DEU NO X

CÍCERO TAVARES - CRÔNICA E COMENTÁRIOS

A DAMA DE FERRO (2011) – O MELHOR DO FILME É MERYL STREEP

Imagem do filme quando saiu em DVD

A cinebiografia de Margaret Thatcher da diretora britânica Phyllida Lloyd, com Meryl Streep numa interpretação memorável, impagável, inesquecível de A Dama de Ferro, se utiliza da velha forma de apresentar a protagonista já idosa e, a partir de suas lembranças, exibir seus feitos do passado, com flashbacks não sequenciais da personagem. Uma tática explorada à exaustão no cinema.

Antes de se posicionar e adquirir o status de verdadeira Dama de Ferro na mais alta esfera do poder britânico, Margaret Thatcher (Meryl Streep) teve que enfrentar vários preconceitos na função de primeira-dama do Reino Unido em um mundo até então dominado por homens. Durante a recessão econômica causada pela crise do petróleo no fim da década de setenta, a líder política tomou medidas impopulares, visando à recuperação do país. Seu grande teste, entretanto, foi quando o Reino Unido entrou em conflito com a Argentina na conhecida e polêmica Guerra das Malvinas. Eventos como os confrontos com os trades unions (os sindicatos britânicos), também foram relevantes para sua biografia, mas foram esquecidos no filme..
Lançado em 2012, A Dama de Ferro é a biografia cinematográfica desta figura magna, controversa, que foi chefe de estado de 1979 a 1990, e era conhecida por seus posicionamentos firmes e inflexíveis, não por ser uma megera horrível, mas porque precisava se impor dentro do universo masculino. O grande triunfo da produção foi ter escolhido Meryl Streep para interpretar a personagem principal, uma atuação que lhe valeu, por mérito, o Oscar, o Globo de Ouro e o Bafta de Melhor atriz em 2012.

No roteiro de Abi Morgan, a trama segue a estrutura tradicional de transitar entre o presente e o passado da vida da Baronesa Thatcher. Neste caso, há um interessante dado biográfico que justifica algumas transições de cena e tempo: Lady Thatcher estava senil, apresentando sinais de demência nos últimos anos. A primeira cena do longa-metragem apresenta uma idosa de lenço na cabeça comprando uma garrafa de leite, caminhando por uma Inglaterra que ela desconhece, em um misto de confusão mental e de uma país que não mais lhe pertence. A imagem pontua bem o distanciamento da primeira ministra nos últimos anos de vida.

É nas idas e vindas entre passado e presente que Meryl Streep e Jim Broadbent brilham. Mesmo em poucas cenas, o velhinho Denis conquista pelo carisma, demonstrando o companheirismo da relação com Thatcher e, em nenhum momento é eclipsado pelo talento de Steep, sem dúvida a grande estrela que brilha neste filme.

Parte do sucesso desta interpretação se deve à maquiagem esmerada da também vencedora do Bafta e Oscar, Marese Langan, que não só a transformou em uma Thatcher mais jovem como desenvolveu uma maquiagem realista para a velhice, dando total credibilidade física à personagem. Enquanto Streep compõe a personagem desde sua postura, na velhice curvada e com dificuldades de andar, para a forte senhora de passos firmes do parlamento.

Definitivamente não é uma obra prima. No entanto, para quem acompanhou um pouco da história no período em que Margaret Thatcher foi primeira ministra, o filme tem a virtude de manter a atenção do público. A excelente interpretação de Meryl Streep com certeza é o ponto alto.

