonhos não realizados.

Os dissabores e mágoas também se vão e ficam sem sentido.

Às vezes, um “espírito de porco” consegue destruir ilusões e plantar a semente do mal. Não há como se tapar o sol com a peneira. O troféu do mal existe e quem o conquista pode bater no peito e dizer: Consegui puxar o tapete e atrapalhar a vida de alguém. No final, somente as amizades verdadeiras resistem ao espírito do mal.

“Quem é bom, já nasce feito”, diz o ditado. Mas, quem é mal piora a cada dia que se passa. Mesmo assim, há pessoas tão boas, que não enxergam a maldade.

Fazer o bem sem olhar a quem, é bíblico. Mas se a caridade for propagada, passa a ser exibicionismo.

“Quando deres esmola, que tua mão esquerda não saiba o que fez a direita. Assim, a tua esmola se fará em segredo; e teu Pai, que vê o escondido, recompensar-te-á.” (Sermão da Montanha – MT 5.1-2)

Ajudar alguém, eventualmente, é uma coisa. Mas assumir os problemas dos outros, é outra. Há pessoas que não passam sem ter problemas. E quando não tem, arranjam. Depois, querem que os outros resolvam.

Ninguém tem obrigação de assumir os problemas de ninguém. É aí que está a diferença entre ser bom e ser bombom.

Os invejosos não pensam nas pedras que você encontrou pelos caminhos até chegar onde chegou. Nem na dor que você sentiu, ao machucar seus pés nas pedras. Nem nas lágrimas que você derramou, ao ver seus sonhos desfeitos.

Pois bem.

Seu Jorge, dono de uma pequena fazenda, e sua esposa Efigênia moravam numa cidade do interior nordestino. O casal tinha dois filhos. Muito caridosos, marido e mulher combinavam em tudo e viviam em harmonia. A casa deles estava sempre de portas abertas aos necessitados, como se não tivessem chaves nem tramelas.

Era comum, ao amanhecer o dia, pessoas famintas se encontrarem à sua porta, pedindo o café da manhã. Na hora do almoço, a cena se repetia. Os pobres ficavam na calçada, à espera de comida. O casal não negava um prato de alimento a ninguém, ou uma ajuda em dinheiro, para um remédio ou outra coisa necessária.

Com o passar do tempo, oportunistas passaram a se aproveitar da bondade do casal. Na hora das refeições, sempre chegavam alguns desconhecidos, com conversa mole, praticamente se convidando para almoçar ou jantar. Pediam até dormida.

Até pessoas empregadas, mas sem escrúpulos, tentavam tirar proveito do casal, usando de ardil para conseguir dinheiro “emprestado”, o que terminava em calote.

Com a hospitalidade típica do nordestino, o casal tinha prazer em hospedar, em sua casa, pessoas amigas e parentes.

O fazendeiro ajudava aos necessitados, sem alarde, simplesmente, pelo espírito de caridade. Não era político nem cabo eleitoral.

Entretanto, pessoas sovinas e invejosas, que dão adeus de mão fechada, e são incapazes de dar uma esmola, achavam pouco o que ele fazia e instigavam os pobres para que lhe pedissem muito mais. Diziam que o fazendeiro era muito rico e o que ele dava aos necessitados, para ele, não representava nada. Achavam que ele devia ajudar muito mais.

Isso chegou aos ouvidos do casal, que ficou indignado com a maldade humana.

Para completar sua indignação, o fazendeiro escutou, na cidade, uns malandros combinando para irem almoçar na Fazenda Regalia, na casa de “Zé Besta”. Essa fazenda era, exatamente, a dele.

Depois de uma conversa confidencial com o padre da Paróquia, pedindo orientação de como deveria agir para se livrar dos aproveitadores, o casal ouviu este conselho:

– Ajudar às pessoas necessitadas é exercer a caridade. Vocês são verdadeiros cristãos. Dar comida a quem não tem condições de se manter, é uma gesto sublime. Mas não se deixem explorar por pessoas más, verdadeiros golpistas.

O homem tem obrigação de ser bom. Mas não tem obrigação de ser bombom. Quem se faz de mel, as abelhas comem.

DEU NO JORNAL

PABLO LOPES - PEIXE NA ÁGUA

O BESSIAS VAI TER QUE ESPERAR

Eu já estava finalizando o texto que enviaria ao JBF para publicação, no qual trataria da futura indicação do novo ministro do STF, quando fomos tragados pela voragem da tal megaoperação da polícia no complexo de favelas do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro. Acabei desistindo de enviar aquele para escrever este.