Quanto a forma de apresentar a primeira ministra, não estou certo de que seja a melhor. Partindo de sua senilidade e intercalando trechos da história da premier, de alguma maneira, o filme deixa nublada a extensão de sua influência, ao deixar de fora a possibilidade de discutir os pontos de vista que a fizeram tão controversa.

a) “A DAMA DE FERRO” – Trailer Legendado Full HD

b) Crítica: A Dama de Ferro

DEU NO JORNAL

PENINHA - DICA MUSICAL

DEU NO X

DEU NO JORNAL

HADDAD, O POMBO

Adolfo Sachsida

Haddad vive num mundo próprio: ignora juros altos, rombo fiscal e crise real, agindo como quem derruba o tabuleiro e ainda acha que venceu o jogo

Há um antigo ditado — daqueles que revelam mais sobre a vida do que muitos tratados de filosofia — segundo o qual não vale a pena discutir com um idiota. A imagem é conhecida: debater com ele é como jogar xadrez com um pombo. O pombo desce, derruba as peças, suja o tabuleiro e ainda sai batendo asas como se tivesse vencido a partida. É uma parábola simples, mas de utilidade inesgotável no Brasil de hoje.

Nas últimas semanas, o ministro Haddad decidiu oferecer ao país uma demonstração prática do fenômeno. Segundo ele, a oposição teria abandonado o debate econômico para falar de segurança pública — e teria feito isso, pasmem, porque “o governo venceu na economia”.

É uma conclusão tão desconectada da realidade que deveria constar em manuais internacionais de autoengano. Basta olhar em volta: a taxa de juros permanece entre as mais altas de nossa história recente, o endividamento explode, a dívida pública cresce sem freios, as contas se deterioram mês após mês, e a única criatividade do governo está em aumentar impostos.

Desde 2023, já são 27 iniciativas de arrocho tributário — vinte e sete! — tirando recursos de quem trabalha e produz, e, mesmo assim, o rombo fiscal só aumenta. A economia ainda cresce, é verdade, mas empurrada pelas reformas realizadas entre 2016 e 2022 — justamente aquelas que o pombo Haddad tanto critica. E até esse fôlego começa a rarear após três anos de comando errático da política econômica.

E, como pombos raramente voam desacompanhados, surgiu nesta semana o mini-pombo: o secretário-executivo da Fazenda, que repetiu o mesmo discurso ensaiado. Para ambos, a economia brasileira estaria com “os problemas resolvidos”. Se não fossem pombos, poderiam tentar emprego nas lendárias Organizações Tabajara, do inesquecível seu Creisson, aquele que vendia milagres embalados pela frase “seus problemas se acabaram”. Faltou apenas o selo de garantia.

Mas a realidade, essa velha senhora que não negocia com fantasia, mostra outra história. A segurança pública tomou o centro do debate não pelo suposto sucesso da economia, mas pelo fracasso ainda maior da política de segurança deste governo. Estudos indicam que cerca de 25% da população brasileira vive hoje em áreas controladas por facções criminosas. Em termos simples: um em cada quatro brasileiros habita um território onde o Estado não entra e onde a lei é ditada por organizações que não constam no Diário Oficial.

Governos podem ignorar fatos, mas fatos não ignoram governos.

A incompreensão do pombo e do mini-pombo sobre a segurança pública só é menor do que a incompreensão de ambos sobre a economia. E, em 2027, quando um novo governo tiver de arrumar a bagunça que eles deixarão, veremos a mesma cena conhecida: ambos dando entrevistas, derrubando as peças, sujando o tabuleiro e batendo asas como se tivessem vencido o jogo.

Estatais acumulam prejuízo? Os pombos cacarejam: “é investimento”. O déficit explode? Batem asas e garantem: “é superávit”. Surge a crise fiscal? Emporcalham o tabuleiro e berram: “gasto é vida”. Pombos não aprendem nada, não entendem nada e, sobretudo, jamais admitem nada. São pombos — e acreditam sinceramente que estão jogando xadrez.

DEU NO X

DEU NO JORNAL

LAUDEIR ÂNGELO - A CACETADA DO DIA

DEU NO JORNAL

UM TIQUINHO DE NADA

Com Lula sem o menor constrangimento na hora de torrar dinheiro do pagador de impostos, e avesso a cortar gastos, a dívida pública federal avançou 1,62% em outubro.

Fechou o mês acima de R$ 8,253 trilhões.

* * *

Besteira.

Ainda tá pouco.

Apenas 8 tri-trizinhos.

Aguardem: vai subir.