Não que a quase certa indicação de “Bessias” não fosse tragédia suficiente e duradoura para merecer considerações deste escriba, mas a enxurrada de mortos; cenas impressionantes de guerra seguidas da torrente igualmente impressionante de falas infelizes e imbecis, me fizeram mudar de ideia. Em frente, pois.

As causas que levaram ao atual estado de coisas ora vigente na capital carioca só podem ser encontradas nos grossos volumes da enciclopédia de mentiras, erros, crimes e mistificações reinantes neztepaiz, e deles não se tratará aqui. Meu ponto é outro: o descarado uso político dos mortos, perpetrado pelas figuras de sempre.

Não bastassem as imagens terríveis de corpos estendidos literalmente em praça pública como troféus, ainda temos que ver e ouvir criaturas física e moralmente decrépitas como as ministras dos direitos ‘dos manos’ e da igualdade racial ou parlamentares que julgávamos extintas da vida política, como Jandira (Jandirão) Feghali e Benedita da Silva, transformando o IML em palanque.

À imoralidade de tal comportamento se somam a desfaçatez e hipocrisia, eis que que acusam o governador Cláudio Castro de ter feito exatamente o que eles fazem muito pior, pois tentam transformar os bandidos, mortos em confronto com fuzis nas mãos, em vítimas de racismo do estado; do fascismo e outras mistificações, para tentar obter dividendos políticos sobre o sangue purificado dos traficantes.

Nem é necessário tecer críticas ao mutismo dessas “otoridades” sobre as únicas vítimas de fato dessa tragédia: os policiais mortos ou feridos. Afinal, desde sempre a esquerda nacional tem cerrado fileira ao lado do crime e dos criminosos. Sem surpresas, portanto.

Nenhuma surpresa também quanto ao comportamento do presidente. Lula, como em todas as ocasiões, deve ter consultado seu ministro da propaganda e verdade antes de se pronunciar. Imagino que tenha sido aconselhado a esperar as pesquisas de opinião para ver de que lado ficava.

Tentou certa neutralidade e até citou, muito a contragosto, os policiais tombados durante a batalha. Mas não resistiu à tentação de juntar-se aos seus e chamar a operação de desastrosa e classificá-la como matança. Deixou a seus cupinchas a difícil missão de tentar convencer a todos que o demiurgo não disse o que disse.

Por fim, como não poderia deixar de ser, Alexandre de Moraes também aproveitou para expor sua careca aos holofotes. Segundo a imprensa, o onipresente e onipotente ministro já emanou suas ordens para preservação dos achados das perícias além de mandar a PF investigar o crime organizado. Também se reuniu com as tais ONGs de direitos humanos. Ou seja, ajudou a colocar em dúvida a lisura das apurações conduzidas pela secretaria de segurança pública do Rio de Janeiro. Já escolheu seu lado.

De resto, só dá para lamentar o destino dos moradores do imenso complexo de favelas do Rio e de outras capitais. Obrigados a viverem sob a exploração dos criminosos e usados por aproveitadores de todos os tons de vermelho que, assentada a poeira, os esquecerão até a próxima tragédia.

O Bessias, ou outro indicado, fica para a próxima coluna, não esquecendo que será, certamente mais uma peça colocada por Lula no sistema já em funcionamento, cujos resultados também são exibidos em toda sua glória na forma de explosões, barricadas, sangue e muita, muita hipocrisia.

Pobre Brasil.

PENINHA - DICA MUSICAL

DEU NO JORNAL

SEVERINO SOUTO - SE SOU SERTÃO

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

VENCEDOR – Augusto dos Anjos

Toma as espadas rútilas, guerreiro,
E à rutilância das espadas, toma
A adaga de aço, o gládio de aço, e doma
Meu coração – estranho carniceiro!

Não podes?! Chama então presto o primeiro
E o mais possante gladiador de Roma.
E qual mais pronto, e qual mais presto assoma,
Nenhum pôde domar o prisioneiro.

Meu coração triunfava nas arenas.
Veio depois um domador de hienas
E outro mais, e, por fim, veio um atleta,

Vieram todos, por fim; ao todo, uns cem.
E não pôde domá-lo, enfim, ninguém,
Que ninguém doma um coração de poeta!

Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos, Cruz do Espírito Santo-PB (1884-1914)

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